domingo, 9 de maio de 2021

Noam Chomsky e diversas personalidades e entidades democráticas assinam manifesto em apoio à Liga dos Camponeses Pobres

O Grupo de Estudos Ao Povo Brasileiro emitiu nota conclamando entidades e personalidades democráticas a declararem apoio e solidariedade à Liga dos Camponeses Pobres e ao movimento camponês em luta, em particular no estado de Rondônia. Atualmente neste estado os acampamentos organizados pela LCP  estão sendo alvos dos ataques do velho Estado que visa realizar um massacre dos camponeses aos moldes dos episódios que ficaram conhecidos como "Massacre de Corumbiara" ocorrido nesta mesma região em 1995.

Leia mais em:

https://aopovobrasileiro.medium.com/chamamento-conjunto-ao-apoio-e-%C3%A0-solidariedade-%C3%A0-liga-dos-camponeses-pobres-7bf183afbe70

BOLSONARO ATIÇA ATAQUE A LCP EM RONDÔNIA!

Em Rondônia, quem são os terroristas?


CHAMAMENTO CONJUNTO AO APOIO E À SOLIDARIEDADE À LIGA DOS CAMPONESES POBRES 

“Não há maior padecer

Do que um camponês viver

Sem terra pra trabalhar.”

(Patativa do Assaré)

A Liga dos Camponeses Pobres (LCP) nasce como fruto da resistência. Foi resistindo ao latifúndio que os camponeses tomaram justamente as terras de Santa Elina, palco da Heroica Resistência de Santa Elina (1995), na qual armados de paus, pedras, armas rudimentares, os camponeses lutaram bravamente contra pistoleiros e policiais que defendiam os interesses de Antenor Duarte, latifundiário mandante. O governador Valdir Raupp (PMDB) foi quem sancionou a ação assassina à época. Após a resistência, os camponeses rendidos foram torturados e massacrados, mesmo idosos e crianças. Vanessa, de 7 anos, foi morta com um tiro de fuzil.

A brutalidade cometida pelo velho Estado, pelo latifúndio e seus lacaios foi respondida não com rendição, mas com maior resistência, com organização, com demarcação de linha revolucionária clara. A morte destes companheiros e companheiras regou com sangue a formação da LCP. Mesmo condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, o velho Estado brasileiro, sob nenhum governo, levou a cabo a punição dos envolvidos no massacre posterior à batalha. Prova disso é que José Hélio Cysneiros Pachá, um dos carniceiros de Corumbiara, hoje é secretário de defesa de Rondônia e continua a conduzir a mesma política, ordenando um massacre ainda maior de sua posição junto ao burocrata Marcos Rocha, governador do estado. 25 anos após a resistência que deu início à LCP, a antiga fazenda Santa Elina foi conquistada. Não houve como parar os camponeses e é por isso que agora os ladrões de terra e cães do velho Estado os temem tanto mais.

Desde 1995, portanto, a Liga dos Camponeses Pobres vem organizando o campesinato brasileiro em uma linha revolucionária, realizando a revolução agrária e tendo como objetivo a destruição total do latifúndio. Vivemos em um país onde em mais de 500 anos a questão da terra nunca foi resolvida, e isso é proposital, serve para manter uma classe dominante de latifundiários que se alimenta da miséria do povo. É por este motivo que a LCP sempre foi vista como uma ameaça ao velho Estado burocrático. Como toda ameaça aos desígnios da classe dominante, o Estado burguês-latifundiário tratou de tentar eliminá-la, sempre, de qualquer forma possível.

Da fundação da Liga até agora diversos dirigentes e militantes foram presos, perseguidos e assassinados pelo latifúndio e pelo velho Estado. Destacamos os companheiros Zé Bentão, dirigente revolucionário da Liga, e Renato Nathan, professor e militante. Zé Bentão foi emboscado e Renato Nathan foi assassinado e tachado de guerrilheiro por ter mapas de cartografia em sua casa. Destacamos mais recentemente as mortes do companheiro Fernando, testemunha ocular da Chacina de Pau D’Arco, que assistiu nesta chacina seus companheiros e o próprio namorado serem mortos pela polícia e pistoleiros, do companheiro Jerlei, covardemente assassinado a mando do latifúndio, desarmado e sem como resistir, e do companheiro Roberto, comerciante apoiador da Liga, também violentamente e covardemente assassinado.

sexta-feira, 7 de maio de 2021

RIO DE JANEIRO: CHACINA NA FAVELA DO JACAREZINHO É TERRORISMO DE ESTADO!

