quinta-feira, 12 de julho de 2012

Sobre a Condenação dos Torturadores do Regime Militar na Argentina e a Impunidade dos Torturadores no Brasil

Durante a ditadura de Franco, na Espanha, o psiquiatra Antonio Vallejo Nágua teorizou sobre a necessidade de arrebatar os filhos dos vencidos a fim de depurar seus sangues da degeneração marxista. Não só teorizou como também praticou. Era a eugenia dos vitoriosos que levou dezenas de crianças até piedosas e ricas famílias que já tivesses provado apegos ao nacional-catolicismo enquanto os pais que as engendraram apodreciam nas celas, alimentavam os paredões de fuzilamentos ou seus ossos eram consumidos ou enterrados nas beiras das estradas. Com o passar dos anos tal prática se transformou num lucrativo negócio com o tráfico de bebês obtidos até com roubos.

Alfredo Astiz, torturador durante o regime militar argentino, condenado a prisão perpétua em 2012.

Que o grito “NUNCA MAIS”, lançado na Argentina, ecoe também no Brasil!

É realmente impressionante o poder da classe dominante no Brasil, em todos os setores da sociedade. Aliás, isso se tornou tradição com a chegada da família real portuguesa ao Brasil; mal cheirosa e cheia de piolhos, fugida das tropas de Napoleão, em 1808. Tendo até hoje a seu dispor um exército historicamente genocida – Canudos, Contestado, Araguaia – vem conseguindo, não só prolongar a ditadura, iniciada em abril de 1964 (nesse momento, militares à frente, civis cúmplices e coniventes atrás) até os dias de hoje – agora, civis à frente, militares e milícias atrás - como também postergar a punição dos torturadores e assassinos. 

Seus integrantes, atuais e antigos, revelam o mesmo coração frio, a mesma mente corrompida pela maldade atroz, pelo escárnio aos seus semelhantes desprotegidos às suas mercês, ao mesmo tempo em que demonstram suas submissões, pessoais e coletivas, aos seus vis interesses pecuniários, às suas sedes de poder e aos interesses políticos dos poderosos, mormente aos interesses do imperialismo norte-americano.

Esses mesmos personagens – alguns integrantes no poder - pretendem manter, no olvido, as prisões, as torturas, os seqüestros, os assassinatos, os esquartejamentos que foram, e continuam sendo perpetrados, desde então, aos seus mandos, além de, a todo custo, procurarem manter no anonimato seus nomes.

O ilógico da questão é que a atual presidente, também vítima ensangüentada dessa classe dominante, esquecendo seus próprios companheiros presos, torturados, assassinados, esquartejados ou “desaparecidos” - no dizer de um cínico parlamentar: “evaporados” - se torna uma aliada e conivente com essa classe ao convocar uma assim chamada “Comissão da Verdade”, prenhe de elementos que de antemão já se sabe que ali estão para sabotá-la. Na verdade, ela segue os mesmos passos de Bachelet, ex-presidente do Chile, ex-combatente que chegou à extrema ignomínia de homenagear seu próprio torturador, o assassino Pinochet. Ambas, Dilma e Bachelet, muito diferentes de Nestor e Cristina Kirchner, ex e atual presidente da Argentina, também militantes políticos na década de 70, que devem ser reconhecidos por não tentarem impedir o forte movimento popular que fez revogar, pela Corte Suprema de Justiça, a anistia dada aos assassinos e estão punindo dos assassinos e torturadores de seu país.

Isso demonstra o atraso, adrede preparado, de nosso país, na punição dos crimes hediondos de Violação aos Direitos Humanos, em relação a todos os demais países, em especial a Argentina – um exemplo na luta contra a impunidade dos monstruosos crimes contra a humanidade que lá ocorreram durante a ditadura de 1976/1983.

No último dia 5 de julho, foi condenado, mais uma vez, o carniceiro ex-presidente da Argentina, Jorge Videla, a mais 50 anos de cadeia. Junto com ele também foram condenados outros assassinos, torturadores e seqüestradores, como o também já condenado ex-ditador Reynaldo Bygone, a 20 anos; o comandante do sinistro Instituto Militar, Santiago Omar Riveros, a 30 anos; o também já condenado ex-capitão Jorge Eduardo “Tigre” Acosta, da Escola Superior de Mecânica da Armada (ESMA), um dos maiores centros clandestinos de detenção, tortura e assassinato - a 30 anos, além de outros seis assassinos. 

