segunda-feira, 10 de julho de 2017

LIDERANÇA CAMPONESA SOBREVIVENTE DA CHACINA DE PAU D'ARCO É ASSASSINADA!

"Assassinatos não vão parar a luta pela terra!" Afirma a LCP.

Reproduzimos importante nota que recebemos da Liga dos Camponeses Pobres- LCP denunciando dois assassinatos no Norte do país, no estado de Rondônia e Pará. Duas lideranças camponesas foram assassinadas, sendo uma delas sobrevivente da chacina de Pau D'arco no Pará, e outra coordenadora de uma área no estado de Rondônia. 



Segue denúncia:

"Goiânia, 08 de julho de 2017

Assassinatos não vão parar a luta pela terra!


O Companheiro ROSENILDO PEREIRA DE ALMEIDA, 44 anos, foi executado à tiros na noite da última sexta-feira, dia 7 de julho de 2017, em Rio Maria, Pará, onde residiam seus familiares. 

Rosenildo estava com seu netinho, de três ou quatro anos, na garupa da moto. Ele diminuiu a velocidade de sua moto em um quebra-molas, quando uma outra moto com dois elementos se aproximou e fizeram os covardes e fatais disparos.

 Rosenildo era conhecido por todos em Pau d’Arco como “Negão”.  Era um dos mais antigos lutadores pelas terras griladas da Fazenda Santa Lúcia; já estava no seu lote onde tinha porcos, galinhas e roça, quando veio a reintegração de posse.
 Rosenildo nunca se intimidou, sempre enfrentou, e ultimamente era um dos principais organizadores do ACAMPAMENTO JANE JÚLIA, organizado pelas famílias que lutam pela Fazenda Santa Lúcia junto com a Liga dos Camponeses Pobres do Pará e Tocantins. 

Rosenildo havia participado, nos últimos dias, da reconstituição feita pela polícia federal da “chacina de Pau d’Arco”. Corre o boato na região de que os nomes de quatro lideranças estão em uma lista, marcadas para morrer, e que o  Rosenildo seria um dos assinalados nessa lista.

O companheiro ADEMIR DE SOUZA PEREIRA, também de 44 anos, foi assassinado à tiros na tarde do dia 6 de julho de 2017, em Porto Velho, Rondônia. Ademir era Coordenador do ACAMPAMENTO TERRA NOSSA, organizado para lutar pelas terras griladas da Fazenda Tucumã, em Cujubim. O Acampamento coordenado por Ademir fica no município de Ariquemes. Ademir foi assassinado quando saiu por alguns instantes da mesa do Incra, quando uma pauta da Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental estava sendo discutida com o Superintendente Regional, Cletho Brito. A esposa de Ademir, inclusive, estava do lado do Superintendente quando foi avisada da morte do marido.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

ÍNDIA: MILITANTE É SEQUESTRADA PELO ESTADO INDIANO E CORRE RISCO DE VIDA


Traduzimos uma nota, do blog Dazibao Rojo, que denuncia a prisão de uma militante indiana. O CEBRASPO vem denunciando em suas notas o fato dos agentes do estado indiano executarem militantes sem que esses tenham direito a defesa e sejam julgados diante o Tribunal de Justiça do país. Comumente os assassinados são justificados como sendo frutos de confrontos, caracterizados pelas entidades democráticas do país como “falsos encontros”. O Centro Brasileiro de Solidariedade denuncia esse ocorrido e exige do Estado indiano que apresente com vida a militante Kakarala Padma!

Segue tradução:

“ÍNDIA: Sequestram a camarada Kakarala Padma. Sua vida corre perigo!

