sexta-feira, 10 de novembro de 2023

 

                    Palestina. Qual país fornece combustível às forças de ocupação israelenses?

Resumo do Oriente Médio, 9 de novembro de 2023.




Com a transferência de 200 milhões de litros de combustível para Israel, a Turquia é o maior exportador deste recurso para o regime sionista, revela um relatório.

Segundo o relatório do instituto SolutiEN – empresa de investigação e consultoria focada na indústria energética com sede em Teerão, capital do Irão – desde 2016, a Turquia exportou 200 milhões de litros de combustível de aviação e de navios para os territórios ocupados por Israel. , equivalente a cerca de 250 milhões de dólares.

O relatório revela também que o governo turco, em troca, importou mais de 11 mil milhões de litros de gasóleo, o equivalente a 5 mil milhões de dólares, de Israel.

Isto, enquanto o deputado turco Necmettin Caliskan revelou verdades chocantes em 2 de Novembro sobre o envolvimento de Ancara na agressão israelita em curso contra Gaza.

Segundo o parlamentar turco, os pilotos israelitas que bombardeiam a Faixa de Gaza foram treinados na cidade turca de Konya. Ele também afirmou que o combustível para os aviões de guerra israelenses está sendo enviado da cidade de Alexandria, os alimentos de Alanya e a água potável estão sendo fornecidos pela cidade de Manavgat, todas localizadas na Turquia.

Israel iniciou uma ofensiva aérea brutal contra a densamente povoada Faixa de Gaza em 7 de Outubro, no mesmo dia em que recebeu um duro golpe durante a operação palestiniana “Tempestade Al-Aqsa”. Os bombardeamentos israelitas mataram mais de 10.818 palestinianos, incluindo 4.412 crianças e 2.918 mulheres.

Neste contexto, o Ministério da Saúde palestino informou que cerca de 130 centros médicos foram impactados nos ataques do regime sionista, além disso, 18 hospitais e 46 centros de saúde tiveram que interromper as suas atividades devido à falta de combustível e danos a instalações.

Fonte: HispanTV

terça-feira, 12 de setembro de 2023

CEBRASPO DIVULGA: DEBATE PÚBLICO: O ENCARCERAMENTO NO BRASIL E A CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS 14/09

 Nós do CEBRASPO divulgamos aqui o importante debate que ocorrerá no dia 14 de setembro sobre a criminalização dos movimentos sociais e o encarceramento no Brasil, com a participação da Associação Brasileira dos Advogados do Povo - ABRAPO e o Desembargador Siro Darlan.

"ABRAPO (Associação Brasileira dos Advogados do Povo – Gabriel Pimenta) convida a todos os democratas, intelectuais comprometidos com os direitos do povo, advogados e estudantes de direito, a participarem do Debate Público em que discutiremos sobre o Encarceramento no Brasil e a Criminalização dos Movimentos Sociais, no dia 14 de setembro de 2023 às 19 horas (horário de Brasília)."




quarta-feira, 6 de setembro de 2023

NOTA DO CEBRASPO E ABRAPO: CHACINAS POR VINGANÇAS E REPRESSÃO AS MANIFESTAÇÕES NAS FAVELAS: A ESCALADA DE ATENTADOS AOS DIREITOS CIVIS NO BRASIL

No último mês de julho e agosto de 2023, três chacinas e duas maneiras de reprimir manifestações populares apresentaram um rumo perigoso tomado pelo Estado brasileiro na sua escalada de controle social da pobreza.

Em São Paulo a chacina de Guarujá (SP) deixou o saldo de ao menos 16 mortes e vários feridos. O motivo: vingança pela morte de um PM enquanto estava em patrulhamento, consequência da forma como se dá a política de "combate às drogas" no país. Nesta ocasião, uma vez mais, ficou claro como ocorre de fato o tal "combate às drogas e ao narcotráfico": incursões sem respeito aos moradores, dezenas de denúncias de torturas, PMs encapuzados entrando à força em diversas residências para impor um terror. Práticas que se assemelham às táticas implementadas pelo Exército israelense na ocupação da Palestina. Moradores em geral foram executados sem nenhuma desculpa de resistência armada que ameaçasse a polícia. Há denúncias de mortes de pessoas desarmadas, torturadas e depois mortas. Ali foram julgados , condenados e executados! Esquizofrênicos foram mortos. Na Bahia, estado governado pelo Partido dos Trabalhadores, 10 mortes foram registradas em circunstâncias semelhantes. No RJ, 10 moradores foram assassinados e 3 feridos em mais uma chacina no complexo da Penha. O governador genocida de São Paulo se diz extremamente satisfeito com a operação. Luiz Inácio depois de muito desconversar, disse: "A polícia tem de saber diferenciar o que é bandido e o que é o povo pobre que anda na rua. Para isso, ela precisa estar bem informada. Não estou jogando a culpa em nenhum governador. O governo federal tem de assumir a responsabilidade em ajudar os governadores no combate à violência, porque o crime organizado está tomando conta do país." De fato, recentemente passou de 1 bilhão o Fundo de Segurança Pública para os governadores sem exigir, ao menos, contrapartidas pelo fim das ilegalidades nas incursões policiais e das chacinas recorrentes nas favelas e periferias do país.