As revelações que vieram à tona no justo julgamento desses criminosos fardados não só estarreceram o mundo, como enfaticamente mostraram, novamente, a que o imperialismo, tendo a frente o norte-americano, está levando o mundo.

Não só o não arrependimento, também o cinismo da justificação: “fomos convocados”. Ora, quem os convocou? Os imperialistas de Washington? Para quê? Para combater os comunistas que estavam prestes a conquistar o poder? Onde? Quando?

Por acaso foi por causa disso que foi arquitetado o plano sistemático de seqüestrar mulheres grávidas? Casais com filhos pequenos? Construir maternidades clandestinas dentro de quartéis? Organizar um plano bem preparado para distribuir os bebês que iam nascendo? Colocando em prática, na Argentina, a teoria daquele psiquiatra espanhol da época de Franco?

É muito elucidativo o caso de Victoria, filha de Hilda Ramona e Roque Orlando. Os três foram seqüestrados logo nos primeiros dias do golpe militar, levados violentamente para um quartel onde os pais foram assassinados e ali mesmo, entre gritos de dor e cheiro de sangue, a pequenina Victoria foi transformada em Maria Sol, filha do coronel Hernán Antonio Tetzlaff, o assassino de seus pais.

A descoberta de sua verdadeira identidade, culminou num processo iniciado em 1988 pelo  grupo conhecido internacionalmente como Avós da Praça de Maio, cuja fundadora Maria Isabel Chorobik ainda procura sua neta Clara, de quem os pais foram assassinados quando ela foi roubada pelos agentes do governo.

Este julgamento, terminado dia 5, se referia a somente 34 bebês dos cerca de 500 seqüestrados. Destes, um total de 105 foram encontrados. A meritória luta das Avós da Praça de Maio continua.

Em nosso país, embora muito atrasada e sofrendo sabotagem por todos os lados, a campanha Punição para os torturadores do Regime Militar continuará. Que vejamos todos eles atrás das grades!      


CEBRASPO – Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos

12 de julho, 2012.  

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Liderança do Partido Comunista da Índia (PCI maoísta) assassinado brutalmente


O CEBRASPO toma parte do profundo sentimento de pesar que atinge à todos os lutadores, ativistas e organizações democráticas, antiimperialistas e de lutas de libertação pelo covarde assassinato da liderança do Partido Comunista da Índia, Mallojula Koteswara Rao, conhecido como camarada Kishenji, de 58 anos. Kishenji foi morto pelas forças repressivas do Estado Indiano, que divulgaram o assassinato como um suposto “confronto” no leste da Índia, ocorrido no dia 26 de novembro.

Assim sendo, o Estado indiano deixa claro que é responsável pela morte do líder do Partido Comunista da Índia (maoísta), porém ainda existem várias dúvidas sobre circunstâncias de sua morte.

O poeta Varavara Rao, que há muito tempo é simpatizante da luta do povo indiano, declarou ao canal de notícias NDTV, que Kishenji havia saído de casa há 35 anos para se juntar à luta de seu povo e que foi morto em uma floresta no estado de Bengala Ocidental.

Nascido no estado de Andhra Pradesh, sul da Índia, Kishenji juntou-se à luta do povo indiano na década de 1980. Seu assassinato gerou uma grande comoção entre o povo da região onde nasceu. Em Peddapalli, cidade em Karimnagar, distrito de Andhra Pradesh, estão sendo realizadas manifestações para protestar contra seu assassinato.

As massas da cidade, a 200 km de Hyderabad, participam voluntariamente da uma greve para protestar contra a morte desse filho da cidade. Toda população local e líderes de várias organizações tem visitado a casa do irmão Anjaneyulu Kishenji para oferecer suas condolências. Lojas e empresas estão fechadas, bem como as instituições administrativas e educacionais.

O governo diz que a maior ameaça à segurança interna, é a “guerrilha comunista”, cuja presença se espalhou para 20 dos 28 estados da Índia. Ele usa esse discurso para continuar massacrando e desenvolvendo uma guerra aberta contra o povo. A repressão toma proporções cada vez maiores através da Operação “Caçada verde”, com a qual pretendem a tomada das terras dos povos advasis para a exploração das riquezas naturais por grandes empresas multinacionais. Essa dita operação faz parte de toda uma estratégia formulada e desenvolvida em acordo com o departamento de Estado norte-americano para conter a revolta do povo da Índia.

