Mostrando postagens com marcador Luta Pela Terra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Luta Pela Terra. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

NOTA DA DIRETORIA NACIONAL DO ANDES-SN DE SOLIDARIEDADE À(O)S CAMPONESE(A)S DA ÁREA RURAL DE PORTO VELHO/RO

Reproduzimos a seguir nota da diretoria nacional do ANDES-SN em solidariedade aos 3 camponeses assassinatos na região rural de Porto Velho/RO.

Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil


"NOTA DA DIRETORIA NACIONAL DO ANDES-SN DE SOLIDARIEDADE À(O)S CAMPONESE(A)S DA ÁREA RURAL DE PORTO VELHO/RO

No dia 13/08/2021, Policiais da Força Nacional de Segurança e da Polícia Militar de Rondônia, em operação ainda não justificada assassinaram covardemente três camponeses. Amarildo Aparecido Rodrigues, 49 anos, trabalhador rural, casado, pai de dois filhos.  Amaral José Stoco Rodrigues, 17 anos, filho de Amarildo Aparecido, estudante e trabalhador rural, ambos mortos quando trabalhavam na roça, no lote que possuíam. E Kevin Fernando Holanda de Souza, 21 anos, trabalhador rural, casado, a espera do seu primeiro filho, morto quando tentava fugir do ataque em sua moto. Nesta mesma ação foram presos cinco camponese(a)s, sendo um idoso e dois casais, uma deles detida com seus dois filhos, de 1 ano e meio e de 8 anos de idade. A ação foi denunciada pela Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental (LCP) e pelo Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (CEBRASPO). Trata-se de uma ação criminosa, coordenado pelo Estado, contra a luta pelo acesso à terra, onde historicamente o latifúndio impõe sua regra e lógica de morte. Os três trabalhadores assassinados integravam a ocupação rural Ademar Ferreira, que compõe a área conhecida como Dois amigos (Tiago dos Santos e Ademar Ferreira), nomes dados pelos/pelas camponese(a)s em homenagem a dois companheiros assassinados covardemente pela polícia há 3 anos, em julho de 2018 nessas mesmas terras, localizada na região noroeste de Rondônia, que faz divisa com a Bolívia (ao sul da BR 364 e a leste da BR 425).

Desde julho deste ano essa área vem sendo acompanhada com o auxílio de drones pela Força Nacional, pela Polícia Militar e, como denunciam a LCP e a CEBRASPO, por pistoleiros. Antes do assassinato foram registrados incêndios à barracos, sobrevoos com helicóptero, com o intuito de impor o medo e a coerção à(o)s milhares de camponese(a)s que conquistaram suas terras através de muita luta e resistência. Operam, nos meandros do Norte do país, a política genocida, paramilitar de Bolsonaro que, como já reafirmado em vários pronunciamentos, estará a serviço do latifúndio, do agronegócio e da especulação imobiliária e de terras.

O ANDES-SN presta toda a solidariedade às famílias de Amarildo, Amaral e Kevin, à(o)s  camponese(a)s da área Ademar Ferreira, de Porto Velho/Ro e reafirma estar ombro a ombro na luta campesina pelo direito à terra e ao trabalho digno, contra o latifúndio e a política neofacista operada por Jair Bolsonaro e seus/suas aliado(a)s nos Estados e Municípios. Se soma aos pedidos de punição imediata aos executores e mandantes dos assassinatos e pela liberdade da(o)s camponese(a)s preso(a)s na operação.

Amarildo, Amaral e Kevin, Presentes!

Viva a Luta Pela Reforma Agrária, Morte ao Latifúndio!

Fora Governo Genocida de Jair Messias Bolsonaro!"

Leia a nota também no seguinte endereço: https://www.andes.org.br/conteudos/nota/circular-no-309-2021-envia-nota-da-diretoria-nacional-do-aNDES-sN-de-solidariedade-a-o-s-camponese-a-s-da-area-rural-de-porto-velho-rO0

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

CHACINA NO ESTADO DE RONDÔNIA: Força Nacional de Segurança e Polícia Militar assassinam camponeses

 CHACINA NO ESTADO DE RONDÔNIA:

Força Nacional de Segurança e Polícia Militar assassinam camponeses

 

O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos – CEBRASPO e a Associação Brasileira dos Advogados do Povo Gabriel Pimenta – ABRAPO vêm a público denunciar e repudiar mais um covarde crime cometido pelas forças de repressão desse velho Estado onde camponeses foram covardemente assassinados, um deles executado com mais de 30 tiros de fuzil, em Nova Mutum Paraná, distrito pertencente a Porto Velho-RO, na área Ademar Ferreira, local onde está também a fazenda Santa Carmem. Durante “Operação Policial”, ocorrido no dia 13 de agosto de 2021, planejada e executada pela Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) de Bolsonaro e pela Coordenadoria de Planejamento Operacional da Polícia Militar de Rondônia, composta pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), e do Batalhão de Polícia de Choque (BPCHOQUE).

A Polícia Militar do Governador Cel. Marcos Rocha, seu Secretário de Segurança Pública, Cel. José Cysneiros Hélio Pachá, e o comando da corporação, através do Cel. Alexandre Almeida, apresentaram sua mentirosa e contraditória versão dos fatos ocorridos, como se tivesse havido um confronto armado, pois, segundo eles, os policiais teriam sido recebidos a tiros pelos camponeses.

No site oficial da PM-RO, em matéria publicada no dia 15 de agosto, iniciam dizendo que era uma Operação Policial, planejada e executada por tais forças de segurança, incluindo o famigerado BOPE, e, depois, falam em patrulhamento rural, onde abordaram os camponeses. Podemos ver diferentes versões nos sites da imprensa policial, afirmando que a polícia estava cumprindo “reintegração de posse”; que foram “atender a uma ocorrência”; falam de mais mortes do que as até agora constatadas, citando nomes, apelidos, mas, dizendo que seus corpos não foram encontrados, e outras informações desencontradas.