   

Nova Delhi, 04.07.17

Segundo fontes da imprensa indiana, a camarada Kakarala Padma, que se encontrava na clandestinidade desde 2012, foi detida por agentes repressivos da Oficina Estatal de Inteligencia de Andhra Pradesh (SIB) próximo a Sennimalai no distrito de Erode.
Seu marido que também é um preso político, o camarada Vivek, qualificou como ilegal sua prisão e manifestou seu temor de que ela seja submetida a tortura e inclusive de que seja assassinada em um falso confronto. Exigiu que ela seja apresentada ao  tribunal ainda que as fontes repressivas tenham se negado a confirmar sua detenção. 
Ainda nessa linha o escritor e poeta revolucionario, Varavara Rao, presidente da Frente Revolucionaria Democrática, denunciou que a camarada Padma foi arrastada por um agente SIB Andhra e os “Greyhounds”  em Erode enquanto regressava de Ernakulam no Chennai Express. "Há uma ameaça para sua vida. Deve ser apresentada diante de um tribunal de justiça imediatamente ", afirmou Rao. “



quinta-feira, 22 de junho de 2017

TODA SOLIDARIEDADE AOS CAMPONESES DE PAU D'ARCO! VIVA A LUTA PELA TERRA!

CAMPONESES RETOMAM ÁREA ONDE OCORREU MASSACRE NO SUL DO PARÁ

Num exemplo de combatividade e altivez centenas de famílias retomaram a área onde 10 camponeses foram chacinados a cerca de um mês atrás dos camponeses chacinados a um mês atrás. Nesta atitude os camponeses em luta pela terra no Brasil dão um claro recado que não recuarão frente aos assassinatos e execuções promovidas pelo latifúndio, e no caso desta última, pelos agentes de repressão do Estado brasileiro.
Não teria resposta melhor do movimento camponês pois lutar pela acesso a terra não é crime, pelo contrário, é um direito. O CEBRASPO convoca todas as entidades a apoiarem e se solidarizarem com o movimento camponês combativo, que mesmo sob a criminalização, perseguição e assassinatos,  da exemplo de qual caminho se deve seguir para conquista dos seus direitos

Foto: andblog.com.br

ABAIXO O MASSACRE NO CAMPO! TERRA PARA QUEM VIVE NELA E TRABALHA!
A ação planejada das Polícias Civil (Delegacia Especializada em Conflitos Agrários – DECA) e Militar do estado do Pará, que levou, no último dia 24/05, à morte de pelo menos 10 camponeses que é  estavam acampados próximos à Fazenda Santa Lúcia, município de Pau D’Arco, sudeste do estado, não foi um caso isolado.
A região onde aconteceu a matança tem uma longa história de conflitos agrários e violações de direitos cometidos pelo Estado brasileiro.
Em 2007 ocorreu a famigerada "Operação Paz no Campo", uma verdadeira operação de guerra contra camponeses que ocupavam a fazenda da Forkilha também no sul do Pará. O resultado desta operação, que moveu mais de 400 agentes da repressão, foram centenas de camponeses torturados, e dezenas de mortos e desaparecidos.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

ÍNDIA: PRESOS POLÍTICOS EM GREVE DE FOME

DEZENAS DE PRISIONEIROS POLÍTICOS NOS CÁRCERES DE CALCUTÁ FAZEM GREVE DE FOME EM SOLIDARIEDADE E PROTESTO AS TORTURAS A REVOLUCIONÁRIA KALPANA MAITY

Traduzimos do blog maoistroad denúncia sobre a greve de fome de cerca de 80 prisioneiros políticos e a situação que se encontra a revolucionária indiana Kalpana Maity:

“Em torno de 80 prisioneiros políticos de quatro cárceres da Índia -três dos quais se encontram em Kolkota (Calcuta)- fizeram uma greve de fome de 24 horas desde o sábado passado como forma de protesto contra a tortura infligida a comunista-maoísta Kalpana Maity, que atualmente se encontra na prisão de Alipore. A greve nas prisões de Presidency, Dum Dum, Jalpaiguri e no presidio de mulheres de Alipore começaram às 6hs da manhã e terminou na mesma hora de domingo.

Ranjit Sur, membro da Associação para a Proteção dos Direitos Democráticos, uma organização cidadã de direitos humanos, declarou que tem estado em contato com os prisioneiros e que a organização havia recebido uma queixa por escrito de Maity detalhando a tortura a que foi submetida (Fonte: Indianexpress).
Nos deu a queixa escrita em sua última parição, que foi dia 6 de este mês. Devia apresentar ao juiz também, porém não pôde apresentar sua queixa a eles na última audiência. Segundo sua denúncia, Kalpana Mayti começou a sofrer de muitas dores desde que foi transferida a prisão de Alipore. Ela sofre de diabetes, artrites e uma série de outras enfermidades.

