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quinta-feira, 29 de julho de 2021

CAMPANHA: RETOMADA GUARANI E KAIWOÁ TEM SOFRIDO RECORRENTES ATAQUES DE PISTOLEIROS EM MS

MS: RETOMADA GUARANI E KAIWOÁ TEM SOFRIDO RECORRENTES ATAQUES DE PISTOLEIROS, ABRAPO PARTICIPA DE CAMPANHA DE SOLIDARIEDADE

Uma comunidade indígena Guarani e Kaiowá do Tekoha Avete que tomou suas terras em Dourados (MS), tem sofrido recorrentes ataques de pistoleiros (nos dias 10, 11 e 13 de julho). Latifundiários da região não aceitam a presença dos povos indígenas e tem organizado a série de atentados contra os moradores. 

Os ataques tem causado enorme prejuízo aos indígenas: durante os ataques, os pistoleiros destroem casas, atiram contra os moradores e criam um clima geral de terrorismo. A única ajuda da FUNAI, segundo denunciam os indígenas, é uma entrega de cestas básicas que não suprem a necessidade das 20 famílias que moram na Aldeia Bororó. Com a frente fria recém-chegada a Dourados estão ao relento, expostos às intempéries do tempo, a queda de temperatura poderá chegar a 6ºC na próxima segunda-feira segundo alerta laranja do INMET com riscos à saúde de toda a comunidade.

Devido às perdas, a comunidade Guarani e Kaiowá do Tekoha Avete através de vídeos pede doações de lona, roupas de frio e cobertores, para ajudar entre em contato por e-mail com a Associação Brasileira dos Advogados do Povo Gabriel Pimenta (advogadosdopovo.abrapo@gmail.com).

Leia mais em: https://www.folhadedourados.com.br/perto-da-ufgd-retomada-guarani-e-kaiowa-sofre-ataques-armados-recorrentes


sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

RJ: Importate Cinedebate em defesa da Aldeia Maracanã e pela Liberdade de Andre Lemos

Compartilhamos com nossos apoiadores importante relato feito por um membro do CEBRASPO que esteve presente durante o evento, sobre cinedebate realizada durante vigília em defesa da Aldeia Maracanã, na cidade do Rio de Janeiro.

A vigilia ocorre em razão do julgamento pelo Tribunal Federal da 2ª Região, marcado para 1° de dezembro em sessão virtual, para julgar a ação judicial sobre a posse da Aldeia Maracanã.

A Campanha Pela Liberdade de Andre Lemos esteve presente durante a vigilia, e em conjunto com a Aldeia Maracanã, exibiu filme que tratava da desocupação ilegal da Aldeia Maracanã, mostrando as ilegalidades e os abusos cometidos pelas forças de repressão, inclusive a truculência em que foi tratado Andre Lemos.

O CEBRASPO reitera apoio a campanha pela Liberdade de Andre Lemos! Aldeia Maracanã resiste!

A seguir o relato:

No último dia 30 de novembro, a Campanha pela Liberdade de André Lemos realizou em conjunto com a Aldeia Maracanã uma atividade de exibição do documentário “Urutau – Resistência Marakanã”, de realização coletiva. O filme retrata a ocasião em que a Aldeia foi ilegalmente despejada em dezembro de 2013 e em que diversos ativistas que lá estavam foram agredidos, inclusive uma mulher grávida, e em que o indígena Urutau Guajajara permaneceu 26 horas trepado em uma árvore em protesto, impedido pela PM e pelos bombeiros de receber água e alimentos. Nessa mesma ocasião, André Lemos, dramaturgo e professor que ministrava aulas em projetos da Aldeia, foi agredido e preso, tendo sido posteriormente condenado pelos crimes de resistência, desacato e desobediência. O racismo do caso é flagrante, pois diversas pessoas realizavam um protesto pacífico que consistia em permanecerem sentadas em um perímetro que pertencia ao território indígena, mas o único algemado, preso e processado foi André, único negro do grupo. 

O filme foi muito aplaudido pelas mais de 40 pessoas presentes no local e após sua exibição houve um debate, em que um representante da Aldeia falou sobre a atual situação em que novamente sofrem risco de despejo, já que no dia 1º de dezembro seria julgado pelo Tribunal Federal da 2ª Região, em sessão virtual, a ação judicial sobre a posse da Aldeia Maracanã. Por esse motivo a Aldeia estava realizando, junto a vários apoiadores, uma vigília nos dias 28 de novembro a 1º de dezembro. Uma representante da Campanha pela Liberdade de André Lemos também fez uma fala, explicando a injusta condenação do ativista e chamando as pessoas a apoiarem a campanha, com muitas pessoas presentes se propondo a ajudar. Durante o debate pós-filme chegou a notícia de que o julgamento marcado para o dia 1º sobre a posse do território indígena tinha sido suspenso sem data para acontecer, o que foi comemorado por todos os presentes. 

Após a exibição do filme houve batida de maracá em volta da fogueira e posteriormente um show da cantora Kaê Guajajara, com participação de Kandú Puri. Muitas pessoas permaneceram em vigília no local.

Aldeia Maracanã resiste!

Liberdade para André Lemos! 

Lutar não é crime!

Abaixo o judiciário racista!

