quinta-feira, 22 de julho de 2021

ÍNDIA: Caçada 3.0 (Palavras de Azadi da Índia sobre monitoramento digital à ativistas)

Compartilhamos, abaixo, artigo escrito por Azadi denunciando o monitoramento e a espionagem feitos pelo velho estado indiano contra ativistas e militantes, muitos dos quais são acusados de serem membros do Partido Comunista da Índia (Maoísta).


Caçada 3.0

Até agora, a Índia sofreu com diferentes caças organizadas pelo governo para acabar com o PCI (Maoísta), líderes, militantes e simpatizantes. Na era da tecnologia eles não podiam ficar para trás e recentemente ficamos sabendo da análise realizada pelo Arsenal que um "malware havia sido implantado" nos computadores de Rona Wilson, Sudha Bharadwaj e Surendra Gadling, que estão presos desde junho de 2018, eles são três dos primeiros cinco presos em junho de 2018 como réus no caso Bhima Koregaon.

O tribunal especial da Agência Nacional de Inteligência (NIA) não quis saber nada sobre esses relatórios e continua a negar repetidas vezes os laços dos presos políticos membros do BK16. Varavara Rao obteve, excepcionalmente por motivos de saúde, a fiança em maio passado. Stan Swamy morreu há duas semanas sem conseguir, "morreu sob custódia". Documentos também foram plantados em seu computador e a fiança foi negada várias vezes, já que o tribunal duvidou que ele estivesse realmente com problemas de saúde física.

Há poucos dias sabia-se que a Caça 3.0 também está ligada a essas prisões e certamente a muitas outras, visto que os avanços tecnológicos atuais permitiram que Israel criasse um programa espião: o Pegasus Spyware. De acordo com o Grupo NSO, o programa foi vendido apenas para agências governamentais autorizadas e tem como objetivo o combate ao terrorismo e ao crime.

A lista vazada, com mais de 50.000 números de telefone "concentrados em países conhecidos por monitorar seus cidadãos", foi consultada pela organização de mídia sem fins lucrativos Forbidden Stories (Histórias Proibidas), com sede em Paris, e pela Anistia Internacional, que a compartilhou com 17 organizações de notícias no âmbito do Projeto Pegasus .

É bem conhecido que Modi é um vândalo da espionagem e do controle. Em dezembro de 2018 e como um presente de Natal para o país, dez agências nacionais foram autorizadas a espionar qualquer cidadão para garantir que as leis estejam sendo cumpridas e a integridade do país não está em perigo. (A Agência de Inteligência - IB; a Agência Central de Investigações - CBI; a Agência Investigativa Nacional - NIA estão entre os dez). Acrescentemos que o governo tem tentado impor uma carteira de identidade digital e sem a qual não seria possível abrir conta em banco, ter acesso a serviços públicos, etc ... Por fim, o Supremo Tribunal Federal determinou que não era obrigatório, entretanto, os bancos e outros serviços públicos continuam a solicitá-lo. Com a pandemia, o governo criou um aplicativo que não serve para nada, exceto para manter os cidadãos sob vigilância com ou sem vírus, um aplicativo que o governo "ordenou" a ser baixado. Esse era simplesmente um aplicativo de monitoramento e controle.

Agora sabemos que existem camaradas cujos telefones foram infectados com Pegasus Spyware. É uma aplicação que se instala no telefone através de uma chamada perdida que depois se retira e, uma vez instalada, salta para os contactos indicados. O spyware Pegasus permite que você acesse o microfone, a câmera e os aplicativos do seu telefone. A pessoa afetada nem sabe que está sendo espionada, então a Caçada 3.0 está a todo vapor. Para jornalistas e políticos famosos ou populares, certamente será fácil se livrar do Pegasus, mas ... quantos telefones estão realmente infectados? Dependendo do jornal ou revista, fala-se de 140 a 500 infectados cujos nomes, na sua maior parte, não foram revelados mas, tal como há propagadores assintomáticos de Covid, sabemos que o Pegasus funciona da mesma forma.

