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segunda-feira, 13 de novembro de 2023


Movimento Feminino Popular exorta apoio à causa Palestina; leia nota


Fonte: Jornal A Nova Democracia.

Em seu blog, o Movimento Feminino Popular (MFP), organização de mulheres revolucionária do País, fez um pronunciamento em nota no qual tomou posição em solidariedade e apoio irrestrito à causa do povo palestino.


A nação e povo palestinos demonstram ao mundo o verdadeiro significado da palavra heroísmo!





O Movimento Feminino Popular saúda efusivamente a Resistência Nacional Palestina, o povo palestino, pelo exemplo de resistência, luta e heroísmo contra os covardes ataques, bombardeios e holocausto promovidos pelo Estado Fascista Sionista de Israel por décadas e intensificados como nunca nas últimas semanas. O exército invasor sionista, com seus bombardeios em toda a faixa de Gaza desde 7 de outubro de 2023, já matou mais de dez mil palestinos, dentre esses 65% mulheres e mais de 3500 crianças. Os números crescem a cada dia. São mais de 20 mil feridos, 34% dos hospitais e 65% dos centros de cuidados primários de saúde sem funcionamento, 4600 mulheres grávidas precisando de atendimento urgente. Falta energia, sinais de comunicação, combustível para funcionamento de hospitais. Caminhões de abastecimento são impedidos de entrar com alimentação, água, insumos hospitalares, medicamentos, etc. O cerco é total a uma população de mais de dois milhões de pessoas num território de 360 quilômetros quadrados, crimes de guerra cometidos com o objetivo de exterminar o povo palestino. A maioria dos mortos e feridos são de mulheres, mulheres grávidas e crianças, além de idosos, o que prova que o objetivo do invasor é realizar uma verdadeira carnificina como limpeza étnica e tomar para sempre o território e nação Palestina.
A destruição promovida por Israel na Faixa de Gaza já é equivalente à destruição da bomba nuclear de Hiroshima no final da segunda Guerra Mundial, no entanto, a campanha midiática do imperialismo martela a repulsiva máxima de que os palestinos são “terroristas”. Grande maioria dos povos já perceberam que os planos do nazista e cão pestilento Netanyahu não é eliminar o Hamas como estão alegando e sim varrer com os palestinos de seu território e concluir a ocupação de todas as suas terras. Tanto que não demonstram interesse algum em negociar e trocar os reféns e soldados prisioneiros, muitos são mortos pelos próprios bombardeios sionistas. Israel não engana mais ninguém com suas mentiras que o povo palestino é terrorista. Quanto mais ele ataca Gaza em massa, mais ele desmascara suas verdadeiras intenções e quem é o verdadeiro terrorista.

O odioso ataque diuturno dos monopólios de imprensa ao povo palestino e às organizações e vanguarda de sua Resistência Nacional, caracterizando-os como “terroristas” e “sanguinários”, repetindo o cacarejo do Estado fascista, colonialista e racista de Israel e do imperialismo norte-americano, não pode impedir aos povos do mundo de enxergar a verdade crua da monstruosidade inerente ao sistema imperialista e seu colonialismo. Deliram ao acreditar que debilitarão a resistência nacional palestina e o apoio crescente e massivo à sua causa por todo o mundo ao aplicarem o mesmo princípio da propaganda nazista de Goebbels “uma mentira dita mil vezes se torna verdade”. Rompendo com toda a contrapropaganda reacionária e enfrentando a reação de todas as formas, milhões de massas tem se levantado em defesa da Palestina, atacam as representações do genocida Estado de Israel e do imperialismo ianque. A bandeira palestina, marca de heroísmo inesgotável, tremula nos quatro cantos do planeta nas mãos de milhões de massas que reconhecem cada vez mais a verdade dita pelo grande presidente Mao Tsetung e provada tantas vezes pela história de que “A rebelião se justifica!” pois “Onde há opressão, há resistência”!



A ofensiva tática empreendida pelo Hamas no último dia 7 de outubro e a resistência que persiste e persistirá é resposta contundente a décadas de invasão, massacres e opressão. Esse fato militar revela para o mundo inteiro as entranhas genocidas do Estado colonizador, fascista, sionista de Israel, escancara o holocausto contra o povo palestino, é um grito de resistência que ecoa em todo o mundo. Também demonstra de forma inapelável o heroísmo da Resistência Nacional Palestina, homens, mulheres, crianças, jovens e anciãos, combatentes, que não se rendem. Fortalece profundamente a luta de libertação nacional contra o imperialismo, une mais forças democráticas em torno da causa da Nação Palestina internamente e internacionalmente. Demonstra a superioridade moral da resistência palestina e a justeza de sua luta. Basem Naim, chefe do departamento político e de relações internacionais do Hamas, afirmou em entrevista recente ao monopólio Aljazeera: “Temos duas opções: derrotar esta ocupação ou morrer nas nossas casas … Estávamos morrendo em silêncio. Tentamos sair desta prisão ao ar livre, tentávamos levantar a nossa voz ao nível da comunidade internacional… o que estamos fazendo é um ato de defesa. Estamos defendendo a nossa existência.”

Repudiamos todas as falácias da imprensa corporativa dominada pelos monopólios de comunicação ianques que tentam separar o povo palestino de suas forças patrióticas que tem encabeçado a resistência nacional como o Hamas, que tem demonstrado sustentar de forma contundente a causa da libertação da Palestina. Caso assim fosse, porque na Cisjordânia ocupada, o povo tem sido atacado sistematicamente pelo exército de Israel, restringido em seu direito de ir e vir, pogroms o são realizados por colonos sionistas ladrões de terra contra aldeias palestinas. Recentemente centenas de palestinos foram presos e mortos na Cisjordânia, ataques e bombardeios também no sul do Líbano são constantes. Nas prisões israelenses estão milhares de palestinos, sendo que mais de 400 são crianças. Todos os presos palestinos são torturados e muitos durante essas últimas semanas estão desaparecidos. Há presos que estão encarcerados há mais de 40 anos, 500 palestinos passaram mais de 27 anos presos segundo denunciam as forças da resistência.

O terrorismo sistemático contra o povo palestino tem suas raízes históricas em 1917 quando da usurpação de sua nação pelo imperialismo britânico. Após a segunda Guerra Mundial, com a criação do Estado de Israel em 1948, o território palestino foi tomado pelos imperialistas ianques e seus lacaios sionistas, usados para manter o Estado sionista como base militar ianque no Oriente Médio, como forma de disputar dominação e influência geopolítica dos ianques para a exploração das riquezas dos povos do Oriente Médi. É quando ocorreu a Nakba, “a catástrofe”, como os palestinos chamam o roubo de suas terras. São 75 anos da usurpação do território palestino e 56 anos de ocupação para usurpação de suas terras originárias, 32 anos do famigerado Acordo de Oslo, quando da traição da Autoridade Palestina à Resistência Nacional, cúmplice dos invasores sionistas quando tentam criar uma paz dos cemitérios; anos de várias resoluções do Conselho de Segurança também das Nações Unidas, particularmente a 242 (1967) e a 338 (1973), que significam, ao fim e ao cabo, mais e mais opressão. 