Contra o encarceramento do povo negro e pobre!

quarta-feira, 27 de maio de 2020

CHILE: REPERCUSSÃO INTERNACIONAL DA CAMPANHA PELOS PRESOS POLÍTICOS MAPUCHE

Compartilhamos em nosso blog vídeo produzido em razão da campanha de libertação aos presos políticos Mapuche do Chile, recebido em nosso correio eletrônico.


O vídeo demonstra a repercussão internacional da Campanha de liberdade, como divulgado pelo nosso blog, acompanhada da canção "Falando a Verdade", de autoria do falecido companheiro Zé Bentão, um dos fundadores da Liga dos Camponeses Pobres.

O CEBRASPO vem a público reiterar seu apoio à libertação imediata de todos os presos políticos mapuche, e também o apoio à sua luta por autodeterminação, contra o velho estado chileno e a exploração latifundiária e imperialista de suas terras!

domingo, 10 de maio de 2020

CHILE: COMUNICADO DOS PRESOS POLÍTICOS MAPUCHES DA PRISÃO DE ANGOL

Compartilhamos, em nosso blog, comunicado público dos presos políticos mapuches, encarcerados na Prisão de Angol. Eles exigem liberdade imediata para os presos políticos do seu povo, ou ao menos uma sentença em que não precisem ficar presos no sistema penitenciário diante da realidade da pandemia de COVID-19, denunciam sua perseguição política, que, segundo a nota, prova que o julgamento tem tido dois pesos e duas medidas entre presos mapuche e demais agentes do Estado. No comunicado, eles exigem seu direito sagrado a terra e autodeterminação, propondo a saída imediata de empresas florestais, mineradoras, empresas de energia, de pesca industrial e demais exploradores que ocupam seus territórios e, também, a desmilitarização dos mesmos, acusando os militares de estarem lá apenas para proteger os interesses dos empresários, grandes fazendeiros e latifundiários.

Os presos políticos mapuche também anunciam que iniciarão, a partir deste 4 de maio, o início de uma greve de fome, até que suas exigências sejam atendidas. Nós, do CEBRASPO, nos solidarizamos com a luta do povo mapuche por autodeterminação e pelas suas terras ancestrais, exigimos liberdade imediata para todos os presos políticos do velho estado chileno, em especial os mapuche, e afirmamos que é de responsabilidade do estado o que pode acontecer aos presos políticos durante estes tempos de pandemia e crise profunda do imperialismo!






4 de Maio de 2020.

Nos dirigimos a nosso povo nação mapuche, à comunidade nacional e internacional, organizações sociais, estudantis, trabalhadores e a todos os se identificam com nossas justas demandas territoriais e políticas.

E lembramos, através deste comunicado, que hoje, 04 de maio de 2020 tomamos a decisão de começar uma greve de fome líquida para exigir ao Estado chileno o seguinte:

KIÑE: a liberdade dos presos políticos mapuche ou a troca por uma medida alternativa diferente da prisão, como estipulado pelo Convenção da OIT (Organização Internacional do Trabalho) n° 169, Artigos 8, 9 e 10 e considerando também a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

Consideramos necessária esta medida como prevenção ao contágio pela pandemia de COVID-19 por razões humanitárias e porque o governo não se pronunciou para salvaguardar a vida dos presos políticos mapuche nem dos presos políticos em geral.

sábado, 18 de abril de 2020

CHILE: DECLARAÇÃO PÚBLICA DE VICTOR PILQUIMAN. PRESO POLÍTICO MAPUCHE

Compartilhamos em nosso blog importante documento produzido pelo preso político mapuche, Victor Adelino Llanquileo Pilquiman, em que ele denuncia que o último recurso judicial que poderia anular o julgamento e sua sentença política contra o mapuche foi rejeitada em um conluio entre governo, promotoria, ministério público, empresas que exploram as terras mapuche e que até mesmo a defesa, direito democrático que deveria ser garantido, estava, segundo denunciou, comprometida com a sentença política imposta pelo velho estado chileno.

Mas ainda, Victor Adelino Llanquileo Pilquiman, afirma com firmeza revolucionária o seu comprometimento com a luta dos direitos de seu povo, reafirmando a continuidade da luta pela autodeterminação mapuche como único caminho justo, não se intimidando aos ataques e ameaças das forças reacionárias do Chile.

O CEBRASPO repudia esta sentença política, e se solidariza com a luta de Victor Adelino Llanquileo Pilquiman e de seu povo, os mapuches! 

A seguir, reproduzimos tradução, feita por apoiadores, de sua carta:


DECLARAÇÃO PÚBLICA DE VICTOR LLANQUILEO PILQUIMAN. PRISIONEIRO POLÍTICO MAPUCHE CONDENADO A 21 ANOS NA CORREIA

“Eu, Victor Adelino Llanquileo Pilquiman, prisioneiro político mapuche da Prisão de Angol. Através deste documento, dirijo-me ao meu amado povo mapuche e a todas as expressões de luta que surgiram hoje em diferentes territórios.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

MA: LÍDER GUAJAJARA É ASSASSINADO A TIROS

Reproduzimos grave denúncia recebida por correio eletrônico sobre mais um assassinato de liderança indígena, do povo Guajajara, no Maranhão.
Zezico Rodrigues foi morto a tiros nesta terça-feira (31) na Terra Indígena (TI) Arariboia, município de Arame (MA). 