Segundo os camponeses que lá estão, havia cerca de 23 viaturas e ao menos 50 policiais. As ações foram perpetradas principalmente pelo BOPE, comandado pelo capitão PM Felipe Hemerson Pereira, que, segundo a própria PMRO, possui “grande experiência em missões pela Força Nacional de Segurança Pública – tendo comandando o pelotão de Choque na posse do Presidente da República, Jair Bolsonaro”.

No início do dia 13 de agosto, por volta de 07 horas da manhã, um jovem foi abordado por policiais que estavam agachados e deitados no chão, em meio à mata. Foi espancado e torturado para que desse informações sobre o acampamento. Foi conduzido e levado para a delegacia de Nova Mutum Paraná, onde teria assinado um Termo Circunstanciado e liberado em Porto Velho.

De acordo com as famílias, ainda pela manhã do dia 13, em torno de 10 horas, o senhor Amarildo Aparecido Rodrigues e seu filho, o jovem Amaral José Stoco Rodrigues, foram alvejados com tiros efetuados por policiais armados com fuzis, enquanto trabalhavam com suas foices em seu lote, realizando roçada. Segundo relatos dos camponeses e familiares, os policiais do BOPE não estavam em patrulha com suas viaturas, entraram a pé pela mata, com roupas verdes camufladas, capuzes camuflados, agachados e rastejando com seus fuzis nas mãos, “entraram para matar!”. Amarildo foi executado e morto com ao menos dois tiros nas costas, enquanto, que, seu filho, Amaral, fora atingido por vários disparos no peito. Ambos sem nenhum antecedente criminal, trabalhadores que eram, tiveram suas vidas covardemente ceifadas pela polícia de Rondônia.

Para causar mais terror, prenderam uma família inteira, incluindo duas crianças, uma de um ano e outra de oito (com deficiência física e mental). Este mesmo operativo do BOPE, a poucos metros dali, executou o jovem Kevin Fernando Holanda de Souza, que passava de moto, viu os policiais, se assustou e, ao tentar correr, foi alvejado com mais de 30 tiros de fuzil pelas costas, levando-o à óbito no mesmo instante.

Um outro camponês detido junto com sua esposa, teve seu veículo, um Fiat Strada, alvejado várias vezes no para-brisa dianteiro, também com disparos de fuzis realizado pelo BOPE. A PM diz, em sua versão publicada no site da PMRO, que avistou o veículo vindo de frente e em direção ao BOPE. Os projéteis passaram entre a cabeça deste trabalhador e de sua esposa que estava no banco do carona. Ele parou o veículo na frente dos policiais. As marcas de queimaduras e estilhaços ficaram em seus ombros, não sendo assassinados também por muito pouco.

Também realizaram a detenção de um idoso, que correu para o mato para não ser atingido pelos disparos, mas ao retornar para a estrada foi abordado e preso.

Muitas pessoas disseram que correram para a mata, sob tiros de fuzil efetuados pelas equipes de policiais em solo, além do helicóptero do NOA – Núcleo de Operações Aéreas da Polícia Militar de Rondônia que, em baixa altitude, disparava contra o povo que corria para se abrigar na mata.

Há relatos de que policiais ainda incendiaram carros e motos, vários barracos inteiros, com roupas, colchões, comida, panelas, ferramentas de trabalho e demais pertences das famílias.

Os 5 camponeses presos foram libertados no dia seguinte. Sendo todos réus primários e com bons antecedentes, responderão por esbulho possessório, por tentar conseguir um pedaço de terra pra trabalhar. Um deles ainda foi acusado de estar armado com um revólver e teve de pagar fiança. Até o momento da publicação desta nota, os camponeses ainda procuravam por 4 pessoas que permaneciam desaparecidas.

A Polícia Militar e a Força Nacional atuam como pistoleiros a serviço dos latifundiários

Em Rondônia, não é novidade o fato de policiais e membros das forças de segurança do Estado e mesmo a Polícia Militar, com viaturas e fardas oficiais, atuarem como pistoleiros, a soldo dos latifundiários. O exemplo mais recente foram os e policiais militares e o guaxeba presos pelo Ministério Público de Rondônia, em março de 2021, fazendo serviço de pistolagem na Fazenda Nossa Senhora Aparecida, em Chupinguaia, contra os camponeses do acampamento Manoel Ribeiro.

As famílias da área Ademar Ferreira, há várias semanas, vinham denunciando, por meio de Notas da Liga dos Camponeses Pobres, que estavam sofrendo sucessivas investidas de policiais da FNSP e da PMRO, junto com pistoleiros da Fazenda Santa Carmem, inclusive, com disparos efetuados contra trabalhadores e famílias que transitavam pelas estradas. Essa operação é mais um crime de Estado, para, ao arrepio da lei, tentar causar terror e pânico contra os pobres do campo.

Exigimos a apuração dos fatos! Não houve confronto, foi execução!

O governo militar de Bolsonaro, e o governo de Marcos Rocha e suas polícias, tem servido, defendido, financiado e apoiado de todas as formas o agronegócio e os latifundiários de Rondônia, onde, muitos destes, “grilaram” terras públicas, entram e invadem terras indígenas e de reservas, como o próprio Galo Velho, tido como um dos maiores grileiros de terra do Brasil.

O Estado tem cometido todo tipo de ilegalidades e montado verdadeiras operações de guerra contra os camponeses pobres que lutam pelo direito a um pedaço de chão para trabalhar e viver com suas famílias dignamente, direito este negado historicamente pelo Estado brasileiro, com sua falida política de Reforma Agrária, agora, mais do que nunca enterrada em profunda cova. Os governos de turno sequer discutem ou apresentam alguma política para dar solução para os conflitos agrários que ocorrem e se intensificam em nosso País.

