terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

 PM mata com tiro de fuzil a queima roupa manifestante na favela da maré. 


Protestamos vigorosamente contra mais um atentado aos direitos do povo de protestar contra as  violações que diariamente a polícia comete contra moradores de favelas e periferias pobres do Rio de Janeiro. 

Os moradores da Maré justamente protestavam contra a operação policial que ocorria na comunidade  Por mais de 1 hora policiais e caveirão alvejaram  as ruas da comunidade com crianças em creches, crianças na rua, impedindo a circulação, as idas nas unidades de saúde e ao trabalho. Como de praxe, casas foram invadidas sem mandato judicial  

Os cidadãos não tem porque aceitarem de bom grado viver em baixo desse inferno. Nada justifica expor trabalhadores, crianças e idosos a esse risco de morte. Muito menos supostamente recuperar roubos, bem materiais das grandes empresas cobertas por seguros.

Não é só Cláudio Castro o culpado dessas chacinas. E também o governo federal que continua repassando recursos para o estado sem exigir contrapartidas de respeito aos direitos do povo. 

O estado pensa que aterrorizando a população, matando quem protesta vai reprimir a revolta popular. Todos os democratas desse país precisam dar um vigoroso repúdio a essa política genocida contra a população pobre,  a maioria preta e parda do nosso estado.




segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

 

LCP denuncia ataque aos Pataxó na Bahia e demarca resistência no Acampamento Mãe Bernadete.




Reproduzimos abaixo uma importante declaração enviada pela Liga dos Camponeses à Redação de AND sobre o recente ataque do grupo “Invasão Zero” ao povo Pataxó Hã Hã Hãi, na TI Caramuru-Catarina. O documento também traz atualizações sobre o Acampamento Mãe Bernadete. A nota pode ser acessada na forma de panfleto aqui.


Liderança indígena é espancada e assassinada por latifundiários no sul da Bahia 

Contra os bandos armados do latifúndio: o direito de legítima defesa armada dos Povos Indígenas, Camponeses e Quilombolas!

Bandidos armados denominados “movimento invasão zero” formado por latifundiários, pistoleiros e policiais avançam na Bahia com cobertura da PM. No dia 21 de janeiro a indígena Maria de Fátima Muniz, conhecida  como Nega Pataxó, pajé do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe foi assassinada a tiros na Terra Indígena Caramuru Catarina Paraguassu e o cacique Nailton Muniz foi gravemente ferido a tiros, como também outros indígenas  durante ataque do famigerado grupo paramilitar. 

Além disso, o bando de mais de 200 latifundiários que se organizaram e prepararam o ataque, ateou fogo em 2 carros e outros pertences dos indígenas. Um jovem pataxó que resistiu ao covarde atentado, absurdamente foi levado preso pela polícia militar, a mesma que deu cobertura à aquela ação criminosa e covarde, como comprovam os vídeos. 

Os bandos armados do latifúndio atuam por dentro do velho Estado brasileiro 

A Bahia tem a segunda maior população indígena do Brasil, mais de 90% dela vive fora dos seus territórios, sendo o estado que tem uma das maiores concentrações da propriedade de terras do Brasil. No país, praticamente não há demarcação de terras indígenas e territórios quilombolas e igualmente nenhuma política de  Reforma Agrária, e o governo alega que não tem recursos para a mesma. Enquanto isso liberou 364 bilhões em 2023 para o plano safra do agronegócio. 

A extrema-direita latifundiária que se institucionalizou neste velho Estado, organizou, armou e se  fortaleceu durante o governo Bolsonaro segue atuando livremente e encorajada pelo acovardamento do governo, particularmente na Bahia. A aprovação do marco temporal representa um golpe para os povos  originários e fomenta ainda mais estes ataques. Em dezembro de 2023 o cacique pataxó, Lucas Kariri Sapuyá de 31 anos foi assassinado a tiros numa emboscada no mesmo território indígena. Em agosto do  ano passado a liderança quilombola Mãe Bernadete Pacífico foi assassinada com 14 tiros na cabeça. 

Por todo o país, são centenas de atentados contra os povos indígenas, camponeses e quilombolas e suas lideranças e como no recente caso, muitas vezes, a polícia atua para dar cobertura aos bandos armados do latifúndio, ameaçando, intimidando e desarmando as comunidades. Além disso, há várias denúncias da atuação de policiais diretamente nestes bandos paramilitares fortemente armados, junto com pistoleiros, através de empresas de segurança privada que armam, treinam, financiam e comandam os grupos de extermínios, como o que assassinou Mariele Franco. 

O governador da Bahia Jeronimo Rodrigues anunciou agora a criação de uma companhia da PM para “mediar”  os conflitos agrários no Estado. Veja bem, a polícia que mais mata pobre favelado e preto no Brasil; a polícia  que virou as costas, fingindo não ver o bando de latifundiários armados até os dentes anunciando que iria atacar  os Pataxós; agora terá a incumbência de “mediar” os conflitos agrários! Não. Definitivamente não é isso que os  camponeses, quilombolas e indígenas na Bahia precisam para viver e trabalhar em paz nas suas terras. 

Cacique Nega Pataxó: Presente na Luta! 
Viva as retomadas e autodemarcação das terras indígenas!

Acampamento Mãe Bernadete resiste 

O Acampamento Mãe Bernadete em Carinhanha,  formado por posseiros que vivem nas terras  abandonadas pela Calsete há mais de 20 anos vem  resistindo e denunciando a atuação destes bandos  de criminosos que envolvem pistoleiros, policiais,  madeireiros, fazendeiros, empresários e até o  advogado (este teria recebido como promessa de  pagamento uma parte das terras griladas, onde  vivem as famílias) que descaradamente usa sua  influência com o judiciário na cidade e relações  familiares para intimidar e ameaçar as famílias e  faz questão de se colocar ridiculamente à frente das operações de despejo, inclusive cortando arames. 

De janeiro do ano passado até esse ano o juiz da  Vara local já emitiu 3 ordens de reintegração de  posse contra as famílias e realizaram duas  operações policiais de despejo, conjunta com  pistoleiros. As famílias voltaram e reafirmaram a  convicção de que as terras da Lagoa dos  Portácios, que estão embargadas por crimes  ambientais da Calsete, são dos camponeses, que  se mil vezes forem retiradas, mil vezes voltarão  porque ali é onde nasceram, cresceram e sempre viveram! 

