sábado, 28 de junho de 2014

OS PALESTINOS DA AMAZÔNIA

Cansados de esperar por uma reforma agrária que nunca chega, camponeses fazem a "revolução agrária" na Amazônia.

Por Latuff *

A convite do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (CEBRASPO), passei uma semana na companhia de lavradores nos acampamentos da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), no interior do estado de Rondônia. Nestes meus dias ao lado dos aldeões, tive a honra de comer de sua comida, participar de suas conversas, de sua rotina, tomar conhecimento de suas necessidades, de suas demandas e seus sonhos. Povo forte, que sofre o diabo, mas que não tem medo dele.

Por duas vezes passei a noite numa cabana de palha, onde vivem seu Abel e sua esposa Zilda. Reservaram uma cama pra mim, me receberam com todo carinho e gentileza. Mesmo na simplicidade daquela choupana, havia uma extrema preocupação em me agradar, na melhor tradição de hospitalidade do homem do campo. Acordava-se bem cedo, ainda escuro. "Bom dia, dormiu bem?". Escova de dentes na mão, rumo ao rio que beira a cabana. No moedor a manivela, os grãos de café eram preparados para o desjejum. O leite fervia no fogão a lenha. A mesa posta, os copos, os talheres, o silêncio era discretamente interrompido tanto por mim quanto pelos pássaros. Daqui a pouco seu Abel já estava seguindo para a roça, pra cortar lenha, pra capinar a terra, irrigar as mudas, trabalho árduo para transformar seu pequeno pedaço de selva em lar. Os lavradores humildes precisam de bem pouco para viver uma vida digna, e nem mesmo isso lhes é permitido. Com o argumento do combate ao desmatamento, o IBAMA persegue e aplica multas altas aos que vivem da agricultura de subsistência, usam da Polícia Federal, da Força Nacional de Segurança e mesmo tropas do Exército para sufocar as comunidades, como no caso de Rio Pardo, onde barreiras foram erguidas nas entradas e saídas, pessoas e veículos revistados, postos de combustível do acampamento removidos, um rigor que não tem sido aplicado aos latifundiários, que transformam vastas extensões de floresta nativa em pasto ou monocultura.

O histórico de violência naquela área já vem de longe. No Brasil Colônia, o vale do Guaporé foi palco de disputas imperialistas entre Portugal e Espanha, que só terminaram com as demarcações de terra acordadas pelo Tratado de Madrid em 1750. No século 18 com o ciclo da mineração e particularmente no final do século 19 com o ciclo da borracha, uma grande leva de migrantes de diversas partes do Brasil foram atraídos para a região, causando conflitos agrários com a vizinha Bolívia, que foram resolvidos em 1903 com o Tratado de Petrópolis. Em 1943, como resultado do desmembramento de áreas dos estados do Amazonas e Mato Grosso, foi criado por Getúlio Vargas o Território Federal de Guaporé, tendo sido rebatizado para Rondônia em 1956, em homenagem ao Marechal Cândido Rondon, militar que entre 1910 e 1940 comandou expedições de Cuiabá até o Amazonas para instalar linhas telegráficas e levar a boa e velha civilização branca para o seio dos povos indígenas. Rondônia torna-se estado em 1982.
A Liga dos Camponeses Pobres surgiu em agosto de 1995, quando trabalhadores rurais que ocupavam terras da Fazenda Santa Elina, na cidade de Corumbiara, resistiram ao brutal despejo promovido por policiais e jagunços, resultando na morte de 11 pessoas (em números oficiais), incluindo a menina Vanessa de apenas 6 anos, no que ficou conhecido como o "Massacre de Corumbiara". De lá pra cá, cansados de esperar por uma reforma agrária que nunca chega, os camponeses e suas famílias decidiram promover a "revolução agrária" no peito e na raça. São eles os acusados pela revista Isto É de serem sanguinários guerrilheiros ligados (adivinhem) as FARC.

O que pude presenciar durante minha visita aos acampamentos foram trabalhadores rurais e suas famílias armados, isso sim, de uma força de vontade poderosa, capaz de enfrentar os rigores da Amazônia Ocidental. O clima equatorial, extremamente quente e úmido, onde o sol inclemente castiga a carne, as doenças tropicais como a leshmaniose e a malária, que por aquelas bandas são tão comuns quanto um resfriado, animais selvagens como onças, porcos-do-mato e serpentes venenosas, um risco sempre presente, oculto pela densa vegetação.