Como ocorreram em tantos episódios recentes de nossa história, a política de terror de Estado e os massacres contra os pobres da cidade e do campo que ousam lutar por seus direitos continuam como única ação possível dos governos de turno, principalmente, hoje, com Bolsonaro e seu governo de generais, Marcos Rocha e sua polícia, sob as ordens de Hélio Pachá, hoje promovido a coronel, responsável pelo assassinato e tortura de dezenas de camponeses na Batalha Camponesa de Santa Elina, ocorrida há exatos 26 anos, em Corumbiara, no dia 9 de agosto de 1995.

Conclamamos todas as entidades de defesa dos direitos do povo, os democratas e pessoas honestas que anseiam por justiça, para que se levantem e exijam a verdade dos fatos, apuração e punição dos responsáveis pela execução sumária dos camponeses Amarildo, Amaral e Kevin, de todos os crimes cometidos pelo governo de Rondônia contra os camponeses que lutam pela terra, bem como denunciar a cruzada persecutória em curso, que tem por objetivo criminalizar os movimentos populares que lutam pelo direito à terra.

 

Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos – CEBRASPO

Associação Brasileira dos Advogados do Povo Gabriel Pimenta – ABRAPO

Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2021


Amaral Jose Stoco Rodrigues


Kevin Fernando Holando


Amarildo Rodrigues Aparecido 

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

RO: ATIVIDADES EM HOMENAGEM AOS 26 ANOS DA HEROICA RESISTÊNCIA CAMPONESA DE CORUMBIARA

Em razão dos 26 anos da Batalha de Santa Elina, ocorrida no município de Corumbiara (RO), compartilhamos círculo de atividades em homenagem a batalha camponesa que, com sangue e heroísmo, tornou-se um marco na luta pela terra no Brasil. 

Link para inscrição

https://docs.google.com/forms/d/1EzSLfc41XyXs6ctgySXzFv_PuII1D2eMAGaXTeruuhE/edit

quinta-feira, 29 de julho de 2021

CAMPANHA: RETOMADA GUARANI E KAIWOÁ TEM SOFRIDO RECORRENTES ATAQUES DE PISTOLEIROS EM MS

MS: RETOMADA GUARANI E KAIWOÁ TEM SOFRIDO RECORRENTES ATAQUES DE PISTOLEIROS, ABRAPO PARTICIPA DE CAMPANHA DE SOLIDARIEDADE

Uma comunidade indígena Guarani e Kaiowá do Tekoha Avete que tomou suas terras em Dourados (MS), tem sofrido recorrentes ataques de pistoleiros (nos dias 10, 11 e 13 de julho). Latifundiários da região não aceitam a presença dos povos indígenas e tem organizado a série de atentados contra os moradores. 

Os ataques tem causado enorme prejuízo aos indígenas: durante os ataques, os pistoleiros destroem casas, atiram contra os moradores e criam um clima geral de terrorismo. A única ajuda da FUNAI, segundo denunciam os indígenas, é uma entrega de cestas básicas que não suprem a necessidade das 20 famílias que moram na Aldeia Bororó. Com a frente fria recém-chegada a Dourados estão ao relento, expostos às intempéries do tempo, a queda de temperatura poderá chegar a 6ºC na próxima segunda-feira segundo alerta laranja do INMET com riscos à saúde de toda a comunidade.

Devido às perdas, a comunidade Guarani e Kaiowá do Tekoha Avete através de vídeos pede doações de lona, roupas de frio e cobertores, para ajudar entre em contato por e-mail com a Associação Brasileira dos Advogados do Povo Gabriel Pimenta (advogadosdopovo.abrapo@gmail.com).

Leia mais em: https://www.folhadedourados.com.br/perto-da-ufgd-retomada-guarani-e-kaiowa-sofre-ataques-armados-recorrentes


sexta-feira, 21 de maio de 2021

Mais de 500 entidades democráticas e defensores dos direitos do povo assinam manifesto em defesa do acampamento Manoel Ribeiro e da Liga dos Camponeses Pobres e pela liberdade imediata dos camponeses presos(Atualizado em 30/06)


Em virtude do acirramento da repressão e dos diversos ataques ao movimento camponês no estado de Rondônia o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos - CEBRASPO e a Associação Brasileira dos Advogados do Povo - ABRAPO organizam manifesto já assinado por mais de 500 entidades e personalidades progressistas e democráticas. Entre os signatários estão a Associação de Juízes para a Democracia, a Associação Americana de Juristas / Rama Brasil, a Associação Brasileira de Reforma Agrária, a Ouvidoria Geral Externa da Defensoria Pública de Rondônia, o Centro de Defesa dos Direitos Humanos Pedro Lobo, a Frente nacional Contra a Privatização da Saúde, Associação Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior – ANDES, Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz - ASFOC/SN, diversas associações de docentes, sindicatos, professores, juristas, artistas e personalidades democráticas e progressistas como Ennio CandottiRoberto Leher, Vladimir Safatle, Luiz Eduardo Soares, Virgínia Fontes, Eduardo Viveiros de Castro, Dermeval Saviani, José Claudinei Lombardi, Carlos Frederico Mares, Dr. Siro Darlan, Dr. João Tancredo, Dr. Jorge Luiz Souto Maior, Peter Pál Pelbart, Cacique Babau, Carlos Latuff, Georgette Fadel, Armando Babaioff, Soraya Ravenle, a medalhista olímpica Marta de Souza Sobral, Dom Roque Paloschi presidente do Conselho Indigenista Missionário, Padre Júlio Lancellottio renomado professor e democrata indiano Amit Bhattacharyya e diversos intelectuais honestos de todo o país.

Além do repúdio ao cerco policial que ocorria diariamente nas redondezas do acampamento Manoel Ribeiro, o manifesto também exige a liberdade imediata de 4 camponeses presos ilegalmente no último dia 14 de maio pela polícia militar. Esses episódios ocorrem logo após as declarações do genocida Bolsonaro atiçando a repressão contra os camponeses daquela região (https://cebraspo.blogspot.com/2021/05/bolsonaro-atica-ataque-lcp-em-rondonia.html?m=1).