O imperialismo em sua crise e em particular o Estado Indiano têm tido grande dificuldade em impedir a mobilização do povo. Dessa forma, faz parte de sua estratégia uma campanha de busca e repressão seletivas para aniquilar os quadros dirigentes do movimento revolucionário. A morte de Kishenji faz parte dessa estratégia.

Porém, é sabido que a morte daqueles que lutam incansavelmente em favor do seu povo não enfraquece a luta das massas, tampouco acovarda aqueles que defendem a sua terra, autodeterminação e libertação. O assassinato de Kishenji certamente trouxe dor aos povos da Índia, mas ao contrário do que pretendem os algozes do povo, só faz aumentar a luta e resolução das massas.

CEBRASPO – Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos

28 de novembro, 2011.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

CEBRASPO repudia “Operação Caçada Verde” e perseguição ao povo indiano

CEBRASPO repudia “Operação Caçada Verde”
e perseguição ao povo indiano


Desde 3 de dezembro de 2009 o governo indiano lançou a operação "Caçada Verde”. Esta operação de guerra que conta com 6 batalhões do exército indiano e mais 60 mil agentes de forças paramilitares, programada para durar cinco anos, tem como área de atuação o que denominam por “corredor maoísta”, que compreende os estados de Chhattisgarh, Orissa, Jharkhand e Bengala Ocidental, Andhra Pradesh e Maharashtra (região central da Índia), terras pertencente ao povo advasi e outras nacionalidades do extenso rol de populações oprimidas pelo Estado indiano.

 A partir da data mencionada as populações que vivem naquelas regiões vêm sofrendo duros ataques do exército e polícia indianos, assessorados pelas forças armadas ianques. Seu objetivo central é deter a crescente resistência popular, principalmente do povo adivasi, liderada há décadas pelo PCI (M), Partido Comunista da Índia (Maoísta).

Os povos que vem sendo alvo desta operação “caçada verde” vivem em territórios muito ricos. O território adivasi abrange muitas áreas florestais, incluindo a floresta Dandakaranya, além de extensas jazidas minerais. Seus milhões de adivasis - (Hindi, para o colono original, um termo genérico para grupos étnicos e tribais, que estavam entre os habitantes originais do subcontinente) - foram empurrados para regiões de florestas pelas ondas de invasores e, foram excluídos do “sistema” da sociedade hindu. Eles têm uma longa história de rebeliões e constantes revoltas contra o domínio colonial britânico, começando com a revolta de Santal, em 1856/57, prosseguindo com inúmeras revoltas menores, que têm sido uma importante base para a organização da resistência popular.

As florestas onde os adivasis estão concentrados têm riquezas minerais abundantes (ferro, carvão, bauxita, manganês, córidon, ouro, diamantes e urânio). Ao longo dos últimos anos, empresas estrangeiras e indianas, com a proteção do aparato do Estado indiano, vêm explorando-as e expulsando violentamente os nativos de lá.

Foi justamente neste contexto que a resistência do povo adivasi cresceu, e também a influência do PCI (M). Mesmo antes da operação “caçada verde”, ações de repressão à luta dos adivasis eram freqüentes.

O PCI (M)  tem ajudado a liderar as tribos em suas lutas por justas reivindicações como pôr fim ao roubo de suas terras feitas pelo governo indiano, lutar contra a fome, contra a condição de ser reserva para o trabalho a ser enviado para todo o país e contra os seqüestros, torturas e humilhações nas mãos da polícia e outras autoridades.

O  PCI (M) também têm o apoio entre os camponeses sem terra, incluindo aqueles que são muçulmanos, entre os dalits (que são considerados impuros no sistema de castas hindu, chamados de “intocáveis”) e outros.

Eles têm, inclusive, ajudado a organizar o povo para melhorar os métodos de produção agrícola de subsistência, na construção de poços e na educação e na luta contra as atrasadas práticas feudais (por exemplo, na bárbara prática de punição de mulheres acusadas de bruxaria). Por tudo isso, o PCI (M) foi rotulado de terrorista e é visto como a maior ameaça interna ao Estado indiano.

Como a resistência dos adivasis mostrou-se inquebrantável, o Estado indiano e o imperialismo, principalmente ianque, desencadearam esta ofensiva que visa não só derrotar sua resistência, mas manter o monopólio das riquezas minerais e da terra nas mãos das empresas transnacionais e dos latifundiários indianos.

É contra mais esta agressão genocida contra o povo indiano que entidades ligadas à defesa dos direitos do povo, movimentos políticos democráticos, intelectuais e artistas progressistas e democratas estão se levantando em protesto em todo mundo.