A Calsete, através do seu gerente Lineu  Fernandes, comanda diretamente uma base de  operações construída naBR 030 após a tomada  das terras, gasta rios de dinheiro tentando  recrutar gente na cidade e região, falsamente 

para serem guardas patrimoniais, mas que logo descobrem que na verdade estão sendo  agenciadas para pistolagem. Muitas pessoas  pobres do povo não aceitam servirem como  bucha de canhão e dispensam logo a covarde  empreitada, outras vão arriscando seus  pescoços por gente rica que se lixa para a vida  do povo. E há aqueles que se acham com as  costas quentes, estrumes que sempre  exploraram e pisaram no pescoço do povo para acumularem bens, servindo aos velhos coronéis. 

Repudiamos mais uma campanha em curso para tentar intimidar e criminalizar as famílias de posseiros. Vários camponeses estão sendo intimados a prestarem depoimento na delegacia da cidade, sob acusação de cometerem crimes,  sendo pressionados e ameaçados na tentativa de  

criminalizar e individualizar uma causa coletiva. Quando na verdade os crimes são cometidos pela Calsete e seus agentes. 

O Risco que corre o pau, corre o machado 

O que todos os verdadeiros democratas podem compreender tomando a história de nosso país e a luta do nosso povo contra a violência secular do latifúndio é que mais do que nunca, os indígenas, quilombolas e camponeses, na luta por seus direitos, na defesa de suas lideranças, seus familiares e parentes, de suas terras e territórios sagrados, e do seu direito de viver em paz devem aplicar o seu legítimo direito à autodefesa que só pode ser garantido pelo próprio povo em luta, organizado e unido. 

Não há outro caminho para o povo enfrentar a ofensiva reacionária que promove as chacinas nas favelas das cidades e que no campo aponta para maior violência contra os indígenas, quilombolas e camponeses, maior criminalização da luta pela terra, mais despejos, nenhuma reforma agrária, zero demarcações, maior cobertura e impunidade dos crimes do latifúndio. 

A resposta deve ser tomar todas as terras do latifúndio, maior organização e preparação para responder à altura os ataques e barrar os crimes do latifúndio. Este é o caminho da Revolução Agrária, que entregará terra para todos os pobres do campo! 

Viva a Revolução Agrária! 
Viva o Acampamento Mãe Bernadete! 

Palestina Resiste! Palestina Triunfará! 

Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas e Sul da Bahia





 

Camponeses do Acampamento Élcio Machado, em Rondônia, conquistam suspensão de reintegração de posse.


Reproduzimos abaixo notícia de autoria de Enrico Di Gregorio e publicada no portal de notícias A Nova Democracia em 31 de janeiro de 2024.


Os camponeses do Acampamento Élcio Machado conquistaram a suspensão de uma reintegração de posse marcada para o dia 29/01. A LCP afirmou que a reintegração foi uma “declaração de guerra” e que a suspensão foi resultado da “repercussão da intensa mobilização das massas camponesas”.

Após uma decisiva mobilização, os camponeses do Acampamento Élcio Machado tiveram uma importante conquista em Rondônia: a suspensão da decisão de reintegração de posse emitida contra as famílias. Antes da decisão judicial, os camponeses moveram um acampamento em frente à Comarca de Ariquemes, responsável pela expedição da ordem de despejo. A Comissão Nacional da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) afirmou que a suspensão foi uma vitória fruto da “repercussão da intensa mobilização das massas camponesas”, que estão produzindo há mais de 14 anos após fazer o Corte Popular. A LCP ainda denuncia que a reintegração de posse foi uma “declaração de guerra aos camponeses”.

A suspensão da reintegração foi anunciada por meio de um recurso contra a decisão proferida pelo juiz do caso distribuído no dia 25/01 pela 1° Câmara Cível do Ministério Público Federal em Rondônia. O documento, acessado por AND, determina que “seja imediatamente suspensa a reintegração de posse determinada pelo Juízo e agendada para ser cumprida na data de 29/01/2024″. A decisão também “pede o sobrestamento [suspensão] de qualquer medida efetiva para reintegração de posse na área enquanto não ouvidos formalmente INCRA e UNIÃO”.

A reportagem de AND também entrou em contato com a 4° Vara Cível da Comarca de Ariquemes. Questionada sobre a decisão, o órgão afirmou que “na verdade, uma decisão do TJ suspendeu a reintegração de posse e todo o andamento do processo”.

Vitória dos posseiros

Trata-se de uma vitória clara dos posseiros do Acampamento Élcio Machado fruto de sua mobilização combativa. Desde o início do processo de reintegração de posse, os camponeses acampados há mais de 14 anos nas terras e responsáveis por uma produção extraordinária de lavoura e leite já haviam deixado claro que não iriam abandonar o chão duramente conquistado com a luta dura e prolongada.

Um dia antes da distribuição do Agravo de Instrumento, os camponeses realizaram um protesto em frente à Comarca de Ariquemes e ergueram um acampamento em frente ao mesmo prédio para exigir o fim do pedido de reintegração de posse. Com centenas de famílias presentes, a mobilização estendeu faixas estampadas com consignas contrárias à reintegração e expuseram para todos a denúncia sobre o despejo covarde de pelo menos 70 das mais de 300 famílias que vivem no acampamento.

Contatada por AND, a Liga dos Camponeses Pobres afirmou que “nós não temos nenhuma dúvida: esta suspensão temporária foi lograda pela repercussão da intensa mobilização das massas camponesas que acamparam em frente ao fórum local, realizaram passeatas, distribuíram os panfletos da LCP de Rondônia e Amazônia Ocidental”.

Camponeses se levantaram contra reintegração de posse de suas terras. Foto: Banco de Dados/AND

Os camponeses também conseguiram elevar a um novo patamar a denúncia sobre a omissão do Incra no processo de reintegração de posse, bem como as exigências de que o órgão tome papel mais ativo na entrega da terra aos posseiros. Nos últimos acontecimentos, o Incra evitou se posicionar ao lado dos camponeses. Em uma audiência no dia 09/01, decisiva para a reintegração, o órgão eximiu-se de determinar se as terras ocupadas eram públicas ou não, apesar de ter acesso a documentos que comprovam que as terras são públicas e de já tê-las classificado dessa forma em 2017.