POLICIA CIVIL REALIZA OPERAÇÃO DE GUERRA NO RIO DE JANEIRO: CHACINA NA FAVELA DO JACAREZINHO É TERRORISMO DE ESTADO!

 

A operação da polícia civil ocorrida no dia 06 de maio na favela do Jacarezinho foi uma verdadeira chacina. Oficialmente deixou 25 pessoas mortas (moradores denunciam que o número é maior), inúmeros feridos e até passageiros que estavam em vagão do metrô que passava nas proximidades foram atingidos por projeteis de arma de fogo e estilhaços. Denúncias de moradores e da Defensoria Pública do Rio de Janeiro relatam violações de direitos, invasões de residência, extrema violência armada, evidências de práticas de execução extrajudicial e o desfazimento de cenas de crime por parte dos agentes policiais para impedir o trabalho da perícia. Foi a chacina mais letal da história do Rio até hoje.

Há que se ressaltar que a operação no Jacarezinho foi coordenada pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente. Agora podemos crer que as crianças da favela do Jacarezinho estão com seus direitos assegurados e com certeza não correrão mais o risco de no curso de sua vida ingressarem para trabalhar no tráfico varejista de drogas? Não há limites para o cinismo, o sadismo, e o sentimento anti-povo destes senhores, que após cometerem a barbárie vão as câmeras com as justificativas mais vis.

Representantes da polícia civil falam em “ativismo judicial”, em frontal escárnio à decisão do STF que restringe operações policiais nas favelas a casos excepcionais. A continuidade dessas operações que só resultam em mortes e o desafio ao órgão supremo do Judiciário no país apenas evidencia a decadência do Estado Democrático de Direito que não é capaz de assegurar o mínimo de direitos e garantias civis à população pobre, que historicamente vive as consequências das desigualdades, ausência dos direitos básicos para uma vida digna e a barbárie cotidiana da violência policial.

A chacina do Jacarezinho é mais um nefasto episódio onde o Estado dilacera as vidas do povo pobre e negro das favelas e periferias e seu sangue lava as ruas, becos e vielas. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ), 453 pessoas foram mortas pela polícia do Rio apenas entre janeiro e março deste ano, em média são mais de 5 mortos pela polícia por dia no Rio de Janeiro, segundo dados oficiais. A quantidade de mortos e episódios recorrentes de chacinas nas décadas recentes, para citarmos os casos mais conhecidos, chacina de Acari (1990); da Candelária (1993); de Vigário Geral (1993); da Nova Brasília (1994 e 1995); do Borel (2003); Favela da Coreia (2003); do Caju (2004); da Baixada (2005); chacina do Pan no Complexo do Alemão (2007); do Falet/Prazeres (2019); do Alemão (2020); da Vila Ibirapitanga (2020) e tantas outras pouco noticiadas pelo monopólio de imprensa, mostram o verdadeiro caráter da política de guerra contra o povo pobre do Estado brasileiro. Assassinar pobres não é exceção, é a regra, e periodicamente os algozes do povo decidem deixar esse lastro de sangue e terror em alguma favela para mostrar sua verdadeira face.

A política contra insurgente do Estado brasileiro segue a sua lógica de mando sobre a vida e a morte da população pobre e negra das favelas, de tempos em tempos revela sua face genocida e o caráter fascista de suas ações. É de conhecimento público e notório a alta letalidade policial e a ineficácia de décadas de ações policiais midiáticas e espetaculares, sempre recheadas de requintes de crueldade e covardia.

            Nos solidarizamos com os moradores da favela do Jacarezinho que mesmo sob o terror imposto pelas forças policiais lançaram-se as ruas da favela para protestar contra a covardia que estavam submetidos. Apoiamos todas as iniciativas que surjam para denunciar mais esse crime cometido contra a população das favelas do Rio de Janeiro e defendemos que o povo tenha o direito de se organizar e criar suas formas de luta para garantir seus direitos, entre eles o mais elementar que é o direito à vida. Convocamos todas as entidades democráticas e progressistas a se manifestarem contra este crime de estado e a exigirem punição aos mandantes e executores desta barbárie cometida contra o povo trabalhador.

 

Abaixo o Terrorismo de Estado!

   

Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos - CEBRASPO

 

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Organização democrática emite nota e faz chamamento conjunto ao apoio e à solidariedade à LCP

 

O Grupo de estudos ao Povo Brasileiro, organização democrática, emitiu em 5 de maio nota de apoio a Liga dos Camponeses Pobres (LCP) onde faz um chamamento a todas as forças democráticas do Brasil à se solidarizarem com a LCP e se posicionarem contra as medidas do velho Estado de ataques contra o movimento camponês.