Zezico era professor e diretor do Centro de Educação Escolar Indígena Azuru, na aldeia Zutiwa, e tinha forte atuação em defesa do território tradicional do povo Guajajara. Como liderança, posicionava-se contra a derrubada da floresta e vinha denunciando a crescente presença de invasores e o roubo de madeira na TI Arariboia. No último dia 29, Zezico havia sido nomeado coordenador regional da Comissão de Caciques e Lideranças da Terra Indígena Arariboia (Cocalitia).


Zezico Guajajara era professor e diretor da escola indígena da aldeia Zutiwa, na TI Arariboia. Foto: arquivo pessoal

Com o assassinato de Zezico Rodrigues, o número de homicídios registrados contra indígenas do povo Guajajara desde o ano 2000 chega a 49 – sendo 48 deles no Maranhão e um no Pará, conforme dados do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Apenas nos dois últimos meses de 2019, quatro indígenas Guajajara foram assassinados. 

Nos solidarizamos com a luta do povo Guajajara, como importante luta pelo direito de autodeterminação dos povos, e repudiamos mais este assassinato de uma importante liderança indígena. 

Para maiores informações, acessar o seguinte endereço do CIMI: https://cimi.org.br/2020/03/mais-um-guajajara-tomba-ate-quando/

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

AM: INDÍGENA TUIUCA É BARBARAMENTE ASSASSINADO

Reproduzimos grave denúncia de assassinato de liderança indígena no estado de Amazonas, no dia 2 de dezembro. Humberto Peixoto, de 37 anos, da etnia Tuiuca, do povo Utãpinopona, de São Gabriel da Cachoeira (AM), foi brutalmente espancado por um grupo de paramilitares e faleceu cinco dias depois em decorrência da agressão.

Humberto Peixoto Tuiuca é o quarto indígena morto na cidade de Manaus ao longo de 2019. Crédito da foto: Cáritas Arquiodicesana

O indígena foi torturado com pedaços de madeira no momento em que retornava para casa depois de uma reunião da Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime), por volta das 15h; a ação aconteceu atrás de uma feira no bairro Coroado, zona leste de Manaus. O ato covarde o deixou internado em estado gravíssimo, com afundamento do crânio, fêmur quebrado e perfuração na cabeça.

Além de ser membro da Copime, ele representava os povos indígenas como conselheiro suplente no Conselho Municipal de Manaus (CMS/MAO) e era catequista. Humberto trabalhou também como assessor da Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro (AMARN).

O assassinato de Humberto Peixoto é o quarto assassinato com o mesmo perfil a ocorrer em Manaus. Durante o ano de 2019 houve mais três assassinatos de indígenas com atuação destacada na luta, em Manaus. Em 27 de fevereiro, o cacique Francisco de Souza Pereira, de 53 anos, foi executado na residência onde morava, na rua Bahia da Comunidade Urucaia, Conjunto João Paulo, bairro Nova Cidade. No dia 13 de junho, o cacique William Machado Alencar, conhecido como “Onça Preta”, da etnia Mura, também foi executado, alvejado com oito tiros dentro do Cemitério dos Índios. 

Em 6 de agosto, um dos líderes da etnia Apurinã, Carlos Alberto de Souza ‘Mackpak’, de 44 anos, foi executado com mais de dez tiros efetuados por paramilitares encapuzados no conjunto Cidadão 12, no bairro Nova Cidade, zona norte da cidade.

Nós do CEBRASPO, estendemos nossa solidariedade com Humberto Peixoto e sua luta pelo direito sagrado a terra e a autodeterminação de seu povo.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

DENÚNCIA: CACIQUES GUAJAJARAS SÃO ASSASSINADOS A TIROS (MA)

Repercutimos grave denúncia de assassinato de dois caciques, durante ataque a tiros ao povo Guajajara no Maranhão. Foram mortos o cacique Firmino Praxete Guajajara, de 45 anos, da aldeia Silvino (TI Cana Brava) e o cacique Raimundo Belnício, 38 anos, da aldeia Descendência Severino (TI Lagoa Comprida). Os caciques foram alvejados com tiros de revolver, enquanto percorriam em motocicletas um trecho da rodovia BR-266, próximo à aldeia El Betel, na Terra Indígena Cana Brava, no município Jenipapo dos Vieiras no Maranhão.


Cacique Firmino Prexede Guajajara, de 45 anos, da aldeia Silvino, assinado no dia 07/12. Foto: Reprodução/Mídia Ninja


Ainda, conforme a denúncia, outros dois indígenas foram atingidos e escaparam com vida: Neucy Cabral Vieira, da aldeia Nova Vitoriano, que foi ferido na perna e Nico Alfredo, da aldeia Mussun, da TI Cana Brava, que foi atingido na região do glúteo, e submetido a uma laparotomia exploratória e à correção de lesões na bexiga e intestino (encontra-se em estado grave). Segundo as testemunhas, os atiradores estavam dentro de um veículo branco quando começaram a disparar contra os indígenas.

A ação, conforme afirmado pelo coordenador da Funai do Maranhão, tinha todos os indícios de uma "ação planejada". 