‘Declaração de guerra’

Mas é evidente que a luta dos posseiros seguirá. Independente de suspensa, a reintegração de posse, baseada em um processo notadamente fraudulento e sem base jurídica, imposta contra mais de 300 famílias posseiras de um acampamento de longa data é um caso grave de violação de direitos do povo. Para a LCP, o caso configura uma “declaração de guerra aos camponeses”.

“Nós afirmamos: ainda que não tenha se cumprido, a possibilidade de uma reintegração de posse contra camponeses que moram e produzem em uma área conquistada com luta há pelo menos 14 anos (a luta já acontecia antes de os camponeses da área se juntarem à LCP, entrarem nas terras e realizarem o “Corte Popular”), é uma DECLARAÇÃO DE GUERRA CONTRA OS CAMPONESES. As terras do Assentamento Élcio Machado SÃO PÚBLICAS. O próprio Incra assim o declarou anteriormente”, declarou a organização.

Além disso, apesar de suspenso, o caso não foi encerrado, mas transferido à Justiça Federal, e há outros processos na esfera estadual movidos pelos latifundiários ladrões de terra contra o acampamento Élcio Machado. Não que isso intimide a luta camponesa. Enquanto os grandes fazendeiros não possuem um documento sequer para comprovar sua posse sobre as terras, os camponeses acumulam vitórias em todos os campos e, sobretudo, contam com uma disposição de lutar para defender suas terras.

O governo federal, agora diretamente relacionado ao caso, já atacou em outras oportunidades os camponeses. Há um acúmulo de denúncias neste sentido. A Comissão Nacional da LCP afirma que a guerra contra os camponeses é mantida no atual governo, porém de forma “disfarçada, em silêncio, se escondendo em decisões da insuspeita ‘justiça’ de Rondônia”, e o presidente Luiz Inácio, “que anda de mãos dadas com o STF, “sabe muito bem o que se passa em Rondônia para se fazer de morto, enquanto indígenas, quilombolas e camponeses são assassinados em todo o Brasil”.

Ao que tudo indica, a tendência é que a luta prossiga.


Leia na íntegra a Declaração da LCP enviada ao jornal A Nova Democracia:

Comunicado ao jornal A Nova Democracia, 30 de janeiro de 2024

Reintegração de posse contra Assentamento Élcio Machado é declaração de guerra contra os camponeses

Marcada para a segunda-feira dia 29 de janeiro, a reintegração de posse contra os camponeses de Rondônia do Assentamento Élcio Machado foi suspensa no apagar das luzes do dia 26 de janeiro, sexta-feira passada, após o Tribunal de Justiça de Rondônia acatar um Agravo de Instrumento interposto pelo Ministério Público Federal (25 de janeiro).

Nós não temos nenhuma dúvida: esta suspensão temporária foi lograda pela repercussão da intensa mobilização das massas camponesas que acamparam em frente ao fórum local, realizaram passeatas, distribuíram os panfletos da LCP de Rondônia e Amazônia Ocidental.

Neste sentido não há como não destacar a ÚNICA cobertura nacional dos graves acontecimentos, dando voz aos camponeses, realizada por A Nova Democracia, tanto em seu portal como no programa “A Propósito”. Nós agradecemos.

Enquanto a imprensa lixo de Rondônia, seus informativos bancados pelo latifúndio, atacavam os camponeses, a imprensa do oportunismo uma vez mais praticava o silêncio criminoso com que trata as lutas do povo que escancaram o caráter serviçal de “seu” governo (aos generais, ao latifúndio, à grande burguesia, às mineradoras e ao imperialismo).

Nós afirmamos: ainda que não tenha se cumprido, a possibilidade de uma reintegração de posse contra camponeses que moram e produzem em uma área conquistada com luta há pelo menos 14 anos (a luta já acontecia antes de os camponeses da área se juntarem à LCP, entrarem nas terras e realizarem o “Corte Popular”), é uma DECLARAÇÃO DE GUERRA CONTRA OS CAMPONESES. As terras do Assentamento Élcio Machado SÃO PÚBLICAS. O próprio Incra assim o declarou anteriormente.

Se o genocida, boquirroto e fraco Bolsonaro, para declarar guerra aos camponeses, o fez em alto e bom som, esta gerência oportunista o faz de forma disfarçada, em silêncio, se escondendo em decisões da insuspeita “justiça” de Rondônia (como se no resto do Brasil fosse melhor). O oportunismo que anda de braços dados com o STF, o oportunismo, que em seu governo anterior SUSPENDEU A RETOMADA DE TERRAS PÚBLICAS GRILADAS na Amazônia Legal, e pelo contrário legalizou o roubo dos latifundiários realizados durante a ditadura militar através dos famigerados CATP´s (Contrato de Alienação de Terras Públicas), sabe muito bem o que se passa em Rondônia para se fazer de morto, enquanto indígenas, quilombolas e camponeses são assassinados em todo o Brasil.

Que depois não reclamem e venham com a velha cantilena com que a extrema direita e a reação nos atacam.

Obrigado pelo espaço, e fica o nosso compromisso de fundamentar estas afirmações. SAUDAÇÕES

Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres




terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

 

Organizações denunciam prisão de jovens em SP sob ‘Lei dos Crimes contra o Estado Democrático de Direito’




Fonte: Jornal a Nova Democracia. 


Cebraspo, Abrapo, Tortura Nunca Mais RJ, Justiça Global e Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde lançaram nota contra o governo de SP e suas "forças de segurança" e de apoio aos manifestantes presos.





Organizações como o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebraspo), a Associação Brasileira de Advogados do Povo Gabriel Pimenta (Abrapo), o grupo Tortura Nunca Mais RJ, a Justiça Global e a Frente Nacional contra a Privatização da Saúde emitiram uma nota em repúdio ao governo de São Paulo e a repressão contra manifestantes nos protestos contra o aumento da tarifa nos dias 10 e 18 de janeiro de 2024. A nota condena ainda o uso da “Lei dos Crimes contra o Estado Democrático de Direito” contra os manifestantes.

