domingo, 21 de agosto de 2022

CEBRASPO CONVOCA: PAREM COM AS CHACINAS NAS FAVELAS DO RIO E DO BRASIL!

 



PAREM COM AS CHACINAS NAS FAVELAS DO RIO E DO BRASIL! 

No dia 21 de julho as polícias Civil e Militar de Cláudio Castro realizaram mais uma operação de  guerra no Complexo do Alemão. Contando com um efetivo de 400 policiais, desataram nova chacina assassinando ao menos 18 pessoas, espalhando terror desde antes do amanhecer e deixando rastros de  sangue pelas ruas e becos. Como se não bastasse a dura realidade a qual estamos submetidos, com mais  de 18 milhões de famílias na extrema pobreza, 33 milhões de brasileiros passando fome, sendo 2,8 milhões  do estado do Rio de Janeiro, 40 milhões trabalhando na informalidade, 10 milhões em busca de emprego  e 5 milhões de desalentados, ainda nos impõem o extermínio. 

Em menos de um ano foram dezenas de operações de alta letalidade, Jacarezinho (28 mortes) e Vila  Cruzeiro (25 mortes) são alguns exemplos da barbárie cometida pelo Estado diariamente, julgam-se no  direito de invadir casas, humilhar e matar. Essa realidade não é exclusiva do Rio de Janeiro, não são “fatos  isolados”, tampouco resultado da “falta de planejamento”, como argumentam alguns. O plano é  justamente esse: sob a falsa alegação de estar combatendo o “tráfico de drogas” perpetuar o genocídio e  encarceramento da população pobre e negra como única forma de gestão da pobreza.A

Assim como os governos anteriores, Bolsonaro e generais, os mesmos que compram 700 toneladas  de picanha, cerveja e uísque com nosso dinheiro em meio à fome, dão “carta branca” para matar, isso quando não intervém diretamente nos massacres com a Força Nacional de Segurança, Polícias Federal e  Rodoviária Federal e Forças Armadas, tudo com o aval do Supremo Tribunal Federal (STF) que, por um lado, impõe restrições às incursões policiais durante a pandemia de Covid-19 e, por outro, faz “vista grossa” para  as violações cometidas nas favelas e periferias. Por tudo isso manifestamos nosso repúdio à política de  morte, exigimos vida digna para o povo do campo e da cidade, emprego, salários, moradia, saúde,  educação e o fim imediato das chacinas no Rio de Janeiro e de todo o Brasil!  

Assinam a nota:

COMPLEXO DO ALEMÃO

Amigo do Complexo do Alemão

Centro Cultural Nilton Gomes Pereira

Coletivo Papo Reto

Comitê de Mobilização do C. E. Jornalista Tim Lopes

Mulheres em Ação no Alemão Educap

Escola Quilombista Dandara de Palmares

Instituto Raízes em Movimento

Instituto Brasileiro de Lésbicas Resgatando Inocências 

Classe-D Ateliê de Ideias

Centro Cultural Oca dos Curumins Voz das Comunidades

Centro de Integração na Serra da Misericórdia CEM

Ocupa Alemão

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Associação Brasileira de Advogados do Povo Gabriel Pimenta

Associação dos Juízes para a Democracia – AJD

ATB - Associação de Trabalhadores de Base

Ação Direta Estudantil

Blogueiras Negras

Casa Fluminense

Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebraspo)

Coletivo Fala Acari

Coletivo Terra Liberta/FOB

Conexão G – Maré

Despatronados

Educafro Regional Rio

Executiva Nacional dos Estudantes de PEdagogia – EXNEPE

Fórum de Pré-Vestibulares Populares do Rio de Janeiro

Fórum Popular de Segurança Pública do Rio de Janeiro

Fórum de Saúde do Rio de Janeiro Fórum Social de Manguinhos (RJ)