Diversos movimentos, entidades e democratas já assinaram o texto, reafirmando apoio a LCP e se posicionando contra as ações do velho Estado gerenciado por Bolsonaro e Generais.

Na nota, o grupo relembra a história da Liga, seu surgimento em meio a luta pela terra onde  camponeses pobres e sem terra encontram em seu caminho sempre encontraram o latifúndio que em conluio com o velho Estado, promoveu massacres a fim de amedrontar e cessar a sina dos que lutam pelo direito de plantar, colher e viver na terra. 

A nota foi divulgada na internet e compartilhamos com nossos apoiadores em sua íntegra abaixo, deixando nosso apoio a essa importante iniciativa e, nos somamos ao chamamento à total solidariedade com a LCP e a todos os camponeses que lutam pela terra!


Imagem divulgada pela campanha


Chamamento conjunto ao apoio e à solidariedade à Liga dos Camponeses Pobres

quarta-feira, 5 de maio de 2021

BOLSONARO ATIÇA ATAQUE A LCP EM RONDÔNIA!


Em participação por videoconferência na 86ª Expozebu (feira pecuária) o presidente Jair Bolsonaro criminalizou acintosamente a Liga dos Camponeses Pobres e o movimento camponês de Rondônia. Assista ao vídeo abaixo (trecho entre 14min50seg e 15min53seg retirado de https://www.youtube.com/watch?v=URJGWAMIFiI)


Utilizando-se dos tradicionais jargões, como "terror" e "terroristas", sempre carcarejados pelos governantes para criminalizar a luta popular no campo, Bolsonaro se junta à imprensa porta voz do latifúndio e à polícia militar do estado de Rondônia na tentativa de criar justificativas para realizar o massacre dos camponeses em luta naquele estado.  Em nota proferida pela Liga dos Camponeses Pobres está clarividente que os verdadeiros terroristas e criminosos são o latifúndio e seus bandos armados. Leia neste link Em Rondônia, quem são os terroristas?

Convocamos todas as entidades e personalidades democráticas e progressistas e todas e todos os defensores dos direitos do povo a ficarem vigilantes sobre a onda de criminalização da luta pela terra, em particular aos camponeses de Rondônia. E conclamamos a se solidarizarem com a LCP e com os camponeses em luta pela terra no Estado de Rondônia.

LUTAR NÃO É CRIME!
TERRA PRA QUEM NELA VIVE E TRABALHA!
ABAIXO A PERSEGUIÇÃO AO MOVIMENTO CAMPONÊS!

quinta-feira, 29 de abril de 2021

RO: Moradora de área vizinha ao Manoel Ribeiro é ameaçada de morte

 Reproduzimos mais uma denúncia de ameaça aos camponeses e moradores da área Manoel Ribeiro e seus entornos. Segundo o portal Resistência Camponesa, uma moradora de uma área vizinha recebeu ameaças via whatsapp por número divulgado em nota, em que consta um nome "Cabo Emerson" no perfil. A nota afirma ainda que a ameaça faz parte de uma campanha de intimidação e criminalização, visto que a Justiça suspendeu por tempo indeterminado o mandato de reintegração e posse da fazenda onde se encontra a área Manoel Ribeiro.

Por último, a nota ainda faz um chamado para que todos sigam firmes na defesa da luta das famílias do acampamento Manoel Ribeiro e dos moradores da região e pelo fim imediato de toda essa campanha de intimidação, ações violentas e criminalização da luta pela terra.

O CEBRASPO apela a todos os democratas, progressistas e revolucionários a defenderem os camponeses da área Manoel Ribeiro e das regiões vizinhas e denunciarem todas as tentativas de intimidação e ameaças aos seus moradores!

Segue abaixo a nota em sua íntegra: 

Moradora de área vizinha ao Manoel Ribeiro é ameaçada de morte

Em mais episódios da política de terror e criminalização contra os camponeses e a luta pela terra, uma camponesa moradora de área próxima ao acampamento Manoel Ribeiro está recebendo ameaças de morte por telefone. Nas ameaças feitas via whatsapp (originadas do número 69 9223 3339) imagem de um revólver é enviada, dizendo que o dia e hora estão contados e que será alvo em Chupinguaia. Ao que tudo indica tais ameaças partem de policiais, pois o mesmo modus operandi já foi observado em outras ameaças feitas também via telefone. Num desses casos, as ameças se originam do número 69 9218 8790 e no perfil do whatsapp consta a autodenominação de “Cabo Emerson”.

