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segunda-feira, 13 de novembro de 2023


Movimento Feminino Popular exorta apoio à causa Palestina; leia nota


Fonte: Jornal A Nova Democracia.

Em seu blog, o Movimento Feminino Popular (MFP), organização de mulheres revolucionária do País, fez um pronunciamento em nota no qual tomou posição em solidariedade e apoio irrestrito à causa do povo palestino.


A nação e povo palestinos demonstram ao mundo o verdadeiro significado da palavra heroísmo!





O Movimento Feminino Popular saúda efusivamente a Resistência Nacional Palestina, o povo palestino, pelo exemplo de resistência, luta e heroísmo contra os covardes ataques, bombardeios e holocausto promovidos pelo Estado Fascista Sionista de Israel por décadas e intensificados como nunca nas últimas semanas. O exército invasor sionista, com seus bombardeios em toda a faixa de Gaza desde 7 de outubro de 2023, já matou mais de dez mil palestinos, dentre esses 65% mulheres e mais de 3500 crianças. Os números crescem a cada dia. São mais de 20 mil feridos, 34% dos hospitais e 65% dos centros de cuidados primários de saúde sem funcionamento, 4600 mulheres grávidas precisando de atendimento urgente. Falta energia, sinais de comunicação, combustível para funcionamento de hospitais. Caminhões de abastecimento são impedidos de entrar com alimentação, água, insumos hospitalares, medicamentos, etc. O cerco é total a uma população de mais de dois milhões de pessoas num território de 360 quilômetros quadrados, crimes de guerra cometidos com o objetivo de exterminar o povo palestino. A maioria dos mortos e feridos são de mulheres, mulheres grávidas e crianças, além de idosos, o que prova que o objetivo do invasor é realizar uma verdadeira carnificina como limpeza étnica e tomar para sempre o território e nação Palestina.
A destruição promovida por Israel na Faixa de Gaza já é equivalente à destruição da bomba nuclear de Hiroshima no final da segunda Guerra Mundial, no entanto, a campanha midiática do imperialismo martela a repulsiva máxima de que os palestinos são “terroristas”. Grande maioria dos povos já perceberam que os planos do nazista e cão pestilento Netanyahu não é eliminar o Hamas como estão alegando e sim varrer com os palestinos de seu território e concluir a ocupação de todas as suas terras. Tanto que não demonstram interesse algum em negociar e trocar os reféns e soldados prisioneiros, muitos são mortos pelos próprios bombardeios sionistas. Israel não engana mais ninguém com suas mentiras que o povo palestino é terrorista. Quanto mais ele ataca Gaza em massa, mais ele desmascara suas verdadeiras intenções e quem é o verdadeiro terrorista.

O odioso ataque diuturno dos monopólios de imprensa ao povo palestino e às organizações e vanguarda de sua Resistência Nacional, caracterizando-os como “terroristas” e “sanguinários”, repetindo o cacarejo do Estado fascista, colonialista e racista de Israel e do imperialismo norte-americano, não pode impedir aos povos do mundo de enxergar a verdade crua da monstruosidade inerente ao sistema imperialista e seu colonialismo. Deliram ao acreditar que debilitarão a resistência nacional palestina e o apoio crescente e massivo à sua causa por todo o mundo ao aplicarem o mesmo princípio da propaganda nazista de Goebbels “uma mentira dita mil vezes se torna verdade”. Rompendo com toda a contrapropaganda reacionária e enfrentando a reação de todas as formas, milhões de massas tem se levantado em defesa da Palestina, atacam as representações do genocida Estado de Israel e do imperialismo ianque. A bandeira palestina, marca de heroísmo inesgotável, tremula nos quatro cantos do planeta nas mãos de milhões de massas que reconhecem cada vez mais a verdade dita pelo grande presidente Mao Tsetung e provada tantas vezes pela história de que “A rebelião se justifica!” pois “Onde há opressão, há resistência”!



A ofensiva tática empreendida pelo Hamas no último dia 7 de outubro e a resistência que persiste e persistirá é resposta contundente a décadas de invasão, massacres e opressão. Esse fato militar revela para o mundo inteiro as entranhas genocidas do Estado colonizador, fascista, sionista de Israel, escancara o holocausto contra o povo palestino, é um grito de resistência que ecoa em todo o mundo. Também demonstra de forma inapelável o heroísmo da Resistência Nacional Palestina, homens, mulheres, crianças, jovens e anciãos, combatentes, que não se rendem. Fortalece profundamente a luta de libertação nacional contra o imperialismo, une mais forças democráticas em torno da causa da Nação Palestina internamente e internacionalmente. Demonstra a superioridade moral da resistência palestina e a justeza de sua luta. Basem Naim, chefe do departamento político e de relações internacionais do Hamas, afirmou em entrevista recente ao monopólio Aljazeera: “Temos duas opções: derrotar esta ocupação ou morrer nas nossas casas … Estávamos morrendo em silêncio. Tentamos sair desta prisão ao ar livre, tentávamos levantar a nossa voz ao nível da comunidade internacional… o que estamos fazendo é um ato de defesa. Estamos defendendo a nossa existência.”

Repudiamos todas as falácias da imprensa corporativa dominada pelos monopólios de comunicação ianques que tentam separar o povo palestino de suas forças patrióticas que tem encabeçado a resistência nacional como o Hamas, que tem demonstrado sustentar de forma contundente a causa da libertação da Palestina. Caso assim fosse, porque na Cisjordânia ocupada, o povo tem sido atacado sistematicamente pelo exército de Israel, restringido em seu direito de ir e vir, pogroms o são realizados por colonos sionistas ladrões de terra contra aldeias palestinas. Recentemente centenas de palestinos foram presos e mortos na Cisjordânia, ataques e bombardeios também no sul do Líbano são constantes. Nas prisões israelenses estão milhares de palestinos, sendo que mais de 400 são crianças. Todos os presos palestinos são torturados e muitos durante essas últimas semanas estão desaparecidos. Há presos que estão encarcerados há mais de 40 anos, 500 palestinos passaram mais de 27 anos presos segundo denunciam as forças da resistência.

O terrorismo sistemático contra o povo palestino tem suas raízes históricas em 1917 quando da usurpação de sua nação pelo imperialismo britânico. Após a segunda Guerra Mundial, com a criação do Estado de Israel em 1948, o território palestino foi tomado pelos imperialistas ianques e seus lacaios sionistas, usados para manter o Estado sionista como base militar ianque no Oriente Médio, como forma de disputar dominação e influência geopolítica dos ianques para a exploração das riquezas dos povos do Oriente Médi. É quando ocorreu a Nakba, “a catástrofe”, como os palestinos chamam o roubo de suas terras. São 75 anos da usurpação do território palestino e 56 anos de ocupação para usurpação de suas terras originárias, 32 anos do famigerado Acordo de Oslo, quando da traição da Autoridade Palestina à Resistência Nacional, cúmplice dos invasores sionistas quando tentam criar uma paz dos cemitérios; anos de várias resoluções do Conselho de Segurança também das Nações Unidas, particularmente a 242 (1967) e a 338 (1973), que significam, ao fim e ao cabo, mais e mais opressão. 