Reproduzimos o documento abaixo:

NOTA DE REPÚDIO

AO GOVERNO DO ESTADO DE SP E SUAS FORÇAS DE SEGURANÇA

E DE APOIO

AOS PRESOS E PROCESSADOS DAS MANIFESTAÇÕES DE PROTESTO CONTRA O AUMENTO DA PASSAGEM, NOS DIAS 10 E 18 DE JANEIRO DE 2024.


Nos dias 10 e 18 de janeiro, a repressão aos movimentos populares deu um novo e perigoso salto. O processo de criminalização das manifestações por direitos teve como nova ferramenta a utilização da Lei dos Crimes contra o Estado Democrático de Direito, além da Lei de Organizações Criminosas, esta última já desvirtuada para esse fim desde o início de sua vigência.

A PM de São Paulo, em 10/01, investigando, julgando e condenando, por antecipação, o que não é sua prerrogativa, deteve 25 jovens, nos arredores de uma manifestação contra o absurdo aumento das passagens do transporte coletivo de São Paulo. Os jovens não estavam cometendo nenhum crime, não estavam associados, foram presos separadamente. Investigaram aleatoriamente as mochilas dos jovens e os detiveram na justificativa de que era ilícito portar: tesouras, canivetes, gazes, vinagre, rojões e, também, outros materiais, que, mesmo pertencendo ou não, de fato, aos jovens, coisa que ninguém pode garantir, dado o histórico dessas Forças Militares, não é ilícito transportar, principalmente, no fundo de uma mochila, carregada às costas. Os jovens não estavam ameaçando nem os transeuntes, nem a polícia, de modo algum. No entanto, foram enquadrados pela Polícia Civil em flagrante crime de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, associação criminosa e corrupção de menores. Treze (13) deles, que estariam, por hipótese, portando os tais objetos, foram processados e, somente foram liberados, com o uso de tornozeleira. Na audiência de custódia, a promotora do MPE pediu sua prisão preventiva, não deferida, como de direito.

No dia 18/01, atuando da mesma forma, com revistas e prisões aleatórias nas imediações da passeata, sete (07) jovens foram detidos e incriminados, com critérios arbitrários, acusados de portarem mochilas de “black blocs” (??????) e, atribuindo a pilhas do tipo D a qualidade de munição, de armas perigosas, capazes de matar, e designando um rojão de festa, que se compra em qualquer loja credenciada, de perigoso artefato explosivo.

Tudo isso é uma perigosa agressão às liberdades democráticas no País, de manifestação, de reunião, de organização, de expressão e de opinião; uma violação aos direitos do povo lutar por seus direitos. Devemos nos posicionar sobre essas violações, sob pena de, amanhã, qualquer reivindicação que não agrade aos governos já terá precedentes para sua criminalização dessa forma. Lembrar que essa Lei foi iniciativa de Bolsonaro para readequar a Lei de Segurança Nacional ao momento político e sempre teve o propósito de ser usada contra o povo que luta. Portar na rua uma arma branca em punho com um determinado tamanho é uma contravenção penal, o que significa no máximo seis (06) meses de pena em liberdade e multa. O mesmo fato, se considerado com o fim de tentativa de abolição do estado democrático de direito, terá uma pena de 04 a 08 anos, em regime fechado, pena que, associada ao crime de associação criminosa, se eleva para dezesseis (16) anos.

A extrema direita que governa o Estado de SP se aproveita do clima criado pelo golpismo do 8 de janeiro de 2023, para aprofundar o que sempre foi seu objetivo: criar um estado policial que impeça o povo de lutar por direitos, que são cada dia mais restritos, para que seus projetos de agravamento da exploração sigam seu curso. Essa, sim, é a verdadeira ameaça ao chamado estado democrático de direito, pois, representa uma completa distorção na aplicação de leis, de acordo com os interesses das classes dominantes, o que, por si só, já representa uma violação dos direitos fundamentais e constitucionais do povo.

LUTAR NÃO É CRIME!

ABAIXO O ESTADO POLICIAL! PELA EXTINÇÃO DOS PROCESSOS POLÍTICOS!

PELOS DIREITOS DE MANIFESTAÇÃO, DE REUNIÃO, DE ORGANIZAÇÃO, DE OPINIÃO E DE EXPRESSÃO!






segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Alemanha: Ativistas protestam em solidariedade aos presos políticos da manifestação LLL.




Reproduzimos a seguir a matéria pública no Jornal a Nova Democracia.


    No dia 24 de janeiro ocorreu em Berlim uma manifestação em solidariedade aos presos políticos e vítimas de violência policial da manifestação ‘ LLL’ (Lênin, Liebknecht, Luxemburgo).



    No dia 24 de janeiro ocorreu em Berlim uma manifestação em solidariedade aos presos políticos e vítimas de violência policial da manifestação ‘ LLL’ (Lênin, Liebknecht, Luxemburgo), protesto tradicional do movimento revolucionário alemão ocorrido no último dia 14 de janeiro, que homenageia os revolucionários do Partido Comunista da Alemanha e o grande Lênin. A manifestação em solidariedade ocorreu em frente a prisão de Moabit onde estão detidos os presos políticos.

Na manifestação do ‘LLL’ no dia 14 de janeiro, centenas de manifestantes foram brutalmente reprimidos por erguerem bandeiras da Palestina em solidariedade ao povo de Gaza, no contexto em que o Estado alemão proibiu qualquer manifestação pública de apoio à Palestina no País. A brutal repressão feriu dezenas de pessoas, dentre eles um veterano militante comunista de 65 anos que chegou a ficar hospitalizado, e também levou a prisão de outros 16 ativistas, destes, 2 seguem encarcerados.

O ato de solidariedade ocorrido no dia 24 foi organizado pelo movimento “Iniciativa pela Liberdade dos Presos da Manifestação LLL”, que iniciou a manifestação com um comício que contou com a participação de diversas outras organizações democráticas e revolucionárias. Em suas falas, os ativistas presentes realizaram contundentes denúncias sobre as violações às liberdades democráticas e a violência imposta pelo Estado alemão contra a solidariedade ao povo palestino contra o sionismo em Gaza.