Todo mundo está falando sobre os jornalistas e políticos afetados pelo spyware, mas e os cidadãos cujo único crime é defender os direitos humanos, pensar diferente, lutar pelos outros? E os direitos individuais à privacidade, à liberdade de expressão?

Pegasus foi encontrado nos telefones de Rona Wilson, Anand Teltumbde, Vernon Gonsalves, Arun Ferreira, Gautam Navlakha, Shoma Sen, Sudha Bharadwaj, Surendra Gadling, Hani Babu, Varavara Rao, alguns de seus parentes próximos e em outros camaradas e ativistas como como Bela Bhatia, Jaison Cooper, Rupali Jadav, Soni Sori, Lingoram Kodopi,…

Claro, o governo ignorou o problema e depois de alguns dias nas primeiras páginas, a notícia será esquecida e só quem está sob o olhar do Big Brother saberá que as coisas ficarão um pouco mais complicadas em qualquer nível. Quem garante que uma mudança de número de telefone devolverá a privacidade para continuar com sua vida?


Links: (caso você queira ler um pouco mais)

https://www.thequint.com/explainers/pegasus-spyware-attack-and-affected-phones-explained

https://www.indiatoday.in/technology/features/story/what-is-pegasus-spyware-how-it-works-and-how-it-hacks-into-whatsapp-1829615-2021-07-1

https://forbiddenstories.org/pegasus-project-articles

https://thewire.in/tech/pegasus-spyware-bhima-koregaon-activists-warning-whatsapp (artigo sobre um ataque anterior em 2019)

https://www.bbc.co.uk/news/world-asia-india-57884096 (o governo simplesmente se faz de surdo)

https://www.bbc.co.uk/news/technology-57881364 (caçando ativistas graças à tecnologia)

https://thewire.in/rights/elgar-parishad-case-surveillance-pegasus (BK15 + 1 são acusados ​​de serem maoístas e de tentarem assassinar Modi)

www.livelaw.in/news-updates/arsenal-report-bhima-koregaon-case-bombay-high-court-rona-wilson-177397 (o tribunal especial da Agência Nacional de Inteligência - NIA recusa-se a aceitar os relatórios do Arsenal sobre implantação de material falso nos computadores dos réus do caso Bhima Koregaon)

https://www.washingtonpost.com/world/2021/04/20/india-bhima-koregaon-activists-report

https://www.washingtonpost.com/world/2021/07/06/bhima-koregaon-case-india


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Para acessar o texto em seu formato original: http://dazibaorojo08.blogspot.com/2021/07/india-caceria-30-palabras-de-azadi.html

terça-feira, 6 de julho de 2021

ABAIXO A PERSEGUIÇÃO POLÍTICA AOS 4 PRESOS POLÍTICOS DO ACAMPAMENTO MANOEL RIBEIRO



A Associação Brasileira dos Advogados do Povo – ABRAPO e o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos – CEBRASPO vêm denunciar o caráter de perseguição política cada vez mais expresso na ação penal que incrimina os camponeses Ricardo Paulino, Ezequiel Cavalcanti, e Luís Carlos Mendes, e Estefane Oliveira estudante de ciências sociais da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), presos no dia 14 de maio durante a luta pela terra no acampamento Manoel Ribeiro localizado no município de Chupinguaia/RO.

Em audiência ocorrida no último dia 29/06/21, a prova de acusação ficou comprometida por um conjunto infindável de manifestas contradições entre si, mas, também, em relação à prova produzida pela defesa, através de áudios e vídeos, produzidos pelos camponeses e pela própria PM. A prova testemunhal de defesa e o interrogatório dos presos políticos foram firmes e claros, coerentes com o conjunto da prova.