O direito de manifestação agora é combatido, inclusive à bala de fuzil.

Na primeira semana de agosto, a Polícia Militar do Rio de Janeiro matou o menino Thiago de 13 anos na favela da Cidade de Deus (RJ) com a mesma desculpa de sempre de reação armada à abordagem policial. A manifestação marcada para 7 de agosto foi duramente reprimida, inicialmente com o repertório de sempre, bombas de efeito moral, gás e balas de borracha, e logo a população que protestava estava sendo alvo de tiros vindos dos policiais. Um blindado de guerra, conhecido como Caveirão, chegou a atirar em direção aos prédios do bairro popular. Não houve, felizmente, vítimas fatais, porém vários moradores foram feridos com balas de borracha e desmaiaram por conta do gás. A mesma sorte não tiveram os moradores da favela do Dendê (Ilha do Governador, RJ). Após um episódio parecido em que um jovem foi assassinado pela PM numa moto, a repressão ao protesto popular que se seguiu com o mesmo repertório repressivo usado na Cidade de Deus resultou na morte da menina Eloah de 5 anos por bala de fuzil que entrou pela sua janela vinda do asfalto. A polícia deu tiros em direção à comunidade. Qualquer protesto com faixas, cartazes e palavras de ordem é dispersado com o aparato repressivo tal como ocorreu também em agosto com moradores do Parque União (Complexo da Maré, RJ) que pediam a liberdade de um mototaxista preso injustamente durante seu trabalho.

Guerra reacionária contra o Povo

Esses fatos são apenas pequenos exemplos de que a democracia brasileira não existe para as amplas massas. A democracia pressupõe direitos civis como a presunção de inocência, a inviolabilidade do domicílio e o direito de ir e vir. Tais direitos existem nestas comunidades? Com a repressão do direito constitucional de manifestação à bala de fuzil, querem implantar a paz do terror, a paz dos cemitérios? Será essa a política de pacificação, do amor contra o ódio prometida pelo candidato Lula?

A barbárie registrada nos últimos dias em todos esses territórios não são um fenômeno isolado, e há uma característica inconteste entre todos eles: são favelas que abrigam a população trabalhadora de nosso país que sofrem com o desemprego, a falta de saúde e educação, e em diversos lares a fome é um assombro diário. Como forma de neutralizar qualquer ímpeto de rebelião contra a crise e a piora nas condições, há em curso uma guerra civil reacionária instaurada pelo velho Estado brasileiro contra as massas.

Intelectuais e diversos juristas defendem que os executores, mandantes, incentivadores e gestores desta política de chacinas sejam levados ao Tribunal Penal Internacional. Todos os democratas devem, de fato, temer pelas liberdades democráticas no país na medida em que o sagrado direito de lutar pelos seus direitos está sendo subtraído ao povo pobre quando qualquer protesto é dispensado, ou à bala de borracha ou à bala de fuzil. No entanto, o controle social repressivo tem um limite, vejam o regime do apartheid da África do Sul, vejam a fragorosa derrota imposta ao imperialismo ianque no Vietnam. É necessário fortalecer uma frente de lutas com todos aqueles que considerem a violência policial não uma questão de apenas má formação ou por falta de tecnologias para disciplinar possíveis desvios de conduta. Passar mais recursos para instituições corruptas até a medula, numa estrutura militarizada que não é permeável ao controle democrático e botar mais lenha na fogueira atual que promove a barbárie.

Há que denunciar os que realmente lucram com tais meios ilícitos, os grandes latifundiários e burgueses. É preciso tirar da cadeia milhares de jovens pretos e pobres dando-lhes oportunidades de vida: terra e trabalho. É necessário o fim completo dessa política de repressão ao tráfico de drogas e armas onde o único resultado tem sido a morte de pobres moradores de favelas e bairros pobres do país, em sua maioria jovens e negros. E cabe os democratas, entidades de defesa dos direitos do povo, intelectuais honestos e a todo o movimento popular a defesa intransigente dos direitos democráticos, da liberdade de livre organização e manifestação não só nas universidades, sindicatos, vias públicas mas também no campo e particularmente nas favelas e periferias do país.