No mês de novembro deste ano, outra liderança dos guajajara foi assassinada: o guardião Paulo Paulino Guajajara, morto com um tiro no rosto em uma emboscada promovida por madeireiros.

Nós, do CEBRASPO, nos solidarizamos com a luta indígena na região das aldeias Silvino e Descendência Severino, e demais aldeias da região maranhense, que estão sob constante ataques e ameaças de madeireiros. 

A informação pode ser visualizada na íntegra nos seguintes endereços: 

sexta-feira, 1 de março de 2019

CHILE: MAPUCHES SÃO PUNIDOS POR LUTAREM PELOS SEUS DIREITOS

Após entrarem em greve de fome como forma de lutar por seus direitos e dignidade, conforme denunciamos anteriormente, presos políticos do povo Mapuche foram reprimidos e punidos pelos agentes penitenciários da Prisão de Temuco, no Chile.

Os mapuches, que reivindicavam seus direitos e respeito as tradições de seu povo, sofreram ainda mais sanções por parte do estado. O direito às suas tradições e costumes são garantidos em Constituição e por direitos internacionais. 

Em entrevista, Lonko Facundo Jones Huala, um dos presos políticos em greve de fome, denunciou que a prisão nunca respeito seu direito a cultura mapuche, e afirmou que continuará mobilizado para continuar lutando.

Nós do CEBRASPO reiteramos nossa solidariedade a luta de Lonko e dos demais presos políticos mapuche que estão em luta por respeito, dignidade e auto-determinação.


Segue abaixo tradução da notícia postada pela Agencia de Noticias RedAcción: 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

CHILE: MAPUCHES SE SOMAM À GREVE DE FOME SUSTENTADA POR LONKO FACUNDES

Repercutimos em nosso blog, denúncia da situação de presos políticos Mapuche no Chile. 


Três membros da comunidade Mapuche - Jorge Cayupan, Álvaro Millalen e José Cáceres - participam da greve de fome realizada pelo mapuche Lonko Facundo Jones Huala por 27 dias, unindo forças. A greve de fome foi iniciada por Jones Huala em 27 de janeiro exigindo respeito pelos direitos do povo e pela cultura Mapuche, conforme estabelecido na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A greve de fome foi desatada por Lonk Facundo devido ao histórico de violação sistemática dos direitos mais básicos do povo dentro da prisão de Temuco, onde Lonko foi detido desde que foi extraditado.

Os mapuches redigiram um comunicado onde enumeram as violações de direitos do povo e direitos à cultura Mapuche e expõem suas demandas, como o direito a receber visitas de grupos mapuche para realização de costumes e tradições. 

Nós do CEBRASPO nos solidarizamos com a luta dos mapuches pelo direito a terra e a nação, e condenamos os abusos e crimes cometidos contra os presos políticos desde as masmorras do velho estado chileno. 

Mais informações podem ser lidas no seguinte endereço: https://www.anred.org/?p=110959

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

CHILE: JOVEM MAPUCHE É COVARDEMENTE ASSASSINADO

No dia 14 de novembro o jovem mapuche, Camilo Catrollanca foi assassinado de forma covarde pelas forças de repressão do Velho Estado chileno. 
O CEBRASPO condena veemente este assassinato e denunciamos a campanha de difamação contra Camilo Catrollanca, realizada pelo Estado a fim de justificar sua bárbara execução. 

Reproduzimos a seguir uma tradução da nota emitida pela FERP (Frente Estudantil Revolucionária e Popular - Chile) sobre o assassinato de Catrollanca:



"UM CAI, MIL SE LEVANTAM!

No dia 14 de novembro foi assassinado pelas costas o weichafe Camilo Catrillanca, de 24 anos, pelo  Comando Selva. 

Imediatamente depois, estudantes, moradores e trabalhadores saíram às ruas para desabafar a raiva contida, com ações que ocorreram por todo o país. 

No dia seguinte, 15 de novembro, a Jornada de Protesto Nacional pelo fim das Zonas de Sacrifício convocada pela Prefeitura Aberta de Quintero-Puchuncaví, onde meses atrás se iniciou uma luta contra a extrema poluição gerada pelas empresas imperialistas e monopolistas no território Mapuche, que foi uma verdadeira jornada de protesto popular. As ruas de Santiago, Concepción e Temuco se transformaram em  um  verdadeiro campo de batalha por mais de 3 horas, onde as massas transbordaram inclusive a mesma capacidade da polícia, instalando barricadas em distintos pontos e sabotando bancos, centros de serviços, farmácias, etc. 

Com as palavras de ordem: "De norte a sul, de leste a oeste, queremos ar limpo custe o que custar!" e "Que o povo escute, mataram  um mapuche!", as massas se uniram para continuar a manifestação nas ruas do centro de Santiago.

Até o dia 19, por todo o território ocorriam manifestações, panelaços e barricadas, denunciando a morte de Camilo Catrillanca e exigindo a saída do Comando Selva.