Foi provado que: a) a estudante não empunhou nem acionou nenhuma arma de fogo, como consta da acusação; b) que as testemunhas de acusação e uma das testemunhas de defesa (que, na verdade, deveria ser arrolada pelo MP, mas, como este não fez, era importante ter o seu depoimento, razão pela qual a defesa resolveu arrolá-lo como de defesa) mentiram em pontos cruciais de seus relatos, havendo não só numerosas contradições entre eles, como em relação à prova de áudio e vídeo; c) que as viaturas e a câmera de uma delas não foram danificadas por ação dos camponeses, mas, sim, por conta da investida das mesma pasto adentro; d) que não houve ataque contra os policiais, mas, apenas, tentativa dos camponeses de mantê-los afastados do acampamento; e) que os presos não se aproximaram da cerca; f) que os presos foram torturados no ato e após as suas prisões; e muito mais.

Mesmo provando que a PM mentiu e que a denúncia repetiu as mentiras fabricadas pela Polícia Militar; e demonstrando que, pelo desmonte do acampamento, não persistem os motivos de garantia da ordem pública que embasaram a decretação das prisões preventivas; e, mesmo que, com os interrogatórios, tenha se encerrado a instrução probatória do processo; não subsistindo, tecnicamente, os motivos supostamente ensejadores da preventiva, foi negado novo pedido de liberdade provisória dos presos, desta feita pela expressa criminalização da LCP – Liga dos Camponeses Pobres, para além desse processo, sob a alegação de que os camponeses teriam prometido voltar, mais preparados.

Essa é a prova cabal do caráter político desse processo, dirigido, a qualquer custo, a incriminação dessa importante entidade do movimento popular em luta pela terra.

A defesa, inconformada, se esmerará na defesa de mérito e na impetração de um habeas corpus em favor dos presos políticos.

Em meio à avalanche fascista e ao aumento da criminalização de toda a luta popular, aumenta a importância da mobilização das entidades democráticas e progressistas e de todos os defensores dos direitos do povo, em torno da campanha de solidariedade aos presos políticos e à luta camponesa que ocorre de norte a sul do País.

A região amazônica, no norte do País, é onde a situação está mais agravada, vide a investida pessoal de Bolsonaro na criminalização da LCP, em recentes declarações, e a presença constante de seu filho Flávio no Estado de Rondônia, se reunindo com agentes da repressão e com latifundiários grilheiros de terras da União, dos camponeses e dos indígenas.

Conclamamos todos e todas que se ombreiam com a luta camponesa e pelos direitos democráticos, sendo o direito à terra um dos mais elementares, a divulgarem mais essa injustiça perpetrada contra camponeses em luta, e a se manifestarem em apoio e pela liberdade dos presos políticos do acampamento Manoel Ribeiro.

Está na ordem do dia a denúncia das arbitrariedades desse que se diz “Estado Democrático de Direito”, mas, que, nos lembra, na verdade, os tempos mais obscuros de nossa História e da defesa daqueles que lutam pelos direitos do povo!

LIBERDADE PARA ESTAFANE, RICARDO, EZEQUIEL, E LUÍS CARLOS!

ABAIXO A PERSEGUIÇÃO E A CRIMINALIZAÇÃO DO MOVIMENTO CAMPONÊS EM RONDÔNIA E DA LCP!

LUTAR NÃO É CRIME!

Mais de 500 entidades democráticas e defensores dos direitos do povo assinam manifesto em defesa do acampamento Manoel Ribeiro e da Liga dos Camponeses Pobres e pela liberdade imediata dos camponeses presos

terça-feira, 22 de junho de 2021

Centenas de ativistas se mobilizam pela Liberdade de Georges Abdallah na França

 




Reproduzimos a seguir a nota enviada pelos companheiros:

Centenas de pessoas se mobilizaram neste sábado, 19 de junho, por ocasião do Dia Internacional dos Prisioneiros Revolucionários, para clamar pela libertação de Georges Abdallah.

Após a leitura da declaração de Georges Abdallah, da Campanha Unitária pela Libertação de Georges Abdallah e dos discursos, a densa, dinâmica, vermelha e combativa procissão percorreu as ruas dos bairros operários dos 19º, 20º e 11º arrondissements. arrondissements, da Place des Fêtes à République e recebeu uma recepção entusiástica da população, nestes dias de terraços cheios. Mais de 1000 folhetos foram distribuídos e centenas de cartões assinados. Chegou então o momento de uma reunião conjunta, onde a festa continuou em torno de um gole de amizade e canções revolucionárias internacionais.