A moradora que está recebendo as ameaças é uma pessoa ativa da região que se solidariza com todos e principalmente com a luta dos camponeses pela conquista de sua terra.

Após a firme resistência dos camponeses do acampamento Manoel Ribeiro (últimas terras da antiga fazenda Santa Elina) e a suspensão por tempo indeterminado da injusta reintegração de posse, obrigando o governo recuar, os moradores de toda a região estão sendo submetidos a uma campanha de terror por parte do velho Estado. Estão realizando bloqueios de estradas, interrogatórios, agressões físicas e psicológicas, invasão de casas, ameaças de prisões por parte das forças policiais do velho Estado fardados ou a paisana. Tudo como parte de uma odiosa campanha de criminalização da luta pela terra movida pelo governo de turno deste velho Estado e alardeada pelos porta-vozes do latifúndio.

Querem fazer crer que os camponeses são criminosos, quando sabemos que os verdadeiros bandidos são os latifundiários ladrões de terra da União e toda essa gente paga para defendê-los e para criminalizar a luta justa pela terra. Os camponeses têm feito chamados a todos aqueles que não aceitam estas injustiças a continuarem firmes na defesa da luta das famílias do acampamento Manoel Ribeiro e dos moradores da região e pelo fim imediato de toda essa campanha de intimidação, ações violentas e criminalização da luta pela terra.




PR: Apoiador da luta camponesa é covardemente assassinado em Vila Jirau

Reproduzimos grave denúncia de assassinato cometido contra um apoiador da luta camponesa em Nova-Mutum (PR) no dia 27 de Abril, o comerciante Roberto Pereira da Silva Pandolfi de 34 anos, esposo e pai de família. A Liga dos Camponeses Pobres (LCP) emitiu uma nota em repúdio e responsabilizou grupos paramilitares a mando de latifundiários da região, exigindo punição para os assassinos e os mandantes do crime. O CEBRASPO também se solidariza com a família e repudia esse covarde assassinato cometido contra o comerciante Roberto, se somando à LCP em exigir punição aos responsáveis pela sua execução. 

Abaixo, segue a nota da LCP em sua íntegra:


 Apoiador da luta camponesa é covardemente assassinado em Vila Jirau (PR)


Roberto Pereira da Silva Pandolfi e sua família

No dia 27 de abril de 2021 em Vila Jirau, na região de Nova Mutum-Paraná, norte de Rondônia, foi assassinado por volta das 9 horas da manhã o comerciante Roberto Pereira da Silva Pandolfi de 34 anos.

Roberto tinha uma pequena loja de materiais de construção e estava carregando um veículo com materiais pra entrega quando o assassino chegou e o executou com vários tiros na frente da esposa.

Roberto deixa esposa e 1 filha e muitos amigos que estão sentindo a enorme perda.

Latifundiários ladrões de terra da União já estavam usando seus porta-vozes há vários dias pra justificar os assassinatos que já cometeram e outros que estão planejando cometer.

Esses assassinos covardes acham que vão conseguir parar a luta pela terra com o terror dos assassinatos, mas estão enganados. Nenhuma forma de terror mata a fome dos necessitados, muito pelo contrário. O terror que estão fazendo vai aumentar a fúria dos camponeses na busca por justiça.

Nos solidarizamos com a família do Roberto. Punição já para os assassinos e seus mandantes!

Roberto assassinado por bandos armados do latifúndio


do rio que tudo arrasta, dizem que é violento.mas ninguém chama de violentas as margens que o comprimem”

LCP- liga dos camponeses pobres de rondonia e amazonia ocidental.

terça-feira, 20 de abril de 2021

CAMPANHA DE SOLIDARIEDADE AO ACAMPAMENTO MANOEL RIBEIRO (RO)


Atualmente mais de 200 famílias estão acampadas na área e foi montada operação de guerra contra os camponeses, perseguições diárias e sistemáticas. 
A região é parte da antiga fazenda Santa Elina, onde ocorreu o episódio que ficou conhecido como “Massacre de Corumbiara” em 1995, lembrado pelos camponeses como a Heroica Resistência Camponesa de Corumbiara.
A luta pela terra é um direito legítimo, são os camponeses que produzem os alimentos que chegam às mesas dos brasileiros, que hoje sofrem com a fome e a pandemia. Convocamos a todos e todas , defensores dos direitos do povo a se solidarizarem com as mais de duzentas famílias, entre mulheres, crianças e idosos que têm resistido incansavelmente a essas ações ilegais que constituem verdadeira tortura e terrorismo de Estado.