CENTRO BRASILEIRO DE SOLIDARIEDADE AOS POVOS - CEBRASPO

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS ADVOGADOS DO POVO - ABRAPO 

                                                                                       Rio de Janeiro, 24 de agosto de 2023

terça-feira, 5 de setembro de 2023

CEBRASPO DIVULGA: Nota Nacional da Liga dos Camponeses Pobres - Abaixo a CPI dos latifundiários ladrões de terra da União! Conquistar a terra! Morte ao latifúndio!

O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos divulga a nota enviada pela Comissão Nacional da Liga dos Camponeses Pobres sobre a atual e farsesca "CPI do MST" que visa a criminalização da luta pela terra e a perseguição aos camponeses. Como resposta política a CPI comandada principalmente por latifundiários, a LCP divulga a seguinte nota:


 Abaixo a CPI dos latifundiários ladrões de terra da União! 

Conquistar a terra! Morte ao latifúndio!



Quase chegando ao seu final a Comissão Parlamentar de Inquérito que foi criada para defender o latifúndio, os ladrões de terras da União parasitas sanguessugas da Nação, e também atacar o movimento camponês e a luta pela terra. Todo o latifúndio secular, incluído o chamado “agronegócio” embelezado e publicitado pelos monopólios de imprensa e todos governos de turno como a ‘salvação da lavoura’ e da economia do País, só é a forma evoluída e renovada da condenação secular do Brasil a mero fornecedor de produtos primários a preço de banana às potências estrangeiras. É desde sempre a base apodrecida e agora tecnologicamente embrulhada em papel brilhante, da dominação semicolonial do País e do sistema de opressão e exploração do nosso povo. Sistema de interminável crise política, econômica, social, moral e agora militar, que se arrasta há 7 anos, infernizando a vida da imensa maioria dos brasileiros e brasileiras.

Batizada por esta súcia de bandidos da extrema-direita de “CPI do MST”, tal comissão pode terminar sem um relatório aprovado. O motivo é o mesmo de sempre nesta velhaca república de grandes burgueses e latifundiários e sua democracia corrupta até a medula, lacaios do imperialismo, principalmente norte-americano: acordo costurado entre o governo de turno, o STF e o Congresso, em que a moeda de troca é a exploração gigantesca dos camponeses, operários e demais trabalhadores da cidade e do campo e o saqueio das riquezas produzidas e naturais do País.

Não nos interessa aprofundar nestes motivos, nosso objetivo é outro, mas para consubstanciar nossa afirmação destacamos que, no finalzinho de julho e início de agosto, quando se ameaçava prorrogar o prazo, por mais sessenta dias, deste circo de demonização da secular luta pela terra, o STF anulou as provas de uma investigação que apontava mais um dos escândalos da roubalheira descarada do presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira; ministérios, emendas bilionárias e cargos foram oferecidos aos partidos “da oposição”, e as testemunhas do “lado do governo” foram orientadas a baixar o tom. Novidade zero. Mas nem por isso é menos revelador ou tem menor importância terem sido expostas, de forma crua, as vísceras deste sistema latifundista podre (como também a posição conciliadora da falsa esquerda) escancarando, uma vez mais, a necessidade imediata e definitiva da derrocada, pendente e tão atrasada, deste sistema esfomeador de nosso povo e vendilhão da Pátria.


Terra e poder


Em primeiro lugar cabe uma consideração. É revelador que as duas “CPI`s” que mais movimentam e assanham estes ladrões do orçamento público, representantes da grande burguesia e do latifúndio e serviçais do imperialismo, sejam uma a que trata dos acontecimentos de 08 de janeiro de 2023 (luta pelo poder mal e porcamente tratada como luta entre “golpismo” e “democracia”) e a outra a que diz respeito a luta pela terra. Esta encenação tão desmoralizada que são as CPI’s, revela não só a relação entre a questão do poder e a questão agrário-camponesa, a centralidade desta questão, a importância da luta pela terra em curso como Revolução Agrária e os golpes que assestou no governo militar genocida de Bolsonaro e generais, governo das classes dominantes exploradoras, principalmente dos latifundiários e da casta privilegiada e parasitária, o alto oficialato das Forças Armadas, como também que, sem resolver a segunda, tagarelar sobre a primeira é um crime continuado contra o povo e a nação, demagogia pusilânime e historicamente fracassada.