No dia 19 de fevereiro foi comunicado o lançamento da Campanha Internacional em Oposição à Guerra contra o Povo da Índia (ICAWPI — na sigla em inglês). A campanha visa coordenar o apoio internacional à resistência do povo indiano contra a ofensiva militar do Estado indiano desencadeada na operação "Caçada Verde".

O Cebraspo (Centro Brasileiro de Solidariedade ao Povos), vem se juntar a estas manifestações de solidariedade à resistência dos adivasis e exige:

1-    O fim imediato da operação “caçada verde” e a perseguição ao povo adivasi, demais nacionalidades, e ao PCI (M);
2-    O imediato cessar de todas as operações armadas contra o povo indiano;
3-    A suspensão imediata do roubo de terras e expulsão das populações locais, pelas empresas transnacionais e pelo Estado indiano.


   CEBRASPO – Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos   

   Abril de 2010

sexta-feira, 2 de abril de 2010

PNDH 3 é conciliação com torturadores e assassinos do regime militar fascista!


Abril de 2010
            
     Este ano ganhou espaço no debate político brasileiro a questão dos mortos e desaparecidos durante o gerenciamento militar fascista das décadas de 1960, 1970 e 1980 no Brasil. A discussão voltou à tona com a publicação do 3º Plano Nacional de Direitos Humanos, o PNDH 3, elaborado pela Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, na figura do seu secretário Paulo Vannuchi, sob a chancela do então Ministro da Justiça Tarso Genro.
           
            O ponto mais polêmico do plano foi justamente aquele referente à questão do período do regime militar no Brasil. Como “grande” forma de “passar o passado à limpo” o texto do plano propunha, entre outras coisas, a criação de uma Comissão Nacional da Verdade, que recuperasse a história do período, incluindo aí quem foi torturado e assassinado pelos militares.

            Que significado tem esse plano neste momento?

1-    Este plano nada mais é que a reedição de acordos passados, notoriamente a Lei da Anistia de 1979, que anistiou fundamentalmente os militares que mataram e torturaram naquele período. É a nova edição de um acordo entre o oportunismo (agora no governo), os militares e a direita para possibilitar a continuidade do gerenciamento do assim chamado “Estado Democrático de Direito”, ou seja, a ditadura das classes dominantes hoje.

2-    A publicação deste plano, que depende da aprovação do reacionário e corrupto Congresso Nacional, serviu para projetar os nomes de seus principais defensores, Tarso Genro e Vannuchi, em vistas das eleições deste ano, além de adiantar um debate que seria posto na mesa contra a candidata do governo, Dilma Roussef, cujo  fato de ter pego em armas contra o regime no passado não inspira confiança nos setores mais reacionários do Brasil. Assim, Luís Inácio e a própria Dilma, ao se posicionarem a favor do plano, mas contra a punição aos torturadores e assassinos do regime militar, ganhariam pontos neste setor, neutralizando a reação contra sua candidatura.

3-    Ao mesmo tempo, as discussões que se seguiram serviram para atiçar uma ofensiva da extrema direita contra aqueles que combateram naquele período. As entrevistas do Cabo Anselmo, de Sebastião Curió, o site de Brilhantre Ulstra e a recente entrevista do General Leônidas Pires Gonçalves ao Globonews, todos livres e dando a sua “versão” dos fatos relacionados àquele período, mostram que os fascistas estão aí e tem grande influência na mídia e nos governos.

            Em nenhum momento desta discussão se aventou a possibilidade de punição aos torturadores e assassinos do regime militar fascista. A criação da Comissão Nacional da Verdade é um grande engodo destinado a pôr a culpa dos assassinatos daquele período nos revolucionários, como foi o caso do Peru, em que esta mesma comissão colocou a culpa da maior parte das mortes do período no Partido Comunista do Peru.
           
            Em nenhum momento se pensou na memória dos heróicos combatentes que tombaram lutando contra um regime opressor, nem nos milhares de presos políticos que passaram anos na cadeia e até hoje tem sequelas das torturas dos porões da ditadura.
           
            Não se pensou também na situação nos familiares: viúvas, filhos, netos que clamam e anseiam por justiça para seus entes queridos!
           
            Por isto, o CEBRASPO repudia o PNDH 3! Este plano não passa de conciliação com os torturadores e assassinos do regime militar fascista!
           