A manifestação foi marcada por ter reunido um amplo apoio aos presos políticos. Jornalistas de diversos veículos de imprensa como o jornal Junge Welt e Diário Taz não apenas participaram do evento como também divulgaram em suas páginas previamente o local e horário do ato. Os jornalistas democráticos relataram as violações que documentaram na cobertura que realizaram da manifestação LLL.

Em uma de suas falas, a organização Iniciativa pela Liberdade dos Presos da Manifestação LLL denunciou, além das agressões policiais, a negligência médica em meio à repressão. Médicos relataram que foram impedidos de prestar socorros aos ativistas feridos, inclusive ao veterano de 65 anos que esteve sob estado de grave risco de vida.

Durante todo o ato, foram entoadas palavras de ordem e erguidas faixas com os dizeres Liberdade para os presos!, Onde está a justiça? e Abaixo a violência policial!. Na faixa principal do protesto, lia-se: Liberdade para os manifestantes da LLL que estão presos!





sexta-feira, 1 de dezembro de 2023



Pelo fim do processo contra Caio e Fábio.

Plenária pelo fim do processo dia 01/12/23 - 18h30


    A justiça do estado do Rio de Janeiro irá realizar no próximo dia 12 de dezembro o júri popular dos ativistas Fábio Raposo Barbosa e Caio Silva de Souza, acusados de homicídio doloso qualificado e explosão, após a morte do cinegrafista Santiago Andrade em fevereiro de 2014. A sessão plenária do 3º Tribunal do Júri está prevista para ocorrer a partir das 12h. Fábio e Caio respondem por homicídio doloso qualificado e explosão. Há quase dez anos, Santiago Andrade foi acidentalmente atingido por um rojão na cabeça enquanto registrava a agressão da polícia militar contra manifestantes sem qualquer tipo de equipamento de proteção. 

    A criminalização de Caio e Fábio se confunde com a própria criminalização do protesto popular, e foi a maneira que o Estado encontrou para desmobilizar e desestimular a participação em manifestações públicas. Lembrando que até aquele momento na cidade do Rio de Janeiro as manifestações atraíam grandes massas e contavam com grande apoio popular. E soma-se a isso a campanha que se iniciava contra a realização da Copa do Mundo com a palavra de ordem "Não Vai ter copa" repercutindo por todo o país. 

    Ainda na tentativa de criminalizar as manifestações populares que eclodiram por todo o Brasil em junho de 2013, a campanha sustentada através do monopólio de imprensa, para tentar condenar antecipadamente os dois jovens, tinha o claro objetivo de criminalizar e de intimidar todos os ativistas que participassem de protestos e mobilizações em defesa dos direitos do povo pelo país. Somente através da fabricação de uma acusação inadequada de assassinato, diante de um terrível e evitável acidente sofrido pelo jornalista Santiago foi possível emplacar um discurso para fazer as pessoas temerem sua própria capacidade de mobilização e organização. 

    O julgamento segue confirmado sem que a Rede Bandeirantes tenha liberado as imagens completas que estavam na câmera do jornalista quando foi atingido. A emissora foi intimada a entregar essas imagens, mas entregou apenas uma parte comprovadamente editada. Não podemos então deixar de perguntar: o que há para se esconder nesses arquivos? Por que querem que os manifestantes sejam julgados sem que essas imagens apareçam?

    A única coisa que sabemos é que ele não filmava a "violência dos manifestantes", mas sim a tropa de choque da PM que agredia com bombas e balas de borracha os manifestantes e toda a população ao redor. Nesse mesmo dia a ação policial na manifestação, ocasionou outra morte: o vendedor ambulante Tasnan Accioly de 65 anos foi atropelado por carro da polícia, enquanto corria das inúmeras bombas de gás e de efeito moral lançadas pela PM para dispersar manifestantes. Registra-se que a morte de Santiago não foi a única no contexto de manifestações: tivemos manifestantes jogados de uma ponte pela polícia; tivemos professoras asfixiadas com gás. Foram mais de 30 mortos registrados em função da violência policial contra as mobilizações em todo o Brasil. Sem contar os que ficaram cegos, com fraturas e demais sequelas físicas. Além disso, a repressão se estendeu às prisões arbitrárias e a aberturas de inquéritos contra outros milhares. 

    E salientamos não é como se não morressem tantas pessoas diariamente pela violência policial; pela precarização da vida; pelos motivos que justamente levaram a população às ruas para protestar. Mas as mortes invisíveis, de tantas pessoas "matáveis" foram invibilizadas. O acidente conveniente foi então usado como instrumento e moeda de troca para que a revolta se tornasse condenável. Mas quem usa pessoas como moeda, que nos usa como um meio para aumentar suas riquezas e poderes, não se importa de fato com a vida.  Por isso defender Caio e Fábio é defender a possibilidade da revolta, é defender o direito a uma outra forma de vida diante do capitalismo que cada vez mais nos tira as mínimas condições de sobrevivência. São todos que não se conformam com essa vida sem o mínimo, que não se calam diante das opressões, e que lutam das mais variadas formas por uma outra sociedade, livre e igualitária, que também estamos indo a júri popular, sem direito de defesa.

    Mais que uma simples defesa de Caio e Fábio, o que está em jogo atualmente é o direito do povo lutar pelos seus direitos, e que este processo injusto não é apenas uma forma de criminalizar estes dois manifestantes, mas o próprio direito de lutar e resistir à violência cometida pelo Velho Estado. 


Pelo Fim do Processo Contra Caio e Fabio!

Lutar não é Crime! Viva as jornadas de luta popular 2013/2014!








sexta-feira, 24 de novembro de 2023

 

Ghassan Kanafani e a literatura da resistência palestina* 



Reproduzimos a seguir artigo publicado no Jornal A Nova Democracia



autor: 

Nota da Redação: Reproduzimos abaixo um artigo publicado pelo escritor Igor Mendes no blog de literatura Homo Literatus, sobre o literato e jornalista palestino Ghassan Kanafani.