Informações atualizadas podem ser encontradas em:

Ofício da campanha em PDF: 




segunda-feira, 19 de abril de 2021

RO: Polícia intimida vítimas de Santa Elina e invade casas de professores em Corumbiara

Polícia intimida vítimas de Santa Elina e invade casas de professores em Corumbiara

Policia realiza blitz ilegal no cruzamento da estrada que dá acesso ao Acampamento Manoel Ribeiro

Uma ilegal campanha de perseguição e criminalização tem afligido moradores das áreas camponesas vizinhas ao Acampamento Manoel Ribeiro, região onde em 1995 policiais guaxebas* e pistoleiros cometeram o odioso crime de Estado conhecido como “Massacre de Santa Elina”, que assassinou 11 camponeses pais de família e a pequena Vanessa do Santos de 7 anos de idade.

Professores das crianças das áreas camponesas Zé Bentão, Renato Nathan e Maranatã I e II tiveram seu domicílio invadido na calada da noite por policiais a paisana, na madrugada do dia 16 de abril.

Segundo testemunhas, em atitude bandidesca e intimidatória, os “agentes” arrombaram porta e reviraram pertences pessoais dos profissionais de educação deixando bilhete com o recado “Estive aqui. Dúvida vá a delegacia”, o que aponta para a participação direta das forças de repressão locais em mais estes crimes de arrombamento e invasão.

Bilhete intimidatório deixado na casa invadida

Policiais arrombam porta e invadem casa de moradores

Moradores relataram que horas antes do arrombamento, estes mesmos “agentes”, se fazendo passar por funcionários do Incra e se dizendo à serviço da “reforma agrária”, estiveram na localidade em busca de trabalhadores da região.

Denúncias dão conta ainda de que estes mesmos policiais à paisana, por vezes portando armas de grosso calibre, têm circulando em duas caminhonetes pretas descaracterizadas abordando e interrogando moradores em seus lotes e exigindo informações a respeito de camponeses acampados e apoiadores do Acampamento Manoel Ribeiro.

Em momento algum mandados ou qualquer documento oficial foi apresentado pelos policiais que fazem essas diligências clandestinas, o que reforça a natureza das ilegalidades cometidas.

Na ensandecida campanha criminalizadora, inclusive fotos de alguns camponeses e moradores armazenadas nos celulares dos policiais têm sido mostrados na odiosa caçada por efetuar prisões notoriamente ilegais, como se os trabalhadores fossem criminosos.

Dentre os camponeses que foram submetidos à intimidação e interrogatórios estão sobreviventes e familiares das vítimas de Santa Elina.

A conversa é sempre a mesma. Mentindo serem pessoas que querem ajudar no processo jurídico e na regularização de terras para “reforma agrária”, os policiais armados, vestindo roupas comuns, fazem uma série de perguntas, exigem respostas, dizendo estar em busca de algumas pessoas no intento de ajudá-las, para invadirem casas durante a noite e cometerem todo tipo de detenções arbitrárias.

Alguns moradores denunciaram inclusive ter tido seus celulares hackeados e recebido ameaças através de telefonemas por parte de policiais.

Chamada telefônica intimidadrora realizada por policiais contra camponeses de Corumbiara

Os relatos afirmam também que vários camponeses estão constantemente tendo a privacidade de seus lotes violadas por viaturas que durante a noite lançam focos de luz fortes em direção às casas e terrenos dos trabalhadores, como se as famílias estivessem cometendo algum crime. Isso para além das frequentes blitze que humilham o povo na região em busca de informações sobre supostas lideranças e ativistas. (Veja aqui as denúncias)

A intensificação da perseguição contra moradores e vítimas de Santa Elina, orquestrada pelo governador reacionário Marcos Rocha e seu comparsa, o Secretário de Segurança José Hélio Cysneiros Pachá, ocorre no mesmo momento em que o judiciário determinou a suspensão por tempo indeterminado do despejo das famílias do Acampoamento Manoel Ribeiro que por mais de uma semana repeliram heroicamente todos os covardes ataques das tropas policiais e impediram a invasão das terras ocupadas. (Assista os vídeos aqui)

A perseguição contra os apoiadores das famílias que lutam pelo seu sagrado direito à terra é a forma baixa com que o governo e o latifúndio se utilizam afim de tentar isolar os camponeses do Acampamento Manoel Ribeiro para assim atacá-los mais facilmente.