O velho Estado, com este assassinato pelas costas de responsabilidade de um comando militar treinado pelos ianques, que ainda por cima destruíram as gravações da operação onde foi assassinado Camilo (quando um dos grandes orgulhos deste comando era a tecnologia "de ponta" que tinham para registrar suas operações), e que foi encoberto e procurou ocultar na figura de uma operação contra um "delito comum", contra um "delinquente" com antecedentes penais (o que foi demonstrado ser falso), acabou por se revelar cada vez mais no que realmente é: uma máquina de opressão, a serviço do latifúndio, da grande burguesia, do imperialismo. Isto é o que os oportunistas da suposta "oposição" tem tentado ocultar, derramando lágrimas de crocodilo pela morte de Camilo, quando durante seus governos (Concertação-Nova Maioria) aplicaram a mesma política anti-Mapuche, demostrando que não são mais que parte desta máquina de opressão.

Entretanto, isto não ocorre somente em Araucanía, mas também com o assassinato pelo Estado de Alejandro Castro, dirigente pescador da luta de Quintero; além de Kevin Garrido, jovem combatente morto na prisão Santiago 1, condenado pelo "Caso Bombas"; é a militarização dos liceus e sua farsa de "Aula Segura" que busca acabar com a organização combativa de estudantes secundaristas, e um vasto aumento da ofensiva do velho Estado e do imperialismo contra o povo.

Tudo isto  acendeu as chamas do protesto popular e estendeu ainda mais a solidariedade entre o povo chileno e Mapuche, com múltiplas ações que vão crescendo, desde panelaços nas praças dos bairros, manifestações e barricadas, protestos diante das embaixadas do Chile nos distintos países do mundo, e principalmente ações no campo.

Assim  vai-se forjando a unidade dos povos chileno e Mapuche, demonstrando que se um cai, mil se levantam!

Pelo aumento do protesto popular!
Alejando Castro, Kevin Garrido e Camilo Catrillanca: Presentes na Luta!
Fora o Comando Selva!"

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Chile: Lutador Mapuche, Machi Celestino entra em greve de fome por direitos

Lutador Mapuche, Machi Celestino entra em greve de fome por direitos e dignidade

Condenamos e denunciamos a prisão ilegal do lutador Machi Celestino Cordova, conhecido por lutar pelos direitos do povo mapuche no Chile. Celestino foi preso no início de 2018 sob supostas acusações de envolvimento do assassinato de dois fazendeiros durante uma ocupação de terras em 2013. O ativista mapuche tem lutado de forma incansável desde seu cárcere, denunciando sua condição de preso político e exigindo o direito de participar de culto religioso, segundo tradição de seu povo. 

Estendemos nossa solidariedade à Machi Celestino e todo o povo mapuche em luta pelas suas terras e direitos fundamentais no Chile!

Reproduzimos abaixo reportagem do Jornal A Nova Democracia sobre a situação de Machi Celestino:



REDAÇÃO DE ANDRedação de AND
Machi Celestino Cordóva, bravo lutador pertencente ao povo mapuche que está preso desde o início deste ano, lançou comunicado reafirmando que seguirá em luta dentro do cárcere para ter garantidos seus direitos e convoca todos a defendê-lo. Córdova também chamou todos os democratas a defender a luta do povo mapuche e reagir a todas as agressões a este desatadas.
O objetivo da luta de Cordóva, que tem sido por meio da greve de fome, é conquistar o direito de participar de um culto religioso por 48 horas em sua comunidade natal, tradicional e sagrado para sua cultura. Seu pedido tem sido negado pelo velho Estado; seu estado de saúde na prisão também deteriora. Ele está em greve de fome por mais de 100 dias.
“Centenas de anos o governo chileno nos enganou mais uma vez como povo mapuche, portanto, não podemos deixar que fiquem impunes. Faço um chamado amplo e forte para todas as comunidades em resistência, Mapuche e não-Mapuche, todo o Wallmapu para que eles possam mobilizar-se para obter a minha saída para Rewe, algo totalmente alcançável, porém negam-me o direito à saúde e meu direito à liberdade de culto.”, conclama Celestino Cordóva.
Ele também menciona que sua saúde vem deteriorando-se em decorrência da greve de fome realizada para exigir seu direito de regressar à comunidade, reforçando mais uma vez o pedido de mobilização e divulgação da denúncia de omissão do velho Estado diante do caso.
Celestino Cordóva participou de uma ocupação de terra na fazenda Granja Lamahue, comuna de Vilcún, no Chile. Ele se encontra preso desde o ínicio deste ano acusado de justiçar os fazendeiros Jorge Luchsinger e Viviane Mackay por crimes contra os mapuche, durante a ocupação realizada em 2013."

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

ACAMPAMENTO NOVA CACHOEIRINHA- MG É CERCADO POR PMs DE PIMENTEL-PT

DEFENDER O DIREITO A TERRA PARA QUEM NELA VIVE E TRABALHA!


No ano de 2017 vibramos junto aos companheiros posseiros do Acampamento Nova Cachoeirinha, no Norte de Minas Gerais, seus 50 anos de resistência. Heroica resistência! Ontem recebemos a grave denuncia de  que foi concedida ordem de reintegração de posse, beneficiando o latifundiário e ameaçando despejar dezenas de famílias descendentes de quilombolas e indígenas da região que tiveram suas terras roubadas.

O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos- CEBRASPO faz um chamado a todos que defendem a justeza da luta dos camponeses pobres, sem terra ou com pouca terra, a se posicionarem contra o cerco do Acampamento Nova Cachoeirinha e a defenderem os posseiros e o seu justo direito à terra, estes que resistem  a 50 anos nessas terras!
Aos companheiros de Nova Cachoeirinha enviamos nossa solidariedade e nosso compromisso em trabalharmos defendendo o direito dos povos, principalmente o direito de lutarem por seus direitos. Não mediremos esforços!