Frente Contra o Ensino Remoto/EAD na Educação Básica e Ensino Superior

Frente Estadual pelo Desencarceramento – RJ

Frente Nacional Contra a Privatização da

GENI/UFF

Grêmio Estudantil Marcos Nonato da Fonseca - Colégio Pedro II Humaitá

Grêmio Olga Presente (C. E. Olga Benário) 

Grupo de Mulheres Felipa de Sousa Grupo Tortura Nunca Mais/RJ - GTMN-RJ 

Iniciativa Direito a Memória e Justiça Racial 

Instituto Brasileiro de Criminologia Instituto Carioca de Criminologia – ICC Instituto de Defesa da População Negra Justiça Global

Liga Brasileira de Lésbicas – LBL

Laboratório de Estudos das Transformações do Direito Urbanístico Brasileiro (LEDUB / IPPUR / UFRJ)

Mães da Maré (RJ)

Mães da Periferia de Vítima Por Violência Policial do Ceará (CE)

Mães de Maio do Nordeste (BA)

Mães de Manguinhos (RJ)

Mães do Jacarezinho (RJ)

Mães em Luto da Zona Leste (SP)

Mães da Periferia de Vítima Por Violência Policial do Ceará (CE)

Movimento Independente Mães de Maio (SP)

Mães Sem Fronteiras do Complexo do Chapadão (RJ)

Movimento Mães de Maio de Minas Gerais (MG)

Movimento Moleque (RJ)

Movimento Parem de nos Matar (RJ)

MUDI (Movimento de Usuário em Defesa do Iaserj/SUS)

Najup Luiza Mahin

Observatório de Favelas

Ocupação Almirante João Cândido Ocupação Menino Benjamin Filho

ONG Centro de Recolhimento Marcele e Souza

Pré Vestibular Popular Machado de Assis QRC/RJ - Quilombo Raça e Classe/RJ

RALÉ

Rede de Advogadas Populares Feministas Coletes Rosas

Rede de Mães e Familiares da Baixada Fluminense (RJ)

Rede Emancipa de Educação Popular 

Redes Desenvolvimento da Maré

Rede de Comunidade e movimentos contra a violência

Regional 3 do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro - SEPE

Sementes de Afeto

SEPE - Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro



Compartilharmos o manifesto de organizações populares das favelas do Complexo do Alemão, no qual expressam todo o seu repúdio a política de extermínio do Estado e as recentes chacinas que ocorreram na região. Além da denúncia, o manifesto também é um convocação para uma grande campanha contra as operações policiais e as repentinas chacinas que tem vitimado, principalmente a juventude preta e pobre, das favelas e periferias no Rio de Janeiro e em todo o Brasil.

Nós do CEBRASPO apoiamos a iniciativa e nos somamos na convocação a todas as organizações e movimentos democráticos e progressistas a assinarem o manifesto e a se somarem na divulgação da campanha e na participação do ato que irá ocorrer no dia 22/08 às 17h na entrada da Grota. 

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

15/08: Enfrentando “morte iminente”, preso político palestino em greve de fome é enviado à hospital

 


Mulheres protestam contra as detenções administrativas segurando cartazes com a foto de Khalil Awadeh no dia 01 de agosto.

O preso político Khalil Awadeh, 40 anos e pai de 4 filhos, em greve de fome há 164 dias, foi no dia 15 de agosto, enviado a um hospital não especificado segundo informações de sua companheira, mãe de seus 4 filhos, e do Palestinian Prisoners Club, organização responsável pela defesa dos palestinos presos pela ocupação sionista, afirmou nesta segunda-feira o monopólio de imprensa Al Jazeera, com sede no Catar.

 Khalil Awadeh é vítima das chamadas “Detenções Administrativas”, de acordo com a organização de direitos humanos, com sede em Jerusalém, “a detenção administrativa é o encarceramento sem julgamento ou acusação formal, com base na afirmação de que o indivíduo em questão planeja cometer outro crime no futuro. Não há limite para o tempo da prisão e as provas com que esta se baseia não são apresentadas ao público” e ainda “o indivíduo é preso sem bases legais, por ordens do comandante militar local, com base em provas confidenciais que não são apresentadas à defesa. Isto deixa os detidos sem para onde ir – enfrentando acusações desconhecidas, com nenhuma forma de enfrenta-las, sem saber quando serão liberados, e sem ser formalmente acusados, julgados e condenados.”.