            Repudia também o avanço do fascismo no Brasil, que tem, justamente na gerência do oportunismo, encontrado terreno fértil para disseminação de suas ideias, enquanto o Estado desencadeia uma feroz repressão aos pobres de maneira geral e em particular aos movimentos populares.
           
            Neste momento, é preciso que todos os democratas, progressistas e familiares dos mortos e desaparecidos políticos naquele sombrio período não deixem que mais esta covarde traição àqueles que deram sua vida, foram torturados ou presos por defenderem intransigentemente os direitos do povo brasileiro se concretize, agora com o demagógico nome de 3º Plano Nacional de Direitos Humanos.


CEBRASPO

Abril, 2010

sábado, 12 de dezembro de 2009

Denúncia: Latifúndio tortura e assassina Camponeses em Buritis

No dia 9 de dezembro deste ano, foi cometido mais um crime contra os camponeses pobres do Brasil. Os coordenadores da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), Elcio Machado (Sabiá) e Gilson Gonçalves foram seqüestrados por pistoleiros, às 14:00 horas, na estrada que liga o acampamento de Rio Alto a Buritis (RO).

 Após o seqüestro, as duas lideranças camponesas foram torturadas com requintes de crueldade tendo suas unhas e também pedaços de pele arrancados. Em seguida ambos foram assassinados. No mesmo dia de manhã outros dois camponeses já haviam sido perseguidos na mesma estrada.
Gilson havia sido entrevistado, em 2008, pela delegação da Associação Internacional de Advogados do Povo que realizou uma Missão de investigação sobre os abusos e a violência do Estado e do latifúndio contra os camponeses pobres de Rondônia.
Esta não foi a primeira vez que os camponeses de Rio Alto foram vítimas do terror promovido pelos latifundiários da região. Em julho do ano passado camponeses foram sequestrados tiveram suas mãos amarradas e sofreram espancamentos. 
Antes disto, a polícia esteve no mesmo acampamento com a desculpa de realizar busca e apreensão de armas. É importante dizer que esta “busca e apreensão” se deu ilegalmente, visto que os policiais não tinham mandado para tal. Os camponeses reconheceram vários policiais, que dias antes haviam estado no acampamento em missão oficial, na ação dos pistoleiros em julho de 2008.
Sem dúvida, esta atitude serviu como senha para os ataques do latifúndio, visto que esta terra é de interesse do latifundiário e grileiro Edílson Cadalto, que negociou mais de R$ 1,5  milhão em madeira com o vice-prefeito e representante dos madeireiros de Buritis Correa.
Na época os camponeses denunciaram tudo isto as autoridades de Porto Velho e a ouvidora agrária Márcia do Nascimento Correa, que simplesmente deu de ombros e disse que não se importava se as famílias dos camponeses fossem mortas pela pistolagem. Assim, nada foi feito.
Para completar, no último dia 3 de dezembro foi realizada uma reunião no Incra em Porto Velho onde o Ouvidor Agrário Gercino José da Silva Filho, junto com o latifundiário Dílson Cadalto e o comandante da PM de Buritis, lançaram um documento dizendo que os camponeses serão punidos por “ilegalidades”, pedindo a atuação da PM para defender as propriedades, “confiando” que os latifundiários nada farão contra os camponeses de Rondônia. Nesta ocasião o comandante da PM, Major Antônio Matias de Alcântara aproveitou para requentar as mentirosas e infundadas acusações feitas pela revista Istoé em março de 2007, acusando a LCP de usar táticas guerrilheiras. Entretanto, o mesmo major nada disse sobre o fato de seus comandados treinarem os bandos armados que atuam nos interesses dos grandes latifundiários e madeireiros da região.
Nesta mesma reunião participaram 4 pistoleiros da fazenda que identificaram o Sabiá, manobra antiga que o Incra sempre usou para cumprir seu sujo papel de polícia a serviço do latifúndio.
Este tem sido o papel da Ouvidoria Agrária Nacional e de sua Comissão Nacional de Combate a Violência no Campo: criminalizar a justa luta pela terra enquanto trata latifundiários bandidos e assassinos como “senhores de respeito”. 
Responsabilizamos o Ouvidor Agrário Nacional, Gercino José da Silva Filho, o Incra de Rondônia e as autoridades que atuam junto com o latifúndio da região por mais estes terríveis assassinatos cometidos contra os camponeses pobres do país.
O CEBRASPO se solidariza a Liga dos Camponeses Pobres, exige a imediata apuração e punição destes crimes, e  exige também o fim de toda a violência cometida contra os camponeses pobres de Rondônia e de todo o país, que tem como base o monopólio da terra pelos latifundiários, representado por este velho e carcomido Estado de grandes latifundiários e burgueses do país, serviçais, estes, do imperialismo.
CEBRASPO
11/12/2009