Os pró-sionistas que tentam justificar a ocupação do território palestino por Israel por razões religiosas estão mentindo descaradamente. Historicamente na Palestina conviviam harmoniosamente diversas religiões, inclusive judeus e muçulmanos árabes que conformavam o povo palestino. Desterrar com extrema violência um povo inteiro de seus territórios, impondo também enormes perdas humanas, econômicas, além da perda de direitos básicos elementares, se converteu em uma questão de vida ou morte para a nação palestina e todo povo palestino contra o imperialismo e a reação lacaia. É por isso que é uma falácia falar de “conflito religioso” como motivo dessa guerra. Trata-se de uma guerra justa, de Libertação Nacional do povo palestino, contra a guerra injusta, de ocupação colonial sionista.

Acusam a resistência nacional palestina de atacar civis israelenses e por isso a chamam de terrorista. Em entrevista do jornalista brasileiro Breno Altman com representante do Hamas Osama Hamdan, ao ser questionado se o Hamas tinha como alvo civis, mulheres e crianças, afirmou que os alvos eram militares e ainda “Nós só nos concentramos em soldados e nos colonizadores. Se alguém quiser falar de civis, vamos falar dos que foram mortos de 1948 até hoje. Quem cometeu o massacre de Deir Yassin? Quem cometeu o massacre de Tantura? Quem cometeu o massacre de Kafr Qasim? Quem destruiu, em 1948, quinhentas vilas e cidades na Palestina? Quem cometeu o massacre de Sabra e Chatila, em 1982? Sempre Israel. A resistência à ocupação é clara e garantida pela lei internacional. Se alguém quiser parar com esta carnificina contra os palestinos, que se ponha fim à ocupação.”

Um tribunal popular há que ser organizado contra os criminosos de guerra sionistas e quem o montará serão as massas em processo revolucionário no mundo inteiro. A luta de resistência palestina, pelo seu caráter estratégico, é, decisivamente, uma das mobilizações mais importantes e mais simbólicas do mundo neste momento de crise acelerada de decomposição do imperialismo. Palestina é fato contundente desse novo período de revoluções no mundo e da afirmação do Presidente Mao que “num período de 50 a 100 anos o imperialismo será varrido da face da Terra”. A guerra de Libertação Nacional da Palestina, assim como tantas outras que já existem ou ainda explodirão é parte decisiva e base da Revolução Proletária Mundial.

 
A Resistência Nacional Palestina estremece o imperialismo ianque e seu títere sionista que estão diante de uma situação insustentável e sem saída. Não podem seguir bombardeando Gaza impunemente. Particularmente no Oriente médio, mas não só, se levantarão milhões de massas em crescente ira, sobretudo os que contam com movimentos armados anti-imperialistas. Também Israel não poderá vencer a resistência feroz decidida a lutar até o último homem e mulher. O risco da guerra anti-imperialista se generalizar por toda a região é iminente e não faltam combatentes em toda região decididos pela causa.


É tarefa urgente de todo movimento democrático e revolucionário do mundo atuar decididamente ao lado da Nação e povo palestinos. Unimo-nos a todas as organizações democráticas e revolucionárias na mais irrestrita solidariedade a Resistência Nacional Palestina e afirmamos que desde o Brasil também se escutará o grito da libertação da Nação Palestina.



Viva a Heroica Resistência Palestina!

Palestina Resiste, Palestina Triunfará!





sábado, 11 de novembro de 2023

 

Como o sionismo invadiu e colonizou a Palestina com apoio dos países imperialistas? Breve análise do processo de invasão da Palestina antes de 1948.






Por todos os cantos, do monopólio de imprensa aos falsos democratas e intelectuais covardes, bravejam que a luta justa do povo palestino contra a força opressiva dos sionistas é uma luta de terroristas contra a “única democracia no Oriente Médio”. Ou que a solução para resolver este conflito necessita de boa vontade de ambas as partes, como se o direito sagrado da autodeterminação dos povos fosse algo negociável em reuniões infindáveis na ONU (no caso palestino, em Washington como foram os vergonhosos e capitulacionistas “Acordos de Oslo”) sob risco de serem taxados de terroristas caso recusem a via “pacífica”.

Ora, quem não foi taxado de terrorista lutando contra a política de extermínio da polícia militar nas favelas e periferias do Brasil em 2013, no Chile, e em tantos movimentos de libertação nacional como na Argélia e no Iraque?

Esta é uma das tarefas do imperialismo: apontar aos que lutam a acusação de serem o que eles são de fato. É tarefa de todos os democratas e intelectuais honestos defenderem veementemente a resistência armada do povo palestino e saudar o exemplo dado aos povos oprimidos do mundo.

Não poderíamos defender meia Argélia, meia Indochina, meio Iraque e não é possível defender meia Palestina, pois são deles todas aquelas terras. E não cabe ao imperialismo ianque nem a corja nazista sionista decidir os limites da luta justa de um povo por sua libertação.

A criação do Movimento Sionista

É parte da narrativa da grande imprensa ligada aos interesses de Israel a ideia de que qualquer que sejam as críticas ligadas à política de extermínio e apartheid do estado sionista é antissemitismo. Isto cumpre um papel que historicamente o movimento sionista e a Organização Sionista Mundial (OSM) vêm desempenhado desde a década de 1930 que se aprofunda após 1945.

O movimento sionista surge no fim do século XIX na Rússia. Neste país, onde durante anos os judeus foram perseguidos e assassinados, em 1882 um ativista da causa judaica escreve o que seria o primeiro apelo “nacionalista” aos judeus em seu panfleto “Autoemancipação: um apelo de um judeu russo ao seu povo”, divulgado após um “pogrom” em sua cidade. Ele propôs que a elite judaica do mundo todo comandasse um diretório para estabelecer um lar seguro aos judeus. 

Cerca de uma década mais tarde, em 1896, é publicado o livro “Judenstaat” (O Estado judeu) pelo jornalista Theodor Herzl, fundador do sionismo político. No livro é posto as aspirações de criar um “lar nacional para os judeus”. Curiosamente nenhum lugar citado pelo autor pertencia à países da Europa, onde a maioria dos judeus viviam no mundo, mas lugares distantes, onde fosse possível conseguir apoio da grande burguesia judaica dos países da Europa.

Um ano após a publicação do livro, é organizado o primeiro congresso sionista na Basiléia (Suíça), onde Herzl foi eleito o primeiro presidente da Organização Sionista Mundial e foi nesse congresso onde se decidiu por construir um “lar” (leia-se Estado) judeu na Palestina.