Mas não são os rigores da selva amazônica os maiores inimigos do povo do campo. São os fazendeiros milionários e seus exércitos particulares formados por assassinos de aluguel e policiais, cujas ações criminosas são sustentadas por políticos locais e a imprensa corrupta, que alimentada com verbas publicitárias e mesmo matérias pagas, tenta demonizar a justa resistência dos pequenos agricultores. Os matadores são conhecidos por todos, andam tranquilamente pelas ruas, por vezes ostensivamente armados. Não são raras as execuções a luz do dia, a vista de todos. Qualquer um que tenha coragem de, por exemplo, denunciar os pistoleiros num programa de rádio, corre o sério risco de ser assassinado assim que por os pés pra fora da emissora. Conceitos como direitos humanos e cidadania inexistem nos cantões de Rondônia, onde a pistolagem é uma instituição consagrada pela sociedade. Numa corrida de taxi em Ariquemes, junto com mais três passageiros, passei a viagem que durou cerca de 45 minutos ouvindo animadas histórias de fazendeiros, políticos e mortes encomendadas. Uma delas reproduzo aqui.
Um homem pescava num rio. Conseguiu apanhar dois pintados. Amarrou os peixes na garupa de sua bicicleta e seguiu tranquilamente por uma estrada. No meio do caminho foi parado por um fazendeiro e seu jagunço numa caminhonete.
- "Onde você pescou isso?", perguntou o fazendeiro.
- "Naquele rio logo ali", respondeu o sujeito.
- "Então pode deixar por aí mesmo, que aquele rio é meu", disse o fazendeiro, no momento em que o capanga já saía do veículo de forma ameaçadora. O pescador teve de fugir. Ao comentar esse caso com o pessoal da LCP, me disseram que ele teve sorte de não ter sido simplesmente baleado. Essa é somente uma das histórias que explica bem a razão da revolta que o camponês de Rondônia traz consigo no peito.
Historicamente, a reforma agrária no Brasil nunca se deu de maneira espontânea pelos governos, e sim pela pressão feita pelos movimentos populares de luta pela terra, que no caso da LCP, sequer contam com o INCRA para assentar as famílias. Para os integrantes da LCP, não existe o conceito de "desapropriação de terras improdutivas", visto que mesmo as produtivas, estando em mãos de ricos fazendeiros, servirão invariavelmente aos interesses do agronegócio. Os camponeses da LCP escolhem as grandes fazendas, as ocupam, erguem lonas, resistem ao ataque de jagunços, e depois de 2 a 3 meses fazem demarcação dos lotes, o chamado "corte popular", inicialmente erguendo cabanas de palha e depois de madeira. Depois de algum tempo, os acampamentos se assemelham a povoados do velho oeste norte-americano, como no caso de Jacinópolis, com farmácia, escola, mercado, tudo feito de tábuas.
Diferente da confortável vida das grandes cidades, onde restaurantes, lanchonetes e supermercados estão logo ali na esquina, nas áreas de acampamento o supermercado mais próximo pode estar a 80km de estradas de terra acidentadas. É natural portanto que os camponeses tenham de caçar para comer, o que justifica a posse de velhas espingardas que servem também para a defesa contra onças e porcos selvagens. Operações constantes do IBAMA e das polícias, tentam tomar estes armamentos rústicos das mãos dos lavradores, impedindo que eles se defendam tanto de animais ferozes quanto de pistoleiros. O direito a legítima defesa também lhes é negado. Os camponeses, no entanto, seguem resistindo a estas agressões como podem. Fecham estradas, bloqueiam o avanço da polícia com barricadas, criam seus próprios sistemas de vigilância e segurança. Não se entregam nunca.

São os palestinos da Amazônia.

* Latuff é cartunista.


sábado, 14 de junho de 2014

14 de Junho de 2008 - Exército Brasileiro Entregava Jovens da Providência Para Serem Mortos Por Traficantes de Outra Favela

No dia 14 de junho de 2008, David Wilson da Silva, de 24 anos, Marcos Paulo Campos, de 17 anos, e Wellington Gonzaga da Costa, de 19, chegavam ao morro da Providência, onde moravam, por volta das 7h da manhã. Faziam 6 meses que o Exército Brasileiro ocupava as comunidades da Providência para a realização das obras do Plano e Aceleração do Crescimento (PAC). Um dos garotos, Wellington, chegou a largar os estudos para trabalhar nas obras do Cimento Social e ajudar a família.
Juntos de mais dois amigos os garotos foram abordados por 11 militares e agredidos. Dois foram liberados, mas David, Marcos e Wellington foram presos, sob acusação de desacato à autoridade.