O acampamento Manoel Ribeiro estava localizado na antiga fazenda Santa Elina, mesmas terras onde ocorreu o episódio conhecido como "Massacre de Corumbiara" em 1995. Em comunicado emitido no dia 23 de maio os camponeses informaram que por decisão unanime de sua Assembleia Popular defiram por uma retirada planificada e organizada da área. As 200 famílias realizaram uma façanha: bateram em retirada durante a madrugada sem serem vistos por todo o aparato policial montado em volta do acampamento. Segundo o pronunciamento, eles cumpriram uma "jornada vitoriosa para a Revolução Agrária" e com a retirada os planos de realizar mais massacre contra os camponeses foram frustrados. Ao invadir o acampamento os policiais encontram uma faixa com os dizeres "Voltaremos mais fortes e mais preparados!".

As assinaturas seguem em aberto, envie um e-mail para cebraspo@gmail.com

Para informações atualizadas acessem https://resistenciacamponesa.com/

  

NÃO ACEITAREMOS MAIS UM MASSACRE CONTRA O POVO BRASILEIRO

EM DEFESA DA VIDA DOS CAMPONESES DO ACAMPAMENTO MANOEL RIBEIRO E DA

LIGA DOS CAMPONESES POBRES, RONDÔNIA

 

Nós, movimentos sociais, homens e mulheres cidadãos brasileiros e de outros países, vimos nos posicionar contundentemente contra as ameaças do governo Bolsonaro e generais de promover mais um massacre no campo. O recente crime bárbaro ocorrido no Jacarezinho onde 27 pessoas foram executadas sem que seus crimes fossem caracterizados, processos julgados e condenados, num país onde não há pena de morte, mostra que eles não titubeiam, se preciso for, em violar as próprias leis que dizem defender. A senha já foi dada: Bolsonaro chama todos os movimentos sociais de defesa de direitos, nos quais se encontra o sagrado direito a terra, de “terroristas”. E não somente, celebra o avanço do latifúndio de velho e novo tipo (o agronegócio) sobre florestas protegidas, reservas indígenas e terras públicas, ao arrepio da legislação e condenando quem quer fiscalizar.

A situação da vez, criminalizada diretamente por Bolsonaro, é o acampamento Manoel Ribeiro, da Liga dos Camponeses Pobres, no município de Chupinguaia, Rondônia. Atualmente mais de 200 famílias estão acampadas na área e foi montada operação ilegal de guerra contra os camponeses, perseguições diárias e sistemáticas com uso de bombas de gás lacrimogêneo, tiros de bala de borracha e spray de pimenta, tentativas de invasão, uso de helicópteros sobrevoando o acampamento e ainda cerco e isolamento da área, impedindo que as famílias possam locomover-se para comprar produtos de subsistência básica, como clara tentativa de causar tortura psicológica, terror e intimidação. Até a presença de trabalhadores da atenção básica à saúde foi retirada, em plena pandemia de COVID-19, em que as ações de vacinação estão sendo conduzidas para as populações de risco. Todo esse ataque aos camponeses ocorre a despeito do Juiz responsável pelo processo de reintegração de posse ter suspendido a mesma, garantindo, mesmo que provisoriamente, a presença dos camponeses no local.

Numa escalada de agressões contra o acampamento, no dia 14 de maio, os policiais atacaram covardemente dez camponeses, prendendo outros quatro, em acusações infundadas e forjadas com maquinação ilegal de plantar provas de crimes.

A região é parte da antiga fazenda Santa Elina, onde ocorreu o episódio que ficou conhecido como “Massacre de Corumbiara” em 1995, lembrado pelos camponeses como a Heroica Resistência Camponesa de Corumbiara, quando 12 camponeses que ocupavam a fazenda foram mortos pelas forças policiais e outras dezenas foram covardemente torturadas e espancadas, inclusive mulheres e crianças. Essa ação hedionda ocorreu sob o comando do coronel José Hélio Cysneiros Pachá, hoje o secretário de segurança pública do Estado de Rondônia, que está à frente de ações ilegais perpetradas contra os camponeses que ocupam a área.

segunda-feira, 17 de maio de 2021

LCP: Liberdade imediata para os 4 camponeses presos no acampamento Manoel Ribeiro!

Reproduzimos grave denúncia publicado no portal Resistência Camponesa sobre o ataque da PM contra camponeses acampados na Área Manoel Ribeiro e subsequente prisão ilegal de 4 acampados no dia 14 de maio último.

Nos dias seguintes, numa tentativa de criminalizar a luta pela terra e os camponeses, a imprensa, as forças policiais e o governo estadual fizeram intensa campanha contra os camponeses em luta, em particular a Liga dos Camponeses Pobres (LCP). 

Compartilhamos a seguir, na íntegra, a nota da LCP:

Liberdade imediata para os 4 camponeses presos no acampamento Manoel Ribeiro


Na manhã do dia 14 de maio, policiais militares que ilegalmente cercam o acampamento Manoel Ribeiro atacaram covardemente 10 camponeses, atropelando e prendendo 4 acampados. Desde agosto de 2020, camponeses lutam por aquelas terras que são a última parte da antiga fazenda Santa Elina retomadas pelos camponeses. Foi nessas terras que pistoleiros e esta mesma polícia militar, a mando de latifundiários, aterrorizaram e torturaram centenas de camponeses, assassinaram 11 camponeses, inclusive a pequena Vanessa, de apenas 7 anos, em 1995, crimes que o atual secretário de segurança, coronel Hélio Cysneiros Pachá, o carniceiro de Santa Elina, teve papel destacado ao comandar (como capitão na época) tropa de assassinos que cometeram tais barbaridades. Há alguns meses o governo de Rondônia através dos seus aparatos policiais seguem atacando de forma sistemática as famílias do acampamento Manoel Ribeiro, cumprindo papel de guaxebas (pistoleiros) do latifúndio, e preparando novo massacre nas mesmas terras já tão encharcadas de sangue indígena e camponês.