A partir daí se repetiu como um mantra a ideia de que a Palestina era “uma terra sem povo para um povo sem terra”. Vale destacar que o processo de criação e consolidação do movimento sionista que objetivava colonizar a Palestina, foi desenvolvido na Europa que acabara de entrar em um processo de colonização de países africanos, política fruto da crise imperialista que teria seu desfecho na primeira guerra interimperialista.

Em 1901 foi criado o Fundo Nacional Judaico tendo como presidente Theodor Herzl. O objetivo da organização era centralizar as doações destinadas às compras de terras palestinas para início do processo de colonização. Pouco tempo depois foi oferecido a Península do Sinai (Egito) e uma parte da Uganda para satisfazer os interesses sionistas, ambos foram recusados e em 1905 no sétimo congresso sionista ficou definido que o objetivo central dos sionistas era a Palestina, que ganhou seu alvará com a “Declaração de Balfour” em 1917¹1.

O papel do sionismo enquanto política de colonização do território palestino teve como tarefas:

  • 1- a criação da uma identidade nacional judaica mesmo que de forma artificial, que desse conta de unir franceses, alemães, russos, ingleses, etc. praticantes do judaísmo, em “judeus”, não como uma comunidade religiosa, mas atribuir a essa comunidade um caráter étnico;
  • 2- iniciar o processo de colonização da Palestina, que só foi possível de forma massiva a partir dos anos 30 com a perseguição do governo nazista aos judeu;
  • 3- associar, de forma onímoda, o movimento sionista e todos os judeus do mundo, de forma a ligar cada judeu à política de colonização da Palestina. Assim é tratado pelo monopólio da mídia até os dias atuais para que se associe à crítica ao sionismo, ao antissemitismo.

Os acordos interimperialistas entre França e Inglaterra

A Palestina até 1918 era dominada pelo Império Otomano, que dominou a região que hoje se estende da atual Tunísia até partes do leste da Europa. O império se esfacelou após a derrota na primeira guerra mundial. A Grã Bretanha, com apoio dos árabes que desejavam uma pátria árabe sem domínio dos otomanos, derrotou o Império Otomano.

Porém, ao mesmo tempo em que prometia uma Grande Arábia aos povos que lutaram contra os Otomanos, o imperialismo inglês traía o povo árabe no tratado Sykes-Picot (1916), assinado pelas duas potências imperialistas França e Grã Bretanha, que tinham como objetivo a partilha colonial do Oriente Médio como conhecemos hoje (com fronteiras artificiais, e a invenção do Iraque, Síria e posteriormente o Líbano). Na divisão entre os dois países imperialistas (França e Grã Bretanha), a Palestina passou a ser colônia da Inglaterra. O Império Russo fez parte do acordo, e após a Grande Revolução Socialista de Outubro (GRSO) de 1917, Lênin retirou a Rússia soviética dos acordos.

A Palestina passou por um longo processo de migração de judeus vindos de diversos países, principalmente Rússia devido à perseguição sistemática sofrida com os “pogroms”, mas também de outros países como Polônia e os Estados Unidos. Logo após a colonização britânica, de 1920 a 1929, cerca de 100.000 imigrantes judeus vindos de países principalmente da Europa foram para a Palestina. Em 1919 contavam-se com 65 mil judeus, palestinos ou não, em um total de 648 mil habitantes da Palestina e em 1939 (no ano que começou a Segunda Guerra Mundial) os judeus eram 445 mil num total de 1.500.000 de habitantes, número que só foi crescendo ao decorrer da guerra até chegar aos 608 mil judeus de 1.850.000 de habitantes aproximadamente em 1946 após o Holocausto.

A Organização Sionista Mundial (OSM) precisava de território, governo e população para concretizarem seu plano de fundar um Estado judeu, e o mandato britânico tornou possível um governo sionista em terras palestinas. Durante o controle do imperialismo inglês, entre 1922 e 1948, os poderes executivos e legislativos foram controlados pelo Alto Comissário. E aos palestinos foi negado qualquer direito à administração das próprias terras, porém os judeus participavam de todo processo de organização e administração, o mandato acabou em 1948, e em seguida foi fundado na Palestina, Israel. 

As contradições entre o sionismo e a Palestina

Durante o período de ocupação do imperialismo inglês e da massiva imigração de judeus à Palestina, na medida em que milícias sionistas e o exército britânico reprimia os palestinos, estes responderam a altura durante os anos 20 e 30 em pelo menos três principais momentos.

Primeiro, os motins durante o festival muçulmano conhecido como Nebi Musa entre 4 e 7 de abril de 1920 na cidade antiga de Jerusalém. Ali foi onde centenas de Palestinos se manifestaram contra a ocupação britânica e contra os judeus que imigraram em massa a partir do fim da primeira guerra.

Em 1929 se inicia o processo conhecido como os “tumultos palestinos de 1929”, que resultou no massacre de Hebron e agudizou a contradição entre palestinos árabes e judeus europeus que aos poucos iam para a Palestina, neste mesmo ano se fundou a Agência Judaica que cumpriria função de governo sionista na Palestina.

Em 1936 começa uma nova onda de insurreições na Palestina que só terminaria em 1939. O que começou com uma enorme greve geral de 6 meses, se tornou no final do mesmo ano uma luta armada contra a colonização britânica e contra os sionistas, exigindo o fim da ocupação e o fim da venda das terras árabes aos colonos sionistas. Em resposta, estes últimos promoveram massacres e atos de terrorismo contra a população civil palestina, principalmente contra camponeses.

A resistência palestina que no início de 1936 era liderada por uma parte da média e setores da pequena burguesia palestina, que logo exigiu o fim da greve e da luta armada, foi ao longo dos meses sendo dirigida por lideranças camponesas que começaram processo de guerrilha. A heróica resistência dos palestinos durante esses quatro anos forçou os colonos ingleses a mandar metade dos efetivos do exército britânico para acabar com a luta armada palestina.

Para acabar com a insurreição a Inglaterra mandou tanques de guerra, navios, e todo tipo de artilharia para ocupar todo território palestino até o fim de 1949. Os colonos protagonizaram massacres e uma brutal repressão que matou aproximadamente 20 mil palestinos.

O ‘’livro branco’’ e a tentativa de barrar a resistência palestina

Em 1939 temendo a novos levantes palestinos, a Inglaterra, através de uma Comissão Real, recomendou a partilha da Palestina como solução para a crise instaurada desde a Declaração de Balfour.