Este 5º evento nacional, que voltou a ter muito sucesso este ano, chega a encerrar uma semana de ações internacionais que foi a ocasião para iniciativas organizadas em várias cidades da França e a nível internacional (na Bélgica, Itália, Canadá, Tunísia, Suíça, Palestina ocupada, Espanha, Inglaterra).

Vamos continuar a luta, com os próximos prazos de mobilização:

 - 03 de setembro: refeição solidária pelo retorno da ativista à escola

 - 10, 11 e 12 de setembro: Festival Huma incluindo a grande manifestação pela libertação de Georges Abdallah no sábado 11.

 - 24 de setembro: refeição solidária "Um ônibus para Lannemezan"

 - de 24 de setembro a 23 de outubro: mês internacional de ações pela libertação de Georges Abdallah.

 Georges Abdallah, seus camaradas estão aqui!

 De Paris a Gaza, resistência, resistência!

 


sexta-feira, 4 de junho de 2021

Convocatória para Ato de Desagravo ao Desembargador Siro Darlan de Oliveira


Nós, da Associação Brasileira dos Advogados (ABRAPO) do Povo e do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (CEBRASPO), convidamos as entidades democráticas e o público em geral, as pessoas que conheçam a trajetória funcional, o caráter e a honra do Desembargador Siro Darlan, para um Ato de Desagravo ao mesmo, a ocorrer em 10 de junho das 2021 às 18 horas presencialmente, com um número restrito de participantes, e com transmissão por meio virtual. Há anos, o referido magistrado tem sido alvo de uma implacável campanha de criminalização e perseguição política, que chegou, agora, ao seu ponto máximo: uma acusação esdrúxula e absurda de venda de decisão no Plantão Judiciário, para soltura de um preso, por R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais).

            O Dr. Siro Darlan é um magistrado de vida simples e austera, sensível às causas do povo, defensor das Garantias Constitucionais, dos Direitos Humanos, dos Direitos da Infância e da Adolescência, e com histórica posição crítica à pena privativa de liberdade. Desde sempre, o referido magistrado se destaca na defesa das liberdades democráticas e contra o arbítrio extremado do Estado de polícia vigente, que responde pelo encarceramento em massa e extermínio dos negros, dos jovens, dos pobres.

Como membro da Associação de Juízes para a Democracia, o Dr. Siro Darlan é conhecido pela independência e imparcialidade das suas decisões. Por isso mesmo, se tornou uma “pedra no sapato” dos setores mais reacionários do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, associados aos seus acólitos no Ministério Público, na política e na imprensa. Devido às suas posições, o magistrado foi vítima de uma denúncia inepta, sem provas, surpreendentemente recebida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decidiu pelo seu afastamento das funções que exercia, dentre elas, a Presidência da 7ͣ  Câmara Criminal do TJ.

Então, neste grave momento, reiteramos o chamado pela construção deste importante ATO DE DESAGRAVO AO DR. SIRO DARLAN, bem como o nosso repúdio à torpe tentativa de macular a sua carreira e a sua honra. Rechaçamos a sua perseguição política travestida de processo penal, típica do “Direito penal do inimigo”.

Contra a perseguição aos magistrados democráticos!

Em defesa do direito do povo a lutar por seus direitos!

 

*O evento será transmitido ao vivo pelos canais das mídias independentes - MIC - Mídia Independente Coletiva, Mídia 1508, e da Tribuna da Imprensa Livre - no Facebook, Youtube e Instagram

Participantes:

Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos – CEBRASPO

Associação Brasileira dos Advogados do Povos - ABRAPO

Associação de Juízes Para a Democracia - AJD

João Batista Damasceno – Cientista Político

Luís Carlos Valois – mestre e doutor em Direito Penal e Criminologia pela USP

Marcelo Chalréo - presidente da Comissão de Direitos Sociais da OAB/RJ

João Tancredo - advogado e Secretário Geral do Instituto de Defensores dos Direitos Humanos – DDH