A polícia guaxeba de latifundiários, está substituindo os pistoleiros a soldo da fazenda, presos a partir de denúncia movida pela Defensoria Pública, e atualmente tem feito a segurança da sede da fazenda Nossa Senhora Aparecida, protegendo os interesses particulares do latifundiário criminoso Toninho Miséria, usando para isso recursos públicos. A polícia está reforçado seus efetivos e já conta com dezenas de viaturas na sede da fazenda, tratores para remover defesas dos camponeses, bem como um avião. Recentemente, deputados estaduais aprovaram o crédito adicional de 500 mil reais (dinheiro público recolhido de impostos) para as tropas criminosas, encobertas pelo cínico nome “Operação Paz no Campo”.

domingo, 9 de maio de 2021

Noam Chomsky e diversas personalidades e entidades democráticas assinam manifesto em apoio à Liga dos Camponeses Pobres

O Grupo de Estudos Ao Povo Brasileiro emitiu nota conclamando entidades e personalidades democráticas a declararem apoio e solidariedade à Liga dos Camponeses Pobres e ao movimento camponês em luta, em particular no estado de Rondônia. Atualmente neste estado os acampamentos organizados pela LCP  estão sendo alvos dos ataques do velho Estado que visa realizar um massacre dos camponeses aos moldes dos episódios que ficaram conhecidos como "Massacre de Corumbiara" ocorrido nesta mesma região em 1995.

Leia mais em:

https://aopovobrasileiro.medium.com/chamamento-conjunto-ao-apoio-e-%C3%A0-solidariedade-%C3%A0-liga-dos-camponeses-pobres-7bf183afbe70

BOLSONARO ATIÇA ATAQUE A LCP EM RONDÔNIA!

Em Rondônia, quem são os terroristas?


CHAMAMENTO CONJUNTO AO APOIO E À SOLIDARIEDADE À LIGA DOS CAMPONESES POBRES 

“Não há maior padecer

Do que um camponês viver

Sem terra pra trabalhar.”

(Patativa do Assaré)

A Liga dos Camponeses Pobres (LCP) nasce como fruto da resistência. Foi resistindo ao latifúndio que os camponeses tomaram justamente as terras de Santa Elina, palco da Heroica Resistência de Santa Elina (1995), na qual armados de paus, pedras, armas rudimentares, os camponeses lutaram bravamente contra pistoleiros e policiais que defendiam os interesses de Antenor Duarte, latifundiário mandante. O governador Valdir Raupp (PMDB) foi quem sancionou a ação assassina à época. Após a resistência, os camponeses rendidos foram torturados e massacrados, mesmo idosos e crianças. Vanessa, de 7 anos, foi morta com um tiro de fuzil.

A brutalidade cometida pelo velho Estado, pelo latifúndio e seus lacaios foi respondida não com rendição, mas com maior resistência, com organização, com demarcação de linha revolucionária clara. A morte destes companheiros e companheiras regou com sangue a formação da LCP. Mesmo condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, o velho Estado brasileiro, sob nenhum governo, levou a cabo a punição dos envolvidos no massacre posterior à batalha. Prova disso é que José Hélio Cysneiros Pachá, um dos carniceiros de Corumbiara, hoje é secretário de defesa de Rondônia e continua a conduzir a mesma política, ordenando um massacre ainda maior de sua posição junto ao burocrata Marcos Rocha, governador do estado. 25 anos após a resistência que deu início à LCP, a antiga fazenda Santa Elina foi conquistada. Não houve como parar os camponeses e é por isso que agora os ladrões de terra e cães do velho Estado os temem tanto mais.

Desde 1995, portanto, a Liga dos Camponeses Pobres vem organizando o campesinato brasileiro em uma linha revolucionária, realizando a revolução agrária e tendo como objetivo a destruição total do latifúndio. Vivemos em um país onde em mais de 500 anos a questão da terra nunca foi resolvida, e isso é proposital, serve para manter uma classe dominante de latifundiários que se alimenta da miséria do povo. É por este motivo que a LCP sempre foi vista como uma ameaça ao velho Estado burocrático. Como toda ameaça aos desígnios da classe dominante, o Estado burguês-latifundiário tratou de tentar eliminá-la, sempre, de qualquer forma possível.

Da fundação da Liga até agora diversos dirigentes e militantes foram presos, perseguidos e assassinados pelo latifúndio e pelo velho Estado. Destacamos os companheiros Zé Bentão, dirigente revolucionário da Liga, e Renato Nathan, professor e militante. Zé Bentão foi emboscado e Renato Nathan foi assassinado e tachado de guerrilheiro por ter mapas de cartografia em sua casa. Destacamos mais recentemente as mortes do companheiro Fernando, testemunha ocular da Chacina de Pau D’Arco, que assistiu nesta chacina seus companheiros e o próprio namorado serem mortos pela polícia e pistoleiros, do companheiro Jerlei, covardemente assassinado a mando do latifúndio, desarmado e sem como resistir, e do companheiro Roberto, comerciante apoiador da Liga, também violentamente e covardemente assassinado.

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Organização democrática emite nota e faz chamamento conjunto ao apoio e à solidariedade à LCP

 

O Grupo de estudos ao Povo Brasileiro, organização democrática, emitiu em 5 de maio nota de apoio a Liga dos Camponeses Pobres (LCP) onde faz um chamamento a todas as forças democráticas do Brasil à se solidarizarem com a LCP e se posicionarem contra as medidas do velho Estado de ataques contra o movimento camponês.