O “Livro Branco”, como ficou conhecido, tentava não apenas pôr fim à resistência dos Palestinos em relação aos britânicos, mas de ganhar apoio da comunidade árabe de todo Oriente Médio tendo em vista a iminência da Segunda Guerra Mundial. No novo documento, a Grã Bretanha passou a adotar a política de “levar em conta o desejo da maioria árabe” e pautou sua nova política na Palestina se comprometendo a criar um Estado palestino em um prazo de 10 anos, ou seja, em 1949. Além disso, constava uma medida de limitação da imigração judaica até que chegassem à 1/3 da população geral e que constava que não seria permitido a imigração de judeus sem o consentimento dos árabes palestinos e a responsabilidade da representação política palestina de regulamentar e proibir compra de terras árabes pelos sionistas. Promessas essas nunca cumpridas pelos imperialistas.

Nazismo e Sionismo, duas faces da mesma moeda… literalmente

Não são infundadas as acusações de que Israel atua com sua política segregacionista e genocida contra os árabes palestinos da mesma forma como Hitler e os nazistas fizeram com a comunidade judaica. E essa semelhança vem sem dúvidas do fato de que este Estado sionista criado em terras palestinas tem sangue nas mãos não só dos palestinos, mas de judeus pobres que viviam na Alemanha.

É amplamente documentado (e não foi segredo) que durante a década de 1930 procedeu-se uma profunda relação do movimento sionista, em particular da Organização Sionista Mundial (OSM) e da Agência Judaica na Palestina, com o partido Nazista na Alemanha. Hannah Arendt aponta que “naquele tempo era um fato da vida corrente que só os sionistas tinham possibilidade de negociar com as autoridades alemãs, pela simples razão de que a sua principal rival, a Associação Central dos Cidadãos Alemães de Confissão Judaica (Central-Verein deutscher Staatsbürger jüdischen Glaubens), à qual pertenciam então noventa e cinco por cento dos membros de organizações judaicas na Alemanha, especificava nos estatutos que o seu primeiro objetivo era a ‘luta contra o anti-semitismo’”, e logo no início do governo nazista a organização foi criminalizada.

A organização sionista alemã via com bons olhos o antissemitismo nazista e a OSM contribuiu para o segregacionismo judeu na Alemanha, inclusive pregando que os judeus deveriam eles próprios se desvincular de sua nacionalidade alemã.

Victor Klemperer, professor universitário famoso por seu diário escrito durante os anos de perseguição do governo nazista declarou em seu diário: “Existe uma única solução para a questão judaica na Alemanha e na Europa ocidental: a derrota daqueles que a inventaram. […] A causa sionista, tanto a pura como a religiosa, interessa apenas a fanáticos e não diz respeito à maioria’’. E mais tarde por volta do ano de 1941: “Hitler é o mais importante promotor do sionismo”.

Antes do início sistemático do extermínio da comunidade judaica, a direção nazista manteve duas políticas paralelas: a primeira consistia na retirada progressiva dos direito dos judeus, do roubo de seus bens materiais e do envio para os campos de concentração; a segunda era estimular a migração de judeus para o território palestino em colaboração com os sionistas.

A Agência Judaica na Palestina destacou dirigentes para manter visitas regulares aos campos de concentração, com permissão da SS (Schutzstaffel, a polícia política dos nazistas), para selecionar os judeus com interesse a ir para a Palestina, priorizando os homens mais jovens e os mais ricos. De acordo com Hannah Arendt “a maioria dos judeus, que não havia sido selecionada, ficou inevitavelmente confrontada com dois inimigos: as autoridades nazis e as autoridades judaicas”.

Em 1933, ainda no início do governo nazista, Von Mildenstein, responsável da SS pelo setor que cuidava da “questão judaica” foi até a Palestina a convite da OSM visitar territórios colonizados e tratar da questão da migração judaica para a Palestina. Em comemoração ao ocorrido foi produzido uma medalha com a suástica de um lado e a estrela de Davi do outro onde se lê “uma viagem nazista à Palestina”.

Quatro anos depois uma nova visita foi organizada dessa vez no Egito entre a autoridade sionista e Adolf Eichmann, novo encarregado dos assuntos judaicos da SS. Em agradecimento ao apoio nazista à causa sionista, foi fornecido informações a respeito da atuação dos comunistas na Alemanha.

Ainda durante a guerra a relação entre os sionistas e os nazistas não se alterou de forma drástica, embora o objetivo das hordas nazistas fosse exterminar todo judeu da Europa. Houveram aqueles entre os judeus que assumiram a tarefa da capitulação da luta contra a ocupação nazista principalmente na Polônia, e também dentro da própria Alemanha, e coube aos sionistas esse papel infame.

Logo no início do governo nazista os sionistas se encarregaram de corporativizar toda organização independente das comunidades judaicas e torna-las uma só. Em 1939, a Gestapo assume o controle da organização e passa a ter todo aparato burocrático, mais tarde muito útil para realizar o genocídio contra os judeus. No mesmo ano, o governo nazista ordenou que fossem organizados conselhos judaicos, cuja direção passou a cada vez mais deter o controle sobre a vida dos judeus aprisionados. Estes conselhos passaram a se responsabilizar pelo trabalho de distribuir as estrelas obrigatórias que marcaram os judeus, de selecionar os que iam para o trabalho forçado, os que iam para os trens em direção aos campos de concentração e também de organizar os bens que seriam roubados pelos nazistas. Este conselho mantinha o controle de uma polícia judaica responsável pelo papel de repressão aos judeus. Mais tarde, no Levante do Gueto de Varsóvia, em 1943, os primeiros alvos foram os colaboracionistas e a polícia judaica organizadas em última instância pelos sionistas.

O acordo Haavara

Houve de 1933 à 1939 um acordo econômico entre os sionistas e o partido nazista para deportar judeus para a Palestina. Isto é dito pelos sionistas até hoje como uma forma de retirar parte dos judeus da Alemanha, mas a verdade é que este acordo conhecido como Acordo Haavara (transferência), que tinha como pano de fundo o financiamento da colonização da Palestina com a compra de terras e o armamento das milícias sionistas que atuavam na Palestina. Por outro lado, serviu como forma de movimentar parte expressiva da economia alemã que a época sofria com boicote massivo de organizações e comunidades judaicas do mundo todo.

Resumidamente, um judeu poderia comprar matérias primas e ganhar o direito a ir para a Palestina sob organização da Agencia Judaica. Esses produtos eram vendidos por um preço altíssimo dentro da Alemanha, a Agência Judaica comprava esses produtos exportados para a Palestina e, chegando na Palestina, o colono recebia em libras (moeda inglesa). Dessa forma, o movimento sionista impedia o estrangulamento da economiza nazista que sofria com boicote, e ao mesmo tempo financiava o movimento sionista dentro da Palestina, aplicando este capital no setor têxtil, metalúrgico, em indústrias quimicas e de instrumentos agrícolas.

Este acordo possibilitou o processo do início da infraestrutura do que viria a ser poucos anos depois parte do Estado fascista de Israel.