Paulo Amaral – ex-preso político, advogado de presos políticos no regime militar, e Presidente de Honra da ABRAPO

Cid Benjamin – Vice-presidente da Associação Brasileira de Imprensa

Flávia Fróes – Instituto Anjos da Liberdade

Associação Nacional da Advocacia Criminal – ANACRIM

Daniel Mazola – Editor-chefe da Tribuna da Imprensa Livre


sexta-feira, 21 de maio de 2021

Mais de 500 entidades democráticas e defensores dos direitos do povo assinam manifesto em defesa do acampamento Manoel Ribeiro e da Liga dos Camponeses Pobres e pela liberdade imediata dos camponeses presos(Atualizado em 30/06)


Em virtude do acirramento da repressão e dos diversos ataques ao movimento camponês no estado de Rondônia o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos - CEBRASPO e a Associação Brasileira dos Advogados do Povo - ABRAPO organizam manifesto já assinado por mais de 500 entidades e personalidades progressistas e democráticas. Entre os signatários estão a Associação de Juízes para a Democracia, a Associação Americana de Juristas / Rama Brasil, a Associação Brasileira de Reforma Agrária, a Ouvidoria Geral Externa da Defensoria Pública de Rondônia, o Centro de Defesa dos Direitos Humanos Pedro Lobo, a Frente nacional Contra a Privatização da Saúde, Associação Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior – ANDES, Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz - ASFOC/SN, diversas associações de docentes, sindicatos, professores, juristas, artistas e personalidades democráticas e progressistas como Ennio CandottiRoberto Leher, Vladimir Safatle, Luiz Eduardo Soares, Virgínia Fontes, Eduardo Viveiros de Castro, Dermeval Saviani, José Claudinei Lombardi, Carlos Frederico Mares, Dr. Siro Darlan, Dr. João Tancredo, Dr. Jorge Luiz Souto Maior, Peter Pál Pelbart, Cacique Babau, Carlos Latuff, Georgette Fadel, Armando Babaioff, Soraya Ravenle, a medalhista olímpica Marta de Souza Sobral, Dom Roque Paloschi presidente do Conselho Indigenista Missionário, Padre Júlio Lancellottio renomado professor e democrata indiano Amit Bhattacharyya e diversos intelectuais honestos de todo o país.

Além do repúdio ao cerco policial que ocorria diariamente nas redondezas do acampamento Manoel Ribeiro, o manifesto também exige a liberdade imediata de 4 camponeses presos ilegalmente no último dia 14 de maio pela polícia militar. Esses episódios ocorrem logo após as declarações do genocida Bolsonaro atiçando a repressão contra os camponeses daquela região (https://cebraspo.blogspot.com/2021/05/bolsonaro-atica-ataque-lcp-em-rondonia.html?m=1).

O acampamento Manoel Ribeiro estava localizado na antiga fazenda Santa Elina, mesmas terras onde ocorreu o episódio conhecido como "Massacre de Corumbiara" em 1995. Em comunicado emitido no dia 23 de maio os camponeses informaram que por decisão unanime de sua Assembleia Popular defiram por uma retirada planificada e organizada da área. As 200 famílias realizaram uma façanha: bateram em retirada durante a madrugada sem serem vistos por todo o aparato policial montado em volta do acampamento. Segundo o pronunciamento, eles cumpriram uma "jornada vitoriosa para a Revolução Agrária" e com a retirada os planos de realizar mais massacre contra os camponeses foram frustrados. Ao invadir o acampamento os policiais encontram uma faixa com os dizeres "Voltaremos mais fortes e mais preparados!".