Os pró-sionistas que tentam justificar a ocupação do território palestino por Israel por razões religiosas estão mentindo descaradamente. Historicamente na Palestina conviviam harmoniosamente diversas religiões, inclusive judeus e muçulmanos árabes que conformavam o povo palestino. Desterrar com extrema violência um povo inteiro de seus territórios, impondo também enormes perdas humanas, econômicas, além da perda de direitos básicos elementares, se converteu em uma questão de vida ou morte para a nação palestina e todo povo palestino contra o imperialismo e a reação lacaia. É por isso que é uma falácia falar de “conflito religioso” como motivo dessa guerra. Trata-se de uma guerra justa, de Libertação Nacional do povo palestino, contra a guerra injusta, de ocupação colonial sionista.

Acusam a resistência nacional palestina de atacar civis israelenses e por isso a chamam de terrorista. Em entrevista do jornalista brasileiro Breno Altman com representante do Hamas Osama Hamdan, ao ser questionado se o Hamas tinha como alvo civis, mulheres e crianças, afirmou que os alvos eram militares e ainda “Nós só nos concentramos em soldados e nos colonizadores. Se alguém quiser falar de civis, vamos falar dos que foram mortos de 1948 até hoje. Quem cometeu o massacre de Deir Yassin? Quem cometeu o massacre de Tantura? Quem cometeu o massacre de Kafr Qasim? Quem destruiu, em 1948, quinhentas vilas e cidades na Palestina? Quem cometeu o massacre de Sabra e Chatila, em 1982? Sempre Israel. A resistência à ocupação é clara e garantida pela lei internacional. Se alguém quiser parar com esta carnificina contra os palestinos, que se ponha fim à ocupação.”

Um tribunal popular há que ser organizado contra os criminosos de guerra sionistas e quem o montará serão as massas em processo revolucionário no mundo inteiro. A luta de resistência palestina, pelo seu caráter estratégico, é, decisivamente, uma das mobilizações mais importantes e mais simbólicas do mundo neste momento de crise acelerada de decomposição do imperialismo. Palestina é fato contundente desse novo período de revoluções no mundo e da afirmação do Presidente Mao que “num período de 50 a 100 anos o imperialismo será varrido da face da Terra”. A guerra de Libertação Nacional da Palestina, assim como tantas outras que já existem ou ainda explodirão é parte decisiva e base da Revolução Proletária Mundial.

 
A Resistência Nacional Palestina estremece o imperialismo ianque e seu títere sionista que estão diante de uma situação insustentável e sem saída. Não podem seguir bombardeando Gaza impunemente. Particularmente no Oriente médio, mas não só, se levantarão milhões de massas em crescente ira, sobretudo os que contam com movimentos armados anti-imperialistas. Também Israel não poderá vencer a resistência feroz decidida a lutar até o último homem e mulher. O risco da guerra anti-imperialista se generalizar por toda a região é iminente e não faltam combatentes em toda região decididos pela causa.


É tarefa urgente de todo movimento democrático e revolucionário do mundo atuar decididamente ao lado da Nação e povo palestinos. Unimo-nos a todas as organizações democráticas e revolucionárias na mais irrestrita solidariedade a Resistência Nacional Palestina e afirmamos que desde o Brasil também se escutará o grito da libertação da Nação Palestina.



Viva a Heroica Resistência Palestina!

Palestina Resiste, Palestina Triunfará!





sábado, 11 de novembro de 2023

 

Como o sionismo invadiu e colonizou a Palestina com apoio dos países imperialistas? Breve análise do processo de invasão da Palestina antes de 1948.






Por todos os cantos, do monopólio de imprensa aos falsos democratas e intelectuais covardes, bravejam que a luta justa do povo palestino contra a força opressiva dos sionistas é uma luta de terroristas contra a “única democracia no Oriente Médio”. Ou que a solução para resolver este conflito necessita de boa vontade de ambas as partes, como se o direito sagrado da autodeterminação dos povos fosse algo negociável em reuniões infindáveis na ONU (no caso palestino, em Washington como foram os vergonhosos e capitulacionistas “Acordos de Oslo”) sob risco de serem taxados de terroristas caso recusem a via “pacífica”.

Ora, quem não foi taxado de terrorista lutando contra a política de extermínio da polícia militar nas favelas e periferias do Brasil em 2013, no Chile, e em tantos movimentos de libertação nacional como na Argélia e no Iraque?

Esta é uma das tarefas do imperialismo: apontar aos que lutam a acusação de serem o que eles são de fato. É tarefa de todos os democratas e intelectuais honestos defenderem veementemente a resistência armada do povo palestino e saudar o exemplo dado aos povos oprimidos do mundo.

Não poderíamos defender meia Argélia, meia Indochina, meio Iraque e não é possível defender meia Palestina, pois são deles todas aquelas terras. E não cabe ao imperialismo ianque nem a corja nazista sionista decidir os limites da luta justa de um povo por sua libertação.

A criação do Movimento Sionista

É parte da narrativa da grande imprensa ligada aos interesses de Israel a ideia de que qualquer que sejam as críticas ligadas à política de extermínio e apartheid do estado sionista é antissemitismo. Isto cumpre um papel que historicamente o movimento sionista e a Organização Sionista Mundial (OSM) vêm desempenhado desde a década de 1930 que se aprofunda após 1945.

O movimento sionista surge no fim do século XIX na Rússia. Neste país, onde durante anos os judeus foram perseguidos e assassinados, em 1882 um ativista da causa judaica escreve o que seria o primeiro apelo “nacionalista” aos judeus em seu panfleto “Autoemancipação: um apelo de um judeu russo ao seu povo”, divulgado após um “pogrom” em sua cidade. Ele propôs que a elite judaica do mundo todo comandasse um diretório para estabelecer um lar seguro aos judeus. 

Cerca de uma década mais tarde, em 1896, é publicado o livro “Judenstaat” (O Estado judeu) pelo jornalista Theodor Herzl, fundador do sionismo político. No livro é posto as aspirações de criar um “lar nacional para os judeus”. Curiosamente nenhum lugar citado pelo autor pertencia à países da Europa, onde a maioria dos judeus viviam no mundo, mas lugares distantes, onde fosse possível conseguir apoio da grande burguesia judaica dos países da Europa.

Um ano após a publicação do livro, é organizado o primeiro congresso sionista na Basiléia (Suíça), onde Herzl foi eleito o primeiro presidente da Organização Sionista Mundial e foi nesse congresso onde se decidiu por construir um “lar” (leia-se Estado) judeu na Palestina.