 Segundo Al Jazeera, Awadeh foi detido em dezembro, sob pretexto de ser parte de um grupo armado, o que Ahlam Hadad seu advogado, nega. Sua libertação foi exigida pelas organizações de resistência palestina como parte do cessar fogo do dia 7 de agosto.

 Diversas organizações de defesa de direitos, como já mencionado B’Tselem, Médicos Pelos Direitos Humanos (Israel) e a organização de juristas e advogados, Instituto Pela Defesa do Indivíduo (HaMoked), assinaram nota afirmando que a morte de Awadeh é iminente. Segundo a nota “no dia 11 de Agosto, o presidente dos Médicos Pelos Direitos Humanos (Israel), Dr. Lina Qasem-Hassan, o visitou, e relatou que ele perdeu metade de sua massa corporal. Pesando então 42 kg, apresentou sistomas de dano neurológico severo e diminuição das suas capacidades cognitivas que podem ser permanentes”. Na nota, as organizações afirmaram também a justeza das greves de fome diante das detenções administrativas e que o Comitê das Nações Unidas contra a tortura exigiu em 2017 que o governo da ocupação sionista “urgentemente tomasse medidas para o fim das detenções administrativas e que todas as pessoas atualmente sob este regime tivessem seus direitos básicos assegurados” e que a prática draconiana e arbitrária das detenções administrativas tem como objetivo “afetar famílias e comunidades e prejudicar toda a sociedade palestina enquanto coletivo político”.




DR. SERNAS: Chamamento para reforçar a campanha internacional #DrSernaspresentacionconvida 30/08

 


Reproduzimos aqui a carta de convocatória para campanha internacional por #DrSernaspresentacionconvida:

Em 10 de Maio de 2018, o Dr. Ernesto Sernas García, professor na Universidade Autónoma Benito Juárez de Oaxaca (UABJO), ensaísta, investigador, professor, ativista e defensor dos direitos do povo, desapareceu. O camarada Sernas García foi o conselheiro jurídico do Corriente del Pueblo Sol Rojo e esteve encarregado da defesa de 23 militantes presos em prisões de alta segurança acusados de terrorismo e transportando explosivos para uso reservado do exército mexicano.

A magistral defesa liderada pelo camarada Sernas García levou à libertação e subsequente absolvição dos militantes da CP-Sol Rojo, bem como de dois outros co-arguidos. Isto gerou um profundo ódio de classe entre as elites dominantes, que ordenaram este crime contra a humanidade contra um intelectual revolucionário.

Desde então, o nosso camarada desapareceu e a posição da nossa organização e da sua família é exigir que ele seja apresentado vivo.

Ao longo destes mais de quatro anos, a CP-Sol Rojo realizou inúmeras atividades de protesto, enquadradas na campanha #DrSernasPresentaciónConVida. A isto se juntaram personalidades, escolas, instituições culturais, organizações de direitos humanos, organizações democráticas-revolucionárias e partidos comunistas em todo o mundo.

Como parte destas ações no nosso país houve marchas, comícios, caravanas, desfile, graffitis, etc. Ativistas e amigos levantaram o seu nome, o seu rosto e a sua luta em estados como Oaxaca, Guerrero, Chiapas, Hidalgo, Veracruz, Estado do México e Cidade do México.

Na mesma linha e numa grande manifestação de internacionalismo proletário, ativistas revolucionários realizaram comícios, manifestações e declarações nos consulados e embaixadas mexicanas, bem como conferências e ações de divulgação em países como a Colômbia, Brasil, Equador, Chile, Estados Unidos, Canadá, Galiza, Alemanha, Áustria, Finlândia, Rojava, entre outros.