As assinaturas seguem em aberto, envie um e-mail para cebraspo@gmail.com

Para informações atualizadas acessem https://resistenciacamponesa.com/

  

NÃO ACEITAREMOS MAIS UM MASSACRE CONTRA O POVO BRASILEIRO

EM DEFESA DA VIDA DOS CAMPONESES DO ACAMPAMENTO MANOEL RIBEIRO E DA

LIGA DOS CAMPONESES POBRES, RONDÔNIA

 

Nós, movimentos sociais, homens e mulheres cidadãos brasileiros e de outros países, vimos nos posicionar contundentemente contra as ameaças do governo Bolsonaro e generais de promover mais um massacre no campo. O recente crime bárbaro ocorrido no Jacarezinho onde 27 pessoas foram executadas sem que seus crimes fossem caracterizados, processos julgados e condenados, num país onde não há pena de morte, mostra que eles não titubeiam, se preciso for, em violar as próprias leis que dizem defender. A senha já foi dada: Bolsonaro chama todos os movimentos sociais de defesa de direitos, nos quais se encontra o sagrado direito a terra, de “terroristas”. E não somente, celebra o avanço do latifúndio de velho e novo tipo (o agronegócio) sobre florestas protegidas, reservas indígenas e terras públicas, ao arrepio da legislação e condenando quem quer fiscalizar.

A situação da vez, criminalizada diretamente por Bolsonaro, é o acampamento Manoel Ribeiro, da Liga dos Camponeses Pobres, no município de Chupinguaia, Rondônia. Atualmente mais de 200 famílias estão acampadas na área e foi montada operação ilegal de guerra contra os camponeses, perseguições diárias e sistemáticas com uso de bombas de gás lacrimogêneo, tiros de bala de borracha e spray de pimenta, tentativas de invasão, uso de helicópteros sobrevoando o acampamento e ainda cerco e isolamento da área, impedindo que as famílias possam locomover-se para comprar produtos de subsistência básica, como clara tentativa de causar tortura psicológica, terror e intimidação. Até a presença de trabalhadores da atenção básica à saúde foi retirada, em plena pandemia de COVID-19, em que as ações de vacinação estão sendo conduzidas para as populações de risco. Todo esse ataque aos camponeses ocorre a despeito do Juiz responsável pelo processo de reintegração de posse ter suspendido a mesma, garantindo, mesmo que provisoriamente, a presença dos camponeses no local.

Numa escalada de agressões contra o acampamento, no dia 14 de maio, os policiais atacaram covardemente dez camponeses, prendendo outros quatro, em acusações infundadas e forjadas com maquinação ilegal de plantar provas de crimes.

A região é parte da antiga fazenda Santa Elina, onde ocorreu o episódio que ficou conhecido como “Massacre de Corumbiara” em 1995, lembrado pelos camponeses como a Heroica Resistência Camponesa de Corumbiara, quando 12 camponeses que ocupavam a fazenda foram mortos pelas forças policiais e outras dezenas foram covardemente torturadas e espancadas, inclusive mulheres e crianças. Essa ação hedionda ocorreu sob o comando do coronel José Hélio Cysneiros Pachá, hoje o secretário de segurança pública do Estado de Rondônia, que está à frente de ações ilegais perpetradas contra os camponeses que ocupam a área.

quinta-feira, 20 de maio de 2021

MÉXICO: TRÊS ANOS DO DESAPARECIMENTO FORÇADO DO DR. ERNESTO GARCIA, ADVOGADO DO POVO

No dia 10 de maio último, completaram-se três anos do desaparecimento forçado do doutor Ernesto Sernas Garcia, catedrático de direito da Universidade Autônoma Benito Juarez de Oaxaca – UABJO, ensaísta, pesquisador, conferencista, e advogado da frente de defesa legal dos 22 militantes da Corrente do Povo Sol Rojo detidos e processados por delito de terrorismo e porte de material explosivo de uso exclusivo das forças armadas, dentro do julgamento-farsa montado pelo velho estado burguês-latifundiário contra a Corrente do Povo Sol Rojo. O desaparecimento forçado do Dr. Ernesto Sernas Garcia ocorreu no momento em que a fase de instruções deste processo estava prestes a concluir-se.