A partir daí se repetiu como um mantra a ideia de que a Palestina era “uma terra sem povo para um povo sem terra”. Vale destacar que o processo de criação e consolidação do movimento sionista que objetivava colonizar a Palestina, foi desenvolvido na Europa que acabara de entrar em um processo de colonização de países africanos, política fruto da crise imperialista que teria seu desfecho na primeira guerra interimperialista.

Em 1901 foi criado o Fundo Nacional Judaico tendo como presidente Theodor Herzl. O objetivo da organização era centralizar as doações destinadas às compras de terras palestinas para início do processo de colonização. Pouco tempo depois foi oferecido a Península do Sinai (Egito) e uma parte da Uganda para satisfazer os interesses sionistas, ambos foram recusados e em 1905 no sétimo congresso sionista ficou definido que o objetivo central dos sionistas era a Palestina, que ganhou seu alvará com a “Declaração de Balfour” em 1917¹1.

O papel do sionismo enquanto política de colonização do território palestino teve como tarefas:

  • 1- a criação da uma identidade nacional judaica mesmo que de forma artificial, que desse conta de unir franceses, alemães, russos, ingleses, etc. praticantes do judaísmo, em “judeus”, não como uma comunidade religiosa, mas atribuir a essa comunidade um caráter étnico;
  • 2- iniciar o processo de colonização da Palestina, que só foi possível de forma massiva a partir dos anos 30 com a perseguição do governo nazista aos judeu;
  • 3- associar, de forma onímoda, o movimento sionista e todos os judeus do mundo, de forma a ligar cada judeu à política de colonização da Palestina. Assim é tratado pelo monopólio da mídia até os dias atuais para que se associe à crítica ao sionismo, ao antissemitismo.

Os acordos interimperialistas entre França e Inglaterra

A Palestina até 1918 era dominada pelo Império Otomano, que dominou a região que hoje se estende da atual Tunísia até partes do leste da Europa. O império se esfacelou após a derrota na primeira guerra mundial. A Grã Bretanha, com apoio dos árabes que desejavam uma pátria árabe sem domínio dos otomanos, derrotou o Império Otomano.

Porém, ao mesmo tempo em que prometia uma Grande Arábia aos povos que lutaram contra os Otomanos, o imperialismo inglês traía o povo árabe no tratado Sykes-Picot (1916), assinado pelas duas potências imperialistas França e Grã Bretanha, que tinham como objetivo a partilha colonial do Oriente Médio como conhecemos hoje (com fronteiras artificiais, e a invenção do Iraque, Síria e posteriormente o Líbano). Na divisão entre os dois países imperialistas (França e Grã Bretanha), a Palestina passou a ser colônia da Inglaterra. O Império Russo fez parte do acordo, e após a Grande Revolução Socialista de Outubro (GRSO) de 1917, Lênin retirou a Rússia soviética dos acordos.

A Palestina passou por um longo processo de migração de judeus vindos de diversos países, principalmente Rússia devido à perseguição sistemática sofrida com os “pogroms”, mas também de outros países como Polônia e os Estados Unidos. Logo após a colonização britânica, de 1920 a 1929, cerca de 100.000 imigrantes judeus vindos de países principalmente da Europa foram para a Palestina. Em 1919 contavam-se com 65 mil judeus, palestinos ou não, em um total de 648 mil habitantes da Palestina e em 1939 (no ano que começou a Segunda Guerra Mundial) os judeus eram 445 mil num total de 1.500.000 de habitantes, número que só foi crescendo ao decorrer da guerra até chegar aos 608 mil judeus de 1.850.000 de habitantes aproximadamente em 1946 após o Holocausto.

A Organização Sionista Mundial (OSM) precisava de território, governo e população para concretizarem seu plano de fundar um Estado judeu, e o mandato britânico tornou possível um governo sionista em terras palestinas. Durante o controle do imperialismo inglês, entre 1922 e 1948, os poderes executivos e legislativos foram controlados pelo Alto Comissário. E aos palestinos foi negado qualquer direito à administração das próprias terras, porém os judeus participavam de todo processo de organização e administração, o mandato acabou em 1948, e em seguida foi fundado na Palestina, Israel. 

As contradições entre o sionismo e a Palestina

Durante o período de ocupação do imperialismo inglês e da massiva imigração de judeus à Palestina, na medida em que milícias sionistas e o exército britânico reprimia os palestinos, estes responderam a altura durante os anos 20 e 30 em pelo menos três principais momentos.

Primeiro, os motins durante o festival muçulmano conhecido como Nebi Musa entre 4 e 7 de abril de 1920 na cidade antiga de Jerusalém. Ali foi onde centenas de Palestinos se manifestaram contra a ocupação britânica e contra os judeus que imigraram em massa a partir do fim da primeira guerra.

Em 1929 se inicia o processo conhecido como os “tumultos palestinos de 1929”, que resultou no massacre de Hebron e agudizou a contradição entre palestinos árabes e judeus europeus que aos poucos iam para a Palestina, neste mesmo ano se fundou a Agência Judaica que cumpriria função de governo sionista na Palestina.

Em 1936 começa uma nova onda de insurreições na Palestina que só terminaria em 1939. O que começou com uma enorme greve geral de 6 meses, se tornou no final do mesmo ano uma luta armada contra a colonização britânica e contra os sionistas, exigindo o fim da ocupação e o fim da venda das terras árabes aos colonos sionistas. Em resposta, estes últimos promoveram massacres e atos de terrorismo contra a população civil palestina, principalmente contra camponeses.

A resistência palestina que no início de 1936 era liderada por uma parte da média e setores da pequena burguesia palestina, que logo exigiu o fim da greve e da luta armada, foi ao longo dos meses sendo dirigida por lideranças camponesas que começaram processo de guerrilha. A heróica resistência dos palestinos durante esses quatro anos forçou os colonos ingleses a mandar metade dos efetivos do exército britânico para acabar com a luta armada palestina.

Para acabar com a insurreição a Inglaterra mandou tanques de guerra, navios, e todo tipo de artilharia para ocupar todo território palestino até o fim de 1949. Os colonos protagonizaram massacres e uma brutal repressão que matou aproximadamente 20 mil palestinos.

O ‘’livro branco’’ e a tentativa de barrar a resistência palestina

Em 1939 temendo a novos levantes palestinos, a Inglaterra, através de uma Comissão Real, recomendou a partilha da Palestina como solução para a crise instaurada desde a Declaração de Balfour.