Porém, os sucessivos crimes do governo só têm exposto cada vez mais o verdadeiro caráter antipovo do reacionário Marcos Rocha e suas polícias que rasgam as leis quando se trata de defender latifundiários ladrões de terra e atacar famílias trabalhadoras.

Imprensa-lixo do latifúndio espalha mentiras e ajuda na criminalização

Além das inúmeras ilegalidades, a infâme campanha criminalizadora conta com o auxílio da imprensa-lixo do latifúndio para espalhar mentiras e difamação contra os camponeses em luta pelas últimas terras ainda não cortadas da antiga Fazenda Santa Elina.

Veículos do monopólio de imprensa e os jornalecos locais porta-vozes do latifúndio têm espalhado mentiras proferidas pelo próprio carniceiro de Santa Elina Cysneiros Pachá – atual Secretário de Segurança e comandante responsável pelas torturas e assassinatos na antiga Fazenda Sante Elina em 1995 – de que famílias estariam sendo ameaçadas pelos próprios acampados a não sair do acampamento.

Ora, se existem ameaças e intimidações contra as famílias acampadas, todas elas são perpetradas pelo próprio governo bandido que têm mantido um cerco contra o acampamento, mandado diariamente suas polícias dispararem balas de borracha e bombas contra mulheres e crianças. Policiais estes que durante tentativa de invasão do acampamento disseram, inclusive, que fariam um novo massacre igual ao de 1995. Mesma polícia esta que conformou o bando paramilitar guaxeba que atacou o Acampamento Manoel Ribeiro por 6 meses, conforme ficou comprovado em investigação a pedido do Ministério Público Estadual (MPE). (Entenda mais sobre o caso clicando aqui)

Estas são as únicas ameaças que existem! Porém, estas ameaças o cínico carniceiro Pachá não se atreve a admitir, uma vez que fazer isso implicaria em assumir crimes, dos quais este covarde assassino está tão acostumado a se afugentar – vide a Heroica Resistência do Camponeses de Corumbiara, na qual, o carniceiro comandou a tortura e execussão dos posseiros após estes terem sido rendidos.

A natureza dos crimes do carniceiro Cysneiros Pachá é tão vil que nem mesmo situações de guerra permitem o cometimento de tais atrocidades, sendo penalizadas em tribunais internacionais!

Os pseudo-jornalistas puxa-saco de latifundiários que dizem prezar pela imparcialidade não se envegonham ao veicular informações como estas.

Alguns destes, de tão desesperados em lamber as botas de seus ricos chefes latifundiários chegaram mesmo a afirmar o absurdo de que a Fazena Nossa Senhora seria um anexo e não parte da antiga Fazenda Santa Elina.

Para pôr fim a mais esta mentira e desinformação, repercutimos a seguir uma matéria bastante esclarecedora do portal Gente de Opinião do ano de 2010, na qual fazendo referência a um decreto publicado no Diário Oficial da União em 16/04/2010, afirma que as terras da Fazenda Nossa Senhora Aparecida foram declaradas “de interesse social para fins de reforma agrária.”.

“A Superintendência Regional do Incra em Rondônia esclarece que o imóvel denominado “Fazenda Santa Elina”, atuais fazendas: Maranata, Nossa Senhora Aparecida e Água Viva, localizado no município de Chupinguaia, estado de Rondônia, teve sua área declarada de interesse social para fins de reforma agrária, através do Decreto s/no, de 15.04.2010, publicado no Diário Oficial da União, em 16.04.2010. Assim, esta Superintendência Regional
realizará todos os procedimentos técnicos e administrativos necessários à concretização da determinação.”

Mas, se enganam estes bandidos do governo, suas polícias e imprensa vendida se pensam que vão fazer parar a luta pela terra com mentiras, difamações e perseguições. Todo esse aparato só mostra o desespero dos ladrões de terra e seus sócios que frente à luta organizada das famílias, veêm os seus dias de crimes e enriquecimento ilícito contados para o fim.

*Guaxeba: termo popular usado em Rondônia e região para designar pistoleiros, homens armados contratados pelos latifundiários para fazer a vigilância das terras roubadas e cometer crimes, principalmente contra camponeses.

Veja a nota em sua integra: https://resistenciacamponesa.com/luta-camponesa/policia-intimida-vitimas-de-santa-elina-e-invade-casas-de-professores-em-corumbiara/