Desde então houveram centenas de manifestações, atos públicos, comícios, bloqueios, marchas, etc. pela sua família e pela sua apresentação com vida, bem como por diversos figuras do movimento popular que se têm mostrado solidários com esta luta pela verdade, justiça e apresentação viva. A nível internacional, a Campanha #DrSernasPresentaciónConvida também teve grandes repercussões, com manifestações nas embaixadas e consulados do México em vários países do mundo, com cartas diplomáticas dirigidas ao Estado mexicano, comícios e atos de solidariedade que não escaparam à atenção do velho Estado mexicano. Organizações internacionais como o Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais, os Defensores da Linha da Frente, a Organização Mundial contra a Tortura, o Comitê das Nações Unidas contra os Desaparecimentos Forçados, entre outros, também fizeram desta exigência sua, apontando claramente a responsabilidade do Estado mexicano.

O CEBRASPO reforça sua participação nesta campanha internacional e exige a apresentação com vida do Dr. Sernas Garcia. Reiteramos também a responsabilidade do velho estado mexicano no seu desaparecimento. #DrSernasPresentaciónConvida

VIVA A LUTA DOS ADVOGADOS DO POVO!


Veja também: http://solrojista.blogspot.com/2021/05/breves-iniciando-semana_10.html

segunda-feira, 17 de maio de 2021

LCP: Liberdade imediata para os 4 camponeses presos no acampamento Manoel Ribeiro!

Reproduzimos grave denúncia publicado no portal Resistência Camponesa sobre o ataque da PM contra camponeses acampados na Área Manoel Ribeiro e subsequente prisão ilegal de 4 acampados no dia 14 de maio último.

Nos dias seguintes, numa tentativa de criminalizar a luta pela terra e os camponeses, a imprensa, as forças policiais e o governo estadual fizeram intensa campanha contra os camponeses em luta, em particular a Liga dos Camponeses Pobres (LCP). 

Compartilhamos a seguir, na íntegra, a nota da LCP:

Liberdade imediata para os 4 camponeses presos no acampamento Manoel Ribeiro


Na manhã do dia 14 de maio, policiais militares que ilegalmente cercam o acampamento Manoel Ribeiro atacaram covardemente 10 camponeses, atropelando e prendendo 4 acampados. Desde agosto de 2020, camponeses lutam por aquelas terras que são a última parte da antiga fazenda Santa Elina retomadas pelos camponeses. Foi nessas terras que pistoleiros e esta mesma polícia militar, a mando de latifundiários, aterrorizaram e torturaram centenas de camponeses, assassinaram 11 camponeses, inclusive a pequena Vanessa, de apenas 7 anos, em 1995, crimes que o atual secretário de segurança, coronel Hélio Cysneiros Pachá, o carniceiro de Santa Elina, teve papel destacado ao comandar (como capitão na época) tropa de assassinos que cometeram tais barbaridades. Há alguns meses o governo de Rondônia através dos seus aparatos policiais seguem atacando de forma sistemática as famílias do acampamento Manoel Ribeiro, cumprindo papel de guaxebas (pistoleiros) do latifúndio, e preparando novo massacre nas mesmas terras já tão encharcadas de sangue indígena e camponês.

A polícia guaxeba de latifundiários, está substituindo os pistoleiros a soldo da fazenda, presos a partir de denúncia movida pela Defensoria Pública, e atualmente tem feito a segurança da sede da fazenda Nossa Senhora Aparecida, protegendo os interesses particulares do latifundiário criminoso Toninho Miséria, usando para isso recursos públicos. A polícia está reforçado seus efetivos e já conta com dezenas de viaturas na sede da fazenda, tratores para remover defesas dos camponeses, bem como um avião. Recentemente, deputados estaduais aprovaram o crédito adicional de 500 mil reais (dinheiro público recolhido de impostos) para as tropas criminosas, encobertas pelo cínico nome “Operação Paz no Campo”.

domingo, 9 de maio de 2021

Noam Chomsky e diversas personalidades e entidades democráticas assinam manifesto em apoio à Liga dos Camponeses Pobres

O Grupo de Estudos Ao Povo Brasileiro emitiu nota conclamando entidades e personalidades democráticas a declararem apoio e solidariedade à Liga dos Camponeses Pobres e ao movimento camponês em luta, em particular no estado de Rondônia. Atualmente neste estado os acampamentos organizados pela LCP  estão sendo alvos dos ataques do velho Estado que visa realizar um massacre dos camponeses aos moldes dos episódios que ficaram conhecidos como "Massacre de Corumbiara" ocorrido nesta mesma região em 1995.