A Nakba

Em 15 de maio de 1948, com o fim do mandato britânico na região, é anunciada a independência do Estado fascista de Israel em terras palestinas, e logo nos primeiros minutos do anúncio de sua colonização, os ianques (Estados Unidos) declararam seu apoio e reconhecimento. O anúncio foi recebido pelos recém criados países árabes vizinhos à Palestina com ataques do Egito, Jordânia, Iraque e Síria no que ficou conhecido como primeira guerra árabe-israelense.

Neste processo, os sionistas ocuparam o máximo de territórios palestinos, além de cometerem diversos massacres como já haviam feito no massacre de Deir Yassin no mês anterior. Centenas de palestinos, incluindo crianças e idosos, foram mortos por milícias fascistas como o Haganah, inspirada e orientada diretamente por Mussolini, que operou durante anos no território ocupado da Palestina até se conformar como parte das forças armadas israelenses.

Ainda neste processo, cerca de 800 mil palestinos tiveram que se refugiar nos países vizinhos e ao redor do mundo sem direito a retorno. O Estado de Israel destruiu casas e vilarejos inteiros ocupando todo território palestino restando apenas a Cisjorânia e a Faixa de Gaza.

Al Nakba, que se traduz como “catástrofe”, foi e segue sendo também um marco de luta das massas palestinas que todo dia 15 de maio desde 1948 se levantam em fúria com molotovs, paus, pedras e fundas na mão contra o inimigo sionista que tem pés de barro e demonstra sua fraqueza cada vez mais em cada dia nos últimos 75 anos em que não conseguem derrotar a justa resistência do povo palestino.

Bibliografia: 

Hannah Arendt – Eichmann em Jerusalém. 

João Bernardo – De perseguidos a perseguidores: a lição do sionismo. 

João Quartim de Moraes – As conexões do sionismo com o colonialismo, o fascismo e o racismo.

Shlomo Sand – A invenção da terra de Israel

A invenção do povo judeu

Aura Rejane Gomes – A questão Palestina e a fundação de Israel

Norman G. Finkelstein – A indústria do Holocausto

Ilan Pappe – Mitos e propaganda Israelenses (youtube)

Al Mayadeen Espanõl – Conflictos: Haavara, el pacto secreto entre nazis y sionistas (Youtube)

  1. Carta do secretário britânico dos assuntos estrangeiros Sir Arthur James Balfour destinada ao banqueiro sionista e líder da comunidade judaica no Reino Unido Lionel Rothschild, que expressou o apoio da Inglaterra em construir um “Lar nacional judeu” na Palestina. O representante dos interesses do imperialismo inglês declara que a coroa britânica não só demonstra simpatia quanto as “aspirações sionistas” como “empregará todos os seus esforços no sentido de facilitar a realização desse objetivo”. A carta termina com Balfour agradecendo ao 2º Barão da família Rothschild por encaminhar a carta à federação sionista. ↩︎.
Fonte: Jornal A Nova Democracia. 

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

NOTA DA DIRETORIA NACIONAL DO ANDES-SN DE SOLIDARIEDADE À(O)S CAMPONESE(A)S DA ÁREA RURAL DE PORTO VELHO/RO

Reproduzimos a seguir nota da diretoria nacional do ANDES-SN em solidariedade aos 3 camponeses assassinatos na região rural de Porto Velho/RO.

Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil


"NOTA DA DIRETORIA NACIONAL DO ANDES-SN DE SOLIDARIEDADE À(O)S CAMPONESE(A)S DA ÁREA RURAL DE PORTO VELHO/RO

No dia 13/08/2021, Policiais da Força Nacional de Segurança e da Polícia Militar de Rondônia, em operação ainda não justificada assassinaram covardemente três camponeses. Amarildo Aparecido Rodrigues, 49 anos, trabalhador rural, casado, pai de dois filhos.  Amaral José Stoco Rodrigues, 17 anos, filho de Amarildo Aparecido, estudante e trabalhador rural, ambos mortos quando trabalhavam na roça, no lote que possuíam. E Kevin Fernando Holanda de Souza, 21 anos, trabalhador rural, casado, a espera do seu primeiro filho, morto quando tentava fugir do ataque em sua moto. Nesta mesma ação foram presos cinco camponese(a)s, sendo um idoso e dois casais, uma deles detida com seus dois filhos, de 1 ano e meio e de 8 anos de idade. A ação foi denunciada pela Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental (LCP) e pelo Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (CEBRASPO). Trata-se de uma ação criminosa, coordenado pelo Estado, contra a luta pelo acesso à terra, onde historicamente o latifúndio impõe sua regra e lógica de morte. Os três trabalhadores assassinados integravam a ocupação rural Ademar Ferreira, que compõe a área conhecida como Dois amigos (Tiago dos Santos e Ademar Ferreira), nomes dados pelos/pelas camponese(a)s em homenagem a dois companheiros assassinados covardemente pela polícia há 3 anos, em julho de 2018 nessas mesmas terras, localizada na região noroeste de Rondônia, que faz divisa com a Bolívia (ao sul da BR 364 e a leste da BR 425).

Desde julho deste ano essa área vem sendo acompanhada com o auxílio de drones pela Força Nacional, pela Polícia Militar e, como denunciam a LCP e a CEBRASPO, por pistoleiros. Antes do assassinato foram registrados incêndios à barracos, sobrevoos com helicóptero, com o intuito de impor o medo e a coerção à(o)s milhares de camponese(a)s que conquistaram suas terras através de muita luta e resistência. Operam, nos meandros do Norte do país, a política genocida, paramilitar de Bolsonaro que, como já reafirmado em vários pronunciamentos, estará a serviço do latifúndio, do agronegócio e da especulação imobiliária e de terras.

O ANDES-SN presta toda a solidariedade às famílias de Amarildo, Amaral e Kevin, à(o)s  camponese(a)s da área Ademar Ferreira, de Porto Velho/Ro e reafirma estar ombro a ombro na luta campesina pelo direito à terra e ao trabalho digno, contra o latifúndio e a política neofacista operada por Jair Bolsonaro e seus/suas aliado(a)s nos Estados e Municípios. Se soma aos pedidos de punição imediata aos executores e mandantes dos assassinatos e pela liberdade da(o)s camponese(a)s preso(a)s na operação.

Amarildo, Amaral e Kevin, Presentes!

Viva a Luta Pela Reforma Agrária, Morte ao Latifúndio!

Fora Governo Genocida de Jair Messias Bolsonaro!"