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Policiais condenados pela Chacina do Morro do Estado


O julgamento dos 4 policiais acusados pela Chacina do Morro do Estado, que se iniciou na manhã de quinta feira, dia 24 de setembro, terminou na madrugada do dia 25. O sargento Antonio Carlos Miranda, o cabo José Francisco de Araújo Júnior, e os soldados Wanderson Soares Nunes e José Roberto Primo Domingues foram condenados a 45 anos cada um somando mais de 200 anos de prisão.

O crime, que ocorreu em dezembro de 2005, ficou conhecido como "Chacina do Morro do Estado" e deixou na época um sentimento de dor e impunidade na população niteroiense que se chocou pela idade das vítimas: Wellington Santiago de Oliveira (11 anos), Luciano Rocha Tavares (12), Edimilson dos Santos Conceição (15), José Maicom dos Santos Fragoso (16) e Wedsom da Conceição (24). O único sobrevivente da chacina, Carlos Roberto, hoje está com 17 anos e conta com o serviço de proteção ao menor, residindo em outro local. Ele prestou depoimento favorável as vítimas no julgamento.

Foi fundamental a mobilização dos familiares das vítimas (principalmente as mães dos meninos assassinados) e dos moradores do Morro do Estado, que com sua determinação - e a ajuda da Associação de Moradores e de entidades ligadas a defesa dos direitos do povo, como o Cebraspo, conseguiram conscientizar o povo niteroiense e pressionar a justiça para a condenação dos PMs envolvidos. Não fosse isto, possivelmente o desfecho seria outro.

Destaque também para a ação do promotor público, dr. Alan Joppert, que foi bastante incisivo em sua defesa dos meninos assassinados, a toda hora atacados pela defesa dos PMs, deixando evidente a culpa dos acusados, proporcionando condição para que o juri entendesse a verdade dos fatos.

Por volta de 2 horas da manhã o juiz Peterson Barroso emitiu a sentença. Entretanto a vitória dos familiares não foi totamente assegurada, pois os policiais poderão recorrer em regime semi-aberto.

Por mais que o veredito tenha sido amplamente favorável às vítimas da chacina, não podemos nos iludir! Os verdadeiros responsáveis por esta e por outras chacinas no estado continuam livres, e mais, ocupam os cargos mais altos do governo. Não basta punir os PMs, que por mais cruéis e assassinos que sejam, não estavam ali por conta própria. Vestiam uma farda da polícia militar e eram armados e pagos pelo Estado. E isto não é uma mera casualidade.

A cada ano a polícia do estado do Rio mata mais e mais pessoas (sendo considerada a que mais mata no mundo). Isto se deve a uma política de Estado que pretende impor o terror ao povo pobre, criminalizando suas principais estratégias de sobrevivência (perseguindo camelôs, cercando favelas com muros e câmeras) e exterminando, como “insetos”, nos dizeres de um comandante do BOPE, milhares e milhares de jovens e crianças pobres no Rio, como forma de manter o “controle social”, ou seja, garantir que o lucro dos banqueiros, dos grandes negociantes, da especulação imobiliária e demais setores da classe dominante carioca continue crescendo e se multiplicando em cima da mais cruel e brutal exploração e repressão sobre o povo.

Esse é o papel da polícia e da atual “política de segurança pública” do Sr. Sérgio Cabral e de seu secretário de segurança José Mariano Beltrame, que já vitimou mais de 2 mil pessoas entre 2008/2009.

É esta situação que precisa ser mudada. A mobilização popular que proporcionou a condenação dos responsáveis pela chacina do Morro do Estado é só uma mostra de como somente o povo pode derrotar seus inimigos e fazer justiça, por mais ínfima que seja. Agora é hora de todos os moradores de favelas e bairros pobres do Rio se organizarem para exigir o fim desta política de criminalização e extermínio de pobres promovida pelo governo do estado, exigindo também reparação financeira pelos atos cometidos pelos seus agentes.

É hora de todos os democratas, progressitas e lutadores do povo apoiarem e participarem de toda forma de resistência do povo pobre contra este estado de coisas, repudiando o “choque de ordem” fascista de Eduardo Paes, e exigindo o fim todas as operações políciais nas favelas do Rio, que visam causar o terror para conter a cada vez maior insatisfação popular contra a miséria, o desemprego, e a falta de perspectivas promovidas por este Estado brasileiro de grandes burgueses e latifundiários, sempre serviçais do imperialismo.