Diversos movimentos, entidades e democratas já assinaram o texto, reafirmando apoio a LCP e se posicionando contra as ações do velho Estado gerenciado por Bolsonaro e Generais.

Na nota, o grupo relembra a história da Liga, seu surgimento em meio a luta pela terra onde  camponeses pobres e sem terra encontram em seu caminho sempre encontraram o latifúndio que em conluio com o velho Estado, promoveu massacres a fim de amedrontar e cessar a sina dos que lutam pelo direito de plantar, colher e viver na terra. 

A nota foi divulgada na internet e compartilhamos com nossos apoiadores em sua íntegra abaixo, deixando nosso apoio a essa importante iniciativa e, nos somamos ao chamamento à total solidariedade com a LCP e a todos os camponeses que lutam pela terra!


Imagem divulgada pela campanha


Chamamento conjunto ao apoio e à solidariedade à Liga dos Camponeses Pobres

quarta-feira, 5 de maio de 2021

BOLSONARO ATIÇA ATAQUE A LCP EM RONDÔNIA!


Em participação por videoconferência na 86ª Expozebu (feira pecuária) o presidente Jair Bolsonaro criminalizou acintosamente a Liga dos Camponeses Pobres e o movimento camponês de Rondônia. Assista ao vídeo abaixo (trecho entre 14min50seg e 15min53seg retirado de https://www.youtube.com/watch?v=URJGWAMIFiI)


Utilizando-se dos tradicionais jargões, como "terror" e "terroristas", sempre carcarejados pelos governantes para criminalizar a luta popular no campo, Bolsonaro se junta à imprensa porta voz do latifúndio e à polícia militar do estado de Rondônia na tentativa de criar justificativas para realizar o massacre dos camponeses em luta naquele estado.  Em nota proferida pela Liga dos Camponeses Pobres está clarividente que os verdadeiros terroristas e criminosos são o latifúndio e seus bandos armados. Leia neste link Em Rondônia, quem são os terroristas?

Convocamos todas as entidades e personalidades democráticas e progressistas e todas e todos os defensores dos direitos do povo a ficarem vigilantes sobre a onda de criminalização da luta pela terra, em particular aos camponeses de Rondônia. E conclamamos a se solidarizarem com a LCP e com os camponeses em luta pela terra no Estado de Rondônia.

LUTAR NÃO É CRIME!
TERRA PRA QUEM NELA VIVE E TRABALHA!
ABAIXO A PERSEGUIÇÃO AO MOVIMENTO CAMPONÊS!

quinta-feira, 29 de abril de 2021

RO: Moradora de área vizinha ao Manoel Ribeiro é ameaçada de morte

 Reproduzimos mais uma denúncia de ameaça aos camponeses e moradores da área Manoel Ribeiro e seus entornos. Segundo o portal Resistência Camponesa, uma moradora de uma área vizinha recebeu ameaças via whatsapp por número divulgado em nota, em que consta um nome "Cabo Emerson" no perfil. A nota afirma ainda que a ameaça faz parte de uma campanha de intimidação e criminalização, visto que a Justiça suspendeu por tempo indeterminado o mandato de reintegração e posse da fazenda onde se encontra a área Manoel Ribeiro.

Por último, a nota ainda faz um chamado para que todos sigam firmes na defesa da luta das famílias do acampamento Manoel Ribeiro e dos moradores da região e pelo fim imediato de toda essa campanha de intimidação, ações violentas e criminalização da luta pela terra.

O CEBRASPO apela a todos os democratas, progressistas e revolucionários a defenderem os camponeses da área Manoel Ribeiro e das regiões vizinhas e denunciarem todas as tentativas de intimidação e ameaças aos seus moradores!

Segue abaixo a nota em sua íntegra: 

Moradora de área vizinha ao Manoel Ribeiro é ameaçada de morte

Em mais episódios da política de terror e criminalização contra os camponeses e a luta pela terra, uma camponesa moradora de área próxima ao acampamento Manoel Ribeiro está recebendo ameaças de morte por telefone. Nas ameaças feitas via whatsapp (originadas do número 69 9223 3339) imagem de um revólver é enviada, dizendo que o dia e hora estão contados e que será alvo em Chupinguaia. Ao que tudo indica tais ameaças partem de policiais, pois o mesmo modus operandi já foi observado em outras ameaças feitas também via telefone. Num desses casos, as ameças se originam do número 69 9218 8790 e no perfil do whatsapp consta a autodenominação de “Cabo Emerson”.

A moradora que está recebendo as ameaças é uma pessoa ativa da região que se solidariza com todos e principalmente com a luta dos camponeses pela conquista de sua terra.

Após a firme resistência dos camponeses do acampamento Manoel Ribeiro (últimas terras da antiga fazenda Santa Elina) e a suspensão por tempo indeterminado da injusta reintegração de posse, obrigando o governo recuar, os moradores de toda a região estão sendo submetidos a uma campanha de terror por parte do velho Estado. Estão realizando bloqueios de estradas, interrogatórios, agressões físicas e psicológicas, invasão de casas, ameaças de prisões por parte das forças policiais do velho Estado fardados ou a paisana. Tudo como parte de uma odiosa campanha de criminalização da luta pela terra movida pelo governo de turno deste velho Estado e alardeada pelos porta-vozes do latifúndio.

Querem fazer crer que os camponeses são criminosos, quando sabemos que os verdadeiros bandidos são os latifundiários ladrões de terra da União e toda essa gente paga para defendê-los e para criminalizar a luta justa pela terra. Os camponeses têm feito chamados a todos aqueles que não aceitam estas injustiças a continuarem firmes na defesa da luta das famílias do acampamento Manoel Ribeiro e dos moradores da região e pelo fim imediato de toda essa campanha de intimidação, ações violentas e criminalização da luta pela terra.