“Modus operandi”


Pelo latifúndio assistimos a uma matilha de cães raivosos da extrema-direita, coronéis e tenentes-coronéis do exército (verdadeiras viúvas saudosas do golpe militar de 1964), delegados, policiais militares que praticam e defendem o genocídio do povo principalmente pobres e pretos, o processado pela justiça por tráfico internacional de madeiras e sabe-se lá mais o que Ricardo Sales (relator, o mesmo que foi “promovido” nos últimos dias de investigado a réu por um de seus crimes), o reacionário e doutorando em calhordice e boca-porca Kim Kataguiri do MBL (buscando ser alguém após a desmoralização de Moro e Bolsonaro), todos escalados para o serviço sujo da CPI, toda essa escumalha sequiosa por alguns momentos de fama e pelo polpudo financiamento do “agro” para suas campanhas eleitoreiras corruptas. Cabe ressaltar que não são da linha de frente do latifúndio, o que de nenhuma forma os livrará da justa ira das massas no acerto de contas vindouro.

Para dar a linha foi escolhido a dedo o “insuspeito” neto, filho e ele próprio ladrão de terras e assassino de camponeses, o fundador e líder da capangagem do latifúndio UDR, que hoje opera dirigindo o eufemismo conhecido por “bancada ruralista” no congresso nacional, Ronaldo Caiado, governador de Goiás. Este elemento alertou a seus pares menos escolados para que concentrassem no MST, na questão do CNPJ, no financiamento do MST. Foi taxativo em afirmar que, por não terem CNPJ, “camponeses pobres de Rondônia” (referindo-se a LCP) e FNL eram “braços” do MST. O sacripanta alertava seus pares para que não se deixassem levar por seus interesses imediatos (os representantes do latifúndio de Rondônia estavam ávidos por atacar a nossa gloriosa Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental enquanto os latifundiários paulistas e seu governadorzinho Tarcísio queriam “a cabeça” de José Rainha e da FNL para legalizar o roubo das terras públicas, reconhecidamente devolutas do Pontal do Paranapanema, invadidas e griladas pelo latifúndio e que estão sendo entregues para os latifundiários locais com o módico desconto de 90% do valor das terras). Caiado sabe as diferenças entre os movimentos, e sabe mais ainda que, em tempos de crise, em tempos de guerra, uma vírgula, um empurrãozinho só é a gota que transborda o caldo.

Pelo lado do “governo” foram escalados alguns deputados que no passado romperam com o PT e hoje estão alinhados com seus ex-correligionários (para passar a falsa impressão de acalorada disputa), como também inúmeros bombeiros, para que não se ultrapassassem os limites da “governabilidade”.

E durante os últimos 4 meses, legitimados pela presença da esquerda oportunista e eleitoreira, a canalha latifundiária expeliu todo o seu ódio contra as massas camponesas brasileiras em luta pela terra. Criminosos, bandidos, invasores de propriedade privada, era o mínimo. Os parlamentares da CPI várias vezes foram escorraçados pelas massas de camponeses quando suas incursões nas áreas vazavam (muitas vezes ocorriam no máximo sigilo, pegando as famílias de surpresa). Quando encontravam um camponês morando em lugar humilde, o mesmo era logo taxado de “vagabundo” (como se as péssimas condições de moradia não fosse regra para a grande maioria das famílias brasileiras), ou então culpavam os movimentos de luta pela terra por tais condições de miséria; mas se o camponês encontrado tinha algum bem, um carro que fosse, então seria ladrão, aproveitador das benesses do governo. Bando de canalhas, uma casta de privilegiados a zombar e desqualificar as massas pobres, a julgá-las e medi-las (como se tivessem este poder) pela própria régua. Não soa estranho que os que tudo têm e tudo podem ataquem como se estivem a beira do precipício os que nada têm e nada podem? Mas afinal, quem são os bandidos?


Criminosos e ladrões de terras são os latifundiários parasitas da Nação

Dados da OXFAM de 2019 apontam que 1,9% dos latifundiários com mais de 500 hectares possuem mais de 56,16% de todas as terras agricultáveis do país, enquanto que os camponeses com até 20 hectares ou que não possuem terra, 66;93% dos homens e mulheres do campo no Brasil ocupam, pasmem, 5,3% de nosso vasto território. E são estes camponeses pobres que alimentam 85% do nosso povo (destes, a grande maioria detém somente a posse da terra, contrato de compra e venda, sem título, o que os faz reféns das humilhações dos gerentes de bancos). 

Dos 800 milhões de hectares de área do País, mais de 300 milhões são de terras públicas, ILEGALMENTE ROUBADAS OU GRILADAS PELOS LATIFUNDIÁRIOS. E essa justiça podre, com constituinte e outras conversas fiadas, NUNCA FEZ NADA!

Os latifundiários não pagam impostos para exportar e não recolhem INSS, aumentando o custo da produção de alimentos e causando essa inflação que arrasa a economia dos trabalhadores.