    Ali onde há muita luta costuma haver também muita criatividade. Não só artística: em situações de grandes privações, ou desafios, que costumam acompanhar dramáticas viragens históricas, a própria sobrevivência (seja natural, seja política) implica a necessidade de encontrar soluções inéditas para os excepcionais problemas colocados na ordem do dia. Daí, que as revoluções sejam marcadas pela criação de novas instituições jamais vistas; pela circulação de ideias até então restritas a círculos diminutos; pela invenção de novas técnicas; por uma efervescência estética —que costuma aparecer primeiro na poesia, já que aos combatentes de todas as épocas ocorre a tendência ao testemunho na forma de versos — em larga escala. Nem tudo o que surge nesses instantes sobrevive às fases vindouras, cheias de reveses e vicissitudes, nas quais costumam-se depurar das obras que são meros panfletos (que mantêm, todavia, valor como documento histórico) as que atingiram um alcance digno de ser considerado universal. Mas as fontes persistem as mesmas, apenas interpostas por novas camadas de mediação: elas são o pulsar incessante da história, o “espírito do tempo”, para usar a velha (e profunda) expressão hegeliana.

Como o tempo é feito por pessoas de carne e osso, e, afinal, não há pensamento cuja sede não esteja em um corpo, aquele espírito costuma se identificar com autores e obras singulares, que ao mesmo tempo refletem o que há de espontâneo nos acontecimentos e lhes dão um sentido coeso. O que Tchernichevski representou para a jovem geração de intelectuais que revolucionariam a Rússia até os seus alicerces, ou, antes, Diderot para as revoluções francesa, americana e haitiana, ou, depois, Fanon para a luta anticolonial argelina (poder-se-ia dizer: para a luta anticolonial em geral), Ghassan Kanafani representou —e representa — para o drama palestino. Este teve, no último dia 7 de outubro, um novo capítulo, que não será de maneira alguma o derradeiro, apesar de todo o genocídio que busca infligir a esse povo desterrado (mas de modo algum desenraizado) um castigo coletivo pela ousadia de levantar-se e, mais que isso, uma reedição da solução final nazista, perante os olhos estarrecidos, quando não cúmplices, do “civilizado” mundo ocidental. Muito civilizado, claro…

Kanafani foi ao mesmo tempo autor e personagem da Nakba (termo árabe que significa “catástrofe”, como os palestinos costumam designar a expropriação brutal das suas terras, para a criação do atual Estado de Israel, a partir de 1948) que descreveu. Nascido em Acre, norte da Palestina, em 1936, ele cresceu em meio à luta contra a ocupação britânica e a Segunda Guerra Mundial. Em 1948, foi expulso de suas terras e se exilou com a família no Líbano e, depois, na Síria. O tema do exílio, crucial na vida de todos os palestinos, encontra em sua obra vívidas e pungentes reflexões, como no conto “O gato”, em que narra um animal ferido que se arrasta por um longo caminho só para morrer à beira do chafariz que lhe é familiar. Noutro conto, “A proteção”, em que relata a relação de uma mãe com o seu filho à caminho da guerrilha, narra: “Percebi que ela havia dito ‘ele vai voltar’ e não ‘ele vai partir’. Mas ela não havia aprendido que o exílio criava seu próprio vocabulário e acabava por enfiar-se na vida cotidiana como o arado entra na terra”. De fato, neste contexto, “partir” para atrás das perigosas linhas inimigas, isto é, o território ocupado, é ao mesmo tempo “voltar” para o próprio lar. A sina dos desterrados é mesmo esta: o caminhar contínuo, como vemos neste trecho de “Homens ao sol”, seu romance mais aclamado, em que três palestinos buscam atravessar o deserto iraquiano, escaldante, inóspito, potencialmente mortal, para chegar ao Kuwait, onde pretendem juntar dinheiro para ter com que alimentar suas famílias:

“Quer saber? Eu comparo estes cento e cinquenta quilômetros à senda prometida por Deus às criaturas, que a percorreriam antes de serem direcionadas ao paraíso ou ao inferno. Se alguém cair, vai para o inferno, e, se atravessar com segurança, chega ao paraíso. Quanto aos anjos… aqui seriam os guardas da fronteira”11. 

Paraíso e inferno não são distantes, mas uma fina linha tênue, traçada ao longo de uma estrada. Mas, no caso dos exilados, não importa o quanto andem: a terra natal sempre estará dentro deles. De algum modo, eles são a própria terra, que preserva neles a consciência de si mesma. É o que se lê logo no primeiro parágrafo, notável, do mesmo romance: 

“Abu Qais repousou o peito no solo orvalhado e a terra começou a pulsar debaixo dele, com batimentos de um coração cansado que faziam tremer cada grão de areia e penetravam as células de seu corpo. Desde a primeira vez, sempre que ele se atirava de peito na terra sentia aquela pulsação, como se o coração da terra forçasse sua difícil passagem até a luz desde as profundezas do inferno. Certa ocasião, ele disse isso ao vizinho com quem compartilhava a colheita na terra que deixara havia dez anos, e o homem respondeu zombando: ‘É o som do seu coração. Você o escuta quando encosta o peito no chão’. Que tolice perversa! E o cheiro? Aquele que, toda vez que ele sente, ondula na fronte antes de jorrar delirante nas suas veias. Sempre que ele inalava o cheiro da terra, deitado no chão, imaginava o cheiro do cabelo de sua mulher ao sair do banho, depois de lavar a cabeça com água fria. O mesmo cheiro… uma mulher que acabou de se banhar com água fria e lhe cobre o rosto com o cabelo ainda molhado. A mesma palpitação… como se carregasse ternamente um pequeno pássaro entre as mãos.”2

Kanafani dizia que política e literatura são coisas inseparáveis. E vemos pela sua pena a confirmação disso: se uma obra assumidamente engajada é débil, não é por excesso de posicionamento, mas por carência de cultivo estético. Pode-se ser mais político e mais artístico, afinal, o que não é político neste mundo em que até as plantas e os bichos se humanizam? No fim das contas, falar em uma categoria separada intitulada “Literatura Política” é um pleonasmo ou uma mistificação: basta falar, e fazer, “Literatura”.

