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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

USA: CASO DE ABU-JAMAL PODE TER UMA NOVA AUDIÊNCIA PARCIAL

No início de janeiro, uma descoberta de provas que haviam sido ocultadas durante as investigações do caso de Mumia Abu-Jamal abrem a possibilidade para uma audiência parcial.

Segundo jornais americanos, cerca de 6 caixas com documentos relacionados ao caso de Abu-Jamal foram encontrados pela promotoria. Advogados e ativistas acreditam que isso pode comprovar a patranha usada pelo Estado para condenar Abu-Jamal.



No dia 09 de dezembro de 1981, Wesley Cook, conhecido por Mumia Abu-Jamal, até então jornalista e locutor de um programa de rádio na Filadélfia foi preso e condenado à morte pelo assassinato do policial Daniel Faulkner.

Além da aberração judicial que são as condenações à morte tão comuns nos Estados Unidos, o caso apresentou dezenas de falhas e comprovações de que Mumia não havia matado ninguém. Todas as provas e fatos foram ignorados pelo Juiz Albert Sabo, que o sentenciou a morte.

O caso de Múmia é especial pelo fato de que há uma espantosa possibilidade de que ele tenha sido preso e condenado, por suas convicções libertárias e sua luta pelo direito dos negros e menos favorecidos.

No começo da década de 70, Mumia foi integrante do grupo revolucionário Panteras Negras, quando ainda tinha 15 anos. Chegou a ser da comissão de informações. Posteriormente já como jornalista, ele foi considerado o porta-voz dos negros e dos pobres da Filadélfia. O seu programa era conhecido como “A voz dos que não tem voz”.

Por seu engajamento político e libertário e a grande popularidade do seu programa, Mumia sofreu várias ameaças da polícia racista daquela cidade.
Há documentos que comprovam que o Governo Federal Americano assim como o Governo da Filadélfia seguiam os passos de Mumia desde de seus 14 anos, quando ingressou nos Panteras Negras. Existem mais de 800 páginas investigativas sobre Jamal. Naquela época, já era um peso que o Estado Americano queria extinguir.

Para mais informações sobre Abu-Jamal, seguir o endereço:
https://cebraspo.blogspot.com/2014/12/liberdade-para-mumia-abu-jamal.html

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Liberdade Para Mumia Abu-Jamal!


No dia 09 de dezembro de 1981, Wesley Cook, conhecido por Mumia Abu-Jamal, até então jornalista e locutor de um programa de rádio na Filadélfia foi preso e condenado à morte pelo assassinato do policial Daniel Faulkner.



Além da aberração judicial que são as condenações à morte tão comuns nos Estados Unidos, o caso apresentou dezenas de falhas e comprovações de que Mumia não havia matado ninguém. Todas as provas e fatos foram ignorados pelo Juiz Albert Sabo, que o sentenciou a morte.

O caso de Múmia é especial pelo fato de que há uma espantosa possibilidade de que ele tenha sido preso e condenado, por suas convicções libertárias e sua luta pelo direito dos negros e menos favorecidos.

No começo da década de 70, Mumia foi integrante do grupo revolucionário Panteras Negras, quando ainda tinha 15 anos. Chegou a ser da comissão de informações. Posteriormente já como jornalista, ele foi considerado o porta-voz dos negros e dos pobres da Filadélfia. O seu programa era conhecido como “A voz dos que não tem voz”.

Por seu engajamento político e libertário e a grande popularidade do seu programa, Mumia sofreu várias ameaças da polícia racista daquela cidade.
Há documentos que comprovam que o Governo Federal Americano assim como o Governo da Filadélfia seguiam os passos de Mumia desde de seus 14 anos, quando ingressou nos Panteras Negras. Existem mais de 800 páginas investigativas sobre Jamal. Naquela época, já era um peso que o Estado Americano queria extinguir.