"Ela alega que o encarregado do cárcere deu instruções a todos os demais reclusos na prisão ameaçando-os para que não a audem. Os outros presos foram proibidos de falar com ela, e vice-versa. Também, a obrigam limpar sua própria cela e banheiro, algo que os demais internos não têm que fazer. A os outros reclusos é permitido passear ou fazer exercício no pátio da prisão, entretanto a Kalpana é negada esta facilidade", segundo afirma Ranjit Sur.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

ABAIXO A OPERAÇÃO CAÇADA VERDE NA ÍNDIA!

Reproduzimos matéria de denúncia sobre a criminosa Operação Caçada Verde do Estado indiano:
O Estado Indiano declarou guerra ao povo, e pôs em movimento 150 mil tropas nos Estados das regiões central e leste do país, para ameaçar, prender e assassinar pessoas, e expulsar povos tribais e camponeses de suas terras milenares. Trata-se da Operação “Caçada Verde”, em pleno curso nos dias atuais, levada a cabo a pretexto de combater os Naxalitas, nome dado aos combatentes do Exército Guerrilheiro Popular de Libertação (EGPL), dirigido pelo Partido Comunista da Índia (Maoísta).
O real contexto
O Estado Indiano, umbilicalmente associado ao imperialismo, tem ao longo dos anos atacado povos tribais (chamados de Adivasis) para expulsar-lhes das suas terras milenares. Tratam-se de terras riquíssimas em recursos minerais e naturais, e há interesse direto de grandes corporações (como Tata, Essar, Jindal e Mittal) nessas terras.
Nos dados do Censo de 2001, os Adivasis (ou povos tribais) correspondiam a mais de 84 milhões de pessoas em todo o país, preservando uma cultura milenar e modos de produção e de propriedade coletiva, bem como uma estrutura de poder própria. Esses povos têm dado uma importante contribuição à filosofia, linguagem, costumes no país, e também às lutas de resistência desde a colonização britânica no século XVII.
De acordo com a legislação indiana, as terras dos povos tribais são protegidas sob o nome de Áreas Catalogadas (Scheduled Areas), devendo nelas ser assegurado o controle e administração pelos próprios povos tribais. Os órgãos que exercem soberania popular são chamados de Gram Sabha, que são competentes para resolver os problemas locais.
Os Naxalitas tem desenvolvido o apoio concreto aos povos tribais, apontando o caminho da resistência armada. O Estado indiano, a pretexto de combater os Naxalitas, faz a guerra contra o povo e realiza deslocamentos massivos de pessoas visando suas terras.
Em uma entrevista transmitida a uma rádio australiana em 12 de fevereiro de 2010, Linga, uma moradora local, denuncia:
“Os moradores do meu bairro se sentem inseguros. Nós estamos sendo explorados, a nossa terra está sendo roubada. E não é o governo que está nos ajudando, mas sim os maoístas. Nenhuma lei é respeitada. Mesmo aquelas conquistadas após a independência, há 60 anos, não têm aplicação. Nós ainda temos que lutar por nossos direitos.”[i]