As Nações Unidas através do Comité contra os Desaparecimentos Forçados (CED) emitiram a Ação Urgente n.º 540/2018 e, posteriormente, o parecer de um grupo de peritos; a Organização Mundial contra a Tortura (OMCT), a Federação Internacional para os Direitos Humanos (FIDH) e os Defensores da Linha da Frente também se pronunciaram sobre o assunto.

No entanto, apesar de todos os recursos legais e esforços políticos empreendidos até agora, o velho estado latifundiário-burocrático, através dos governos federal e estaduais, estão realizando ações delatoras contra o Dr. Sernas e a sua família.

Neste sentido, o Ministério do Interior e a Comissão Nacional de Busca, juntamente com a Procuradoria-Geral do Estado de Oaxaca, a Comissão de Busca do Estado e o Provedor dos Direitos Humanos do Povo de Oaxaca, mantêm uma política de simulação com ficheiros em que a burocracia e a inatividade processual são o fator comum, impedindo o acesso à verdade e à justiça.

É por isso que este 30 de Agosto, no âmbito do Dia Internacional dos Detidos-Desaparecidos, a Corrente Popular do Sol Vermelho e a família do camarada Dr. Ernesto Sernas García irão de novo para as ruas, para gritar alto o seu nome, para pintar o seu rosto nas paredes e deixar claro que não perdoamos nem esquecemos este crime contra a humanidade que faz parte da guerra contra o povo que até agora deixou mais de 100.000 pessoas desaparecidas no nosso país.

Apelamos às organizações irmãs no México e noutros países para que se juntem a nós em 30 de Agosto, a partir das suas geografias, dos seus caminhos e das suas capacidades, nesta exigência de justiça contra o velho e podre Estado mexicano. A campanha internacional #DrSernasPresentaciónConVida continua.


Ernesto Sernas García... apresentação viva!


Porque o apanharam vivo, e vivo o queremos!


Nem perdoar nem esquecer!


Punição para os perpetradores e mestres!


Defendam a vida e os direitos do povo!


 Combativamente:


Família do Dr. Ernesto Sernas García


O actual Sol Vermelho do Povo


Oaxaca, México. Agosto 2022



segunda-feira, 25 de julho de 2022

25/07: Chacina no Complexo do Alemão é TERRORISMO DE ESTADO!

O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos repudia as operações criminosas comandadas pelo governador Claudio Castro. Operações estas que tem como principal alvo o povo preto e pobre, trabalhador morador das favelas. 

Tais operações, com seu caráter contra insurgente, mais uma vez espalha sangue e terror na vã tentativa de amedrontar estas massas, que por sua vez seguem resistindo bravamente, com faixas, palavras de ordem nas manifestações em rechaço à PM assassina.

Menos de dois meses após a Chacina na Vila Cruzeiro, Claudio Castro tenta naturalizar e fazer com que esta nova chacina passe apenas por mais uma "ação rotineira de guerra às drogas", e por isso cabe aos democratas, organizações progressistas e todos os verdadeiros defensores dos direitos povo repudiar de modo veemente esses massacres que se tornam uma política permanente do governo do Estado do Rio de Janeiro e que serve de laboratório para o resto do país. E mais do que nunca devemos sair em defesa do direito do povo se organizar para se defender de todos os tipos de atrocidades cometidas contra ele diuturnamente.


Leia também: https://cebraspo.blogspot.com/2022/05/fora-pm-das-favelas-chacina-na-vila.html


                                                  


Cobertura do Jornal A Nova Democracia




quinta-feira, 14 de julho de 2022

18/07 Cebraspo convida: Gabriel Pimenta: 40 anos de impunidade - Os Crimes Continuados do Estado Brasileiro Contra os Defensores do Direito do Povo!