No dia em que foi preso, Mumia que também era taxista, dirigia o seu veículo quando viu o policial Faulkner espancando o seu irmão, William Cook. No meio tempo em que Mumia desceu do carro a fim de mandar que o policial cessasse as agressões, um turbilhão de confusões se bateu no local. De repente tanto Mumia quanto Faulkner estavam no chão, baleados e sangrando. Várias testemunhas dizem ter visto outra pessoa fugindo. Várias disseram ter sido esse homem o autor dos disparos.

Quando outros policiais chegaram ao local ainda bateram várias vezes a cabeça de Mumia contra um poste na tentativa de mata-lo e dizer depois que os ferimentos haviam ocorridos na suposta luta com Faulkner .

No hospital, um dos policiais insistia em ficar com o pé em cima do dreno, fazendo com que ele sentisse dores insuportáveis. Um dos médicos disse que havia uma grande chance dele desenvolver uma pneumonia por causa das perfurações no pulmão e que devido ao estado em que se encontrava poderia vir a óbito.
Na prisão, fizeram questão de deixa-lo na cela mais úmida a fim de faze-lo contrair a doença.

No julgamento, Mumia pediu ao Juiz Sabo o direito de ele mesmo se defender e interrogar o júri e as testemunhas. O direito lhe foi negado pelo simples fato de sua aparência (Dreadlocks) não ser a mais convencional e afirmarem que ela impunha medo.
No fim das contas quem escolheu o júri foi o Juiz Sabo, que como naquela cidade todos sabem, é membro vitalício da Ordem Fraternal da Polícia (Fop). Sabo escolheu o júri a dedo. Primeiro só colocou pessoas favoráveis a pena de morte. Usou também a faculdade de recusa para excluir da lista 11 afro americanos. No final, apenas um dos jurados era negro.

Além do Juiz Sabo, cinco dos sete magistrados da Suprema Corte da Pensilvânia, que rechaçaram a apelação de Mumia, receberam contribuições ou o endosso da Fop para sua candidatura.

Testemunhas coagidas – É fato que a promotoria responsável pelo julgamento do caso, entrevistou 100 testemunhas. Mas só levou ao tribunal as poucas que aceitaram sustentar a história de Mumia ser o assassino. Como Jamal não tinha dinheiro, não pode contratar investigadores a fim de achar as várias outras testemunhas que haviam visto o outro homem fugindo.
Mesmo assim, antes do julgamento, três testemunhas afirmaram ter visto outra pessoa na cena. Mas a promotoria as coagiu e as ameaçou a fim de que falassem só o que eles queriam. Eram elas: Veronica Jones, Robert Chobert y Cynthia White.

Em 1996, Veronica Jones assumiu durante uma declaração sob juramento, que mentiu no ano de 1982 em relação ao fato. Disse que foi coagida por dois policiais que afirmaram que se ela dissesse ter visto outra pessoa no local, teria seus filhos arrancados por eles. Depois dessa declaração bombástica, a corte a prendeu devido a uma velha ordem de prisão.
A equipe de defesa apresentou a declaração de Verônica Jones à Suprema Corte da Pensilvânia, junto com uma moção para uma audiência. Mas a corte enviou a documentação para Sabo. O resultado não surpreendeu ninguém: Sabo disse que as novas provas não eram válidas e rechaçou a petição de um novo julgamento.
Robert Chobert, um taxista branco, disse para a policia na mesma noite, que o assassino era um homem grande e gordo e que havia fugido. Sem dúvida, Chobert mudou sua versão dos fatos durante o julgamento. O júri nunca foi informado de que ele estava em liberdade condicional por um delito grave, e que por essa razão era vulnerável as chantagens da policia.

Confissão falsa e falta de provas – Segundo a promotoria do caso, Mumia havia declarado no dia do incidente, já no hospital que era o autor do disparo que matara Faulkner. Porém o agente de polícia Gary Wakshul, o responsável pelo relatório do caso naquele dia, havia escrito que o homem negro baleado não havia feito nenhuma declaração. Durante o julgamento Sabo não só fez questão de omitir esse fato, como também mentiu afirmando que Wakshul estava viajando e não poderia depor em favor de Mumia, quando na verdade estava em casa.
Em relação às provas, apesar do júri afirmar que as provas iam de encontro a Mumia, a polícia não havia examinado a sua arma, nem as suas mãos para saber se haviam vestígios de pólvora. Não havia prova de que a arma que disparou contra Faulkner era a de Mumia, assim como a bala retirada em cirurgia havia sumido misteriosamente.