quarta-feira, 7 de junho de 2017

ÍNDIA - PRESO POLÍTICO G. N. SAIBABA NÃO RECEBE TRATAMENTOS MÉDICOS



Uma delegação liderada pela esposa do professor da Universidade de Deli, G N Saibaba, Vasantha Kumari, procurou quinta-feira a intervenção da Comissão Nacional de Direitos Humanos para assegurar cuidados médicos adequados para o acadêmico encarcerado. A condição de Saibaba, atualmente alojado na cela de Anda da prisão central de Nagpur, estava deteriorando dia a dia ", disse a delegação à NHRC. Ele não consegue urinar e a dor no estômago aumentou, disse Kumari em uma carta enviada à NHRC em Nova Deli.
Saibaba foi condenado a prisão perpétua junto com outros cinco devido a ligações com maoístas sob a Lei de Prevenção Ilegal de Atrocididades (UAPA) em março.
"É motivo de grande preocupação que a condição de saúde de Saibaba está se deteriorando dia a dia. Antes de sua prisão, Saibaba estava sendo submetido a um tratamento no hospital Rockland na capital nacional ", afirmou a carta.
Os médicos lá aconselharam a cirurgia para a remoção de sua vesícula biliar, disse.
"Fazem mais de 10 semanas desde a sua prisão em 7 de março e as autoridades da prisão não estão providenciando cuidados médicos", alegou Kumari.
A presidente da União dos Professores da Universidade de Delhi, Nandita Narain, a ativista Kalyani Menon Sen e a secretária da Plataforma Nacional para os Direitos dos Incapacitados, Muralidharan, fizeram parte da delegação.
A delegação também pediu uma intervenção imediata com o fundamento de que a Índia é signatária do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (ICCPR), da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (UNCRPD) e da Resolução 70/175 da ONU sobre Padrão Mínimo Regras para o tratamento dos prisioneiros.
"Saibaba é uma pessoa com deficiência. A UNCRPD, que a Índia também ratificou, bem como a Lei dos Direitos dos Pessoas com Deficiência, 2016 (Lei RPD) recentemente aprovada, que foi promulgada para cumprir as obrigações da Índia nos termos da referida convenção, são totalmente aplicáveis ao seu caso ", afirmou a carta.

LIBERDADE PARA O PROFESSRO G. N. SAIBABA
LIBERDADE INCONDICIONAL PARA OS PRESOS POLÍTICOS DEMOCRATAS E REVOLUCIONÁRIOS DA ÍNDIA

quinta-feira, 1 de junho de 2017

ABAIXO O GENOCÍDIO DOS POVOS INDÍGENAS!

Segue abaixo convocatória do  Comitê de Solidariedade aos Povos indígenas de Dourados para a realização de atos pela passagem de 1 ano do massacre de Caarapó contra o povo Guarani Kaiowa.

CLODIODI TOMBOU, MUITOS SE LEVANTARÃO!

O próximo dia 14/06 marca um ano do Massacre de Caarapó, onde fazendeiros e pistoleiros armados, em conluio com a policia, atacaram covardemente a retomada Guarani Kaiowa de Toro Paso, deixando dezenas de feridos e ceifando a vida do agente de saúde indígena Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza. Um ano de impunidade, onde executores e mandates do crime seguem livres. Porém, o ataque impulsionou um ano de lutas e resistências, onde os Guarani Kaiowa avançaram na retomada de seus territórios, de sua vida e seus costumes. O local do massacre, hoje é a retomada Kunumi Poty Verá, nome indígena de Clodiodi.

Nesta data relembremos todos os guerreiros indígenas que tombaram, desde aqueles assassinados nas mãos de grupos paramilitares, nas masmorras do velho Estado brasileiro, nos atropelamentos em estradas criminosamente construídas sob suas terras, nos hospitais vitimas do descaso generalizado, nos contínuos envenenamentos por agrotóxicos, e todas as formas perversas que a grande burguesia e o latifúndio sustentam o genocídio histórico dos povos indígenas.

Convocamos os movimentos populares, organizações políticas, entidades democráticas e todos os apoiadores da causa indígena para construir ações de solidariedade no dia 14 de junho de 2017, trazendo à memória todos os indígenas que tombaram na luta pela terra, denunciando os crimes do Estado burguês e latifundiário. A violência colonizadora deve ser enfrentada com a união dos povos da terra com os povos da cidade. Que as recentes chacinas contra camponeses e indígenas não nos amedrontem – transformaremos o sangue de nossos mortos em revolta. A esperança é nossa luta. Construa em sua cidade!

Pela punição dos assassinos de Clodiodi e de todos os mártires do povo!

Contra o genocídio, avançar as retomadas!