 

A ABRAPO Associação Brasileira dos Advogados do Povo – Gabriel Pimenta, filiada a Associação Internacional dos Advogados do Povo (International Association of People’s Lawyers – IAPL), o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos - CEBRASPO, e o Centro Pela Justiça e o DIreito Internacional - CEJIL, com o apoio de diversas entidades democráticas estão promovendo um ato público em homenagem ao advogado do povo Gabriel Sales Pimenta no dia 18 de julho de 2022, na cidade do Rio de Janeiro, no auditório modesto Silveira da OAB, Avenida Marechal Câmara 150, 4º andar das 17 às 20 horas.

Este ato acontece no contexto do julgamento do caso Sales Pimenta, na Corte Interamericana de Direitos Humanos, e será um importante espaço de denúncia e apoio aos Advogados comprometidos com a luta popular, que tem sofrido com ataques e perseguições sistemáticas nos dias atuais.


Ato público: Gabriel Pimenta: 40 anos de impunidade - Os Crimes Continuados do Estado  Brasileiro Contra os Defensores do Direito do Povo!

Local: Auditório modesto Silveira da OAB, Avenida Marechal Câmara 150, 4º andar

Hora: 17 às 20 horas

sexta-feira, 24 de junho de 2022

CEBRASPO: EM DEFESA DE LENIR CORREIA E DA ADVOCACIA POPULAR!

      



    O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos/CEBRASPO vem manifestar sua extrema preocupação com a forma que está tomando o processo contra a advogada do povo Lenir Correia Coelho e 7 camponeses (Ação Penal nº 7002329-70.2021.8.22.0023). Tal processo foi ajuizado em novembro de 2021 a partir de mandato de busca e apreensão na residência da advogada. Na ocasião, seus instrumentos de trabalho, como computador e telefone, contratos com clientes, arquivos e anotações de seu trabalho de tese, bem como vários outros bens foram apreendidos, servindo de base para um inquérito policial e para a denúncia do Ministério Público. A partir de interpretações fantasiosas e ligações com inquéritos anteriores, imputou-se à advogada a liderança de uma organização criminosa armada especializada em esbulho possessório de terras para posterior venda de lotes.

Na primeira audiência de instrução e julgamento, realizada em 10 de junho passado, foram cometidas verdadeiras violações do devido processo legal, quando o Juiz aceitou prova do Ministério Público anexada 20 minutos antes da audiência.

A Lei das Organizações Criminosas (LEI Nº 12.850 DE 02 DE AGOSTO DE 2013) foi promulgada no governo da Presidente Dilma, no contexto dos protestos massivos que tomaram o país naquele ano. O uso dessa lei para criminalização do povo que luta por seus direitos, assim como de seus defensores tem sido recorrente desde então. Naquele período falamos reiteradamente que ela seria usada para cercear e criminalizar movimentos sociais, enquadrando-os como criminosos em busca de vantagens pecuniárias e outras acusações infundadas.

Assim foi feito nas declarações dos delegados da polícia civil que figuram como testemunhas de acusação no processo. A Dra. Lenir Correia trabalha em pesquisas com Direito Agrário e suas anotações de caráter eminentemente acadêmico foram tratadas como incitação à violência. Da mesma maneira, atribuiu-se a contratos de honorários advocatícios e anotações relativas aos respectivos pagamentos pelo trabalho como advogada, o caráter de provas da venda de lotes de terra. Esses, dentre tantos outros absurdos e ilações foram interpretados de forma tendenciosa pelas testemunhas de acusação durante a audiência. Tudo não passaria de uma grande incongruência sem lastro em bases materiais, não fosse a grave e crescente perseguição e criminalização aos advogados do povo.

A perseguição e criminalização dos advogados democráticos que assumem a defesa de movimentos populares, ativistas e lutadores têm acontecido, historicamente, nos momentos em que cresce a luta do povo por seus direitos. A atuação dos advogados do povo é fundamental, em particular daqueles que defendem os direitos dos camponeses na luta pela terra, fortemente invisibilizada em nosso país. Além da defesa daqueles que estão sendo perseguidos, presos e acusados de crimes por estarem lutando por direitos, os advogados e advogadas do povo também buscam garantir, no exercício da defesa dos acusados, a liberdade de expressão e manifestação. No desempenho de suas funções, os defensores têm exposto abertamente o caráter de classes do Estado brasileiro, denunciando os instrumentos usados para reprimir o povo em luta e a escalada das leis que podem ser utilizadas para perseguir e criminalizar movimentos populares. Não podemos permitir que sejam cada vez frequentes casos como o de Lenir Correa, que acabou tornando-se alvo da mesma perseguição e que já sofreu graves ameaças a sua integridade física.