"O Governo prometeu entrar com Ação Discriminatória para provar que as terras são devolutas, suspender o COVARDE despejo e assentar as famílias e agora está gastando rios de dinheiro com tropas e mandou até helicóptero da PM sobrevoar nossos barracos, assustando nossas crianças e fazendo ameaças. "



Reproduzimos a denúncia que recebemos da Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas e Sul da Bahia sobre as ameças e cerco do acampamento:


"Os camponeses do Acampamento Nova Cachoeirinha denunciaram que a PM de Janaúba chegou pela noite do dia 20 no Acampamento e relataram que durante toda a madrugada as famílias  foram atacadas a bomba de efeito moral, assediadas pelos holofotes das viaturas e ameaçadas pelas tropas da policia,  segundo informações, mais de 100 policiais estão cercando o Acampamento. 

Um companheiro enfartado passou mal e foi retirado as pressas pelos companheiros. Algumas pessoas idosas e doentes tiveram que se retirar pela mata, receosas de represálias.

Também as famílias da Comunidade Vitória, vizinha do Acampamento que prestou solidariedade aos companheiros foram atacadas a bombas e intimidadas durante a madrugada, os policiais ameaçaram quem saísse de casa. 


Até agora nenhum órgão compareceu ao lugar para verificar as condições das famílias e apurar todas essas arbitrariedades, só ficam ligando para o Comitê de Apoio em Montes Claros, enquanto todas essas arbitrariedades são cometidas pela PM contra homens, mulheres e crianças do Acampamento Nova Cachoeirinha."



TERRA PARA QUEM NELA VIVE E TRABALHA!
DEFENDER OS POSSEIROS DE NOVA CACHOEIRINHA!





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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

JUSTIÇA PARA O MAPUCHE BRANDON HERNÁNDEZ HUENTECOL!

Punição para o sargento Cristian Rivera Silva responsável pelos 180 estilhaços que atingiram o jovem mapuche!



Na última segunda-feira, dia 6 de agosto, foi organizada uma manifestação no Chile pedindo justiça para Brandon Hernández Huentecol. O ato contou com a presença de dezenas de pessoas, entre elas mapuches e não mapuches, que exigiam a punição do Sargento que comandou a operação das Forças Policiais Especiais, que realizaram em dezembro de 2016 uma violenta operação, contra a comunidade de Wallmapu no Chile. A comunidade mapuche exige que os crimes cometidos sejam investigados. 
O jovem mapuche, Brandon Hernandez, de 17 anos na ocasião foi atingido por cerca de 180 estilhaços de chumbo ao proteger seu irmão mais novo, de 13 anos, da violência policial. Os disparos foram efetuados pelas costas do jovem enquanto este abraçava seu irmão. 
Brandon passou por 16 cirurgias complexas e segue com 30 pedaços de chumbo alojados em seu corpo. 
Este crime bárbaro está prestes a completar um ano e até hoje o sargento permanece impune. A manifestação ocorrida no início desta semana foi duramente reprimida pela polícia que levou alguns ativistas presos, por outro lado mesmo diante da repressão dezenas de pessoas persistiram firmemente exigindo justiça para o caso e denunciando a responsabilidade do Estado chileno.

O CEBRASPO se soma a campanha com os companheiros e companheiras do Chile, exigindo justiça para o caso e denunciando as barbaridades cometidas contra os mapuches!





Viva a resistência do povo Mapuche!

Justiça para Brandon Hernández Huentecol!


sábado, 9 de setembro de 2017

SEMINÁRIO DENUNCIOU ASSASSINATOS DE INDÍGENAS E CAMPONESES NO BRASIL

Evento celebrou os 22 anos da Resistência Camponesa de Corumbiara

Cerca de 140 pessoas participaram do Seminário 22 anos da Resistência de Corumbiara e os Conflitos Agrários na atualidade. realizado no último dia 30 de agosto na Universidade Federal de Rondônia (UNIR) em Porto Velho/RO. O Auditório da DIRED/UAB, no Campus da UNIR, ficou lotado. O evento foi organizado pela Associação Brasileira de Advogados do Povo – ABRAPO e Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos – CEBRASPO. Além dos organizadores, compuseram a mesa a Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental – LCP, o Movimento dos Atingidos por Barragem – MAB, A Comissão Pastoral da Terra – CPT e o Conselho Indigenista Missionário.

Na abertura do Seminário, o Comitê do Jornal A Nova Democracia exibiu o documentário Terra e Sangue — Bastidores do Massacre de Pau D’Arco. O curta-metragem impactou os presentes, sobretudo a partir do depoimento dos camponeses. Estiveram presentes ao Seminário, advogados e professores da Área de Direito, além de outros professores da Universidade Federal de Rondônia – UNIR. Camponeses de áreas camponesas da LCP e lideranças indígenas também deram seus depoimentos sobre a violência praticada pelo Estado e pelo latifúndio.