Mumia ficou por 27 anos no corredor da morte, até que sua sentença foi convertida em prisão perpétua.

“Imaginemos o caso de um acusado: não lhe permitem defender-se; as testemunhas de defesa são afastadas. Lhe imputam o homicídio de um policial e o juiz é membro vitalício da Ordem Fraternal da Policia (FOP). Depois, sua apelação é rechaçada numa corte onde cinco dos sete juizes comprovadamente receberam contribuições e o endosso da FOP para suas respectivas candidaturas. Logo em seguida inventam uma ‘confissão’. Para mim, não se trata de ‘imaginação’ o porque das coisas acontecerem dessa forma”. (Mumia Abu-Jamal)
“Eles não querem só minha morte. Eles querem o meu silêncio”. (Mumia Abu-Jamal)

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Carta de Mumia Abu-Jamal sobre o desaparecimento dos 43 estudantes no México



Carta completa:

No México, o fogo arde, tanto literal como metaforicamente. Isto se passa porque milhares de jovens sentem uma calorosa indignação contra seu corrupto governo, como ficou demonstrado na resistência, que inclui a queima de edifícios do governo no dia 13 de outubro em Chilpancingo, capital do estado de Guerrero, México. Porque queimaram os prédios? Os manifestantes estavam cobrando o prazo não cumprido para que os oficiais do governo apresentassem com vida os quarenta e três estudantes detidos e desaparecidos por um grupo de policiais corruptos.

Manifestantes incendeiam sede do governo no México

No dia 26 e 27 de setembro, agentes da polícia municipal de Iguala, Guerrero, abriram fogo contra três ônibus cheios de estudantes na Escola Rural Normal de Ayotzinapa. Seis pessoas – três estudantes e outras três pessoas que passavam pelo local – foram assassinadas! Mais 25 pessoas foram feridas! Os quarenta e três estudantes foram levados por veículos da polícia e nunca mais foram vistos.


A cada dia, as cidades do país são convulsionadas por dezenas de manifestações, fechamentos de avenidas e outras ações que exigem o regresso com vida dos 43 estudantes.

A raiva expressa nos protestos contra a polícia terrorista e brutal não tem se aplacado, mas tem se tornado mais forte. Em 22 de outubro, centenas de milhares de pessoas no México e por todo o mundo se manifestaram pelo regresso dos 43 desaparecidos.

Na Escola Rural Normal de Ayotzinapa e por todo o México, os filhos dos camponeses tem a oportunidade de receber uma boa educação que os preparam para ser professores. Mas, assim como nos Estados Unidos, a política neoliberal aplica reformas educacionais no México que estabelecem o fim das escolas normais rurais criadas nos anos 30 do século passado. Por que? Porque estas escolas desafiam a hegemonia do neoliberalismo ao ensinar aos estudantes a pensar de maneira crítica e a questionar a atual situação do mundo.


Quando os normalistas resistiram a desapropriação de suas escolas, o governo respondeu com terror policial e agora com a desaparição dos próprios estudantes.

Mas os protestos seguem e se radicalizam. É interessante e revelador que, quando um grupo islâmico sequestrou centenas de meninas na Nigéria, o mundo se enfureceu. Mas, quando um grupo de policiais corruptos e brutais massacraram a um grupo de estudantes, sequestraram a 43 destes e se negam a dizer onde estes se encontram, a imprensa corporativa neoliberal encobre suas ações.

No México, o povo segue exigindo a apresentação com vida dos estudantes desaparecidos. A luta segue.

Desde a nação encarcerada sou Mumia Abu-Jamal.

1 de novembro de 2014.