De toda sorte, Ghassan Kanafani não se contentou em narrar a história que transcorria diante dos seus olhos. Após lecionar como professor num campo de refugiados palestinos no Kuwait, aderiu ao marxismo-leninismo e tomou parte na fundação da Frente Popular pela Libertação da Palestina. Tornou-se editor de sua revista semanal, al-Hadaf ( “O alvo”), e também porta-voz da organização. Foi, portanto, um militante revolucionário, secular, da causa palestina, que não é nem principal e nem inerentemente religiosa, como querem os imperialistas e sua doutrina de “choque de civilizações”. Em 8 de julho 1972, ao girar a chave no carro em que estava com sua sobrinha, em Beirute, capital do Líbano, foi assassinado aos trinta e seis anos por uma explosão: o Mossad, serviço secreto israelense, reivindicou o atentado. Com razão, disse-se de Kanafani que escreveu a história palestina, depois foi escrito por ela. Desaparecido o autor, persiste todavia a sua obra, bem como as suas legítimas, prementes, genuínas motivações, infensas a infames algozes.


*Este texto é dedicado à memória da jovem e talentosa escritora palestina Heba Abu Nada, morta aos 32 anos, no último dia 20 de outubro, durante os criminosos bombardeios das Forças de Defesa de Israel, com apoio dos Estados Unidos, à Faixa de Gaza. Na sua última publicação, escreveu, sobre os acontecimentos que a vitimariam: “A noite na cidade é sombria, exceto pelo brilho dos mísseis; silenciosa, exceto pelo som do bombardeio; aterrorizante, exceto pela promessa tranquilizadora da oração; escura, exceto pela luz dos mártires. Boa noite”. 

Notas:

  1. Ghassan Kanafani, “Homens ao sol”, editora Tabla, p.63. A editora Tabla tem feito um belo trabalho de tradução e publicação de literatura árabe em geral e palestina em particular.  ↩︎
  2. Idem, p. 9 ↩︎

 

segunda-feira, 13 de novembro de 2023


Movimento Feminino Popular exorta apoio à causa Palestina; leia nota


Fonte: Jornal A Nova Democracia.

Em seu blog, o Movimento Feminino Popular (MFP), organização de mulheres revolucionária do País, fez um pronunciamento em nota no qual tomou posição em solidariedade e apoio irrestrito à causa do povo palestino.


A nação e povo palestinos demonstram ao mundo o verdadeiro significado da palavra heroísmo!





O Movimento Feminino Popular saúda efusivamente a Resistência Nacional Palestina, o povo palestino, pelo exemplo de resistência, luta e heroísmo contra os covardes ataques, bombardeios e holocausto promovidos pelo Estado Fascista Sionista de Israel por décadas e intensificados como nunca nas últimas semanas. O exército invasor sionista, com seus bombardeios em toda a faixa de Gaza desde 7 de outubro de 2023, já matou mais de dez mil palestinos, dentre esses 65% mulheres e mais de 3500 crianças. Os números crescem a cada dia. São mais de 20 mil feridos, 34% dos hospitais e 65% dos centros de cuidados primários de saúde sem funcionamento, 4600 mulheres grávidas precisando de atendimento urgente. Falta energia, sinais de comunicação, combustível para funcionamento de hospitais. Caminhões de abastecimento são impedidos de entrar com alimentação, água, insumos hospitalares, medicamentos, etc. O cerco é total a uma população de mais de dois milhões de pessoas num território de 360 quilômetros quadrados, crimes de guerra cometidos com o objetivo de exterminar o povo palestino. A maioria dos mortos e feridos são de mulheres, mulheres grávidas e crianças, além de idosos, o que prova que o objetivo do invasor é realizar uma verdadeira carnificina como limpeza étnica e tomar para sempre o território e nação Palestina.
A destruição promovida por Israel na Faixa de Gaza já é equivalente à destruição da bomba nuclear de Hiroshima no final da segunda Guerra Mundial, no entanto, a campanha midiática do imperialismo martela a repulsiva máxima de que os palestinos são “terroristas”. Grande maioria dos povos já perceberam que os planos do nazista e cão pestilento Netanyahu não é eliminar o Hamas como estão alegando e sim varrer com os palestinos de seu território e concluir a ocupação de todas as suas terras. Tanto que não demonstram interesse algum em negociar e trocar os reféns e soldados prisioneiros, muitos são mortos pelos próprios bombardeios sionistas. Israel não engana mais ninguém com suas mentiras que o povo palestino é terrorista. Quanto mais ele ataca Gaza em massa, mais ele desmascara suas verdadeiras intenções e quem é o verdadeiro terrorista.

O odioso ataque diuturno dos monopólios de imprensa ao povo palestino e às organizações e vanguarda de sua Resistência Nacional, caracterizando-os como “terroristas” e “sanguinários”, repetindo o cacarejo do Estado fascista, colonialista e racista de Israel e do imperialismo norte-americano, não pode impedir aos povos do mundo de enxergar a verdade crua da monstruosidade inerente ao sistema imperialista e seu colonialismo. Deliram ao acreditar que debilitarão a resistência nacional palestina e o apoio crescente e massivo à sua causa por todo o mundo ao aplicarem o mesmo princípio da propaganda nazista de Goebbels “uma mentira dita mil vezes se torna verdade”. Rompendo com toda a contrapropaganda reacionária e enfrentando a reação de todas as formas, milhões de massas tem se levantado em defesa da Palestina, atacam as representações do genocida Estado de Israel e do imperialismo ianque. A bandeira palestina, marca de heroísmo inesgotável, tremula nos quatro cantos do planeta nas mãos de milhões de massas que reconhecem cada vez mais a verdade dita pelo grande presidente Mao Tsetung e provada tantas vezes pela história de que “A rebelião se justifica!” pois “Onde há opressão, há resistência”!