CEBRASPO

28 de setembro de 2009

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Grupo Santa Bárbara assassina jovem camponês em Eldorado dos Carajás


Conforme é do conhecimento de todos, o sr. Daniel Dantas adquiriu milhares de hectares de terras no sul do estado do Pará, formando o maior rebanho bovino do mundo. A empresa que administra todas estas terras usa o nome de Fazendas Santa Bárbara. Esta empresa mantém milícias que exibem armas ostensivamente e fazem até blitz nas estradas para identificar lideranças camponesas. Essas milícias agem livremente em toda a região, com a conivência do governo de Ana Julia Carepa (PT).

No dia 23 de agosto, por volta das 21hs, um carro da empresa Santa Bárbara e outro da "escolta armada" - denunciado pelos camponeses como sendo o carro do gerente de uma das fazendas e uma caminhonete Hailux, que pertencem a uma empresa que também faz a "segurança" das fazendas, estavam a espreita em uma estrada por onde os camponeses diariamente passam para ir a Vila Betel, próximo a cidade de Eldorado dos Carajás, já que na área do acampamento não há água suficiente para o uso das famílias. Logo saíram em perseguiçao a um carro onde ia uma das lideranças dos camponeses, Adilson mais conhecido como blindado. Ao se aproximarem fizeram vários disparos contra o veículo atingindo e matando o jovem Wagner Nascimento Silva, de apenas 21 anos. Os tiros atingiram também outro campones de nome Constantino.

A delegacia de Eldorado em princípio queria remover o corpo do local, o que foi prontamente recusado pelos familiares e companheiros que exigiram a presençca do IML, que só chegou as 3 da manhã. Com dezenas de testemunhas a polícia ainda não convocou os suspeitos alegando que precisa de reforços para fazê-lo. Enquanto isso o grupo Santa Bárbara vai ganhando tempo para sumir com os responsáveis e com as provas do crime.

Essa morte mais uma vez evidencia a impunidade do latifúndio - que assassina abertamente no sul do Pará; a presença das milícias, já várias vezes denunciadas pela Liga dos Camponeses Pobres e a conivência de todas as estrtuturas do governo do estado do Pará com esses crimes.

Em ato realizado no dia 12 de setembro, em Eldorado dos Carajás, cerca de 800 camponeses se reuniram na entrada da cidade com faixas cartazes, cantando músicas de luta e gritando palavras de ordem em protesto contra essa situação e numa clara demonstração de disposição de enfrentar o grupo Santa Bárbara, do banqueiro Daniel Dantas e manter as terras já conquistadas.

A família de Wagner, mesmo muito abalada pelo acontecimento, estava presnte exigindo justiça. A irmã do camponês assassinado se pronunciou dizendo que seu exemplo de esperança, de solidariedade, testemunhado por muitos dos presentes, seria seguido por todos aqueles jovens ali presentes, que seguirão na luta pela terra e por justiça. Diversas lideranças se pronunciaram denunciando detalhes das perseguições da segurança do grupo Santa Bárbara, das provocações vindas de homens armados, das blitz realizadas por esses serguranças em toda a extensão da rodovia PA 150, que liga Eldorado a Marabá. Tudo isso acontece com pleno conhecimento do governo do estado que nada faz para impedir essas arbitrariedades.

O ato foi realizado num clima de muita comoção, mas além disso, o que marcou esta atividade foi a demonstração de uma massa com muita disposição de luta!

No dia 07 de setembro, em desfile montado pela prefeitura de Redenção, todas as escolas da cidade fdoram convidadas a participar. Os temas eram ecológicos, exaltavam as riquezas da Amazônia, grandesa do Brasil, contando até mesmo com anacrônicos personagens de Wall Disney. Até temas de leis de trânsito foram apresentados por várias escolas. O objetivo era repetir seguidamente o nome do prefeito e falar da criação do estado de Carajás, de forma que qualquer coisa apresentada valia para justificar o desfile como um ato "cívico" a favor do novo estado.

Tudo isso num clima de exaltação ao prefeito, representante do latifúndio cuja cidadela principal no sul do Pará é justamente Redenção. Seguido também de uma intensa propaganda da criação do estado de Carajás, onde o latifúndio pretende construir um estado sob seu exclusivo comando, ou seja, com a instituição de alta concentração da terra, da repressão, dos assassinatos de camponeses, a expressão do feudalismo, da escravidão e violência aberta e contra os camponeses.