Latifundiário invade terra, mata, rouba terra dos povos indígenas e territórios quilombolas, e é “POP”! Camponês se organiza para tomar as terras e é bandido, invasor de propriedade privada, ladrão, “têm que morrer!” e “tem que ir para a PQP”.

Latifundiário amealha cada vez mais bilhões com os “Planos” safra, de todos os governos, sem exceção; não paga dívida de banco; ganha trator do orçamento secreto.

Neste Brasil do latifúndio, da grande burguesia e do imperialismo, principalmente norte-americano, o camponês pobre não poderá nunca ser proprietário de terra, no máximo posseiro. É o que diz a Lei de Terras de 1850 até hoje em vigor. Se na terra tiver minério, este é de quem tem o direito de lavra (Lei do uso do solo e subsolo). E todas estas concessões, benesses, favores, as licenças para explorar o minério estão guardadas com chave de ouro no DNPM desde o século retrasado, invariavelmente na mão do imperialismo ou de laranjas “espertalhões”.

E ainda vem o boquirroto líder do MST se “achando”, diante de uma chusma de energúmenos e puxa-sacos, saudar o Estatuto da Terra do golpe de 1964, que aprofundava a Lei de Terras e a Lei do Uso do Solo e Subsolo, decretando que o beneficiário desta “reforma agrária” (fracassada como o Mobral, a reserva de mercado na área de informática, as estatais, etc.) teria direito de “concessão e uso”, mas que as terras seriam do Estado. Ora bolas, por que os ricos ganham ou roubam milhões de hectares de terras públicas, direitos de lavras, enchem a boca para se autoproclamarem proprietários, se dizerem “donos”, enquanto os pobres têm que ficar eternamente no cativeiro dizendo “amém”? Que capitalismo é esse? Só faltou mesmo deixar escapar que este é o caminho para seu socialismo de mercado para completar o show de absurdos.

A “máxima” de que o agronegócio vai bem e o Brasil vai mal é uma mentira deslavada! O Brasil vai mal para que essa minoria gatuna, preguiçosa, preconceituosa, falsa moralista e depravada e ao mesmo tempo mentirosa e assassina se dê bem. Se não é assim, porque então estando no poder, intocáveis e beneficiados por todos os governos desde a Constituinte de 1988 (Luiz Inácio os afagou “heróis”, Bolsonaro, menos calejado, abriu o jogo e declarou que seu governo era do latifúndio), o Brasil só afunda? A culpa é de quem domina ou de quem é dominado? Nos poupem, ilustríssimos e doutos imbecis!


A luta pela terra é Revolução Agrária


O que assombra e aterroriza o latifúndio é que ele sabe que todo esse privilégio e força que ostenta é no fundo a sua maior fraqueza, pois que um império cuja base é um monstruoso, covarde e secular derramamento de sangue continuado da nossa gente, ontem e hoje, de milhões de massas pobres. Somos 200 milhões de brasileiros e brasileiras “comendo o pão que o diabo amassou” para que o latifúndio sobreviva. Em última instância, o superavit da balança comercial (à custa da exportação de produtos primários), a alta tecnologia, maquinaria de ponta e venenos e fertilizantes utilizados, e mais blá, blá, blá, é só perfumaria. O latifúndio é improdutivo, lucra porque não paga a terra, não paga imposto, têm subsídio do governo e tem mão de obra barata ou escrava. Não adianta passar perfume sem tomar banho. O latifúndio é sujo, podre, o câncer no Brasil que precisa ser total e definitivamente  extirpado, pois suas metástases se espalham por todo o país, nas pequenas e grandes cidades.

Ainda que tenham arrancado da boca da liderança do MST que a luta pela terra é pacífica; que os camponeses não invadem, simplesmente ocupam propriedades improdutivas para fazer valer o Estatuto da Terra do golpe militar de 1964; que no Brasil tem lugar para a pequena propriedade e para o latifúndio; que as massas camponesas que ocuparam a Embrapa recentemente estavam erradas; que não existe mais a luta pela terra, e sim a luta pela agroecologia; que os camponeses não querem títulos da terra, mas os malfadados Contratos de Concessão e Uso (CCU’s) do Incra. Nada disso senhores ladrões de terras da União pode salvá-los da secular e sangrenta luta pela terra. Talvez apenas lhes dê mais um pouco tempo e em algum nível lhes permitam chamar de “bela viola” este “pão bolorento” que lhes garante riqueza, poder e ostentação vergonhosa perante um povo tão empobrecido.

Não se iludam, senhores. O mesmo que lhes presenteou com o que queriam ouvir, e que deixou dúvidas se representava o movimento que sim, tem história, ou se estava naquele antro como advogado de Luiz Inácio, reconheceu que costuma ser atropelado pelas massas que generosamente empunharam suas bandeiras, outrora vermelhas.