O centro das intervenções das organizações que compuseram a mesa foi o de externar a necessidade das organizações democráticas e intelectuais honestos denunciarem o processo crescente de fascistização existente em nosso país. Este processo se dá de forma institucionalizada a partir da ação do Judiciário e, como no caso de Pau D’Arco, da Polícia Militar que persegue e criminaliza camponeses; bem como por bandos armados de pistoleiros que agem sob a proteção estatal. Assassinatos como de Nicinha (2016), liderança do MAB-Rondônia, continuam impunes.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

SEMINÁRIO: 22 ANOS DA RESISTÊNCIA CAMPONESA DE CORUMBIARA E OS CONFLITOS AGRÁRIOS NA ATUALIDADE



Dia 30 de Agosto (quarta-feira)- Horário: 19 horas
Local; Campus da UNIR (Auditório da UAB) – Porto Velho

A Associação Brasileira dos Advogados do Povo- ABRAPO e o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos convidam para o Seminário intitulado 22 ANOS DA RESISTÊNCIA CAMPONESA DE CORUMBIARA E OS CONFLITOS AGRÁRIOS NA ATUALIDADE a ser realizado no dia 30 de agosto de 2017 a partir das 19 horas no Auditório da UAB- Campus da UNIR –Porto Velho.

Em 1995, no município de Corumbiara, 600 famílias camponesas tomaram a fazenda Santa Elina. Grande aparato de policiais e pistoleiros, fortemente armados, invadiram o acampamento na madrugada do dia 9 de agosto. Os camponeses opuseram heroica resistência, e com as armas que tinham – paus, foices e espingardas – sustentaram combate até esgotarem seus recursos. Depois de rendidos, os camponeses foram humilhados, espancados, torturados e 9 camponeses foram executados, inclusive a menina Vanessa, de apenas 7 anos. Vários camponeses morreram tempos depois, em consequência das graves sequelas. Depois de diversas lutas, em 2010, famílias organizadas pelo CODEVISE – Comitê de Defesa das Vítimas de Santa Elina e a LCP finalmente retomaram a maior parte da fazenda Santa Elina, resistiram a ataques de todo o tipo, cortaram as terras por conta e distribuíram os lotes entre si, onde cada família logo começou a viver e trabalhar.
Hoje, passados 22 anos, as forças do latifúndio e do Estado continuam tratando a luta pela terra com violência. Segundo o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), Rondônia tem 106 áreas em situação de disputa, em 23 municípios.  Ao todo são 8.759 famílias acampadas, sendo 25% enquadradas em "alto grau de risco de conflitos graves", mas sabemos que esses números são muito maiores.
Centenas de camponeses já foram assassinadas nos últimos anos em Rondônia e os dados revelam a verdadeira situação de terror a que estão submetidos os camponeses em todo o País.  Seguem os assassinando crescentemente camponeses e indígenas, principalmente suas lideranças combativas. Só este ano fizeram massacres em Colniza (Mato Grosso) e em Pau D’Arco (Pará), totalizando só nesses dois episódios 19 camponeses executados.
Contamos com as organizações de direitos humanos, ativistas do movimento camponês, intelectuais, advogados, dirigentes sindicais, professores, estudantes e todos os trabalhadores que apoiam a justa luta dos camponeses por seu direito historicamente negado de ter um pedaço de terra para trabalhar e viver.
O momento necessita de discussão e ação das organizações que defendem os direitos do povo. Contamos com vossa participação.

        ABRAPO – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS ADVOGADOS DO POVO
CEBRASPO - CENTRO BRASILEIRO DE SOLIDARIEDADE AOS POVOS

segunda-feira, 20 de julho de 2015

EXÉRCITO MEXICANO ASSASSINA CRIANÇA INDÍGENA



Exército mexicano dispara contra povo indígena de Ostula. Um garoto de 12 anos foi morto e diversas pessoas ficaram feridas no ataque militar.

O conflito com as forças militares começou com a prisão do coordenador geral de autodefesas na Costa Michoacana, Semeí Verdía Zepeda. A detenção aconteceu durante uma reunião de lideranças indígenas no município de Aquila, quando centenas de militares realizaram uma operação para prender o líder de autodefesa da região e levá-lo de helicóptero para a cidade de Morelia.

Após a prisão, militares invadiram Ostula violentamente, dando disparos para o ar e por isso a autodefesa da região deteve 3 pelotões e exigiu a libertação de Semei Verdía. A Marinha mexicana enviou cerca de mil soldados para libertar os militares detidos e diante dos protestos atirou na população.
O Gabinete do Procurador-Geral da República (PGR) disse em um comunicado que a prisão de Verdia foi por sua "provável responsabilidade na violação da Lei Federal de Armas de Fogo e Explosivos" e além disso "crimes comuns e crimes federais relacionados com a destruição do material eleitoral."

Outra liderança indígena, o Comandante Hector Zepeda Coahuayana Navarrete, exigiu a libertação de Verdia e disse que a prisão foi devido a luta das comunidades contra o cartel Cavaleiros Templários na região.