Repudiamos toda essa farsa montada para tentar coibir a luta do povo por direitos e cercear o livre exercício da profissão da advogada que os defende.

Convocamos todos que se preocupam com os rumos autoritários que tomam os poderes da República a manifestarem seu repúdio a esse processo e ao cerceamento da defesa, enviando notas e participando das próximas audiências. A próxima audiência de instrução está marcada para o dia 27 de junho de 2022 às 8 horas de Rondônia.

 

 

Dados para pedido de acesso à audiência que ocorrerá online:

Juizado Criminal de São Francisco do Guaporé

Email: sfg1criminal@tjro.jus.br

 

 

EM DEFESA DOS ADVOGADOS E ADVOGADAS DO POVO!

TODO APOIO E SOLIDARIEDADE A DRA. LENIR CORREIA!

PELA IMEDIATA SUSPENSÃO DOS PROCESSOS CONTRA A DRA LENIR CORREIA E DEMAIS ACUSADOS!

CONTRA A PERSEGUIÇÃO E CRIMINALIZAÇÃO DOS ADVOGADOS E ADVOGADAS DO POVO!

quinta-feira, 9 de junho de 2022

LIBERDADE PARA GEORGES ABDALLAH: Convocatória para manifestação em defesa de Georges Abdallah 18/06

 


Tradução não-oficial do Manifesto pela liberdade de Georges Abdallah

Apelo à participação massiva na manifestação nacional para a libertação de Georges Abdallah
em Paris, sábado 18 de Junho de 2022, 15h, Place des Fêtes
O dia 19 de Junho será celebrado como o Dia Internacional dos Prisioneiros Revolucionários - homens e mulheres de todo o mundo que decidiram recusar o inadmissível e lutar por outra possibilidade.
Entre estes lutadores, um deles é, em França, emblemático deste compromisso de luta e resistência: é Georges Abdallah, um lutador vitalício por uma Palestina libertada dos ocupantes sionistas e anti-imperialistas, mas também totalmente revolucionário através do seu apoio inabalável às lutas dos povos contra o imperialismo, o capitalismo e o fascismo.
A partir desta pequena eternidade que representa a prisão perpétua, Georges Abdallah assina e persiste e dia após dia, contribui, nesta chamada cacofonia do mundo atual, para delimitar claramente os contornos dos antagonismos que se exprimem diariamente nesta guerra de classes. 
Assim, como podemos apoiar Georges Abdallah e não, com ele, denunciar "as guerras dos agressores imperialistas e dos seus afiliados regionais", "as suas guerras de pilhagem e dominação"? Como não podemos, com ele, apoiar o proletariado e as massas populares na luta "contra a regressão social, o terrorismo de gestão dos patrões e o desemprego"? Como podemos apoiar Georges Abdallah e não compreender que o que está em jogo neste aprofundamento da atual crise - econômica, social e ecológica - é, antes de mais, a crise de um sistema "moribundo na sua fase avançada de putrefacção": a do sistema capitalista. Além disso, como podemos apoiar Georges Abdallah e não, com ele, desde os seus 38 anos de detenção arbitrária, denunciar a criminalização das lutas em curso e a repressão do Estado? Como podemos apoiar Georges Abdallah e não desmascarar a hipocrisia deste chamado "capitalismo democrático com um rosto humano" que há mais de 22 anos ignora as decisões do seu próprio sistema de justiça no caso do nosso camarada?