O “Livro Branco”, como ficou conhecido, tentava não apenas pôr fim à resistência dos Palestinos em relação aos britânicos, mas de ganhar apoio da comunidade árabe de todo Oriente Médio tendo em vista a iminência da Segunda Guerra Mundial. No novo documento, a Grã Bretanha passou a adotar a política de “levar em conta o desejo da maioria árabe” e pautou sua nova política na Palestina se comprometendo a criar um Estado palestino em um prazo de 10 anos, ou seja, em 1949. Além disso, constava uma medida de limitação da imigração judaica até que chegassem à 1/3 da população geral e que constava que não seria permitido a imigração de judeus sem o consentimento dos árabes palestinos e a responsabilidade da representação política palestina de regulamentar e proibir compra de terras árabes pelos sionistas. Promessas essas nunca cumpridas pelos imperialistas.

Nazismo e Sionismo, duas faces da mesma moeda… literalmente

Não são infundadas as acusações de que Israel atua com sua política segregacionista e genocida contra os árabes palestinos da mesma forma como Hitler e os nazistas fizeram com a comunidade judaica. E essa semelhança vem sem dúvidas do fato de que este Estado sionista criado em terras palestinas tem sangue nas mãos não só dos palestinos, mas de judeus pobres que viviam na Alemanha.

É amplamente documentado (e não foi segredo) que durante a década de 1930 procedeu-se uma profunda relação do movimento sionista, em particular da Organização Sionista Mundial (OSM) e da Agência Judaica na Palestina, com o partido Nazista na Alemanha. Hannah Arendt aponta que “naquele tempo era um fato da vida corrente que só os sionistas tinham possibilidade de negociar com as autoridades alemãs, pela simples razão de que a sua principal rival, a Associação Central dos Cidadãos Alemães de Confissão Judaica (Central-Verein deutscher Staatsbürger jüdischen Glaubens), à qual pertenciam então noventa e cinco por cento dos membros de organizações judaicas na Alemanha, especificava nos estatutos que o seu primeiro objetivo era a ‘luta contra o anti-semitismo’”, e logo no início do governo nazista a organização foi criminalizada.

A organização sionista alemã via com bons olhos o antissemitismo nazista e a OSM contribuiu para o segregacionismo judeu na Alemanha, inclusive pregando que os judeus deveriam eles próprios se desvincular de sua nacionalidade alemã.

Victor Klemperer, professor universitário famoso por seu diário escrito durante os anos de perseguição do governo nazista declarou em seu diário: “Existe uma única solução para a questão judaica na Alemanha e na Europa ocidental: a derrota daqueles que a inventaram. […] A causa sionista, tanto a pura como a religiosa, interessa apenas a fanáticos e não diz respeito à maioria’’. E mais tarde por volta do ano de 1941: “Hitler é o mais importante promotor do sionismo”.

Antes do início sistemático do extermínio da comunidade judaica, a direção nazista manteve duas políticas paralelas: a primeira consistia na retirada progressiva dos direito dos judeus, do roubo de seus bens materiais e do envio para os campos de concentração; a segunda era estimular a migração de judeus para o território palestino em colaboração com os sionistas.

A Agência Judaica na Palestina destacou dirigentes para manter visitas regulares aos campos de concentração, com permissão da SS (Schutzstaffel, a polícia política dos nazistas), para selecionar os judeus com interesse a ir para a Palestina, priorizando os homens mais jovens e os mais ricos. De acordo com Hannah Arendt “a maioria dos judeus, que não havia sido selecionada, ficou inevitavelmente confrontada com dois inimigos: as autoridades nazis e as autoridades judaicas”.

Em 1933, ainda no início do governo nazista, Von Mildenstein, responsável da SS pelo setor que cuidava da “questão judaica” foi até a Palestina a convite da OSM visitar territórios colonizados e tratar da questão da migração judaica para a Palestina. Em comemoração ao ocorrido foi produzido uma medalha com a suástica de um lado e a estrela de Davi do outro onde se lê “uma viagem nazista à Palestina”.

Quatro anos depois uma nova visita foi organizada dessa vez no Egito entre a autoridade sionista e Adolf Eichmann, novo encarregado dos assuntos judaicos da SS. Em agradecimento ao apoio nazista à causa sionista, foi fornecido informações a respeito da atuação dos comunistas na Alemanha.

Ainda durante a guerra a relação entre os sionistas e os nazistas não se alterou de forma drástica, embora o objetivo das hordas nazistas fosse exterminar todo judeu da Europa. Houveram aqueles entre os judeus que assumiram a tarefa da capitulação da luta contra a ocupação nazista principalmente na Polônia, e também dentro da própria Alemanha, e coube aos sionistas esse papel infame.

Logo no início do governo nazista os sionistas se encarregaram de corporativizar toda organização independente das comunidades judaicas e torna-las uma só. Em 1939, a Gestapo assume o controle da organização e passa a ter todo aparato burocrático, mais tarde muito útil para realizar o genocídio contra os judeus. No mesmo ano, o governo nazista ordenou que fossem organizados conselhos judaicos, cuja direção passou a cada vez mais deter o controle sobre a vida dos judeus aprisionados. Estes conselhos passaram a se responsabilizar pelo trabalho de distribuir as estrelas obrigatórias que marcaram os judeus, de selecionar os que iam para o trabalho forçado, os que iam para os trens em direção aos campos de concentração e também de organizar os bens que seriam roubados pelos nazistas. Este conselho mantinha o controle de uma polícia judaica responsável pelo papel de repressão aos judeus. Mais tarde, no Levante do Gueto de Varsóvia, em 1943, os primeiros alvos foram os colaboracionistas e a polícia judaica organizadas em última instância pelos sionistas.

O acordo Haavara

Houve de 1933 à 1939 um acordo econômico entre os sionistas e o partido nazista para deportar judeus para a Palestina. Isto é dito pelos sionistas até hoje como uma forma de retirar parte dos judeus da Alemanha, mas a verdade é que este acordo conhecido como Acordo Haavara (transferência), que tinha como pano de fundo o financiamento da colonização da Palestina com a compra de terras e o armamento das milícias sionistas que atuavam na Palestina. Por outro lado, serviu como forma de movimentar parte expressiva da economia alemã que a época sofria com boicote massivo de organizações e comunidades judaicas do mundo todo.

Resumidamente, um judeu poderia comprar matérias primas e ganhar o direito a ir para a Palestina sob organização da Agencia Judaica. Esses produtos eram vendidos por um preço altíssimo dentro da Alemanha, a Agência Judaica comprava esses produtos exportados para a Palestina e, chegando na Palestina, o colono recebia em libras (moeda inglesa). Dessa forma, o movimento sionista impedia o estrangulamento da economiza nazista que sofria com boicote, e ao mesmo tempo financiava o movimento sionista dentro da Palestina, aplicando este capital no setor têxtil, metalúrgico, em indústrias quimicas e de instrumentos agrícolas.

Este acordo possibilitou o processo do início da infraestrutura do que viria a ser poucos anos depois parte do Estado fascista de Israel.