É a mais pura verdade! As massas camponesas não querem ocupar, querem tomar o que é seu! As massas camponesas não querem ficar na beira da estrada mofando à espera da “reforma agrária do governo”, querem cortar a terra para trabalhar na sua parcela! Os camponeses querem é comer, e nas atuais condições não vão perguntar se é orgânico ou não o alimento. Não querem saber destas CCU’s fajutas que não servem para nada! As massas camponesas não querem mais contar os corpos de seus dirigentes e ativistas, das lideranças indígenas e quilombolas, todos assassinados pela pistolagem do latifúndio e pelas polícias desse velho Estado genocida! Aliás, como é mesmo o que foi dito na CPI, que depois do surgimento do MST tais crimes, sempre impunes, diminuíram? Só no mês de agosto, Sr. Stédile, foram assassinados no dia 03, após torturas, o casal de camponeses Cleide da Silva e “Fumaça”, na comunidade rural de Ipixuna, em Humaitá, sul do Amazonas, apontados pelo latifúndio local como membros da LCP de Rondônia que iriam apoiar e organizar tomadas de terras; no dia 17 de agosto, na Bahia, mesmo estando sob proteção da Polícia Federal e Polícia Civil por estar jurada de morte pelo latifúndio, foi assassinada a líder quilombola Mãe Bernadete. E entre os dias 14 e 18 de agosto, uma invasão de pistoleiros no território (tekoha) Avae’te, em Dourados, Mato Grosso do Sul, deixou dez casas queimadas e cultivos completamente destruídos. Quer dizer então que os dados levantados anualmente pela CPT são mentirosos? Desde os anos de 1980, com novo auge do movimento camponês, o ódio dos latifundiários e sua reação sanguinária, dentro e fora do Estado, só fez aumentar com dezenas de massacres e chacinas, além das prisões, torturas e assassinato de dirigentes das organizações camponesas, indígenas e quilombolas. Quem diz defender a reforma agrária dar uma de bem-intencionado e bonzinho com latifundiários e demais reacionários é conversa pra boi dormir!


Desde a gloriosa e heroica Resistência Camponesa de Corumbiara, em 1995, com sangue, os camponeses brasileiros descobriram a aliança operária e camponesa e a Revolução Agrária, e é isso que o latifúndio, como gigante de pés de barro e tigre de papel, está a temer!

Quanto à direção do MST ela teve várias chances de seguir este caminho. Vamos lembrar uma foto de 1996, estampada no Estadão e no antigo Jornal do Brasil, foto maravilhosa, milhares de massas camponesas armadas em Eldorado dos Carajás! Mas ...


Morte ao latifúndio!


Da histeria das palavras aos fatos, o latifúndio e a extrema-direita reacionária, armados até os dentes pelo genocida Bolsonaro e seus generais, sempre em conluio com os policiais militares e civis assassinos, com farda ou atuando como seguranças privados e pistoleiros, atacaram em diversas partes do país camponeses em luta pela terra, já neste início do governo da coalizão reacionária Lula/Alckmim/Maggi. Exatamente como fizeram no dia 08 de janeiro em Brasília. Assim ocorreu também com indígenas e quilombolas. Silêncio geral!

A história não perdoa. Conciliar com a reação sempre levou a banhos de sangue das massas!

O risco que corre o pau corre o machado, quem mostra as armas que têm se arrisca a perdê-las, quem manda matar também pode morrer, quanto mais que a causa que defendem chegou a tal ponto de desmoralização que só com as armas conseguem defendê-las.

Nossa luta é justa, nossa causa sagrada!


Nós conclamamos e exortamos os camponeses a armarem as organizações de autodefesa da luta pela terra na mesma proporção e calibre!

Conclamamos as lideranças camponesas que não dobraram os joelhos, e são milhares por esse Brasil afora, as lideranças de posseiros, os povos indígenas, as organizações quilombolas, as populações atingidas por barragens, por mineração e por cultivos de eucalipto, as massas proletárias e demais trabalhadores da cidade, que cada vez mais lutam em defesa de seus direitos pisoteados, a cerrar fileiras com nosso bravo campesinato, com o caminho da Revolução Agrária.

O latifúndio histérico, senhor de tudo, grita. O grunhido do porco é faro de sua morte. Morte ao latifúndio!


Conquistar a terra! Destruir o latifúndio!

Terra para quem nela vive e trabalha!

Morte ao latifúndio!

Viva a Revolução Agrária!


Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres

Goiânia, setembro de 2023

terça-feira, 22 de agosto de 2023

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

CEBRASPO CONVIDA: "Mobilizações Sociais e Democracia, sentidos e desafios desde Junho de 2013" por departamento de Ciências Sociais PUC-RIO

 O CEBRASPO convida todos a participarem do evento que está sendo promovido pelo departamento de Ciências Sociais da PUC-RIO, sobre os 10 anos de 2013.

Brena Almeida é integrante da Diretoria do CEBRASPO e participará como palestrante  deste importante evento: "Mobilizações Sociais e Democracia" na mesa: "10 anos das jornadas de junho 2013: As múltiplas dimensões e desafios da revolta social".

Quarta-feira, 16 de agosto às 14 horas - Sala K102 - PUC RIO










segunda-feira, 3 de julho de 2023

ABRAPO E LUZIVALDO DESMASCARAM JÚRI EM CAMPINA VERDE – MG (REPRODUÇÃO NOTA DA ABRAPO)

 Reproduzimos aqui a nota da Associação Brasileira dos Advogados do Povo sobre o caso Luzivaldo.



No dia 26 de junho de 2023, a Associação Brasileira dos Advogados do Povo Gabriel Pimenta – ABRAPO e Luzivaldo desmascararam o Tribunal do Júri realizado em Campina Verde-MG, revelando a todos que o Camponês foi preso, e assim continua, por lutar pelo sagrado direito à terra para quem nela vive e trabalha.

Luzivaldo é Coordenador do Acampamento Boa Vista, na zona rural de Campina Verde – MG, desde 2014, onde participa da organização dos camponeses na luta por terra, e, por ser inflexível na defesa deste direito, sofreu clara perseguição política e violações de direitos, por motivo de convicção política e filosófica, o que é vedado pelo art. 5º, VII, da CF/88.

Afinal, nesse arremedo de República em que o Povo brasileiro foi historicamente ceifado do direito à terra, toda tentativa de luta por democratização deste direito foi e continua sendo violentamente reprimida a ferro, fogo e sangue pelo Estado brasileiro, mesmo após a propalada Constituição Cidadã, supostamente asseguradora de direitos sociais. Na prática, esse velho Estado é permissivo e cúmplice de dezenas de chacinas e massacres no campo, como o Massacre de Corumbiara, Eldorado dos Carajás, Pau-D’Arco, Colniza, e centenas de assassinatos de camponeses, como, Renato Nathan, Cleomar Rodrigues, Gedeon e diversos outros camponeses vitimados no curso da luta.

Antes de iniciar o Júri, dezenas de camponeses e familiares de Luzivaldo se concentraram no Fórum para acompanhar o julgamento de Luzivaldo e seu irmão Robélio, em clara demonstração de que os camponeses de Campina Verde não estão desassistidos, reforçando a importância da união dos camponeses na luta contra a injustiça!

No Júri, a banca de 7 defensores conseguiu de imediato a suspensão do julgamento em face de Robélio, por estar patente a ausência de formalidades mínimas contra o acusado, conquistando assim a primeira vitória processual.

Foram ouvidas diversas testemunhas “de ouvir dizer”, que reafirmam toda a falsa versão difundida pela acusação, imputando a Luzivaldo o crime de homicídio, duplamente qualificado e o de coação no curso do processo, baseado em fofocas, disse-me-disse, boatos, que nunca foram confirmados em juízo, de forma legal e comprovada, a partir de uma trama cartorária e policialesca, endossada pelo MP e pelo Poder Judiciário, usada contra o “inimigo político”.  Não foi verdadeiramente feita nenhuma diligência pelo Delegado ou pelo Promotor para apurar a autoria do crime, bastando a “convicção” de que Luzivaldo era o autor, e uma falsa acusação de coação no curso do processo, para “justificar” o seu encarceramento. Toda a teoria de motivação do crime, de que a vítima teria “paquerado” a filha de 11 anos de Luzivaldo foi desmentida pelas próprias filhas.

Ainda que motivo houvesse, isto não é suficiente para incriminar ninguém, muito menos para condenar. É preciso ter provas certas e precisas para condenar alguém. E, na dúvida, deve-se absolver o réu. É ao Estado que cabe provar a autoria. Não é o réu que tem que provar a sua inocência. Luzivaldo foi vitimado pela reprimenda do Estado por ser uma liderança camponesa atuante e combativa. 

Em seu interrogatório, Luzivaldo, com grande altivez, desmoralizou a acusação, provando que é trabalhador, que estava sendo perseguido por ser coordenador do acampamento na luta pelo sagrado direito à terra, demonstrando que todo o processo não passava de uma armação contra uma pessoa que defende e lidera camponeses na luta pelo direito de democratização da terra.