PR: Apoiador da luta camponesa é covardemente assassinado em Vila Jirau

Reproduzimos grave denúncia de assassinato cometido contra um apoiador da luta camponesa em Nova-Mutum (PR) no dia 27 de Abril, o comerciante Roberto Pereira da Silva Pandolfi de 34 anos, esposo e pai de família. A Liga dos Camponeses Pobres (LCP) emitiu uma nota em repúdio e responsabilizou grupos paramilitares a mando de latifundiários da região, exigindo punição para os assassinos e os mandantes do crime. O CEBRASPO também se solidariza com a família e repudia esse covarde assassinato cometido contra o comerciante Roberto, se somando à LCP em exigir punição aos responsáveis pela sua execução. 

Abaixo, segue a nota da LCP em sua íntegra:


 Apoiador da luta camponesa é covardemente assassinado em Vila Jirau (PR)


Roberto Pereira da Silva Pandolfi e sua família

No dia 27 de abril de 2021 em Vila Jirau, na região de Nova Mutum-Paraná, norte de Rondônia, foi assassinado por volta das 9 horas da manhã o comerciante Roberto Pereira da Silva Pandolfi de 34 anos.

Roberto tinha uma pequena loja de materiais de construção e estava carregando um veículo com materiais pra entrega quando o assassino chegou e o executou com vários tiros na frente da esposa.

Roberto deixa esposa e 1 filha e muitos amigos que estão sentindo a enorme perda.

Latifundiários ladrões de terra da União já estavam usando seus porta-vozes há vários dias pra justificar os assassinatos que já cometeram e outros que estão planejando cometer.

Esses assassinos covardes acham que vão conseguir parar a luta pela terra com o terror dos assassinatos, mas estão enganados. Nenhuma forma de terror mata a fome dos necessitados, muito pelo contrário. O terror que estão fazendo vai aumentar a fúria dos camponeses na busca por justiça.

Nos solidarizamos com a família do Roberto. Punição já para os assassinos e seus mandantes!

Roberto assassinado por bandos armados do latifúndio


do rio que tudo arrasta, dizem que é violento.mas ninguém chama de violentas as margens que o comprimem”

LCP- liga dos camponeses pobres de rondonia e amazonia ocidental.

terça-feira, 20 de abril de 2021

CAMPANHA DE SOLIDARIEDADE AO ACAMPAMENTO MANOEL RIBEIRO (RO)


Atualmente mais de 200 famílias estão acampadas na área e foi montada operação de guerra contra os camponeses, perseguições diárias e sistemáticas. 
A região é parte da antiga fazenda Santa Elina, onde ocorreu o episódio que ficou conhecido como “Massacre de Corumbiara” em 1995, lembrado pelos camponeses como a Heroica Resistência Camponesa de Corumbiara.
A luta pela terra é um direito legítimo, são os camponeses que produzem os alimentos que chegam às mesas dos brasileiros, que hoje sofrem com a fome e a pandemia. Convocamos a todos e todas , defensores dos direitos do povo a se solidarizarem com as mais de duzentas famílias, entre mulheres, crianças e idosos que têm resistido incansavelmente a essas ações ilegais que constituem verdadeira tortura e terrorismo de Estado.





Informações atualizadas podem ser encontradas em:

Ofício da campanha em PDF: 




segunda-feira, 19 de abril de 2021

RO: Polícia intimida vítimas de Santa Elina e invade casas de professores em Corumbiara

Polícia intimida vítimas de Santa Elina e invade casas de professores em Corumbiara

Policia realiza blitz ilegal no cruzamento da estrada que dá acesso ao Acampamento Manoel Ribeiro

Uma ilegal campanha de perseguição e criminalização tem afligido moradores das áreas camponesas vizinhas ao Acampamento Manoel Ribeiro, região onde em 1995 policiais guaxebas* e pistoleiros cometeram o odioso crime de Estado conhecido como “Massacre de Santa Elina”, que assassinou 11 camponeses pais de família e a pequena Vanessa do Santos de 7 anos de idade.

Professores das crianças das áreas camponesas Zé Bentão, Renato Nathan e Maranatã I e II tiveram seu domicílio invadido na calada da noite por policiais a paisana, na madrugada do dia 16 de abril.

Segundo testemunhas, em atitude bandidesca e intimidatória, os “agentes” arrombaram porta e reviraram pertences pessoais dos profissionais de educação deixando bilhete com o recado “Estive aqui. Dúvida vá a delegacia”, o que aponta para a participação direta das forças de repressão locais em mais estes crimes de arrombamento e invasão.

Bilhete intimidatório deixado na casa invadida

Policiais arrombam porta e invadem casa de moradores

Moradores relataram que horas antes do arrombamento, estes mesmos “agentes”, se fazendo passar por funcionários do Incra e se dizendo à serviço da “reforma agrária”, estiveram na localidade em busca de trabalhadores da região.

Denúncias dão conta ainda de que estes mesmos policiais à paisana, por vezes portando armas de grosso calibre, têm circulando em duas caminhonetes pretas descaracterizadas abordando e interrogando moradores em seus lotes e exigindo informações a respeito de camponeses acampados e apoiadores do Acampamento Manoel Ribeiro.

Em momento algum mandados ou qualquer documento oficial foi apresentado pelos policiais que fazem essas diligências clandestinas, o que reforça a natureza das ilegalidades cometidas.

Na ensandecida campanha criminalizadora, inclusive fotos de alguns camponeses e moradores armazenadas nos celulares dos policiais têm sido mostrados na odiosa caçada por efetuar prisões notoriamente ilegais, como se os trabalhadores fossem criminosos.

Dentre os camponeses que foram submetidos à intimidação e interrogatórios estão sobreviventes e familiares das vítimas de Santa Elina.

A conversa é sempre a mesma. Mentindo serem pessoas que querem ajudar no processo jurídico e na regularização de terras para “reforma agrária”, os policiais armados, vestindo roupas comuns, fazem uma série de perguntas, exigem respostas, dizendo estar em busca de algumas pessoas no intento de ajudá-las, para invadirem casas durante a noite e cometerem todo tipo de detenções arbitrárias.