A Nakba

Em 15 de maio de 1948, com o fim do mandato britânico na região, é anunciada a independência do Estado fascista de Israel em terras palestinas, e logo nos primeiros minutos do anúncio de sua colonização, os ianques (Estados Unidos) declararam seu apoio e reconhecimento. O anúncio foi recebido pelos recém criados países árabes vizinhos à Palestina com ataques do Egito, Jordânia, Iraque e Síria no que ficou conhecido como primeira guerra árabe-israelense.

Neste processo, os sionistas ocuparam o máximo de territórios palestinos, além de cometerem diversos massacres como já haviam feito no massacre de Deir Yassin no mês anterior. Centenas de palestinos, incluindo crianças e idosos, foram mortos por milícias fascistas como o Haganah, inspirada e orientada diretamente por Mussolini, que operou durante anos no território ocupado da Palestina até se conformar como parte das forças armadas israelenses.

Ainda neste processo, cerca de 800 mil palestinos tiveram que se refugiar nos países vizinhos e ao redor do mundo sem direito a retorno. O Estado de Israel destruiu casas e vilarejos inteiros ocupando todo território palestino restando apenas a Cisjorânia e a Faixa de Gaza.

Al Nakba, que se traduz como “catástrofe”, foi e segue sendo também um marco de luta das massas palestinas que todo dia 15 de maio desde 1948 se levantam em fúria com molotovs, paus, pedras e fundas na mão contra o inimigo sionista que tem pés de barro e demonstra sua fraqueza cada vez mais em cada dia nos últimos 75 anos em que não conseguem derrotar a justa resistência do povo palestino.

Bibliografia: 

Hannah Arendt – Eichmann em Jerusalém. 

João Bernardo – De perseguidos a perseguidores: a lição do sionismo. 

João Quartim de Moraes – As conexões do sionismo com o colonialismo, o fascismo e o racismo.

Shlomo Sand – A invenção da terra de Israel

A invenção do povo judeu

Aura Rejane Gomes – A questão Palestina e a fundação de Israel

Norman G. Finkelstein – A indústria do Holocausto

Ilan Pappe – Mitos e propaganda Israelenses (youtube)

Al Mayadeen Espanõl – Conflictos: Haavara, el pacto secreto entre nazis y sionistas (Youtube)

  1. Carta do secretário britânico dos assuntos estrangeiros Sir Arthur James Balfour destinada ao banqueiro sionista e líder da comunidade judaica no Reino Unido Lionel Rothschild, que expressou o apoio da Inglaterra em construir um “Lar nacional judeu” na Palestina. O representante dos interesses do imperialismo inglês declara que a coroa britânica não só demonstra simpatia quanto as “aspirações sionistas” como “empregará todos os seus esforços no sentido de facilitar a realização desse objetivo”. A carta termina com Balfour agradecendo ao 2º Barão da família Rothschild por encaminhar a carta à federação sionista. ↩︎.
Fonte: Jornal A Nova Democracia. 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Condenando a detenção de ativistas de ATIK e Yeni Kadin (Nova Mulher) na Alemanha e Suíça. Comunicados da ATIK

Na quarta-feira 15 de abril, forças especiais da polícia alemã atacaram simultaneamente ativistas da Confederação dos Trabalhadores da Turquia na Europa (ATIK) e Yeni Kadin (Nova Mulher) em Nuremberg (Alemanha) e na Suíça.

A declaração emitida pelo departamento jurídico da ATIK denuncia que a operação foi ordenada pelo Ministério Público em Karlsruhe. A informação mais recente relata que 10 ativistas, a maioria do Conselho Geral que apoia o trabalho de ATIK foram presos arbitrariamente, com base em acusações infundadas.
A operação foi realizada com violenta das forças especiais. Eles destruíram janelas, derrubaram portas, saquearam e destruíram as casas particulares dos membros das organizações democráticas de massas revolucionárias "Confederação dos Trabalhadores da Turquia na Europa" ATIK e sequestraram os camaradas de Karlsruhe.
Cremos que este é um ato de intimidação e repressão policial. O Conselho Geral do ATIK, suas federações e associações, Nova Mulher e da Juventude de Nova Democracia, ativistas e representantes dos membros ATIK declararam que não irão permanecer em silêncio diante da intimidação contra essa repressão arbitrária da polícia;
"Esta intimidação e detenções foram ordenadas pelos imperialistas europeus e do Estado turco. ATIK não vai parar na sua luta revolucionaria democrática".
"A repressão dos nossos membros foi arbitrária e é mais uma prova de cumplicidade direta do governo federal com o regime autoritário de tortura AKP (Partido da Justiça e Desenvolvimento) em Ancara. Com base em nossa postura de esquerda e oposição contra o governo turco e a demanda por direitos sociais e políticos iguais para os migrantes na Alemanha estamos novamente como alvo das autoridades de repressão. Nem a nossa organização de associações, nem nossas mulheres ou departamento de jovens não serão intimidados por este ataque "
Chamamos a todas as organizações e indivíduos revolucionários e democratas, a tomar uma posição clara e forte contra estas detenções para expressar a sua solidariedade.
Os ataques imperialistas non van parar a NOSA LOITA!
Condenamos este represión do MEMBRO DA UNIÓN EUROPEA imperialista!
VIVA A solidariedade revolucionaria!

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Soldados de Israel Prendem Criança Deficiente Mental

Soldados das forças israelenses de ocupação da Palestina prenderam uma criança de 11 anos portadora de doença mental ontem (19/10) em Hebron, na Cisjordânia. Sob gritos racistas de colonos sionistas de um assentamento israelense vizinho (ilegal de acordo com as leis internacionais) os soldados agridem o menino, vendam e o jogam dentro de um veículo militar. A detenção durou cerca de 15 minutos até que o pai do menino convencesse que seu filho nem conseguia falar.

A acusação dos soldados era que o menino teria jogado pedras em blindados da força de ocupação. No vídeo é possível ver dois palestinos adultos tentando conversar para impedir a detenção e sendo impedidos por militares..