A mãe de Wellington, depois de ser avisado por vizinhos da prisão, se encaminhou para o quartel onde viu os jovens muito feridos e foi informada que eles seguiriam para a 4ª DP. Esperou por horas seu filho na porta da delegacia.

Segundo o Exército eles foram soltos depois de ouvidos, mas segundo testemunhas de outra favela, a Mineira, no Catumbi, os militares teriam vendido os jovens a traficantes por 60 mil reais, depois de convencê-los de que os rapazes eram bandidos de um grupo rival.

Por mais de seis horas os traficantes torturaram os prisioneiros. De acordo com testemunhas, por volta das 18h, os três foram executados com vários tiros. Os corpos foram jogados no lixo e encontrados no aterro sanitário de Gramacho, em Duque de Caxias.

mais: http://www.anovademocracia.com.br/no-44/1747-exercito-fascista-sequestra-tortura-e-vende-tres-jovens-a-traficantes

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Assassinato do Dançarino DG: A Ordem do Fascismo



O que aconteceu no Pavãozinho e Canrtagalo? DG “caiu do muro”, “caiu dentro da creche”? Essas versões duraram menos de 24 hs. A comprovação do assassinato vem mais uma vez pela família, amigos e pessoas revoltadas. Uma movimentação estranha de PMs já era notada na creche, até que correu a notícia...Diante dessa reação e a revolta do povo, que desceu em peso pras ruas, a polícia apagou a luz do Cantagalo, Pavão e Pavãozinho, ocupou o morro, com gritos e palavrões, agrediu, chutou, deu tapas na cara, ameaçou de matar jovens que jogavam pedras, matou mais um jovem. Pra quem ainda achava que isso é “despreparo”! Essa polícia é isso. Treinada para passar por cima de tudo, humilhar, desrespeitar, agredir e matar: Criar clima de terror no povo e continuar assassinando os filhos do povo escondendo as provas, deformando a cena do crime, forjando provas e colocando a culpa da morte nas vítimas.

Foi assim que ocorreu a desocupação criminosa do prédio da Oi, a ocupação militar, com 2500 soldados e mais assassinatos na Maré! Assim que querem que o povo não proteste contra a Copa? Com as remoções? Com essas ocupações? Com toda essa arrogância e todos esses crimes? Com a FIFA no comando, que nada mais é do que um escritório de interesses dos monopólios, e Nike, Adidas, Coca-Cola, e outros, que se associaram à Rede Globo.

Sempre a mesma rede globo, que dá a linha na imprensa, para deformar a realidade o tempo todo. A Globo que foi expulsa das manifestações, da greve dos garis e que foi expulsa de novo, pelo povo, quando tentava mais uma vez colocar como verdade as versões da polícia. Polícia tratada como justiceira enquanto todos os filhos do povo pobre são apresentados como traficantes e criminosos. Foi assim com Amarildo, com Claudia Ribeiro, com os mortos da Maré, Paulo Roberto, Mateus, e tantos outros.

Qual é a prática desse Estado e sua “Justiça” diante de toda essa revolta? Certamente alguns dos assassinos autorizados, fardados e mantidos pelo Estado, serão presos, mas logo depois colocados em liberdade, como no caso dos que assassinaram e arrastaram pelas ruas Claudia Ribeiro, como os que invadiram e mataram tantas vezes na Maré e em tantas comunidades do Rio de Janeiro. Porque nunca puniram os torturadores do regime militar? E os assassinos dos camponeses? Dos índios? Tantos mortos por agentes desse mesmo Estado. Que tem na sua conta 50 000 mortes em 20 anos, mais do que as guerras em muitos países. E como são essas mortes? Mortes violentas por armas de fogo, crimes que a “justiça” “não consegue esclarecer”!! Mas o povo se revolta, não aceita isso, luta por justiça, sempre! Essa é a reação indignada da mãe de DG, da comunidade e da opinião pública, do Rio e de todo o Brasil!!!

Liberdade imediata para o Dr. GN Saibaba

Aos democratas, lutadores e defensores dos direitos dos povos.
O Cebraspo convoca a todos para participarem da campanha internacional pela liberdade do Professor Dr. GN Saibaba.
Pedimos que nos enviem as confirmações de adesão. ​

Liberdade imediata para o Dr. GN Saibaba


O professor da universidade de Delhi, Dr GN Saibaba, foi sequestrado no dia 9 de maio último, quando regressava para sua casa após consulta médica, por homens encapuzados que posteriormente assumiram ser da polícia do estado de Maharastra. Dr Saibaba é paraplégico, dependente de cadeira de rodas. Ele é um destacado e firme defensor e ativista dos direitos do povo, tomou parte de campanhas de solidariedade à resistência palestina e iraquiana, das lutas pela autodeterminação dos povos da Caxemira e dos estados do nordeste da Índia.