Leia a nota também no seguinte endereço: https://www.andes.org.br/conteudos/nota/circular-no-309-2021-envia-nota-da-diretoria-nacional-do-aNDES-sN-de-solidariedade-a-o-s-camponese-a-s-da-area-rural-de-porto-velho-rO0

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

CHACINA NO ESTADO DE RONDÔNIA: Força Nacional de Segurança e Polícia Militar assassinam camponeses

 CHACINA NO ESTADO DE RONDÔNIA:

Força Nacional de Segurança e Polícia Militar assassinam camponeses

 

O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos – CEBRASPO e a Associação Brasileira dos Advogados do Povo Gabriel Pimenta – ABRAPO vêm a público denunciar e repudiar mais um covarde crime cometido pelas forças de repressão desse velho Estado onde camponeses foram covardemente assassinados, um deles executado com mais de 30 tiros de fuzil, em Nova Mutum Paraná, distrito pertencente a Porto Velho-RO, na área Ademar Ferreira, local onde está também a fazenda Santa Carmem. Durante “Operação Policial”, ocorrido no dia 13 de agosto de 2021, planejada e executada pela Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) de Bolsonaro e pela Coordenadoria de Planejamento Operacional da Polícia Militar de Rondônia, composta pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), e do Batalhão de Polícia de Choque (BPCHOQUE).

A Polícia Militar do Governador Cel. Marcos Rocha, seu Secretário de Segurança Pública, Cel. José Cysneiros Hélio Pachá, e o comando da corporação, através do Cel. Alexandre Almeida, apresentaram sua mentirosa e contraditória versão dos fatos ocorridos, como se tivesse havido um confronto armado, pois, segundo eles, os policiais teriam sido recebidos a tiros pelos camponeses.

No site oficial da PM-RO, em matéria publicada no dia 15 de agosto, iniciam dizendo que era uma Operação Policial, planejada e executada por tais forças de segurança, incluindo o famigerado BOPE, e, depois, falam em patrulhamento rural, onde abordaram os camponeses. Podemos ver diferentes versões nos sites da imprensa policial, afirmando que a polícia estava cumprindo “reintegração de posse”; que foram “atender a uma ocorrência”; falam de mais mortes do que as até agora constatadas, citando nomes, apelidos, mas, dizendo que seus corpos não foram encontrados, e outras informações desencontradas.

Segundo os camponeses que lá estão, havia cerca de 23 viaturas e ao menos 50 policiais. As ações foram perpetradas principalmente pelo BOPE, comandado pelo capitão PM Felipe Hemerson Pereira, que, segundo a própria PMRO, possui “grande experiência em missões pela Força Nacional de Segurança Pública – tendo comandando o pelotão de Choque na posse do Presidente da República, Jair Bolsonaro”.

No início do dia 13 de agosto, por volta de 07 horas da manhã, um jovem foi abordado por policiais que estavam agachados e deitados no chão, em meio à mata. Foi espancado e torturado para que desse informações sobre o acampamento. Foi conduzido e levado para a delegacia de Nova Mutum Paraná, onde teria assinado um Termo Circunstanciado e liberado em Porto Velho.

De acordo com as famílias, ainda pela manhã do dia 13, em torno de 10 horas, o senhor Amarildo Aparecido Rodrigues e seu filho, o jovem Amaral José Stoco Rodrigues, foram alvejados com tiros efetuados por policiais armados com fuzis, enquanto trabalhavam com suas foices em seu lote, realizando roçada. Segundo relatos dos camponeses e familiares, os policiais do BOPE não estavam em patrulha com suas viaturas, entraram a pé pela mata, com roupas verdes camufladas, capuzes camuflados, agachados e rastejando com seus fuzis nas mãos, “entraram para matar!”. Amarildo foi executado e morto com ao menos dois tiros nas costas, enquanto, que, seu filho, Amaral, fora atingido por vários disparos no peito. Ambos sem nenhum antecedente criminal, trabalhadores que eram, tiveram suas vidas covardemente ceifadas pela polícia de Rondônia.

Para causar mais terror, prenderam uma família inteira, incluindo duas crianças, uma de um ano e outra de oito (com deficiência física e mental). Este mesmo operativo do BOPE, a poucos metros dali, executou o jovem Kevin Fernando Holanda de Souza, que passava de moto, viu os policiais, se assustou e, ao tentar correr, foi alvejado com mais de 30 tiros de fuzil pelas costas, levando-o à óbito no mesmo instante.

Um outro camponês detido junto com sua esposa, teve seu veículo, um Fiat Strada, alvejado várias vezes no para-brisa dianteiro, também com disparos de fuzis realizado pelo BOPE. A PM diz, em sua versão publicada no site da PMRO, que avistou o veículo vindo de frente e em direção ao BOPE. Os projéteis passaram entre a cabeça deste trabalhador e de sua esposa que estava no banco do carona. Ele parou o veículo na frente dos policiais. As marcas de queimaduras e estilhaços ficaram em seus ombros, não sendo assassinados também por muito pouco.

Também realizaram a detenção de um idoso, que correu para o mato para não ser atingido pelos disparos, mas ao retornar para a estrada foi abordado e preso.

Muitas pessoas disseram que correram para a mata, sob tiros de fuzil efetuados pelas equipes de policiais em solo, além do helicóptero do NOA – Núcleo de Operações Aéreas da Polícia Militar de Rondônia que, em baixa altitude, disparava contra o povo que corria para se abrigar na mata.

Há relatos de que policiais ainda incendiaram carros e motos, vários barracos inteiros, com roupas, colchões, comida, panelas, ferramentas de trabalho e demais pertences das famílias.

Os 5 camponeses presos foram libertados no dia seguinte. Sendo todos réus primários e com bons antecedentes, responderão por esbulho possessório, por tentar conseguir um pedaço de terra pra trabalhar. Um deles ainda foi acusado de estar armado com um revólver e teve de pagar fiança. Até o momento da publicação desta nota, os camponeses ainda procuravam por 4 pessoas que permaneciam desaparecidas.

A Polícia Militar e a Força Nacional atuam como pistoleiros a serviço dos latifundiários

Em Rondônia, não é novidade o fato de policiais e membros das forças de segurança do Estado e mesmo a Polícia Militar, com viaturas e fardas oficiais, atuarem como pistoleiros, a soldo dos latifundiários. O exemplo mais recente foram os e policiais militares e o guaxeba presos pelo Ministério Público de Rondônia, em março de 2021, fazendo serviço de pistolagem na Fazenda Nossa Senhora Aparecida, em Chupinguaia, contra os camponeses do acampamento Manoel Ribeiro.

As famílias da área Ademar Ferreira, há várias semanas, vinham denunciando, por meio de Notas da Liga dos Camponeses Pobres, que estavam sofrendo sucessivas investidas de policiais da FNSP e da PMRO, junto com pistoleiros da Fazenda Santa Carmem, inclusive, com disparos efetuados contra trabalhadores e famílias que transitavam pelas estradas. Essa operação é mais um crime de Estado, para, ao arrepio da lei, tentar causar terror e pânico contra os pobres do campo.