Alguns moradores denunciaram inclusive ter tido seus celulares hackeados e recebido ameaças através de telefonemas por parte de policiais.

Chamada telefônica intimidadrora realizada por policiais contra camponeses de Corumbiara

Os relatos afirmam também que vários camponeses estão constantemente tendo a privacidade de seus lotes violadas por viaturas que durante a noite lançam focos de luz fortes em direção às casas e terrenos dos trabalhadores, como se as famílias estivessem cometendo algum crime. Isso para além das frequentes blitze que humilham o povo na região em busca de informações sobre supostas lideranças e ativistas. (Veja aqui as denúncias)

A intensificação da perseguição contra moradores e vítimas de Santa Elina, orquestrada pelo governador reacionário Marcos Rocha e seu comparsa, o Secretário de Segurança José Hélio Cysneiros Pachá, ocorre no mesmo momento em que o judiciário determinou a suspensão por tempo indeterminado do despejo das famílias do Acampoamento Manoel Ribeiro que por mais de uma semana repeliram heroicamente todos os covardes ataques das tropas policiais e impediram a invasão das terras ocupadas. (Assista os vídeos aqui)

A perseguição contra os apoiadores das famílias que lutam pelo seu sagrado direito à terra é a forma baixa com que o governo e o latifúndio se utilizam afim de tentar isolar os camponeses do Acampamento Manoel Ribeiro para assim atacá-los mais facilmente.

Porém, os sucessivos crimes do governo só têm exposto cada vez mais o verdadeiro caráter antipovo do reacionário Marcos Rocha e suas polícias que rasgam as leis quando se trata de defender latifundiários ladrões de terra e atacar famílias trabalhadoras.

Imprensa-lixo do latifúndio espalha mentiras e ajuda na criminalização

Além das inúmeras ilegalidades, a infâme campanha criminalizadora conta com o auxílio da imprensa-lixo do latifúndio para espalhar mentiras e difamação contra os camponeses em luta pelas últimas terras ainda não cortadas da antiga Fazenda Santa Elina.

Veículos do monopólio de imprensa e os jornalecos locais porta-vozes do latifúndio têm espalhado mentiras proferidas pelo próprio carniceiro de Santa Elina Cysneiros Pachá – atual Secretário de Segurança e comandante responsável pelas torturas e assassinatos na antiga Fazenda Sante Elina em 1995 – de que famílias estariam sendo ameaçadas pelos próprios acampados a não sair do acampamento.

Ora, se existem ameaças e intimidações contra as famílias acampadas, todas elas são perpetradas pelo próprio governo bandido que têm mantido um cerco contra o acampamento, mandado diariamente suas polícias dispararem balas de borracha e bombas contra mulheres e crianças. Policiais estes que durante tentativa de invasão do acampamento disseram, inclusive, que fariam um novo massacre igual ao de 1995. Mesma polícia esta que conformou o bando paramilitar guaxeba que atacou o Acampamento Manoel Ribeiro por 6 meses, conforme ficou comprovado em investigação a pedido do Ministério Público Estadual (MPE). (Entenda mais sobre o caso clicando aqui)

Estas são as únicas ameaças que existem! Porém, estas ameaças o cínico carniceiro Pachá não se atreve a admitir, uma vez que fazer isso implicaria em assumir crimes, dos quais este covarde assassino está tão acostumado a se afugentar – vide a Heroica Resistência do Camponeses de Corumbiara, na qual, o carniceiro comandou a tortura e execussão dos posseiros após estes terem sido rendidos.

A natureza dos crimes do carniceiro Cysneiros Pachá é tão vil que nem mesmo situações de guerra permitem o cometimento de tais atrocidades, sendo penalizadas em tribunais internacionais!

Os pseudo-jornalistas puxa-saco de latifundiários que dizem prezar pela imparcialidade não se envegonham ao veicular informações como estas.

Alguns destes, de tão desesperados em lamber as botas de seus ricos chefes latifundiários chegaram mesmo a afirmar o absurdo de que a Fazena Nossa Senhora seria um anexo e não parte da antiga Fazenda Santa Elina.

Para pôr fim a mais esta mentira e desinformação, repercutimos a seguir uma matéria bastante esclarecedora do portal Gente de Opinião do ano de 2010, na qual fazendo referência a um decreto publicado no Diário Oficial da União em 16/04/2010, afirma que as terras da Fazenda Nossa Senhora Aparecida foram declaradas “de interesse social para fins de reforma agrária.”.

“A Superintendência Regional do Incra em Rondônia esclarece que o imóvel denominado “Fazenda Santa Elina”, atuais fazendas: Maranata, Nossa Senhora Aparecida e Água Viva, localizado no município de Chupinguaia, estado de Rondônia, teve sua área declarada de interesse social para fins de reforma agrária, através do Decreto s/no, de 15.04.2010, publicado no Diário Oficial da União, em 16.04.2010. Assim, esta Superintendência Regional
realizará todos os procedimentos técnicos e administrativos necessários à concretização da determinação.”

Mas, se enganam estes bandidos do governo, suas polícias e imprensa vendida se pensam que vão fazer parar a luta pela terra com mentiras, difamações e perseguições. Todo esse aparato só mostra o desespero dos ladrões de terra e seus sócios que frente à luta organizada das famílias, veêm os seus dias de crimes e enriquecimento ilícito contados para o fim.

*Guaxeba: termo popular usado em Rondônia e região para designar pistoleiros, homens armados contratados pelos latifundiários para fazer a vigilância das terras roubadas e cometer crimes, principalmente contra camponeses.

Veja a nota em sua integra: https://resistenciacamponesa.com/luta-camponesa/policia-intimida-vitimas-de-santa-elina-e-invade-casas-de-professores-em-corumbiara/