A cidade palestina de Hebron vive sob ocupação militar desde 1996, quando em uma sexta-feira, Baruch Goldstein, um colono judeu ultranacionalistas que viviam na colônia de Kiryat Arba, entrou disfarçado como um soldado no lado muçulmano e disparou sua arma contra fiéis, matando 29 deles.


terça-feira, 7 de outubro de 2014

Tribunal ordena divulgação de vídeos de alimentação forçada em Guantánamo

Uma juíza federal ordenou esta sexta feira a divulgação de 28 vídeos que retratam a alimentação forçada de um prisioneiro de Guantánamo em greve de fome, segundo avança o Wall Street Journal. O advogado de Abu Wa’el Dhiab tem esperança que, “assim que a verdade seja revelada”, estas “práticas horríveis sejam abolidas”.


 via: esquerda.net 
Inúmeros órgãos de comunicação social solicitaram ao tribunal, a 20 de junho, o acesso às gravações, classificadas como “secretas”.
A Juíza Distrital Gladys Kessler veio agora dar um parecer favorável ao pedido dos media, alertando, contudo, para a necessidade de proteger a identidade de todos os elementos gravados, que não o prisioneiro.
"O tribunal está bem ciente, como o governo tem enfatizado, que, até à data, nenhum tribunal ordenou a divulgação de informações classificadas envolvendo presos de Guantánamo, enfrentando assim a oposição do executivo", escreveu a juiz Kessler. "No entanto, para ser clara, isto não significa que, numa determinada situação, o tribunal não possa fazê-lo, se tal se justificar”, acrescentou.
O advogado de Abu Wa’el Dhiab já reagiu a esta decisão, afirmando que “os americanos poderão ver com os seus próprios olhos o tipo de abusos que estão a ser infligidos a estes prisioneiros que se encontram, de forma pacífica, em greve de fome”.
“Assim que a verdade seja revelada, acreditamos que estas práticas horríveis sejam abolidas”, frisou Jon Eisenberg.
A advogado da Associated Press, David Schulz, afirmou, por sua vez, que esta “é uma forte reafirmação do direito do público de saber o que está a fazer o seu governo”.
Abu Wa’el Dhiab foi informado na primavera de que seria reinstalado no Uruguai, juntamente com mais cinco prisioneiros. Contudo, à medida que esta transferência vai sendo adiada, o impasse com os oficiais militares norte americanos foi-se deteriorando, tornando-se, muitas vezes, violento.
A administração Obama tem procurado limitar a quantidade de informações divulgadas sobre o processo de Dhiab, sendo que, na quinta feira, o tribunal recusou um pedido para fechar uma audiência, que está agendada para segunda feira.
O prisioneiro sírio está detido em Guantánamo desde agosto de 2002.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Entrevista do líder do Hamas, Khaled Meshaal, sobre conflito em Gaza.

O líder do Hamas, Khaled Meshaal, concedeu entrevista a BBC no no dia 24 de julho, durante os conflitos com Israel na Faixa de Gaza. Meshaal defende  o direito do povo palestino viver em suas terras e à autodeterminação. 