Exigimos a apuração dos fatos! Não houve confronto, foi execução!

O governo militar de Bolsonaro, e o governo de Marcos Rocha e suas polícias, tem servido, defendido, financiado e apoiado de todas as formas o agronegócio e os latifundiários de Rondônia, onde, muitos destes, “grilaram” terras públicas, entram e invadem terras indígenas e de reservas, como o próprio Galo Velho, tido como um dos maiores grileiros de terra do Brasil.

O Estado tem cometido todo tipo de ilegalidades e montado verdadeiras operações de guerra contra os camponeses pobres que lutam pelo direito a um pedaço de chão para trabalhar e viver com suas famílias dignamente, direito este negado historicamente pelo Estado brasileiro, com sua falida política de Reforma Agrária, agora, mais do que nunca enterrada em profunda cova. Os governos de turno sequer discutem ou apresentam alguma política para dar solução para os conflitos agrários que ocorrem e se intensificam em nosso País.

Como ocorreram em tantos episódios recentes de nossa história, a política de terror de Estado e os massacres contra os pobres da cidade e do campo que ousam lutar por seus direitos continuam como única ação possível dos governos de turno, principalmente, hoje, com Bolsonaro e seu governo de generais, Marcos Rocha e sua polícia, sob as ordens de Hélio Pachá, hoje promovido a coronel, responsável pelo assassinato e tortura de dezenas de camponeses na Batalha Camponesa de Santa Elina, ocorrida há exatos 26 anos, em Corumbiara, no dia 9 de agosto de 1995.

Conclamamos todas as entidades de defesa dos direitos do povo, os democratas e pessoas honestas que anseiam por justiça, para que se levantem e exijam a verdade dos fatos, apuração e punição dos responsáveis pela execução sumária dos camponeses Amarildo, Amaral e Kevin, de todos os crimes cometidos pelo governo de Rondônia contra os camponeses que lutam pela terra, bem como denunciar a cruzada persecutória em curso, que tem por objetivo criminalizar os movimentos populares que lutam pelo direito à terra.

 

Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos – CEBRASPO

Associação Brasileira dos Advogados do Povo Gabriel Pimenta – ABRAPO

Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2021


Amaral Jose Stoco Rodrigues


Kevin Fernando Holando


Amarildo Rodrigues Aparecido 

segunda-feira, 17 de maio de 2021

LCP: Liberdade imediata para os 4 camponeses presos no acampamento Manoel Ribeiro!

Reproduzimos grave denúncia publicado no portal Resistência Camponesa sobre o ataque da PM contra camponeses acampados na Área Manoel Ribeiro e subsequente prisão ilegal de 4 acampados no dia 14 de maio último.

Nos dias seguintes, numa tentativa de criminalizar a luta pela terra e os camponeses, a imprensa, as forças policiais e o governo estadual fizeram intensa campanha contra os camponeses em luta, em particular a Liga dos Camponeses Pobres (LCP). 

Compartilhamos a seguir, na íntegra, a nota da LCP:

Liberdade imediata para os 4 camponeses presos no acampamento Manoel Ribeiro


Na manhã do dia 14 de maio, policiais militares que ilegalmente cercam o acampamento Manoel Ribeiro atacaram covardemente 10 camponeses, atropelando e prendendo 4 acampados. Desde agosto de 2020, camponeses lutam por aquelas terras que são a última parte da antiga fazenda Santa Elina retomadas pelos camponeses. Foi nessas terras que pistoleiros e esta mesma polícia militar, a mando de latifundiários, aterrorizaram e torturaram centenas de camponeses, assassinaram 11 camponeses, inclusive a pequena Vanessa, de apenas 7 anos, em 1995, crimes que o atual secretário de segurança, coronel Hélio Cysneiros Pachá, o carniceiro de Santa Elina, teve papel destacado ao comandar (como capitão na época) tropa de assassinos que cometeram tais barbaridades. Há alguns meses o governo de Rondônia através dos seus aparatos policiais seguem atacando de forma sistemática as famílias do acampamento Manoel Ribeiro, cumprindo papel de guaxebas (pistoleiros) do latifúndio, e preparando novo massacre nas mesmas terras já tão encharcadas de sangue indígena e camponês.

A polícia guaxeba de latifundiários, está substituindo os pistoleiros a soldo da fazenda, presos a partir de denúncia movida pela Defensoria Pública, e atualmente tem feito a segurança da sede da fazenda Nossa Senhora Aparecida, protegendo os interesses particulares do latifundiário criminoso Toninho Miséria, usando para isso recursos públicos. A polícia está reforçado seus efetivos e já conta com dezenas de viaturas na sede da fazenda, tratores para remover defesas dos camponeses, bem como um avião. Recentemente, deputados estaduais aprovaram o crédito adicional de 500 mil reais (dinheiro público recolhido de impostos) para as tropas criminosas, encobertas pelo cínico nome “Operação Paz no Campo”.

domingo, 9 de maio de 2021

Noam Chomsky e diversas personalidades e entidades democráticas assinam manifesto em apoio à Liga dos Camponeses Pobres

O Grupo de Estudos Ao Povo Brasileiro emitiu nota conclamando entidades e personalidades democráticas a declararem apoio e solidariedade à Liga dos Camponeses Pobres e ao movimento camponês em luta, em particular no estado de Rondônia. Atualmente neste estado os acampamentos organizados pela LCP  estão sendo alvos dos ataques do velho Estado que visa realizar um massacre dos camponeses aos moldes dos episódios que ficaram conhecidos como "Massacre de Corumbiara" ocorrido nesta mesma região em 1995.

Leia mais em:

https://aopovobrasileiro.medium.com/chamamento-conjunto-ao-apoio-e-%C3%A0-solidariedade-%C3%A0-liga-dos-camponeses-pobres-7bf183afbe70

BOLSONARO ATIÇA ATAQUE A LCP EM RONDÔNIA!

Em Rondônia, quem são os terroristas?


CHAMAMENTO CONJUNTO AO APOIO E À SOLIDARIEDADE À LIGA DOS CAMPONESES POBRES 

“Não há maior padecer

Do que um camponês viver

Sem terra pra trabalhar.”

(Patativa do Assaré)

A Liga dos Camponeses Pobres (LCP) nasce como fruto da resistência. Foi resistindo ao latifúndio que os camponeses tomaram justamente as terras de Santa Elina, palco da Heroica Resistência de Santa Elina (1995), na qual armados de paus, pedras, armas rudimentares, os camponeses lutaram bravamente contra pistoleiros e policiais que defendiam os interesses de Antenor Duarte, latifundiário mandante. O governador Valdir Raupp (PMDB) foi quem sancionou a ação assassina à época. Após a resistência, os camponeses rendidos foram torturados e massacrados, mesmo idosos e crianças. Vanessa, de 7 anos, foi morta com um tiro de fuzil.