Sempre esteve na linha de frente de movimentos populares contra a “Operação Caçada Verde”,  como é chamada a grande operação militar, que o Estado Indiano, a serviço de grandes grupos econômicos nacionais e estrangeiros, move contra as populações indígenas e populações que resistem a serem expulsas de suas regiões com extensas jazidas minerais. Essa campanha atinge as populações mais pobres, que sempre foram abandonadas, mas que agora defendem suas terras, florestas e a vida de suas famílias, contra o ataque do Estado e a sanha dos monopólios internacionais. Dr Saibaba esteve sempre na campanha pela libertação dos lutadores e das vítimas dessa operação e de todos os presos políticos na Índia.

Mesmo em precárias condições de saúde, diante das diversas ameaças e absurdas acusações de parte do Estado Indiano nunca escondeu sua condição de defensor dos direitos do povo. Foi interrogado, em setembro do ano passado, quando a polícia invadiu sua residência dentro da universidade de Delhi, levando seus computadores e agendas, com acusações de que teria ligações com a guerrilha maoísta. No início deste ano foi novamente interrogado e mesmo diante de tudo isso nenhuma das acusações da polícia contra ele ficou comprovada.

Uma grande mobilização já se espalha pelo mundo na defesa do Dr Saibaba. Intelectuais renomados da Índia, como a escritora Arundhat Roy e o poeta Vara Vara Rau, a ativista dos direitos das mulheres e líder da Associação Progressista de Mulheres da Índia Kavita Krishnan, escritores, jornalistas, professores, advogados, democratas e lutadores de vários países denunciam seu sequestro e prisão.    Entidades de professores, escritores e de direitos Humanos realizam manifestações exigindo a sua imediata libertação.



Os discursos dos governantes indianos declaram que a Índia é a maior democracia do mundo! Esta propaganda revela-se a cada dia uma grande farsa. A imensa população da Índia vive sob o permanente ataque do Estado indiano, que submisso as pressões e controle dos monopólios estrangeiros, é sempre o primeiro a passar por cima de suas próprias leis, e desrespeitar com truculência qualquer direito do seu povo.

Convocamos a todos as entidades democráticas e às pessoas progressistas que lutam em defesa dos direitos do povo a se manifestarem diante dessa arbitrária e brutal ação do Estado Indiano, que é, inclusive, totalmente ilegal nos marcos constitucionais daquele país.

CEBRASPO, junho de 2014

domingo, 8 de junho de 2014

Congresso Intercultural da Resistência dos Povos Indígenas e Tradicionais do Maraká'nà (COIREM)


Convidamos as companheiras e companheiros a participarem do Congresso Intercultural da Resistência dos Povos Indígenas e Tradicionais do Maraká'nà (COIREM) que está acontecendo desde o dia 4 de junho na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

Mais informações:http://coirem.noblogs.org/

sábado, 26 de abril de 2014

Só a perícia não viu


Após a perícia da Polícia Civil afirmar que as escoriações no corpo de Dougas (DG) seriam compatíveis com uma morte por queda, o Instituto Médico Legal desmentiu a versão, já contestada por amigos e vizinhos de DG, afirmando que havia uma perfuração no corpo provavelmente ocasionada por disparo de fuzil. O delegado Gilberto Ribeiro saiu em defesa dos peritos, dizendo que o corpo estaria coberto de sangue e era difícil notar a perfuração. Uma foto do corpo de DG no local de seu assassinato, divulgada no dia seguinte, mostra que a perfuração era evidente para qualquer leigo.