Ao final do Júri, ficou claro o caráter político da prisão e do processo contra Luzivaldo. O promotor se colocou, expressamente, como um paladino da Cidade, e apelou ao compromisso de classe dos jurados, se dirigindo nominalmente a cada um, e os conclamando, na condição de produtores rurais de “proprietários de terras”, para pedir aos “jurados” a condenação de Luzivaldo, não por ter cometido o crime de homicídio, ou o outro crime de que é acusado, mas por ser uma ameaça à propriedade dos fazendeiros de Campina Verde.

Luzivaldo foi condenado a 15 anos de prisão, sendo que a defesa já apresentou recurso ao juízo de Campina Verde e a batalha processual seguirá a partir do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, até conquistarmos sua liberdade e esgotarmos todos os meios de anular esse processo fabricado e fazer prevalecer a sua inocência!

A batalha pela terra, por sua vez, seguirá com toda a força e altivez, como bem demonstrado pelos camponeses e camponesas que bradaram, ao fim do julgamento, as palavras de ordem “Luzivaldo é inocente! Lutar não é crime!”.

A ABRAPO agradece a todos os defensores envolvidos na defesa de Luzivaldo, em especial à bancada presente em Campina Verde, reforça e eleva a unidade de seus membros na defesa do direito do povo de lutar por seus direitos e e no compromisso de seguir a serviço do povo na sua justa luta contra toda forma de exploração, opressão e injustiça.

Saudamos a altivez de Luzivaldo e seguiremos trabalhando, diuturnamente, pela sua liberdade! 

Podem ter retirado sua liberdade, mas, assim que esta for restaurada, Luzivaldo, reafirmou seu compromisso, em juízo, de voltar a lutar pela conquista da terra!

Saudamos e agradecemos efusivamente todos os apoiadores que contribuíram com a ABRAPO nas despesas do Júri, informamos que a campanha de arrecadação ainda segue ativa para quitação das próximas faturas do cartão. Contamos com a solidariedade de todos.

LIBERDADE PARA LUZIVALDO! LUTAR NÃO É CRIME!

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS ADVOGADOS DO POVO GABRIEL PIMENTA

http://abrapo.org/2023/06/29/abrapo-e-luzivaldo-desmascaram-juri-em-campina-verde-mg/



quinta-feira, 1 de junho de 2023

CEBRASPO CONVIDA: Lançamento do livro "Junho Febril" de Igor Mendes no dia 13 de Junho

 


Passados dez anos, a relevância das Jornadas de Junho de 2013 é fato indiscutível. Pode-se condenar ou defender as manifestações, mas todos concordam que o Brasil não foi o mesmo desde então, num dos raros consensos em uma sociedade tomada de antagonismos como a nossa. Por isso, Junho Febril se apresentava como um livro que precisava ser escrito, no esforço de unir o que comumente ocorre em separado: a participação em um grande evento e a sua interpretação. Pelas vozes de Navalha, um jovem morador do Jacarezinho, espécie de revolta personificada; Flávia, ou Ventania, uma artista que ganha a vida cantando em vagões e praças, à espera da oportunidade para alçar voos maiores; Apê, um estudante de Direito, filho de advogados, que acredita, como os seus pais, que o Brasil está enfim progredindo, mergulhamos em um diário que abrange de 31 de maio a 30 de junho de 2013, e retrata os principais acontecimentos daquelas semanas febris em que o extraordinário fez-se cotidiano. Neste período, as três personagens terão suas convicções, esperanças e frustrações postas à prova, assim como o pequeno universo de astros menores que orbitam ao seu redor, que se amplia à medida que o movimento nas ruas cresce. Assim, é como se arrancássemos de Junho de 2013, no calor das horas, uma confissão de si mesmo. O próprio encontro, fortuito, lá pelas tantas, de Navalha, Flávia e Apê (bastante improvável em qualquer outro contexto) funciona como um dínamo que dispara novas tensões e reflete luminosidade sobre áreas antes cinzentas de cada um deles – e sobre os velhos dilemas brasileiros. Se o leitor partilhar, ao menos, algum daqueles conflitos, ou alegrias, já o trabalho não terá sido em vão.

“Igor Mendes dá vida a personagens complexos que, com dúvidas e certezas, transcendem as suas singularidades. Assim, o que nos é oferecido neste denso romance é uma brilhante reflexão acerca do nosso presente – e uma contribuição para pensarmos sobre o nosso futuro.” – Luiz Ruffato

Sobre o autor

Igor Mendes é professor e escritor. “Junho Febril” é seu terceiro livro. Antes, publicou “A pequena prisão” (n-1, 2017) e “Esta indescritível liberdade” (Faria e Silva, 2020, finalista do Prêmio Jabuti).