A brutalidade cometida pelo velho Estado, pelo latifúndio e seus lacaios foi respondida não com rendição, mas com maior resistência, com organização, com demarcação de linha revolucionária clara. A morte destes companheiros e companheiras regou com sangue a formação da LCP. Mesmo condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, o velho Estado brasileiro, sob nenhum governo, levou a cabo a punição dos envolvidos no massacre posterior à batalha. Prova disso é que José Hélio Cysneiros Pachá, um dos carniceiros de Corumbiara, hoje é secretário de defesa de Rondônia e continua a conduzir a mesma política, ordenando um massacre ainda maior de sua posição junto ao burocrata Marcos Rocha, governador do estado. 25 anos após a resistência que deu início à LCP, a antiga fazenda Santa Elina foi conquistada. Não houve como parar os camponeses e é por isso que agora os ladrões de terra e cães do velho Estado os temem tanto mais.

Desde 1995, portanto, a Liga dos Camponeses Pobres vem organizando o campesinato brasileiro em uma linha revolucionária, realizando a revolução agrária e tendo como objetivo a destruição total do latifúndio. Vivemos em um país onde em mais de 500 anos a questão da terra nunca foi resolvida, e isso é proposital, serve para manter uma classe dominante de latifundiários que se alimenta da miséria do povo. É por este motivo que a LCP sempre foi vista como uma ameaça ao velho Estado burocrático. Como toda ameaça aos desígnios da classe dominante, o Estado burguês-latifundiário tratou de tentar eliminá-la, sempre, de qualquer forma possível.

Da fundação da Liga até agora diversos dirigentes e militantes foram presos, perseguidos e assassinados pelo latifúndio e pelo velho Estado. Destacamos os companheiros Zé Bentão, dirigente revolucionário da Liga, e Renato Nathan, professor e militante. Zé Bentão foi emboscado e Renato Nathan foi assassinado e tachado de guerrilheiro por ter mapas de cartografia em sua casa. Destacamos mais recentemente as mortes do companheiro Fernando, testemunha ocular da Chacina de Pau D’Arco, que assistiu nesta chacina seus companheiros e o próprio namorado serem mortos pela polícia e pistoleiros, do companheiro Jerlei, covardemente assassinado a mando do latifúndio, desarmado e sem como resistir, e do companheiro Roberto, comerciante apoiador da Liga, também violentamente e covardemente assassinado.

sexta-feira, 7 de maio de 2021

RIO DE JANEIRO: CHACINA NA FAVELA DO JACAREZINHO É TERRORISMO DE ESTADO!

POLICIA CIVIL REALIZA OPERAÇÃO DE GUERRA NO RIO DE JANEIRO: CHACINA NA FAVELA DO JACAREZINHO É TERRORISMO DE ESTADO!

 

A operação da polícia civil ocorrida no dia 06 de maio na favela do Jacarezinho foi uma verdadeira chacina. Oficialmente deixou 25 pessoas mortas (moradores denunciam que o número é maior), inúmeros feridos e até passageiros que estavam em vagão do metrô que passava nas proximidades foram atingidos por projeteis de arma de fogo e estilhaços. Denúncias de moradores e da Defensoria Pública do Rio de Janeiro relatam violações de direitos, invasões de residência, extrema violência armada, evidências de práticas de execução extrajudicial e o desfazimento de cenas de crime por parte dos agentes policiais para impedir o trabalho da perícia. Foi a chacina mais letal da história do Rio até hoje.

Há que se ressaltar que a operação no Jacarezinho foi coordenada pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente. Agora podemos crer que as crianças da favela do Jacarezinho estão com seus direitos assegurados e com certeza não correrão mais o risco de no curso de sua vida ingressarem para trabalhar no tráfico varejista de drogas? Não há limites para o cinismo, o sadismo, e o sentimento anti-povo destes senhores, que após cometerem a barbárie vão as câmeras com as justificativas mais vis.

Representantes da polícia civil falam em “ativismo judicial”, em frontal escárnio à decisão do STF que restringe operações policiais nas favelas a casos excepcionais. A continuidade dessas operações que só resultam em mortes e o desafio ao órgão supremo do Judiciário no país apenas evidencia a decadência do Estado Democrático de Direito que não é capaz de assegurar o mínimo de direitos e garantias civis à população pobre, que historicamente vive as consequências das desigualdades, ausência dos direitos básicos para uma vida digna e a barbárie cotidiana da violência policial.

A chacina do Jacarezinho é mais um nefasto episódio onde o Estado dilacera as vidas do povo pobre e negro das favelas e periferias e seu sangue lava as ruas, becos e vielas. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ), 453 pessoas foram mortas pela polícia do Rio apenas entre janeiro e março deste ano, em média são mais de 5 mortos pela polícia por dia no Rio de Janeiro, segundo dados oficiais. A quantidade de mortos e episódios recorrentes de chacinas nas décadas recentes, para citarmos os casos mais conhecidos, chacina de Acari (1990); da Candelária (1993); de Vigário Geral (1993); da Nova Brasília (1994 e 1995); do Borel (2003); Favela da Coreia (2003); do Caju (2004); da Baixada (2005); chacina do Pan no Complexo do Alemão (2007); do Falet/Prazeres (2019); do Alemão (2020); da Vila Ibirapitanga (2020) e tantas outras pouco noticiadas pelo monopólio de imprensa, mostram o verdadeiro caráter da política de guerra contra o povo pobre do Estado brasileiro. Assassinar pobres não é exceção, é a regra, e periodicamente os algozes do povo decidem deixar esse lastro de sangue e terror em alguma favela para mostrar sua verdadeira face.

A política contra insurgente do Estado brasileiro segue a sua lógica de mando sobre a vida e a morte da população pobre e negra das favelas, de tempos em tempos revela sua face genocida e o caráter fascista de suas ações. É de conhecimento público e notório a alta letalidade policial e a ineficácia de décadas de ações policiais midiáticas e espetaculares, sempre recheadas de requintes de crueldade e covardia.

            Nos solidarizamos com os moradores da favela do Jacarezinho que mesmo sob o terror imposto pelas forças policiais lançaram-se as ruas da favela para protestar contra a covardia que estavam submetidos. Apoiamos todas as iniciativas que surjam para denunciar mais esse crime cometido contra a população das favelas do Rio de Janeiro e defendemos que o povo tenha o direito de se organizar e criar suas formas de luta para garantir seus direitos, entre eles o mais elementar que é o direito à vida. Convocamos todas as entidades democráticas e progressistas a se manifestarem contra este crime de estado e a exigirem punição aos mandantes e executores desta barbárie cometida contra o povo trabalhador.

 

Abaixo o Terrorismo de Estado!

   

Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos - CEBRASPO