Em meio a todo esse quadro, a passsagem da escola Palma Muniz, uma das maiores da cidade, com cerca de 1000 alunos, apresentou como tema a situação social do povo. Com destaque de uma de suas alas que fazia uma homenagem ao camponês Luis Lopes, assassinado há 2 meses na fazenda Batente, próximo a Conceição do Araguaia. Os estudantes desfilaram com grandes cartazes com a foto do campones Luis Lopes. Bem na cara do prefeito e todo o seu séquito. O aplauso caloroso do povo de Redenção no momento dessa homenagem demonstrou que muitos percebiam claramente a manipulação daquele ato e a simpatia e o respeito que o povo tem com os seus lutadores e heróis.

O Cebraspo convoca todos os democratas e lutadores a denunciar mais este crime cometido contra o povo pobre em luta, exigir apuração e prisao dos culpados, denunciar a ação do grupo Santa Bárbara e a omissão criminosa do governo do estado do Pará.

CEBRASPO

15 de setembro, 2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Moradores do Morro do Estado exigem justiça para as vítimas da chacina de 2005


No dia 03 de dezembro de 2005, uma operação policial ocorrida no Morro do Estado, em Niterói (RJ), terminou com um saldo sinistro: 5 pessoas mortas, sendo quatro delas menores de idade; Edimilson dos Santos Conceição, de 15 anos; Welington Santiago de Oliveira Lima, 11 anos; Luciano Rocha Tavares, 12 anos; José Maicom dos Santos Fragoso, 16 anos e Wedsom da Conceição, 24 anos. Todas as vítimas foram executadas, conforme comprovou o laudo cadavérico realizado na ocasião pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli.

Nestes anos que se seguiram a “chacina do estado”, como ficou conhecida, os familiares das vítimas, principalmente suas mães, não tiveram nenhum apoio do Estado. O apoio aos familiares está sendo prestado pela Associação de Moradores do Morro do Estado, por algumas entidades ligadas a defesa dos direitos humanos e dos direitos do povo (como o CEBRASPO), advogados e personalidades democratas e progressistas em geral; mas, sobretudo, pelos próprios moradores da comunidade que nunca esqueceram os bárbaros assassinatos daquele fatídico dia.

Os policiais seriam julgados no dia 28 de julho passado, mas pelo fato dos seus advogados terem abandonado o caso dias antes do julgamento, este teve de ser adiado para o dia 24 de setembro, no Fórum de Niterói.

Esta e outras chacinas acontecidas no estado do Rio são reflexo da política de criminalização e extermínio de pobres, praticada por inúmeras gestões do governo do estado, mas intensificada na gestão de Sérgio Cabral e José Mariano Beltrame, que vitimou, somente no ano passado mais de 900 pessoas e em 2007, 1135 pessoas, moradores de todas as outras comunidades pobres do Rio.

A “Chacina do Estado” demonstra, mais uma vez, o caráter fascista do velho e apodrecido Estado brasileiro, que só é “democrático” e de “direito” para os ricos banqueiros, empresários e donos de terra, enquanto pratica a mais brutal ditadura para os filhos e filhas do povo pobre. O Rio de Janeiro, como laboratório das principais experiências de repressão e terror ao povo, é o estado em que a violência policial mais se manifesta, devido ao acentuado grau de contradições existentes, principalmente na região metropolitana. Daí, toda esta política de repressão da qual o povo pobre é a maior vítima.
Por isto, o CEBRASPO convoca a todos os democratas, lutadores do povo e moradores de favelas e comunidades pobres a se mobilizar para o julgamento dos policiais responsáveis pela chacina de 2005, indo ao Fórum de Niterói no dia 24 de setembro.

Repudiamos esta política de criminalização e extermínio de pobres, praticada pelo governo do estado, apoiada por Luís Inácio e Eduardo Paes, responsável por todas estas mortes. Exigimos também, o fim das operações policiais nas favelas e comunidades pobres do estado, pois o povo pobre não pode mais ser privado de seus mais elementares direitos.

JUSTIÇA PARA AS VÍTIMAS DA “CHACINA DO ESTADO”!
ABAIXO A POLÍTICA DE CRIMINALIZAÇÃO E EXTERMÍNIO DA POBREZA!

CEBRASPO

Setembro, 2009