Desde 24 de Outubro de 1984, o caminho para exigir a libertação de Georges Abdallah tem sido longo e cheio de armadilhas, mas apesar de tudo, como podemos não ver os progressos feitos no apoio cada vez mais amplo que hoje é demonstrado ao nosso camarada. A 24 de Outubro, mais de mil de nós convergiram de toda a França para Lannemezan, onde Georges Abdallah se encontra detido.

Chegou o momento de fazer ouvir de novo a nossa determinação de ver o nosso camarada libertado a uma só voz, durante a manifestação nacional que estamos a organizar novamente este ano em Paris, no sábado 18 de Junho, às 15 horas, a partir da Place des Fêtes.

Numa altura em que o Estado tenta por todos os meios - como vimos particularmente nos últimos meses - amordaçar todas as vozes dissidentes que apoiam a resistência - anti-fascista ou em apoio da luta heróica do povo palestiniano; numa altura em que conseguimos mobilizar-nos em apoio dos nossos camaradas do Comité de Acção da Palestina e do Colectivo Palestina Vaincra para denunciar a sua dissolução e depois apoiar o seu apelo à suspensão e, no final, regozijar-se com a sua vitória - prova de que a luta compensa! ; numa altura em que, neste contexto de repressão, algumas pessoas apelam a uma frente unida e todos devem compreender que esta "convergência de lutas" solicitada por Georges Abdallah para "enfrentar este sistema que não é senão destruição e pilhagem" também é naturalmente válida para a sua libertação, convidamos todos os apoiantes de Georges Abdallah - partidos, sindicatos, organizações e colectivos - a convergir para Paris em 18 de Junho de 2022, como foi possível em Lannemezan, para demonstrar maciçamente o nosso desejo de ver o nosso camarada Georges Abdallah finalmente libertado.

Georges Abdallah, os seus camaradas estão aqui! Todos nós em Paris em 18 de Junho de 2022 para exigir a libertação de Georges Abdallah!
Ele é parte das nossas lutas! Somos parte da sua luta!
A Palestina vai viver! A Palestina vai ganhar! Liberdade para Georges Abdallah!
Paris, 11 de Maio de 2022
Campanha Unitária para a Libertação de Georges Abdallah







LIBERDADE IMEDIATA PARA DR. SAIBABA: “Mãe, não chores por mim” poema (2017), de G. N. Saibaba

Reproduzimos aqui esta importante matéria do Jornal A Nova Democracia, sobre o preso político Dr. Saibaba.

Há anos o CEBRASPO vem denunciando sua prisão ilegal e as violações de direitos  dentro do cárcere, e como parte da campanha internacional por sua liberdade estamos divulgando diversos materiais e notícias.



Poema: “Mãe, não chores por mim” (2017), de G. N. Saibaba

Quando vieste me visitar,

não pude ver tua face

por através da janela de fibra de vidro.

Se olhasses meu corpo aleijado,

poderias, de fato, acreditar que eu ainda estava vivo.

 

Mãe, não chores por minha ausência em casa.

 

Quando eu estava em casa

e no mundo lá fora,

tinha muitos amigos.

Quando fui encarcerado na solitária

desta prisão,

ganhei muito mais amigos

ao redor do globo.

 

Mãe, não te desesperes por minha saúde débil.

 

Quando não tinhas como me dar um copo de leite

em minha infância,

me alimentaste com tuas palavras

de força e coragem.

Nesses tempos de dor e sofrimento,

ainda me sustento com aquilo

que me alimentaste.

 

Mãe, não percas tuas esperanças.

 

Eu percebi que a prisão não é a morte,

é o meu renascimento,

e logo retornarei à casa

para teu colo, que me nutriu

com esperança e coragem.

 

Mãe, não temas por minha liberdade.

 

Diga ao mundo,

que a liberdade que perdi

é a liberdade que as multidões ganharam

porque todo aquele que toma parte por mim

toma para si a causa dos desgraçados da terra

onde minha liberdade hoje repousa.


https://anovademocracia.com.br/noticias/17624-poema-mae-nao-chores-por-mim-2017-de-g-n-saibaba