Leia a seguir a entrevista concedida por Meshaal à BBC:
BBC: Por quanto tempo o senhor está preparado para ver esse conflito continuar?
Khaled Meshaal: O sofrimento e a catástrofe humanitária são a essência do Estado de Israel. Nós somos as vítimas. Espero que esse confronto acabe o mais rápido possível. Essa é uma guerra que Netanyahu (Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel) lançou contra Gaza sem qualquer justificativa. Ele usou o argumento dos assentamentos na Cisjordânia e está se vingando de nós. Ele quis se vingar de Gaza e agradar seus oponentes políticos usando para isso o sangue palestino.
BBC: Por quanto tempo o senhor está preparado para ver esse conflito continuar mesmo depois de uma trégua?
Khaled Meshaal: Não rejeitamos nenhuma iniciativa que atenuasse o ataque e o cerco a que somos submetidos. O que nos ofereceram foi um cessar-fogo que, pelo contrário, fortaleceria o bloqueio – e os moradores de Gaza já estão cansados de um isolamento forçado que já dura oito anos. Esse bloqueio injustificável já matou mais do que guerras anteriores.
BBC: O senhor defende o fim do bloqueio a Gaza. Mas uma trégua não seria a melhor opção nesse momento?
Khaled Meshaal: Não. Essa é a posição dos moradores de Gaza, do Hamas, da Jihad Islâmica, da Frente Popular e dos palestinos em geral. Todos estão nos dizendo: "Não aceitem um cessar-fogo". Queremos que, em primeiro lugar, esse bloqueio seja suspenso. Os bancos mundiais vêm pressionando os bancos palestinos para não enviar dinheiro a Gaza. Os moradores de Gaza estão morrendo. Imagine a Grã-Bretanha – a maior ilha do Atlântico – sendo submetida a cerco semelhante. O que os britânicos fariam?
Vítimas de ataque de Israel contra escola em Gaza (AP)
Vítimas de ataque de Israel contra escola em Gaza
BBC: O Hamas é acusado pelo governo de Israel de, deliberadamente, colocar em perigo a vida de civis. Qual é a sua opinião sobre isso?
Khaled Meshaal: Os números contam uma história diferente. Você pode usar as estatísticas da forma como quiser. Nós temos mais de 700 mártires. Muitos deles são civis e isso é confirmado por Israel.
BBC: Mas o senhor é acusado de deliberadamente colocar em perigo a vida de palestinos na Faixa de Gaza.
Khaled Meshaal: Quem deve assumir a culpa pelo que está acontecendo? Os ocupantes, os colonos – esse é o terceiro ataque contra Gaza – ou aquele que se defende? Quando a Grã-Bretanha abrigou de Gaulle (o general francês Charles de Gaulle), que, usando a BBC, lançou uma guerra de resistência contra os nazistas de Paris, seria ele o responsável pela morte dos franceses? Ou simplesmente tentou apontar o caminho para liberá-los da ocupação nazista? O que está acontecendo em Gaza é um problema do mundo. Tal como os sul-africanos, os palestinos querem viver sem ocupação, sem assentamentos. É hora de a comunidade internacional colocar um fim à última ocupação na história, a ocupação palestina.
BBC: Mas o Hamas é acusado de deliberadamente colocar em perigo as vidas dos palestinos ao usá-los como escudos humanos.
Khaled Meshaal: Isso é mentira. O Hamas está se defendendo, está sacrificando a sua própria liderança em consideração por seu povo. O único responsável pela morte de palestinos é Israel, que usa (jatos) F16 e armas ocidentais e americanas. Quando o Hamas ou qualquer outro membro do movimento de resistência se defende contra os ocupantes, estão protegendo o seu próprio povo. Permita-me voltar à comparação com de Gaulle. Ao lançar um apelo pela resistência, o general francês queria destruir o seu povo ou proteger os franceses da ocupação nazista? Estamos fazendo o que qualquer um faria se submetido a essa opressão.
BBC: Qual seria então a justificativa para colocar foguetes em uma escola?
Khaled Meshaal: Sem sombra de dúvida, isso é mentira – olhe para Israel e veja onde estão os lançadores de foguetes de Gaza.
BBC: Eles estão em uma escola...
Khaled Meshaal: Os lançadores de foguetes de Gaza pertencem à resistência. Eles estão debaixo da terra e Israel não consegue atingi-los. No entanto, o governo israelense finge que essas armas estão em áreas civis para que continue atacando hospitais, mesquitas, torres e construções. Israel cometeu um massacre em Shujaiya e em Tufah. Nesta manhã (quinta-feira), o mundo testemunhou um novo massacre em Khuzaa. Gaza se transformou em um abatedouro. O mundo está inerte e ainda acusa o Hamas.
BBC: Por que tantos civis estão morrendo? Por que quando o Exército israelense alerta as pessoas para que saiam de casa devido aos ataques, o ministro do interior do Hamas pede que elas fiquem?
Khaled Meshaal: Você quer que a liderança palestina peça às pessoas que abandonem sua terra? Qual governo pediria às pessoas que deixassem suas casas?
BBC: Mas qual direito o Hamas tem sobre os civis de Gaza de modo a orientá-los a não dar ouvidos às advertências de Israel, o que, em última análise, provocará sua morte?
Khaled Meshaal: Os palestinos são os únicos que permanecem firmes à sua própria terra. Nós estamos há 18 dias em guerra e você ouviu falar de algum palestino deixando Gaza? Os palestinos têm o direito de permanecer em sua terra e em suas casas. Você sabe qual é o tipo de alerta que Israel dá às pessoas? Israel nos envia um sinal e três minutos depois manda um F16 destruir nossas casas. Que tipo de advertência é essa? Israel fracassou militarmente em atingir a resistência e agora está atacando civis. Esse é o quadro atual de Gaza.
BBC: O Hamas instou a população de Gaza a proteger suas casas de "peito aberto". Isso é um ato sensato?
Khaled Meshaal: É assim que as famílias palestinas vivem. Os palestinos estão em sua própria terra. Um palestino construiu sua casa com o suor do seu próprio dinheiro. Os israelenses esperam que ele saia dela sem mais nem menos? O Hamas não dá ordens às pessoas que permanecem dentro de suas casas. O Hamas encoraja as pessoas a não ceder à pressão de Israel e mostra a cada palestino sua perseverança. Vá a Gaza e você vai ver pessoas em hospitais. Veja as áreas destruídas. As vítimas não devem ser culpadas. A culpa deve recair sobre Israel, que cometeu esse massacre. Já são mais de 700 mortos do lado palestino. Muitos deles são civis. Enquanto isso, o Hamas se concentra em matar soldados israelenses. Essa é a diferença ética entre a resistência palestina e o ataque israelense.
BBC: O presidente de Israel, Shimon Peres, diz que nenhum Estado aceitaria terroristas emergindo de túneis para matar pessoas inocentes.
Khaled Meshaal: Algum país aceitaria um invasor que ocupa sua terra? Pois isso é o que Israel faz com a Palestina. Não se trata de uma ocupação sionista? Não é Israel quem está ocupando? A Cisjordânia não é um território ocupado? Como reagiu a comunidade internacional? A crise e os problemas que os palestinos sofrem são todos decorrentes dessa ocupação. A lei internacional deve ser aplicada a Israel, à sua ocupação e a seus assentamentos. À sua matança irrefreável. A deixar pessoas desabrigadas. Por que, em vez disso, as pessoas insistem em olhar os foguetes vindos de Gaza? Por que você não criticou os mísseis sofisticados construídos ao redor do mundo e que estão atingindo o território palestino?
BBC: Não há dúvida de que Israel tem um aparato militar muito superior ao do Hamas. Mas o Hamas lança foguetes indiscriminadamente contra Israel. Israel não teria o direito de se defender?
Khaled Meshaal: E o povo palestino cuja terra é ocupada por Israel e que está repleta de assentamentos? Não temos direito de nos defender? Por que só Israel tem o direito de se defender? O invasor é o opressor. Israel tem um Exército gigante. Metade da população palestina vive sob ocupação e outra metade em diáspora. Nosso povo tem o direito de se defender, mas o mundo está sendo hipócrita e a favor de Israel. O mundo nos diz que devemos abraçar a democracia. Por que o mundo não respeita a democracia na Palestina quando o Hamas venceu as eleições?
BBC: Neste momento, as duas partes envolvidas nesse conflito parecem não querer ceder. O Hamas continuará lançando foguetes em direção a Israel? É essa a estratégia do grupo?
Khaled Meshaal: Nossa estratégia é recuperar a terra que nos foi roubada pelo invasor e estabelecer um Estado tal qual qualquer outro país independente do mundo, sem qualquer ocupação ou assentamento. Nossa estratégia é defender as nossas pessoas. Confesso que a batalha é árdua, e Israel é mais forte do que nós militarmente. Mas nós lutamos por uma causa justa. E a História já nos ensinou que as pessoas que têm razão são vitoriosas, não importa o quanto tempo a luta durar.
BBC: Quanto mais vidas terão de ser perdidas até o Hamas aceitar as tropas israelenses em Gaza?
Khaled Meshaal: Cada vida de um palestino é importante para nós. Cada gota de sangue também. São os nossos filhos. São os filhos de Israel. A ocupação é um crime, a ofensiva é um crime, o bloqueio é um crime e todos contradizem a lei internacional. O único que pode parar com o banho de sangue palestino deve interromper a ocupação e o bloqueio de Gaza.
BBC: O que é preciso para o Hamas aceitar um cessar-fogo?
Khaled Meshaal: Nós queremos um cessar-fogo assim que possível. Mas isso tem de ser concomitante à suspensão do bloqueio contra Gaza. Essa é a demanda do povo. Eu faço um apelo à ONU, aos Estados Unidos e ao Reino Unido que vão a Gaza e perguntem à população o que ela quer. Eu posso garantir que essa será a resposta do povo de Gaza.
BBC: Os americanos estão tentando um acordo de duas etapas, que inicialmente envolva um cessar-fogo – e posteriormente contemple uma flexibilização do bloqueio a Gaza. Qual é a sua opinião sobre isso?
Khaled Meshaal: Independente do mecanismo, o importante para mim é que haja uma garantia genuína de suspender o bloqueio a Gaza. Essas promessas já foram feitas no passado, mas nada foi feito. Gaza faz parte da Palestina. Nossa população é de 1,8 milhão de pessoas. Elas precisam viver sem um bloqueio. Nós queremos um aeroporto, um porto, nos abrir ao mundo. Não queremos ser controlados toda vez que cruzamos a fronteira, o que nos torna a maior prisão a céu aberto no mundo. As pessoas não podem comprar medicamentos ou trabalhar. A população de Gaza está sendo punida com uma morte lenta na maior prisão do mundo. Nós queremos um basta nessa agressão e o fim do bloqueio. Estamos ansiosos para que o banho de sangue termine em Gaza.



