A ofensiva tática empreendida pelo Hamas no último dia 7 de outubro e a resistência que persiste e persistirá é resposta contundente a décadas de invasão, massacres e opressão. Esse fato militar revela para o mundo inteiro as entranhas genocidas do Estado colonizador, fascista, sionista de Israel, escancara o holocausto contra o povo palestino, é um grito de resistência que ecoa em todo o mundo. Também demonstra de forma inapelável o heroísmo da Resistência Nacional Palestina, homens, mulheres, crianças, jovens e anciãos, combatentes, que não se rendem. Fortalece profundamente a luta de libertação nacional contra o imperialismo, une mais forças democráticas em torno da causa da Nação Palestina internamente e internacionalmente. Demonstra a superioridade moral da resistência palestina e a justeza de sua luta. Basem Naim, chefe do departamento político e de relações internacionais do Hamas, afirmou em entrevista recente ao monopólio Aljazeera: “Temos duas opções: derrotar esta ocupação ou morrer nas nossas casas … Estávamos morrendo em silêncio. Tentamos sair desta prisão ao ar livre, tentávamos levantar a nossa voz ao nível da comunidade internacional… o que estamos fazendo é um ato de defesa. Estamos defendendo a nossa existência.”

Repudiamos todas as falácias da imprensa corporativa dominada pelos monopólios de comunicação ianques que tentam separar o povo palestino de suas forças patrióticas que tem encabeçado a resistência nacional como o Hamas, que tem demonstrado sustentar de forma contundente a causa da libertação da Palestina. Caso assim fosse, porque na Cisjordânia ocupada, o povo tem sido atacado sistematicamente pelo exército de Israel, restringido em seu direito de ir e vir, pogroms o são realizados por colonos sionistas ladrões de terra contra aldeias palestinas. Recentemente centenas de palestinos foram presos e mortos na Cisjordânia, ataques e bombardeios também no sul do Líbano são constantes. Nas prisões israelenses estão milhares de palestinos, sendo que mais de 400 são crianças. Todos os presos palestinos são torturados e muitos durante essas últimas semanas estão desaparecidos. Há presos que estão encarcerados há mais de 40 anos, 500 palestinos passaram mais de 27 anos presos segundo denunciam as forças da resistência.

O terrorismo sistemático contra o povo palestino tem suas raízes históricas em 1917 quando da usurpação de sua nação pelo imperialismo britânico. Após a segunda Guerra Mundial, com a criação do Estado de Israel em 1948, o território palestino foi tomado pelos imperialistas ianques e seus lacaios sionistas, usados para manter o Estado sionista como base militar ianque no Oriente Médio, como forma de disputar dominação e influência geopolítica dos ianques para a exploração das riquezas dos povos do Oriente Médi. É quando ocorreu a Nakba, “a catástrofe”, como os palestinos chamam o roubo de suas terras. São 75 anos da usurpação do território palestino e 56 anos de ocupação para usurpação de suas terras originárias, 32 anos do famigerado Acordo de Oslo, quando da traição da Autoridade Palestina à Resistência Nacional, cúmplice dos invasores sionistas quando tentam criar uma paz dos cemitérios; anos de várias resoluções do Conselho de Segurança também das Nações Unidas, particularmente a 242 (1967) e a 338 (1973), que significam, ao fim e ao cabo, mais e mais opressão. 


Os pró-sionistas que tentam justificar a ocupação do território palestino por Israel por razões religiosas estão mentindo descaradamente. Historicamente na Palestina conviviam harmoniosamente diversas religiões, inclusive judeus e muçulmanos árabes que conformavam o povo palestino. Desterrar com extrema violência um povo inteiro de seus territórios, impondo também enormes perdas humanas, econômicas, além da perda de direitos básicos elementares, se converteu em uma questão de vida ou morte para a nação palestina e todo povo palestino contra o imperialismo e a reação lacaia. É por isso que é uma falácia falar de “conflito religioso” como motivo dessa guerra. Trata-se de uma guerra justa, de Libertação Nacional do povo palestino, contra a guerra injusta, de ocupação colonial sionista.

Acusam a resistência nacional palestina de atacar civis israelenses e por isso a chamam de terrorista. Em entrevista do jornalista brasileiro Breno Altman com representante do Hamas Osama Hamdan, ao ser questionado se o Hamas tinha como alvo civis, mulheres e crianças, afirmou que os alvos eram militares e ainda “Nós só nos concentramos em soldados e nos colonizadores. Se alguém quiser falar de civis, vamos falar dos que foram mortos de 1948 até hoje. Quem cometeu o massacre de Deir Yassin? Quem cometeu o massacre de Tantura? Quem cometeu o massacre de Kafr Qasim? Quem destruiu, em 1948, quinhentas vilas e cidades na Palestina? Quem cometeu o massacre de Sabra e Chatila, em 1982? Sempre Israel. A resistência à ocupação é clara e garantida pela lei internacional. Se alguém quiser parar com esta carnificina contra os palestinos, que se ponha fim à ocupação.”

Um tribunal popular há que ser organizado contra os criminosos de guerra sionistas e quem o montará serão as massas em processo revolucionário no mundo inteiro. A luta de resistência palestina, pelo seu caráter estratégico, é, decisivamente, uma das mobilizações mais importantes e mais simbólicas do mundo neste momento de crise acelerada de decomposição do imperialismo. Palestina é fato contundente desse novo período de revoluções no mundo e da afirmação do Presidente Mao que “num período de 50 a 100 anos o imperialismo será varrido da face da Terra”. A guerra de Libertação Nacional da Palestina, assim como tantas outras que já existem ou ainda explodirão é parte decisiva e base da Revolução Proletária Mundial.

 
A Resistência Nacional Palestina estremece o imperialismo ianque e seu títere sionista que estão diante de uma situação insustentável e sem saída. Não podem seguir bombardeando Gaza impunemente. Particularmente no Oriente médio, mas não só, se levantarão milhões de massas em crescente ira, sobretudo os que contam com movimentos armados anti-imperialistas. Também Israel não poderá vencer a resistência feroz decidida a lutar até o último homem e mulher. O risco da guerra anti-imperialista se generalizar por toda a região é iminente e não faltam combatentes em toda região decididos pela causa.


É tarefa urgente de todo movimento democrático e revolucionário do mundo atuar decididamente ao lado da Nação e povo palestinos. Unimo-nos a todas as organizações democráticas e revolucionárias na mais irrestrita solidariedade a Resistência Nacional Palestina e afirmamos que desde o Brasil também se escutará o grito da libertação da Nação Palestina.



Viva a Heroica Resistência Palestina!

Palestina Resiste, Palestina Triunfará!