Leia mais em:

https://aopovobrasileiro.medium.com/chamamento-conjunto-ao-apoio-e-%C3%A0-solidariedade-%C3%A0-liga-dos-camponeses-pobres-7bf183afbe70

BOLSONARO ATIÇA ATAQUE A LCP EM RONDÔNIA!

Em Rondônia, quem são os terroristas?


CHAMAMENTO CONJUNTO AO APOIO E À SOLIDARIEDADE À LIGA DOS CAMPONESES POBRES 

“Não há maior padecer

Do que um camponês viver

Sem terra pra trabalhar.”

(Patativa do Assaré)

A Liga dos Camponeses Pobres (LCP) nasce como fruto da resistência. Foi resistindo ao latifúndio que os camponeses tomaram justamente as terras de Santa Elina, palco da Heroica Resistência de Santa Elina (1995), na qual armados de paus, pedras, armas rudimentares, os camponeses lutaram bravamente contra pistoleiros e policiais que defendiam os interesses de Antenor Duarte, latifundiário mandante. O governador Valdir Raupp (PMDB) foi quem sancionou a ação assassina à época. Após a resistência, os camponeses rendidos foram torturados e massacrados, mesmo idosos e crianças. Vanessa, de 7 anos, foi morta com um tiro de fuzil.

A brutalidade cometida pelo velho Estado, pelo latifúndio e seus lacaios foi respondida não com rendição, mas com maior resistência, com organização, com demarcação de linha revolucionária clara. A morte destes companheiros e companheiras regou com sangue a formação da LCP. Mesmo condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, o velho Estado brasileiro, sob nenhum governo, levou a cabo a punição dos envolvidos no massacre posterior à batalha. Prova disso é que José Hélio Cysneiros Pachá, um dos carniceiros de Corumbiara, hoje é secretário de defesa de Rondônia e continua a conduzir a mesma política, ordenando um massacre ainda maior de sua posição junto ao burocrata Marcos Rocha, governador do estado. 25 anos após a resistência que deu início à LCP, a antiga fazenda Santa Elina foi conquistada. Não houve como parar os camponeses e é por isso que agora os ladrões de terra e cães do velho Estado os temem tanto mais.

Desde 1995, portanto, a Liga dos Camponeses Pobres vem organizando o campesinato brasileiro em uma linha revolucionária, realizando a revolução agrária e tendo como objetivo a destruição total do latifúndio. Vivemos em um país onde em mais de 500 anos a questão da terra nunca foi resolvida, e isso é proposital, serve para manter uma classe dominante de latifundiários que se alimenta da miséria do povo. É por este motivo que a LCP sempre foi vista como uma ameaça ao velho Estado burocrático. Como toda ameaça aos desígnios da classe dominante, o Estado burguês-latifundiário tratou de tentar eliminá-la, sempre, de qualquer forma possível.

Da fundação da Liga até agora diversos dirigentes e militantes foram presos, perseguidos e assassinados pelo latifúndio e pelo velho Estado. Destacamos os companheiros Zé Bentão, dirigente revolucionário da Liga, e Renato Nathan, professor e militante. Zé Bentão foi emboscado e Renato Nathan foi assassinado e tachado de guerrilheiro por ter mapas de cartografia em sua casa. Destacamos mais recentemente as mortes do companheiro Fernando, testemunha ocular da Chacina de Pau D’Arco, que assistiu nesta chacina seus companheiros e o próprio namorado serem mortos pela polícia e pistoleiros, do companheiro Jerlei, covardemente assassinado a mando do latifúndio, desarmado e sem como resistir, e do companheiro Roberto, comerciante apoiador da Liga, também violentamente e covardemente assassinado.