O povo deve cobrar a devida apuração do crime, a punição dos assassinos de DG, e lutar pelo fim das políticas terroristas de extermínio de pobres aplicadas pelo Estado no campo e na cidade. Os crimes praticados contra o povo por policiais, como prisões arbitrárias, execuções, tortura, ocultação de cadáver, costumam ter o aval de todas as instâncias dentro do Estado, nas polícias, no judiciário ou nos monopólios de imprensa, como ocorria durante o regime militar, tem ocorrido contra camponeses em luta pela terra, e também é frequente nas favelas.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Fascismo e Terrorismo de Estado geram revolta popular nas favelas


A morte de Douglas Rafael da Silva Pereira, o dançarino DG, causou revolta aos moradores dos morros do Cantagalo e Pavão-Pavãozinho. Ao contrário do que diz o monopólio de imprensa, as massas que desceram às ruas de Copacabana na noite de terça feira, assim como os moradores de tantos outros bairros pobres que têm se levantado contra a violência policial, não são bandidos. Não são necessárias as especulações nem os preconceitos da Rede Globo para investigar as causas dos protestos contra UPPs, basta reconhecer que as constantes mortes de moradores de favelas pela PMERJ são motivos de sobra para gerar, além de terror e pânico, bastante revolta na população que é alvo dessa política de extermínios sistemáticos.

Embora a versão de que os protestos em favelas seriam orquestrados pelo tráfico exalte a posição de outros grupos criminosos em relação à suposta credibilidade das UPPs, ainda parece melhor à grande imprensa repeti-lo para justificar a guerra da polícia aos protestos em favelas. Notícias dizem que mais um homem de 30 anos morreu durante os protestos em Copacabana e uma criança de 12 anos foi baleada. Mas as vítimas são muitos mais. São todos que vivem sob o terrorismo de um Estado que não garante nem respeita direitos do povo, que assassina e ainda tenta fazer crer que criminoso é quem luta contra o extermínio do povo pobre.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

PELA IMEDIATA LIBERTAÇÃO DE TODOS OS PRESOS POLÍTICOS!

PELA IMEDIATA LIBERTAÇÃO DE TODOS OS PRESOS POLÍTICOS!
FIM DE TODOS OS PROCESSOS!

Nas manifestações em todo o Brasil, cerca de duas mil pessoas foram presas. Muitas respondem a processos e algumas delas continuam encarceradas. Aquelas que foram liberadas, só conseguiram isso depois de pressão incisiva, das concentrações populares em frente às delegacias e da ação persistente dos advogados e entidades que defendem os direitos do povo. Muitos manifestantes foram literalmente arrancados das mãos da polícia e libertados durante os protestos.
Em alguns casos notórios, como o do manifestante Bruno Ferreira Telles, preso durante o ato realizado durante a chegada do Papa no Rio de Janeiro, no dia 22 de Julho, uma grande armação para acusá-lo de ter lançado coquetéis molotov contra a polícia e incriminá-lo por 'tentativa de homicídio', só foi desmontada em virtude de grande mobilização com a divulgação de vídeos, fotos pela internet e pela ação de advogados e pessoas democráticas em sua defesa.
Diversos manifestantes estão sendo processados por ‘formação de quadrilha’ e outras acusações graves. Pessoas e organizações populares estão sendo acusados de 'arruaceiros', 'vândalos' e 'baderneiros', a fim de descaracterizar seus objetivos e criminalizar suas ações. Esta é a mesma retórica utilizada nos períodos mais sombrios do Regime Militar em nosso país para desqualificar e perseguir opositores.
Na esteira desta retórica autoritária, surgem de forma alarmante verdadeiras medidas de exceção para atacar o direito do povo lutar, como o já famigerado decreto n.º 44.302 que criou a 'Comissão Especial de Investigação de Atos de Vandalismo em Manifestações Públicas' (CEIV), estigmatizado de “AI 5 de Sérgio Cabral.
O povo brasileiro enfrenta uma escalada de criminalização das suas lutas e mobilizações. Esta situação não é diferente da que ocorre cotidianamente nos campos e favelas de nosso país. A polícia que reprime nas ruas é a mesma que assassina moradores de favelas, camponeses e povos indígenas em luta.
Defender os presos políticos é deter a escalada repressiva e defender o direito do povo lutar por seus direitos.
Portanto, faz-se necessário que todas as organizações democráticas, advogados, defensores, artistas, intelectuais e pessoas democráticas levantem uma grande campanha pela imediata libertação de todos os presos políticos, pelo fim de todos os processos que estão abertos na justiça contra os manifestantes, e pela anulação do famigerado decreto Nº 44.302 de Sérgio Cabral.
Convocamos a todos a unir esforços unificando as iniciativas para o lançamento desta grande campanha.
Dessa forma exigimos:
- LIBERTAÇÃO IMEDIATA DE TODOS OS PRESOS POLÍTICOS!
- FIM DE TODOS OS PROCESSOS ABERTOS CONTRA OS MANIFESTANTES!

- REVOGAÇÃO IMEDIATA DO DECRETO Nº44302 DE SÉRGIO CABRAL!