Celebração de 25 anos do Hamas em Gaza, no dia 8 de dezembro de 2012. Foto: AFP

BBC: O senhor é o líder político do Hamas. O senhor fala em nome do Hamas. O senhor é a favor de interromper o lançamento de foguetes enquanto negocia uma mudança na economia de Gaza?
Khaled Meshaal: Por que você insiste em uma solução por etapas? Arafat (Yasser Arafat, líder palestino morto em 2004) tentou solução similar em Oslo e o que aconteceu depois de cinco anos? Nada. Queremos comprometimento internacional para interromper as agressões para suspender o bloqueio. Queremos um acordo genuíno e não algo que seja construído em etapas. Também queremos colocar fim à ocupação. Os palestinos têm o direito de ser livres na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Nós temos o direito à autonomia e a viver em nossa terra.
BBC: Suas forças militares estão sendo enfraquecidas, hora a hora, pelas forças israelenses em Gaza. Sua população civil está sofrendo bastante. O que o faz pensar que tem tempo ou espaço para ditar os termos da negociação? Certamente o que vocês precisam é uma trégua.
Khaled Meshaal: Preservar as vidas das pessoas é um objetivo ético e a responsabilidade de qualquer liderança. Mas ninguém poderia aceitar que nós protegêssemos as vidas das pessoas enquanto elas vivessem ainda em vergonha, humilhação e ocupação. As pessoas querem viver e não morrer. Mas elas querem liberdade e vida. Os palestinos são iguais, mas têm uma escolha. Morrer ou viver sob ocupação como escravos, sem liberdade ou dignidade. Os palestinos querem viver, mas com liberdade. Veja o que aconteceu na Cisjordânia. Eles queimaram um jovem. Esses são crimes.
BBC: Percebo que o senhor está absolutamente determinado a não retornar ao status quo. Mas não é verdade que o Hamas em muitos sentidos está mais fraco hoje do que esteve por muito tempo? Vocês perderam aliados importantes, como o governo da Irmandade Muçulmana no Egito, ou o Irã, que não está mais tão próximo a vocês como antes. Vocês enfrentam graves problemas financeiros, não conseguem nem pagar os salários dos funcionários públicos em Gaza. O Hamas está numa posição muito fraca agora.
Khaled Meshaal: Mas não vamos nos render. Sim, o Hamas está passando por um período difícil. Mas este é um perigo que Netanyahu calculou mal - de achar que o Hamas foi enfraquecido pelo bloqueio. E então ele ficou surpreso em ver que a população de Gaza e o Hamas estão mais fortes. As circunstâncias difíceis não nos levam à rendição. O Hamas não luta somente para ter aliados. Lutamos porque temos uma causa.
BBC: Mas dizer que não importa e que vocês simplesmente vão continuar a resistir parece quase suicida.
Khaled Meshaal: Quando você se aferra ao seu direito está cometendo suicídio? Nós somos submetidos à vontade de Israel. Todos os povos do mundo lutaram batalhas desiguais. Os vietnamitas. Ou na África do Sul. Os franceses enfrentaram os nazistas, e foram vitoriosos. Eles lutaram por seus princípios de liberdade e dignidade. As pessoas não lutam somente porque a balança de poder está a seu favor. O poder está sempre com o ocupante. Mas o povo vence.
BBC: O senhor ligou a violência às consequências do assassinato de três adolescentes israelenses na Cisjordânia. O senhor está preparado para reconhecer que os assassinatos foram uma ação do Hamas?
Khaled Meshaal: Não tenho nenhuma informação sobre quem fez isso. Até agora. Israel acha mais fácil acusar o Hamas, mas a questão é: eles estavam vivendo em sua terra? A terra na Cisjordânia é ocupada, de acordo com a lei internacional. Então o palestino que está se defendendo dos colonos armados é acusado de assassinato. Vamos falar sobre as circunstâncias.
BBC: Qual é a estratégia do Hamas? É somente recorrer à violência e acreditar que no fim esses instrumentos podem dar o que vocês chamam de liberação? Vocês realmente acreditam nisso?
Khaled Meshaal: Temos um objetivo e temos os meios de alcançar isso. O objetivo é o direito à autodeterminação, a colocar um fim à ocupação israelense, aos assentamentos judaicos e à agressão. Temos três escolhas. Nós preferimos a escolha pacífica. Somos forçados a recorrer à via militar. Por anos o povo palestino vem tentando a solução pacífica e não obtiveram nada da comunidade internacional. Se tivermos uma chance de resolver a situação pacificamente, sem violência e sem armas, o faremos. Mas somos forçados a lutar contra a ocupação de Israel.
BBC: Os membros do Hamas estão falando em uma terceira intifada, em espalhar a violência pelos territórios ocupados. Isso vai ajudar o povo palestino?
Khaled Meshal: Por que não responsabilizar Netanyahu por essa escalada? Netanyahu foi o responsável pelo fracasso do plano de Kerry (John Kerry, secretário de Estado americano) durante as negociações com Abbas (Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina). Se os americanos e os europeus dessem uma chance para que o plano fosse bem sucedido, e abrissem uma janela para o povo palestino, esta escalada não teria acontecido. Mas todas as janelas de esperança foram fechadas na cara do povo palestino.

BBC: Nós já conversamos várias vezes nos últimos anos, e todas as vezes você me diz que a estratégia de resistência do Hamas e a recusa em aceitar Israel levará à libertação dos palestinos, mas veja o que aconteceu. A situação parece pior e mais sombria do que jamais esteve. Não há uma pequena parte sua que questiona se essa estratégia faz sentido?
Khaled Meshaal: Sim, os cidadãos palestinos estão sofrendo e vivem em condições duras, mas isso é por causa da ocupação, não por causa do Hamas. Não é uma resistência armada como fim em si. Mas é um meio para encerrar a ocupação. Se eu não for capaz de colocar um fim à ocupação por meios pacíficos, sou forçado a pegar em armas, como todos os outros países. As pessoas estão vivendo sob ocupação, e não tivemos a chance em mais de 60 anos de resolver esse problema. O mundo está injustamente contra nós. Sim, nós sofremos, mas todos os povos sob ocupação sofrem. No fim de tudo, seremos vitoriosos. Esperamos que um dia nós nos encontremos em Ramallah, Jerusalém e Gaza. Porque o tempo não está do lado dos israelenses. Mesmo os serviços secretos dos Estados Unidos acham isso. Kissinger (Henry Kissinger, ex-secretário de Estado americano) disse que Israel não tem futuro porque (é um Estado) baseado em agressão.
BBC: O senhor está falando sobre uma visão de longo prazo. Quando o senhor acha que o atual conflito em Gaza vai terminar?

Khaled Meshaal: Se Deus quiser, espero que termine hoje à noite ou amanhã, mas como palestino gostaria que isso terminasse o mais rápido possível. Gostaria de dizer aos moradores de Gaza que eles avançaram politicamente. Mas deixe o presidente Obama e eu e Abbas e toda a liderança ajudá-los a colocar um fim na agressão, e então a comunidade internacional terá cumprido seu papel ético e humanitário.