Clodiodi Vive, Morte ao Latifúndio!
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Saudações Revolucionárias

Comitê de Solidariedade aos Povos indígenas de Dourados

terça-feira, 30 de maio de 2017

ENTIDADES DEMOCRÁTICAS MANIFESTAM REPÚDIO A CHACINA DE CAMPONESES NO SUL DO PARÁ

REPUDIAMOS A BRUTAL CHACINA DE CAMPONESES NO SUL DO PARÁ
EXIGIMOS INVESTIGAÇÃO INTERNACIONAL INDEPENDENTE DESSE CRIME DE ESTADO
O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos - CEBRASPO repudia veementemente a ação planejada das Polícias Civil (Delegacia Especializada em Conflitos Agrários – DECA) e Militar do estado do Pará, que levou, no último dia 24/05, à morte de pelo menos 10 camponeses, ferimentos em pelo menos 14 e vários desaparecidos. Os mortos confirmados até o momento são: Weldson Pereira da Silva; Nelson Souza Milhomem; Weclebson Pereira Milhomem; Ozeir Rodrigues da Silva; Jane Julia de Oliveira; Regivaldo Pereira da Silva; Ronaldo Pereira de Souza; Bruno Henrique Pereira Gomes; Antonio Pereira Milhomem; Hércules Santos de Oliveira. Sete das vítimas pertencem a uma mesma família.
Os trabalhadores rurais estavam acampados próximos à Fazenda Santa Lúcia, município de Pau D’Arco, sudeste do estado, por eles ocupadas até recente reintegração de posse. A terra seria supostamente propriedade de uma conhecida família de grileiros, que controla irregularmente milhares de hectares na região. Na Fazenda Cipó, também ocupada recentemente pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP) do Pará e Tocantins (movimento ao qual eram ligados os assassinados em Santa Lúcia), comprovou-se, por exemplo, que de seus 800 alqueires, apenas 200 eram documentados, sendo o restante na verdade terra do Estado.
Repudiamos e denunciamos igualmente a versão apresentada pela Polícia, segundo a qual as mortes foram decorrentes de “confronto” armado. Não existe confronto possível quando NENHUM policial sofreu quaisquer danos físicos, como foi o caso. Também as “armas” apresentadas como prova pela Polícia, velhas e ineficientes, são evidentemente incapazes de serem utilizadas de forma ofensiva, ainda que estivessem de fato em posse dos sem terra. Na verdade, nessa justificativa vemos a reprodução, no contexto rural, das alegações de “autos de resistência” sistematicamente apresentadas pelas forças policiais brasileiras para as execuções sumárias e chacinas perpetradas nas favelas e periferias do país, prática já condenada inúmeras vezes pela ONU e outros organismos internacionais.
Os relatos que temos até o momento atestam atrocidades e irregularidades na atuação da polícia. Agindo sob o pretexto de um mandado de prisão, executaram inclusive a presidente da associação local de camponeses, Jane, que tentou dialogar com os agentes do Estado. A cena do crime foi desfeita e os corpos enviados para duas cidades diferentes, Marabá e Paraopebas, antes da realização da perícia local. O Ministério Público Federal e o Conselho Nacional de Direitos Humanos já se encontram no local e relataram essas e várias outras irregularidades.
A região onde aconteceu a matança tem uma longa história de conflitos agrários e violações de direitos cometidos pelo Estado brasileiro. Ainda sob o regime militar, a resistência popular organizada na chamada Guerrilha do Araguaia foi esmagada com assassinatos, torturas e desaparecimentos massivos, condenáveis pelas legislações nacional e internacionais. Em dezembro de 2010, a Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou o Brasil por não ter punido os responsáveis pelas mortes e desaparecimentos, e determinou que sejam feitos todos os esforços para localizar os corpos dos desaparecidos. O Tribunal concluiu que o Estado brasileiro é responsável pelo desaparecimento de 62 pessoas, ocorrido entre 1972 e 1974. Nessa mesma região, em abril de 1996, a PM/PA realizou o tristemente célebre Massacre de Eldorado dos Carajás, no qual 19 camponeses do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram assassinados, e dezenas feridos e mutilados. Apenas dois comandantes da PM foram condenados pelas atrocidades, em processos e julgamentos denunciados por enormes irregularidades pela Anistia Internacional, entre outros órgãos.