A comunidade Ostula registra desde 2009 um saldo de 32 camponeses executadas e seis casos de desaparecimento forçado por parte do cartel.









segunda-feira, 27 de abril de 2015

NOTA DE REPÚDIO DO CEBRASPO ÀS AGRESSÕES FÍSICAS DO PSTU A ATIVISTAS DA FRENTE INDEPENDENTE POPULAR



O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (CEBRSPO) vem a público repudiar as agressões físicas cometidas por cerca de 50 militantes do PSTU, dentre esses diversos de seus dirigentes, contra 6 ativistas que participavam de uma reunião da Frente Independente Popular - RJ, na UERJ, no dia 16 de abril. A reunião tratava sobre o apoio a uma atividade que aconteceria dias depois, organizada pela Resistência Aldeia Maracanã, de celebração ao Dia do Índio, que além de lembrar toda a história, tradição e atualidade da resistência dos povos originários, foi um ato pelo retorno dos 43 desaparecidos políticos de Ayotzinapa e também pela liberdade e fim dos processos políticos de 23 ativistas por lutarem nas jornadas de junho de 2013 e durante a Copa da FIFA. A reunião foi interrompida pela invasão de dezenas de integrantes do PSTU que já entraram na sala dando socos, chutes e jogando cadeiras nos ativistas da FIP. Dentre os agressores está o professor Tiago Hastenreiter, que agrediu uma estudante secundarista de 18 anos, ex-aluna do agressor no Colégio Estadual Julia Kubitschek, onde ele trabalha dando aulas de sociologia! Os fatos são comprovados com fotos dos ferimentos, relatos dos agredidos, relatos de diversas testemunhas e boletins médicos.

O PSTU divulgou duas notas sobre os acontecimentos. Em ambas ele deixa claro que foi uma ação deliberada e apresenta divergências políticas e desentendimentos com o MEPR, uma das várias organizações que compõe a FIP, na tentativa de justificar e amenizar sua ação. Não se deram conta de que nada justifica ou ameniza essas agressões! Os ativistas agredidos eram de diferentes organizações e sofreram esse ataque pela sua posição política de participar ou apoiar uma frente de lutas, a Frente Independente Popular. Tentar justificar essa ação covarde do PSTU é defender as práticas governistas de utilizar “bate-paus” de sindicatos e outros grupos mafiosos para agredir e intimidar quem defende posições combativas. Foi o que ocorreu durante a greve de operários do COMPERJ, quando os trabalhadores passaram por cima da direção do sindicato e foram ameaçados por capangas armados, ou como ocorreu no dia 11 de julho de 2013, no ato das centrais sindicais, quando parte da juventude que estava nas linhas de frente dos protestos daquele ano foi agredida por ordens da burocracia sindical. Agora é o PSTU quem se presta a esse papel.

As agressões do PSTU só servem à grande campanha de criminalização das lutas populares dirigida pelos governos Dilma e Pezão. O Partido dos Trabalhadores sempre disse defender os trabalhadores, mas o que vem acontecendo em seu governo é uma ofensiva contra direitos trabalhistas e contra a liberdade de organização e de manifestação. A criação da Força Nacional de Segurança, no governo Lula, e seu emprego na repressão de lutas camponesas, indígenas, operárias, e até mesmo na infiltração de agentes no movimento popular, como ocorreu no processo dos 23 presos da Copa, demonstram a disposição do PT em reprimir a qualquer custo os verdadeiros movimentos de luta do povo. A Frente Independente Popular tem sido o principal alvo de um processo político contra 23 ativistas e um de seus integrantes, Igor Mendes, está na condição de preso político, no Complexo Penitenciário de Gericinó, desde o ano passado. A Frente Independente Popular enfrenta o que é sem dúvida um dos principais processos políticos do Rio de Janeiro nos últimos anos e mesmo assim nunca abaixou suas bandeiras ou deixou de lutar contra o fascismo, como queria o velho Estado com suas intimidações. Nesse momento em que as organizações combativas da juventude, democratas e advogados do povo conseguem arrancar importantes vitórias contra a campanha criminalizadora do Estado, acontece esse provocativo episódio de covardia vindo do PSTU.

Não é a toa que no dia seguinte às agressões, a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) esteve na UERJ buscando informações com seguranças da universidade. A DRCI tem cumprido papel semelhante ao do antigo DOPS, sendo a responsável pelos inquéritos políticos contra manifestantes e fichando ativistas e organizações. Também não é a toa que o jornal O Globo noticiou em tom irônico esse episódio violento do PSTU que levou um ativista da FIP ao hospital tendo que levar pontos cirúrgicos.
Lembramos que além de tudo isso, no ano passado recebemos a denúncia que a reitora da UERJ pretendia proibir reuniões sem autorização nas dependências da universidade, apoiada no absurdo decreto nº 44.617/14, do então governador Sérgio Cabral. Esse seria um ataque a já restrita liberdade existente nas universidades para reuniões e para o livre debate de ideias. Sendo assim essas agressões serviram também aos anseios antidemocráticos da reitoria desta instituição.

Convocamos todos que se opõem à criminalização dos movimentos sociais e às práticas intimidatórias do Estado, seja por suas forças oficiais ou extraoficiais, a repudiarem essas agressões covardes do PSTU, assim como toda agressão física e ataques a serviço do Estado e seus gerentes contra organizações populares.

Relato de testemunhas:



Relato dos agredidos:


Fotos dos ferimentos dos ativistas e nota da FIP:
https://www.facebook.com/FIPRJ/posts/629613617172887
Fotos da situação da sala de aula após a agressão:
https://www.facebook.com/FIPRJ/posts/630407440426838